POÇO PREMIADO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.605 O município de P...

 

 

POÇO PREMIADO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.605






O município de Poço das Trincheiras, o mais perto de Santana do Ipanema, vai ganhar um presentão. Assim como Dois Riachos que teve asfaltado o povoado Pai Mané à BR-316, Poço vai contar com asfalto até o seu principal povoado, o progressista Quandu, situado às margens do rio Ipanema. E se o trajeto de terra e poeira entre a cidade e o povoado já é belo assim mesmo, imaginem após o asfalto! O citado trecho margeia o rio, além de serras notórias do município. Não confundir Quandu com Guandu. QUANDU é um animal também chamado porco-espinho e ouriço-caixeiro; emprestou o nome ao povoado. GUANDU É UM VEGETAL. Tipo de feijão-fava também chamado ANDU. Portanto, na região proliferava o quandu e nas serras, o guandu ou andu.

O povoado Quandu cresceu tanto que já ouvimos dizer a cerca de 6 anos atrás: Tá maior do que o Poço. Fica bem pertinho da fronteira com Pernambuco. A última vez que estivemos ali, foi para filmar com a TV Gazeta, a entrada do rio Ipanema em Alagoas, o que acontece um pouco mais acima, no povoado Tapera. Poço das Trincheiras é ´considerado como um dos mais organizados municípios do Sertão alagoano. Dizem seus visitantes: “Ali tudo funciona”. Um surto de desenvolvimento tomou conta da cidade que a cada dia se moderniza e se embeleza. Quandu que também tem vereadores nativos, procura seguir os passos da sede, o que faz com grande brilhantismo. Portanto o asfalto chega bem com merecimento e tudo. Ah!... Até Santana do Ipanema ganha com isso.

É comum se asfaltar trechos na capital. Mas, qualquer pedaço de chão asfaltado em terras sertanejas, constitui troféus e mais troféus extras para um torrão por tanto tempo esquecido. O asfalto representa algo impagável para o desenvolvimento de um lugar. Os imensos benefícios que virão após, atingirão todas as áreas físicas e sociais. Inclusive, vários professores de Santana do Ipanema trabalharam ou trabalham no Quandu, indo e voltando todos os santos Dias. Para se chegar ao povoado, deixa-se Santana do Ipanema pela BR-316 e logo se chega ao acesso a Poço das Trincheiras, atravessa-se a cidade, penetra-se na estrada de terra após rodar sobre ponte molhada no rio Ipanema. Quandu está à espera.

Parabéns prefeito Valmiro Gomes, parabéns ao município.

POVOADO QUANDU (IMAGEM: PREFEITURA).

 

 

  ASFALTO NO BARROSO Clerisvaldo B, Chagas, 2 de novembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.604 Nesses momentos...

 

ASFALTO NO BARROSO

Clerisvaldo B, Chagas, 2 de novembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.604



Nesses momentos em que se aproxima o Dia de Finado, a Prefeitura de Santana do Ipanema, inicia a pavimentação asfáltica que dá acesso ao Sítio Barroso. Foi ainda nos tempos do então, prefeito Nenoí Pinto que foi construído no apontado sítio, região plana e de chácaras que fica a cerca de 5 km do Centro da cidade, o chamado Cemitério São José que ficou conhecido popularmente como Cemitério do Barroso. Este campo santo veio para aliviar a lotação do antigo Cemitério e único Santa Sofia. O seu trajeto, porém, continuou até agora com a mesma estrada tortuosa e de terra que dificultavam os féretros até ali, principalmente nos deslocamentos a pé.

Agora a prefeita Christiane Bulhões em parcerias com projetos estaduais e federais, começou a beneficiar não somente o acesso ao Cemitério São José, mas ao mesmo tempo à toda à região que abrange o sítio mais conhecido como Camoxinga dos Teodósio. É o Barroso quem abre os acessos para os sítios Água Fria, Poço Salgado, Tigre, Camoxinga, Pé da Serra, Troca Topa, Pinhãozeiro e Malembá. A região do sítio Barroso é plana e alta e o seu tipo de solo atesta o seu nome. Antigamente ali eram realizadas as corridas de cavalos de Santana do Ipanema, lazer interrompido após acidente entre o cidadão de Santana, Jacinto Vilela e um desses cavalos.  O óbito selou o local como pista de corridas.

O asfalto que inicia na estrada que passa pelo Bairro Lajeiro Grande, facilitará o trânsito dos cortejos fúnebres, proporcionando maior facilidade para as famílias visitarem e cuidarem dos seus entes queridos ali no Barroso sepultados. Portanto, o Dia de Finados promete um grande movimento em ambos os cemitérios como sempre acontece nessas ocasiões. Celebrações de missas e um comércio intenso improvisado de velas e flores que tem início às primeiras horas do Dia de Finados.

O asfalto, sem dúvida, encurta distâncias e traz benefícios sem conta!

Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto em execução!!!

CEMITÉRIO SÃO JOSÉ em 2013. (FOTO B. CHAGAS/LIVRO 230).

 

 

 

 

  CARROSSEL Clerisvaldo B, Chagas, 1 de novembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.603 Termina o mês de outubro...

 

CARROSSEL

Clerisvaldo B, Chagas, 1 de novembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.603




Termina o mês de outubro sem definir sua antiga posição no calendário anual. Primavera na agenda, inverno na aparência e verão na vontade escondida. Último domingo mesclado de incertezas, ora frio, ora pegando fogo, com ameaças de chuvas cujas nuvens não se resolvem, “carregação”, dizem os entendidos. Assim caminhamos para o Dia de Todos os Santos, sem definição, sem chuva, sem caminhão-pipa, sem olhar de futuro, mas ainda confiante nas forças divinas que estão sempre no coração e no bizaco do homem sertanejo. Céu azul, céu de cinza, céu carrancudo... O clima da terra vai se virando como pode e nós vamos buscando esperanças onde as esperanças são rechaçadas pelas ações humanas. Covid, Carestia, Gasolina, Violência, poluição,,,

Já vivi tempos assim quando a responsabilidade era pouca. Como criança, fui passando no Beco de Sebastião Jiló, primeira travessa da Rua Antônio Tavares pera o rio Ipanema quando um grupo de homens conversava espiando para o céu. Falava sobre o tempo abafado e sem chuva. O flandreleiro Zé Gancho que fazia bicas de flandres (zinco) ali pertinho, dizia que “no Ceará choveu foi muito!...”. Não sei se foi pela sua fala arrastada ou alguma coisa assim que este passante disse repentinamente: “Choveu bo....”. O artesão sentiu o baque e ficou dizendo palavras exasperadas. Mas o menino continuou o seu caminho, porque menino é menino e o saudoso Zé Gancho voltou à sua palestra. Ficava muito brabo ao ser chamado de Zé Gancho, cujo apelido nem sei o motivo.

Deve ter chovido mesmo no Ceará. Zé Gancho estava certo e preocupado com o tempo. Sertanejo só fala em chuva. É o núcleo do agronegócio e suas periferias diversas que fazem andar as coisas em solos do semiárido. Se vai chegar água do céu, têm encomendas de bicas (calhas) para Zé Gancho, Manezinho Quiliu e outros artesãos que perscrutam o tempo todos os dias. O simples sinal do relâmpago já desperta o interesse, a alegria e a curiosidade: “está chovendo em Cacimbinhas, Dois Riachos, Palmeira dos Índios, no Alto Sertão que as nuvens trouxeram notícias. Ontem como hoje, o tempo é senhor de tudo e o Senhor, senhor do tempo. Deixe que chegue novembro, Dia de todos os Santos... Dia de Finados... E a sequência do que Deus planejou para nós.

TEMPO EM SANTANA, FINAL DE OUTUBRO (FOTO: B. CHAGAS)