VOLTANDO ÀS TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.670   Após duas ediçõ...

 

VOLTANDO ÀS TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.670


 

Após duas edições em cordel, esgotadas, sobre a história da Igrejinha das Tocaias, temos que voltar àquela ermida para novas fotos. É que, a necessidade de publicar a segunda parte da história ainda não foi contada e resolvemos repassar para a nova geração o lado social e religioso, novenas leilões, missas, promessas, assombrações e lutas de pessoas abnegadas no intuito de não deixarem morrer absolutamente nada desse nosso patrimônio de Santana do Ipanema. Assim convidamos os escritores João Neto Félix e José Elgídio da Silva para escreverem Atessa segunda parte tão bem vivida pelos seus pais na contribuição cotidiana da igrejinha em foco. Da minha parte, o que era cordel transformou-se em prosa para bem respaldar a parte de ambos os escritores. Os trabalhos das duas partes estão praticamente encerrados, faltando apenas alguns reajustes aqui ou acolá pelo zelo de repassar qualidade para a Santana moderna.

Atualmente a Igrejinha das Tocaias, está sob a responsabilidade da zeladora Maria José Lírio, está sempre precisando de ajuda popular, pois não pertence oficialmente a nenhuma Paróquia. Portanto, além de livro contando a história completa da ermida, iremos liderar um movimento social para trazer melhorias significativas para àquela localidade. Precisamos colocar decentemente a Igrejinha das Tocaias no circuito municipal do turismo. Isso também vai depender dos apaixonados pelo tema e pela prefeita Christiane Bulhões. No caso, são duas grandes atrações que existem na localidade rural Tocaias: a Igrejinha bissecular e a Reserva Tocaia, a primeira criada no Sertão de Alagoas e muito visitadas pelas escolas de Santana do Ipanema. Mais ainda temos três outras reservas em nosso município. Estudante em aula de campo fica felicíssimo, quando visita essas áreas verdes.

Temos reservas também em outros lugares como Senador Rui Palmeira, Água Branca e Maravilha, sendo uma maneira de preservar a Natureza e evitar desmatamento sem critério. Além disso, reserva é amplo laboratório para pesquisas dos mais diferentes profissionais e pulmão verde para cidades próximas. Mas o danado é o homem inconsciente que não procura respeitar a lei, invadindo a reserva para matar animais já em extinção e roubar madeira, principalmente madeira-de-lei.

Aguardando boa companhia para mais uma visita às Tocaias, ali a quinhentos metros do final da Rua Joel Marques, no Bairro Paulo Ferreira (Floresta).

Tempo convidativo entre sol e chuva.

IGREJINHA DAS TOACAIAS (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES)

  COLCHETE Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.669 Colchete é nome de acessório d...

 

COLCHETE

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.669




Colchete é nome de acessório de roupa, colchete foi nome de cangaceiro, colchete é cancela, porteira de pobre no Sertão. E quando se diz porteira de pobre, é porque fica mais fácil e barato confeccionar, fechar e abrir uma passagem com o colchete de que com a porteira. A cancela ou porteira é comprada nas   feiras livres ou feitas de encomenda aos carpinas da região. O colchete, qualquer vaqueiro sabem fazer. Consiste em uma peça móvel composta de duas estacas e alguns fios de arame farpado. Uma estaca é grossa e fixa, a outra, ligada à primeira por fios de arame, é fina e móvel. Fica encostada à outra estaca atada por uma corda, arame liso ou outra coisa qualquer. O transeunte levante a corda, tira da amarração, pega na estaca móvel e a arrasta até o outro lado, abrindo a passagem. Faz ação contrária ao fechar.

Pense num objeto cabuloso do sertão! Carregar aquela coisa molenga de um lado para o outro e repetir fechando, cozinha a paciência de qualquer cidadão. Mas fazer o quê?  O dono das terras quer economizar, manda fazer a espécie de porteira que engole a paciência de quem passa por ela o dia todo. Detestamos o colchete do sertanejo. Acontece que tem gente melhorando o troço, tornando-o mais duro nas extremidades do aramado, porém, a parte do meio continua molenga e a chateação é a mesma, bem assim é a insuportável porteira de buracos, de travessas ou de caibros finos. Consiste em dois mourões fixos, um de um lado, outro no lado oposto, com buracos redondos cada, entre cinco ou seis. Esses buracos são preenchidos com caibros roliços.

O gado não passa com a porteira fechada, mas se deixar somente alguns caibros, algumas reses abusadas pulam sem dificuldades. O chato é que o amigo tem que retirar de um lado todos os caibros, passar e repetir os gestos fechando. Caso esteja muito apressado e não querendo enfrentar a chatice, pode-se passar agachado por entre os paus. Esses dois sistemas de abrir e fechar cercado, remontam aproximadamente aos anos trinta quando as propriedades rurais que não tinham cercas, iniciaram esse mister. Assim vamos descobrindo as coisas da nossa terra, não enxergadas antes, como se não possuíssem valor algum. Ainda tem o passador, sistema curvo, inteligente para passar apenas pessoas. Este sim, é bem louvável.

Sertão universidade!

Sertão que voltou a chover!

PORTEIRA DE BURACOS (FOTO: HORSE)

  ANCORETAS Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.668   Está muito difícil nos ...

 

ANCORETAS

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.668

 




Está muito difícil nos tempos atuais, encontrar um marceneiro para consertos. Antes, marceneiro para consertos de pequenos objetos, era um em cada esquina de Santana do Ipanema. Atualmente, com ideias de criação de polo moveleiro, nem polo, nem ideia e nem nada. Alguns marceneiros tentam desafiar o tempo fazendo peças de encomendas até porque é difícil concorrer com a organização desses profissionais de Arapiraca. Portanto, o amigo irá bater muita perna para encontrar quem conserte um tamborete, uma perna de mesa, uma cadeira quebrada... É como se a época dissesse: Tudo que quebrar na sua casa, jogue no lixo, compre outro na loja e pague até em doze prestações.

Dentre os fabricos de selecionados marceneiros dos anos 60, estavam os fabricantes de ancoretas – pequenos barris para transporte d’água em jumentos – Feitas com madeiras arqueadas e presas por arcos de metais, a ancoreta vinha com a tampa e o suspiro também de madeira. As pessoas menos letradas chamavam o pequeno barril de “ancorota”. O usuário ainda rodeava a tampa de madeira com um pedaço de pano velho para evitar vazamento,  como se usa hoje o tal veda-rosca. Quando a tampa original era perdida, usava-se o sabugo em seu lugar e no lugar do suspiro. As ancoretas eram utilizadas para transportar água do rio Ipanema para as residências. Havia na cidade, mais de cem botadores d’água e seus jumentos de raças pegas ou canindés.  Quatro ancoretas ficavam acopladas em ganchos de ferro na cangalha do animal, que ainda tinha manta por baixo da cangalha e cabresto de corda de caroá. O dono do jegue conduzia ou não vasilha e funil para encher as ancoretas nas cacimbas do rio seco.

Os mais humildes, no lugar das ancoretas, usavam latas de querosene ou de outra coisa numa plataforma de madeira, penduradas por cordas de caroá no pau da cangalha, chamada caçamba. Na ladeira que fica defronte o Mercado de Carne, tinha o marceneiro Lourival que fabricava ancoretas na sua oficina em casa Homem idoso, tranquilo e educado. Depois que chegou em Santana a água encanada, tudo o que disse acima foi desaparecendo. No final do século XX, havia marceneiros que fabricavam ancoretas pequenas de imburana-de-cheiro para vender a donos de bares. Era o barrilzinho de cachaça e que tinha uma torneira para alimentar os beberrões. Por hoje basta.

ESTÁTUA AO JEGUE AO ANOITECER EM SANTANA DO IPANEMA. (FOTO:   B. CHAGAS)