ESPIANDO O GADO Clerisvaldo B. Chagas, 6 maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.697   Maravilha o poder da ...

 

ESPIANDO O GADO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 maio de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.697




 

Maravilha o poder da Web. Inúmeras postagens de vídeos por todos os lugares, principalmente as divulgações amadoras sobre aspectos de feiras e feiras de gado. As feiras de gado estão mostradas pelos estados de Pernambuco e Alagoas, pelo menos são as que mais aparecem. É óbvio que estamos vendo uma melhora significativa no aspecto físico, na qualidade dos bichos, na distribuição do espaço e em mais caprichados currais. Muitas delas respeitando o espaço de cavalos, bovinos e animais menores, mas ainda não vimos postado, um sistema de alimentação, bebida e sombra para isto, a não ser das árvores surgidas do acaso. Feira de gado deveria ser igualmente a uma exposição agropecuária com toda a estrutura para o bem estar animal.

Destaque em Alagoas é a Feira de Gado de Dois Riachos e a chamada Feira dos Cavalos no distrito palmeirense de Canafístula Frei Damião. E a feira no geral que era coisa da Idade Média, para surpresa de muitos, resistiu à modernidade do Supermercado, do Mercadão, do Mercadinho, do hiper e de outras formas de vendas nas cidades e capitais. Os destaques são justamente as Feiras Camponesas e as feiras de gado que ninguém vai levar uma vaca para vender no Mercadinho. Ao contrário de quem pensava que as feiras iam acabar, viu o diferente: cada vez mais revigoradas e divulgadas. No caso da feira de animais de porte, entra e circula milhões de reais nesses municípios que descobriram a mina. Isso sem contar com as prestações de serviços nos entornos dessas feiras, consideradas comércios miúdos, mas que arrecada muito dinheiro e assegura a dinâmica do movimento feireiro.

Almoço quase sempre com galinha de capoeira, a bebida, os artigos de couro, os doces diversos e até cangas, vara-de-ferrão e acessórios para montarias, tapiocas, milho assado, água de coco e muito mais. Como foi dito, parece um negócio miúdo, porém bastante dinâmico e que assegura a sobrevivência de inúmeras famílias e o próprio andamento da feira. Esse movimento que teve início defronte os castelos medievais, portanto, atesta a força da compra livre e da validade desse sistema secular. Nem o moderníssimo sistema de compras pela Web conseguiu abalar as feiras de gado nordestinas. Para quem gosta do ramo, uma grande atração pessoal.

CANAFÍSTULA FREI DAMIÃO (FOTO: TRIBUNA DO SERTÃO).

  POVOADO ÓLEO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.696   Entre nomes de sítios...

 

POVOADO ÓLEO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.696




 

Entre nomes de sítios e povoados santanenses um nos chama à ordem, mas só sabe a origem da sua denominação quem já leu da minha autoria algo a respeito. Continuo com um trabalho rural em mais de 60% e interrompido que fala sobre o significado dos nomes dos mais de 130 sítios e povoados do município. O mistério do povoado Óleo é um deles. Estranho nome povoado Óleo! Localiza-se bem perto de São Félix. Antes, 2 ou 3 casas num terreno insalubre, esburacado, dentro de   olaria. Hoje, segundo Jorge Santana, secretário, maior do que o tradicional povoado São Félix. Sua evolução aconteceu com bastante rapidez graças aos inúmeros benefícios solicitados pelos seus representantes, a luta do seu povo e a boa vontade da gestora municipal.

Pois bem, o vereador Jaime Costa tinha uma fazenda ali perto e sempre passava pelo futuro povoado. Certa feita viu alguns trabalhadores deixando o trabalho na hora da refeição e disse: “Olhem ali a turma do Óleo!”. Estava o vereador referindo-se a uma comparação que se diz na cidade com frequência: Turma do óleo, aqueles que trocam o óleo dos automóveis nos postos de gasolina e outros serviços relativos. O apelido pegou imediatamente, segundo contou-me de viva voz o saudoso vereador.  E assim, de um lugar que não tinha nada de óleo e sim, barro de olaria, passou a ser chamado estranhamente: “povoado Óleo”.

Sendo o povoado Óleo no mesmo roteiro do povoado São Félix, para os lados da serra do Caracol (falada no primeiro documento sobre Santana do Ipanema), naturalmente é contramão e só vai lá quem tem negócio; mesmo assim encontrou fôlego suficiente para crescer e progredir. Como existe quase uma conurbação entre ambos os povoados, esta conurbação acontecerá em breve. E para quem não sabe, conurbação (palavra feia!) é a ligação de uma cidade a outra devido a expansão das duas, o que pode acontecer também entre povoados. Quando o asfalto for para aquelas bandas, com certeza chegará garbosamente até o lugar Óleo, quem duvida? A propósito, seguindo margeando a serra do Caracol, além do povoado Óleo, pode se chegar por entre grotas e montanhas, às terras queridas do município de Dois Riachos.

MUDANDO O ÓLEO (IMAGEM: PIXABAY).

 

  TEMPO RICO Clerisvaldo B. Chagas, 3 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.695 Fui me vacinar contra a inf...

 

TEMPO RICO

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de maio de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.695




Fui me vacinar contra a influenza, sob uma chuvarada que pode enganar, mas tem tudo para ser o início da nossa época invernosa. É certo que o mês de maio é o início, mas costuma ser do meio para o fim. Agora vem aguando a terra mesmo antes do final de abril. Ao chegar ao Posto de Saúde São José, tem-se uma visão maravilhosa dos arredores distantes; foi aí que pude ver as colinas que circundam Santana, completamente tomadas de chuvas sobre os nossos belos campos ora dominado pelo verde escuro. Nada teve diferente do inverno, a paisagem e a friezinha conhecida nossa. Por isso não me contive e exclamei para o agente: “Tempo rico!”. E de fato o tempo estava como o sertanejo gosta. Voltei com prazer sob a garoa que ornava o espaço.

Água escorrendo pela sarjeta, passarinhos encolhidos na fiação da rua, urubus recolhidos aos montes e gatos na beira do fogão. Cenário de inverno que nos faz refugar em algumas tarefas e pensar num agasalho, daqueles mais velhos que a gente tem em casa. Um café pequeno vez em quando, um naco de bolo de macaxeira, uma boa melodia cavernosa e um saudosismo dos melhores momentos da vida. A chuva tamborilando no telhado, as plantas agradecendo no jardim, trazem uma melancolia para matar na cama. E aquela espiada obrigatória para a rua deserta, faz parte do ritual molhado que nos iguala aos passarinhos dos fios. Estendo a vista pela crônica em acabamento e o Divino Espírito Santo cuida da devida generosa inspiração.

O cenário rural é de limpar o mato, cortar terra, fazer roça. Pena que em pleno Século XXI, ainda se veja no Sertão o cenário arcaico dos nossos antepassados: O agricultor cortando terra com arado à antiga puxado por parelhas de garrotes. Em muitos casos, nem parelhas de garrotes, mas sim, parelhas de jumentos, outros, nem parelhas, mas com uso apenas de um jumento só. Estão aí os vídeos postados na Internet pelos próprios matutos, o que fazer? Faltam os cooperativismos quando todos podem usar máquinas modernas através das suas parcerias. Mesmo assim, contemplamos a alegria sertaneja no uso do ditado popular: “Quem não tem cão, caça com gato”, embora seja ainda um processo extenuante, traz ao homem do campo a sensação do dever cumprido e comprido. Deus nos dê coragem e um coração feliz.

CHUVA NA BAIXA E NAS COLINAS (FOTO: B. CHAGAS).