REVENDO SÍTIO E RUA Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2022. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.703   Após à visit...

 

REVENDO SÍTIO E RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2022.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.703

 



Após à visita ao sítio Tocaias, ficamos a contemplar a mais antiga rua do Bairro Paulo Ferreira (Floresta). Muitas casas já de fachadas modernizadas, apesar da humildade dos seus moradores. Ganhou creche e ginásio de esportes e continua pavimentada com paralelepípedos. É a mais antiga rua do bairro e a principal da parte baixa. Tem o nome de Joel Marques que foi um dos prefeitos de Santana do Ipanema. A rua Joel Marques tem início logo após a ponte sobre a foz do riacho Salgadinho, riacho esse que divide o bairro Floresta com o Bairro Domingos Acácio. É uma rua muito comprida e reta até chegar ao final onde existe uma bifurcação. A da esquerda segue pela parte mais baixa do relevo, vai formando a estrada antiga das Tocaias e vai sair no riacho João Gomes, via Igrejinha das Tocaias. A da direita sobe até as faldas da serra Aguda e continua até o riacho João Gomes, mais acima, onde está sendo construída a maior barragem do município

A parte do lado esquerdo da rua de quem vai para o João Gomes, tem ao fundo do casario, o riacho salgadinho, afluente do rio Ipanema. Seu trajeto é curto e tem as nascentes dentro da Reserva Tocaia. Mesmo assim, dava um trabalho danado antes da construção da ponte pelo prefeito Adeildo Nepomuceno Marques e ampliada pelo prefeito Isnaldo Bulhões. Tanto a rua citada quanto o bairro inteiro, tiveram suas ocupações principalmente pelos que chegavam da zona rural e encontravam terras mais baratas, a exemplo de antes no Bairro Camoxinga.

Atualmente quem segue pela Rua Joel Marques e entra pela antiga estrada das Tocaias, caso vá somente até à Igrejinha ou até a Reserva que fica defronte, ainda pode seguir devagar de automóvel. Quem quer seguir, porém, até o riacho João Gomes, só a pé ou a cavalo. Tem que subir pela estrada mais moderna que passa no sopé da serra Aguda. Caso venha a ser construída a imagem planejada pelo saudoso prefeito Isnaldo Bulhões na serra Aguda, também a região baixa da Floresta, poderá ser incorporada aos avanços que chegarão através do turismo religioso incorporando a Igrejinha das Tocaias e a Reserva Tocaia, pontos de alto prestígio para os santanenses.

Minha visita e pesquisas na área com o escritor João Neto Félix Mendes, fizeram atrasar às crônicas costumeiras. Vênia!  

 

ENTARDECER NA ESTRADA DAS TOCAIAS (FOTO: B. CHAGAS).

 

  OS ARTISTAS DA PEDRA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.702 Ficamos admirand...

 

OS ARTISTAS DA PEDRA

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de maio de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.702



Ficamos admirando mais uma vez a cerca de pedra da figura, copiar colar. Uma arte praticada por vários escravos negros, denominados mestres. Essa arte tão admirável foi passando para alguns descendentes quilombolas chegando até os nossos dias e repassando também para outros tipos humanos de mestres, atualmente sumidos do mercado. Veio a cerca de pedra do tempo em que não havia cercas de arame farpado e, depois, mesmo com o arame de farpas, a abundância de pedra no local, a mão-de-obra disponível, a segurança e a economia, permitiram que surgissem esse tipo de cercado em variadíssimos recantos nordestinos. Sua altura está entre o peito e o pescoço de um adulto em pé. As pedras são incrivelmente encaixadas e o nivelamento da superfície da cerca é admirável.

As pedras são tão bem encaixadas que só as famosas pirâmides do Egito. Verdadeira obra-de-arte. Até animais maiores do que lagartixas não encontram como fazer morada onde não existe espaço para isso. Aí vem à lembrança de cerca de pedra existente em Santana do Ipanema, no lugar Barragem, no sítio Laje dos Frade  (município de Poço das Trincheiras) e mesmo na Fazenda Coqueiros, Reserva Tocaia e nos limites da Igrejinha das Tocaias, ainda em Santana do Ipanema. Não tem cimento, areia, barro ou outro material, apenas pedras e mais pedras encaixadas maravilhosamente umas nas outras. A longevidade dessas obras, como já vimos, é coisa para muitos séculos. Mais informações sobre elas permitirão a um guia embalar o turista no Sertão do Nordeste.

Ficamos encantados com a visita a Laje dos Frade, onde uma cerca de pedra limita um lajeiro enorme, cuja centro côncavo, acumula tanta água tal um barreiro. Lugar muito agradável, água límpida, recanto para lazer, descanso e até dormidas às sombras de árvores que se debruçam na cerca de pedra de fora para dentro. Uma felicidade permanente para a família de agricultores, logo por trás de casa.

Atualmente o homem procura compensar as cercas de madeira proveniente das devastações, com estacas de cimento. Outros usam menos estacas e arame liso em cerca eletrificada.

Sertão estudado surpreende.

CERCA DE PEDRA DELIMITANDO A IGREJINHA DAS TOCAIAS (FOTO: ARQUIVO/ B. CHAGAS).

 

  BILIRO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.701 O quadro da festa de Senhora S...

 

BILIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.701

O quadro da festa de Senhora Santana estendia-se por toda a extensão do Centro Comercial, o Quadro da Feira e Ruas José Américo e Tertuliano Nepomuceno. As atrações profanas eram variadíssimas, mas o Parque de Diversões sempre acenava como a maior delas, inclusive com a roda-gigante.  A roda-gigante quase sempre ficava entre o “prédio e o sobrado do meio da rua”, quando não era ali, localizava-se entre a “Casa Atrativa” do senhor Abílio Pereira (sobrado do meio da rua) e o “Hotel Central” da conhecida Maria Sabão. Entre tantas atrações, estava sempre também defronte a Casa Atrativa a seção do parque da PESCARIA. Era um redondo com grade onde o público se debruçava para pescar na areia no solo representando água. Ali estavam enterrados muitos objetos de pouco valor: caixa de fósforo, pente, colchete, biliro e um ou outro de maior relevância.

Com um anzol, o indivíduo pescava os objetos enterrados, com um arame para ser puxado. Bastava pagar. O locutor fazia uma zoada medonha e chovia de pescadores. Depois anunciava o nome do “peixe” pescado: um pente, uma bola, etc. Era uma brincadeira bem divertida mesmo. O que mais me chamava atenção era o nome “biliro” que o parque trouxera de outra região e que aqui se chamava simplesmente “grampo” de prender cabelos. Biliro saía muito na pesca e eu perguntava que diabo é biliro? Pois bem, para uma pessoa de bem com a vida bastava ganhar um biliro, um pente, para comentar em casa e rir à vontade, após a festa.

Estamos comentando apenas sobre a parte profana da Padroeira de Santana do Ipanema. Pois as reflexões estão tanto   dentro da nave quanto fora. Em todas as situações humanas cabem as meditações que podem conduzir à felicidade interna. Foi assim que muitos refletiram sobre a imensa alegria em pescar um objeto tão simples como uma caixa de fósforo, um colchete, uma bola... Porque o sentido da brincadeira não era enriquecer no puxar do anzol, mas assim como a vida, ser feliz em participar pois o que menos importava era ganhar uma joia, mas saber valorizar a simplicidade, daí alegria e risadas após a festa. Os sábios compreendem o complexo da vida e sabem celebrar junto a Deus a conquista significativa e profunda de um BILIRO.

CAIXINHA DE BILIRO (CRÉDITO: PINTEREST).