SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
EMBOLADA E CARESTIA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.753 As origens ...
EMBOLADA
E CARESTIA
Clerisvaldo
B. Chagas, 18 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.753
As
origens do cantador nordestino de viola, são as mesmas do embolador repentista.
O cantador canta ao som da viola, o embolador ainda canta com pandeiro, porém,
no início era com uma “peneira” e/ou com um ganzá. A peneira é um instrumento
musical caseiro feito de palhas secas e duras com pedrinhas dentro. O ganzá é
um instrumento musical cilíndrico, feito de zinco e várias pedrinhas no bojo.
Essas pedrinhas quando agitadas pelo embolador, asseguram o seu ritmo de
cantoria. Muitos emboladores nordestinos, já falecidos, continuam na boca dos
apologistas como verdadeiras lendas de todos os tempos. Os nove estados da região
Nordeste possuem seus emboladores atuais e os lendários amados pelo povo.
Esses
emboladores, bem como os violeiros, eram repentistas em que, cada uma dessas
categorias, com estilo diferente, cantava nas feiras e nas festas que havia na
zona rural. Os repentistas, violeiros evoluíram mais, estão muito organizados,
atualmente. Quanto aos emboladores, não notamos evolução alguma. Continuam
cantando nas ruas, nas feiras... Porém migraram do pequeno interior para as
cidades grandes. Pululam nos canais das redes sociais e por causa disso, vamos
conhecendo todos os emboladores do Nordeste.
Como a dona-de-casa reclama da carestia geral
em Santana do Ipanema desde o início do Século XX, iremos confirmar a pesquisa
apresentando um fragmento de estrofe de emboladores, muito antiga, do tempo em
que a cidade de Ouro Branco era chamada Chicão ou Olho d’Água do Chicão e a
cidade de Maravilha ainda era apontada pelos emboladores analfabetos de
Maravia. Além disso, entra na estrofe o sítio santanense Água Fria, que fica
perto do rio Ipanema, próximo da zona serrana do município e Poço das
Trincheiras, município vizinho. A carestia dos produtos do comércio e das
feiras santanenses virou tradição e parece não ter fim. Foi salvo do nosso
folclore, como dissemos, esse fragmento dos emboladores de tantas eras atrás.
Você pode até não concordar com as afirmações do poeta anônimo, porém, jamais
negar a beleza da cadência da estrofe histórica:
Maceió é pra negócio
Santana pra
carestia
Mulher feia só no
Poço
Ôi pelado n’Água Fria
Cachaceiro no Chicão
E ladrão na Maravia...
CENTRO
DE SANTANA DO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS).
EMBOLADA E CARESTIA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.753 As origens do...
EMBOLADA
E CARESTIA
Clerisvaldo
B. Chagas, 18 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.753
As
origens do cantador nordestino de viola, são as mesmas do embolador repentista.
O cantador canta ao som da viola, o embolador ainda canta com pandeiro, porém,
no início era com uma “peneira” e/ou com um ganzá. A peneira é um instrumento
musical caseiro feito de palhas secas e duras com pedrinhas dentro. O ganzá é
um instrumento musical cilíndrico, feito de zinco e várias pedrinhas no bojo.
Essas pedrinhas quando agitadas pelo embolador, asseguram o seu ritmo de
cantoria. Muitos emboladores nordestinos, já falecidos, continuam na boca dos
apologistas como verdadeiras lendas de todos os tempos. Os nove estados da região
Nordeste possuem seus emboladores atuais e os lendários amados pelo povo.
Esses
emboladores, bem como os violeiros, eram repentistas em que, cada uma dessas
categorias, com estilo diferente, cantava nas feiras e nas festas que havia na
zona rural. Os repentistas, violeiros evoluíram mais, estão muito organizados,
atualmente. Quanto aos emboladores, não notamos evolução alguma. Continuam
cantando nas ruas, nas feiras... Porém migraram do pequeno interior para as
cidades grandes. Pululam nos canais das redes sociais e por causa disso, vamos
conhecendo todos os emboladores do Nordeste.
Como a dona-de-casa reclama da carestia geral
em Santana do Ipanema desde o início do Século XX, iremos confirmar a pesquisa
apresentando um fragmento de estrofe de emboladores, muito antiga, do tempo em
que a cidade de Ouro Branco era chamada Chicão ou Olho d’Água do Chicão e a
cidade de Maravilha ainda era apontada pelos emboladores analfabetos de
Maravia. Além disso, entra na estrofe o sítio santanense Água Fria, que fica
perto do rio Ipanema, próximo da zona serrana do município e Poço das
Trincheiras, município vizinho. A carestia dos produtos do comércio e das
feiras santanenses virou tradição e parece não ter fim. Foi salvo do nosso
folclore, como dissemos, esse fragmento dos emboladores de tantas eras atrás.
Você pode até não concordar com as afirmações do poeta anônimo, porém, jamais
negar a beleza da cadência da estrofe histórica:
Maceió é pra negócio
Santana pra
carestia
Mulher feia só no
Poço
Ôi pelado n’Água Fria
Cachaceiro no Chicão
E ladrão na Maravia...
CENTRO
DE SANTANA DO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS).
AGOSTO NA BANQUELA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.752 Diz o nosso povo...
AGOSTO NA BANQUELA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.752
Diz
o nosso povo sertanejo: “Mês miou, mês findou”. Traduzindo a expressão: mês
meiou, mês findou, é que ao chegar à metade do mês, o tempo parece correr mais
para chegar ao final. Assim atingimos o dia 15 de agosto, mês comprido danado,
embora tenha apenas 31 dias. Como previmos ainda em julho, nosso sertão fez
frio de lascar, pois as nossas noites com 20, 19 e 18 graus, fez os ossos
dançarem por baixo dos lençóis. Não queremos comparar o tempo daqui com o do
Sudeste, a nossa realidade é outra e quando a temperatura fica abaixo dos 25
graus já começa a diferença de um tempo normal no Sertão. Com muita chuva
(embora mansa) a lavoura se perde pelos campos e, qualquer pedaço de pano velho
que se tem em casa, imita casaco de frio sem querer.
Geralmente
o dia 15 marca na prática o final de inverno por aqui, quando chuva e frio
começam a arrefecer, caracterizando a frase usada pelos mais velhos: “São os
últimos tamboeiros (tamoieiros) do inverno”, como dizia o meu sogro, poeta
repentista Rafael Paraibano da Costa. E como têm expressões que somente o
sertanejo as entendem, não adianta procurar sentidos. O certo é que nos parece mesmo o final prático
do inverno, pois após acontecer três ou quatro dias de Sol (surpresa!) volta o
tempo a invernar com o retorno do encurralamento das pessoas em casa. E se a lavoura, em parte, reclama do excesso
de chuva e de frieza, a pecuária agradece com tanto pasto verde, até por cima
dos lajeiros, para engordar rebanhos. Bois, carneiros e bodes berram de barriga
cheia nas quebradas do Sertão.
As
chuvas na cidade, mesmo finas, companheiro (a) deixam as ruas desertas, param
as obras municipais como fica na pausa a reforma da Praça São José, tangem
taxistas para abrigos improvisados, Comércio funciona pela metade e o povo que
trabalha em casa deixa de engordar passeios de transeuntes. Acena a “caninha”
do boteco próximo ou o cafezinho quente de casa para ajudar na resistência à
frieza. Assim caminha o mês de agosto. Entre chuva, frio e moleza, é preciso
marchar adiante para aguardar a carruagem da próxima estação com seus cavalos
de marfim e cargas douradas do envio sacro para a nossa vida.
Não
sabemos da irmã, do pai ou do avô, mas a prima-vera já nos acena na próxima
esquina.
Mantenha
a fé, a fé e a fé.
CLERISVALDO
B. CHAGAS EM LANÇAMENTO DE LIVRO (FOTO: ACERVO PESSOAL).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.