SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MACEIÓ E AS PONTAS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de setembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.765 Maceió é a...
MACEIÓ E AS PONTAS
Clerisvaldo B. Chagas,
12 de setembro de 2022
Escritor Símbolo do
Sertão Alagoano
Crônica: 2.765
Maceió é a capital das
pontas: ponta verde, ponta grossa, ponta da terra e Pontal. Sendo uma cidade de
inspiração marinha/lacustre, proliferam no entorno litorâneo inúmeros acidente
geográficos que facilitam a atividade pesqueira, a navegação e a atração
turística devido a esses acidentes proporcionados pela Natureza que tem
trabalhado pelo seu aperfeiçoamento desde quando o mar recuou permitindo
desenhos novos. Cabo: É uma porção de terra que avança pelo mar. Ponta:
Também é uma porção de terra que avança pelo mar. Praticamente existe diferença
entre o cabo e a ponta?
A ponta, o nome está
dizendo, é mais aguda, como uma ponta mesmo em que o seu largo vai se
estreitando mar adentro, terminando com a extremidade muito mais fina. O cabo
tem uma extremidade mais arredondada.
É bastante uma visita
rápida nessas regiões maceioenses, para notar estas reentrâncias e saliências
da nossa capital, desde que os olhares estejam dirigidos a essa finalidade,
caso contrário, a nossa beleza litorânea irá desviá-lo do objetivo. Em Maceió
podemos encontrar também o que chamamos de Enseada e que representa uma
pequena baía. Revendo: o Golfo é grande, a baía menor do que o Golfo e a
enseada menor do que a baía. Veja a Enseada de Jaraguá, onde está localizado o
cais do porto. Mas não é errado você pronunciar: a baía de Jaraguá. Apesar de
não termos restingas famosas em Alagoas para o Brasil, temos restingas na
região. Restinga é uma faixa encorpada de areia paralela ao continente,
feita pelo processo de sedimentação. Costuma fechar e desviar a desembocadura
de um rio.
Os navegadores preferem
os acidentes acima para desembarque, embarque e como portos permanentes porque
assim ficam mais protegidos das águas agitadas como as correntes marítimas. São
bastantes conhecidos no Brasil: o chamado golfão maranhense, as baías da
Guanabara, Guajará (onde morreu o coronel Ludgero), baía de Todos os Santos,
Angra dos Reis (angra, pequena enseada) cabos de São Roque, Santo Agostinho e a
ponta de Seixas, o ponto mais avançado do nosso litoral e a Restinga da
Marambaia. Será que o amigo (a) poderá apontar os locais desses acidentes. Quer
uma ajudinha?
Baía da Guanabara, Rio
do Janeiro – Baía de Guajará, Pará – Baía de Todos os Santos, Bahia – Cabo de
Santo Agostinho – Pernambuco – Ponta Seixas, Paraíba – Restinga da Marambaia,
Rio de Janeiro – Cabo de São Roque – Rio Grande do Norte.
RESTINGA DA MARAMBAIA –
RIO DE JANEIRO (FOTO: WIKIPÉDIA)
CALDEAMENTO NA LÍNGUA DO POVO Clerisvaldo B. Chagas, 8/9 de setembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.764 ...
CALDEAMENTO NA LÍNGUA
DO POVO
Clerisvaldo B. Chagas,
8/9 de setembro de 2022
Escritor Símbolo do
Sertão Alagoano
Crônica: 2.764
Assim como em outros
estados, Alagoas também tem seus nomes de cidades que parecem estranhos para
outras partes do País. É que nós somos originários de portugueses, africanos e
indígenas, principalmente. Algumas cidades do Brasil, assim como Alagoas, preferiram
permanecer com as denominações iniciais colocadas pelos índios, africanos ou
portugueses. Temos, porém, cidades e outros lugares com denominações colocadas
por imigrantes, entre outros, italianos, poloneses, americanos, alemães e
russos. Mas é gratificante saber do orgulho municipal em manter seus títulos
tradicionais, por mais estranhos que sejam. Inclusive, em nosso estado duas
cidades estão com nomes não corretos na Língua Portuguesa, mas pelo jeito, não
pretendem fazer as devidas correções, ambas estão na região do Agreste.
Voltando a nomes
estranhos, isto é, que causam curiosidades nos de fora, vamos citar apenas cinco deles em
Alagoas, mas já abordamos esse assunto em volume nacional. Isso nos faz lembrar
quando um parente, da cidade de Monteirópolis, pediu em São Paulo uma passagem
para a cidade de Jacaré do Homens, em Alagoas. O cidadão que vendia bilhetes,
respondeu que “não estava ali para brincadeiras”. Isso faz mais de 30 anos.
Pequena discussão se formou e, a pedido, o bilheteiro teve que consultar o Guia
de Cidades do Brasil. Estava ali: “Jacaré do Homens”, em Alagoas. O que é que
tem demais um jacaré aparecer num riacho de propriedade dos homens? (dos homens
ricos).
Mas voltemos ao miolo
do tema. Arapiraca, Paripueira, Jaramataia, Coruripe e Ibateguara. No caso de
Arapiraca, já foi amplamente divulgado que é nome de árvore frondosa da região.
Coruripe – Significa
“no rio dos sapos”.
Paripueira - Praia de
águas mansas.
Jaramataia – Árvore de
origem africana; arbusto.
Ibateguara – Lugar
alto.
São nomes de origens
indígenas. Sobre Ibateguara, perguntávamos a um cobrador de Van, se era longe
de Maceió, Ibateguara. Depois de responder à pergunta, o rapaz complementou: Lá
faz um frio da peste!” Está aí a justificativa, a altitude.
A Jaramataia está sendo
usada por populares para cura do câncer.
A propósito, você sabia
que JATIÚCA significa carrapato? Pode ser o aracnídeo ou o fruto da
carrapateira (mamona), planta que proliferava na região.
Licença que agora vamos
a Maragogi: Rio dos Maracujás, falou o índio.
PLANTA JARAMATAIA
(FOTO: PENTEREST)
RIO CORURIPE Clerisvaldo B. Chagas, 7 de setembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.763 Veja que belíssim...
RIO CORURIPE
Clerisvaldo B. Chagas,
7 de setembro de 2022
Escritor Símbolo do
Sertão Alagoano
Crônica: 2.763
Veja que belíssima
descrição sobre o rio Coruripe, pelo saudoso mestre da Geografia Alagoana Ivan
Fernandes Lima:
“Coruripe vem da serra
do Bonifácio (município de Palmeira dos Índios), na base da escarpa ocidental,
atravessa uma parte de Agreste, forma o açude de Igaci. Chega a Limoeiro de
Anadia onde se aprofunda no vale e continua a demandar o Atlântico; é cruzado
pela ponte da BR-11 Sul, junto a Alto dos Garrotes, nos limites do cristalino,
para abrir nos tabuleiros seu vale que se amplia ainda mais, à jusante passa na
Usina Coruripe, que lhe ocupa um treco do terraço na margem esquerda. Desta
cidade até o mar, alarga-se numa várzea rasa e facilmente inundável, dando a
ideia de ter existido, nessa parte, uma lagoa; as marés avançam pelo leito acima,
e em face disto foi construído um canal artificial que facilita o melhor
escoamento das águas, e não se espalha mais as do mar, salgando-lhe as terras.
A cana-de-açúcar ocupa-lhe a grande área do baixo vale, e também a pecuária e
uma regular policultura.
Já foi plenamente
navegável até Coruripe nos tempos dos engenhos de açúcar, mas é de se presumir,
como outros rios em idênticas condições, ter sido o uso intenso das terras do
vale para tal fim que acelerou o entulhamento do próprio talvegue, causando a
perda de profundidade, o que tem prejudicado a sua navegabilidade.
Sua foz está claramente
orientada para oeste e uma simétrica restinga é a responsável pelo desvio,
quando o rio desembocava em meio da enseada que se abre na parte anterior do
Pontal de Coruripe, a qual se acha um pouco interrompida pela formação de uma
linha de recifes que une seus extremos de forma recurvada.
Seus principais
afluentes pela margem direita: Panela, Vitorino e Riachão; pela esquerda:
Lunga, Cruzes e Francisco Alves”
TRECHO NAVEGÁVEL DO RIO
CORURIPE (FOTO: PINTEREST)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.