SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ARAPUÁ Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2022. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.827 Muito gostoso falar so...
ARAPUÁ
Clerisvaldo
B. Chagas, 16 de janeiro de 2022.
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.827
Muito
gostoso falar sobre essa pequena abelha da nossa terra que não tem ferrão, mas
bota para correr até cabra valente. Pode ser chamada de arapuá aqui no sertão,
mas o seu nome indígena – que significa mel redondo – possui uma grande
variação conforme as regiões, como irapuã, arapuã, aripuã, aripuá, arapu,
axupé, cupira, urupuca e várias outras. Referindo-se à abelha no masculino como
falam os sertanejos, o Arapuá faz a sua colmei na parte externa dos galhos de
árvores, que se tornam um monte arredondado, daí o “mel redondo”, formato do
seu enxu ou inxu também assim denominado no sertão, toda colmeia grande ou
pequena. Essa minúscula danadinha gosta muito de árvores frutíferas e seus
galhos mais altos, como a mangueira, por exemplo.
Nem
precisa ir diretamente atrás do inxu, tirar o mel, basta chegar por perto,
subir na árvore para pegar uma fruta nas proximidades das abelhas. Isso chega a
ser muito divertido por quem assiste a cena de uma perseguição em massa por
conta das pequeninas. O bando ataca, principalmente, o cabelo, onde se enrosca
e morde por todos os lugares, com risco de penetração nos ouvidos, e nariz.
Enquanto isso, a vítima parece louca, apavorada, tentando descer da árvore e se
livrar da arapuá nos cabelos. Imita um boneco de mola enlouquecido, ligado na
tomada. Muitos e muitos risos pelos arredores.
“Corra, cabra velho, que o que elas querem é distância entre você e o
inxu”. Geralmente, tudo acaba bem e o sujeito sai de cara feia olhando para
trás e que mais a frente ele próprio estará rindo e contando a presepada.
O
tamanho de um inxu de arapuá é visto de longe, chama muita atenção até para os
acostumados sertanejos. Poderíamos aqui falar em detalhes sobre a abelha arapuá
(Trigona spinipes) mas o amigo ou amiga talvez não estejam interessados
(as) em minúncias, sendo o foco do tema as brincadeiras que essas simpáticas
abelhas pretas pequenas e lustrosas fazem para botar o cabra para correr quando
se sentem ameaçadas. Representam mais um encanto e coisas engraçadas do sertão
nordestino. Mas existe também uma abelha chamada inxuí, que por ser muito
pequena, bem como sua colmeia, foi até motivo de nome de lanchonete minúscula
na cidade de Arapiraca, com ideia do escritor Zezito Guedes.
POÇO DAS MULHERES Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.827 A proposta d...
POÇO
DAS MULHERES
Clerisvaldo
B. Chagas, 11 de janeiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.827
A
proposta do grupo era mostrar às autoridades e à sociedade em geral, a intensa
poluição do trecho, urbano do rio Ipanema relativo ao Bairro Barragem até o final
do Bairro São Pedro. Assim fomos da zona oeste da cidade até a zona leste, por
dentro do rio seco e prosseguimos até o final do bairro ou subúrbio Bebedouro.
Fotografando, filmando, conseguimos o nosso objetivo quando exibimos a poluição
geral dominada pelo lixo doméstico que não poupa lugares. Até sentíamos pena em
vermos tantas carrapateiras ao longo do rio, terrivelmente adubada, assoberbada
com tanto lixo. A carrapateira que dá o
fruto mamona, é muito bonita, vistosa, folhas largas, frutos belos em cachos,
tal qual a uva. É matéria-prima do biodiesel e do azeite que lubrifica o eixo
do carro de boi e o torna cantador; orgulho do carreiro.
Antes
da empreitada, havíamos sido informados pelo saudoso comerciante Benedito
Pacífico, sobre o Poço das Mulheres que fica exatamente aos fundos do seu
Restaurante Biu’s Bar, à Rua Delmiro Gouveia. O poço, situado em local de
pedregulho, puxa mais para perto da margem direita do rio Ipanema. Antigamente,
depois das grandes cheias, entre três a quinze dias, a o volume d’água baixava,
a cor barrenta limpava, avisando ser o momento propício para os banhos nos
poços: Juá, das Mulheres, dos Homens e o do Escondidinho. Pois bem, ao
passarmos em nossa missão pelo poço indicado pelo senhor Benedito, paramos para
fotografar, apreciar e admirar aquele trecho ajardinado de pedras e arbustos
por trás da Rua Delmiro Gouveia. Imaginamos as mulheres se banhando, naquele
tempo onde o banho era com vestido e tudo.
Os
homens banhistas do Poço do Juá, a cerca de 300 metros abaixo, não subiam para
o poço das Mulheres. Naquelas imediações ainda hoje se vê no leito do rio seco,
muitos arbustos verdes e animais amarrados ou não, pastando emoldurados nas
paisagens de inverno ou de verão. O poço das Mulheres representa uma espécie de
resistência feminina em tempo de machismo acentuado do mundo sertanejo. O poço
das mulheres deveria atualmente exibir uma escultura feminina para imortalizar
o ponto tão valorizado de outrora, assim como outra escultura no poço dos
Homens, o Máximo do lazer santanense até antes da construção da ponte sobre o
rio e que leva o nome de General Batista Tubino.
Saudade.
NO
POÇO DAS MULHERES: ESQUERDA PARA À DIREITA: PROFESSOR CLERISVALDO, CANTOR FERREIRINHA,
PROFESSOR MARCELLO, FORROZEIRO MANOEL MESSIAS (FOTO: SÉRGIO CAMPOS-ARQUIVO).
).
ESVAZIANDO A CASA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.826 Foi surpre...
ESVAZIANDO
A CASA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.826
Foi
surpreendente a divulgação do IBGE em que 70 cidades de Alagoas diminuíram o
número de habitantes. Em seguida relacionaremos apenas as que ficam mais perto
de nós: sertão, alto sertão, sertão do São Francisco: Água Branca, Batalha,
Belo Monte, Canapi, Dois Riachos, Inhapi, Jacaré dos Homens, Jaramataia,
Maravilha, Mata Grande, Minador do Negrão, Olho d’Água do Casado, Olivença,
Palestina, Palmeira do Índios, Pão de Açúcar, Poço das Trincheiras, Piranhas e
Senador Rui Palmeira. Mas o que faz uma cidade perder habitantes e mesmo se
transformar em cidade fantasma? As inúmeras causas de esvaziamento são
explicadas na Geografia, Sociologia, História e Economia. É preciso pesquisa
sobre o assunto e cada caso pode ser uma causa específica, mas assusta quando
se aponta 70 cidades perdendo habitantes de uma vez.
Entretanto,
muitos fogem por motivos severos como fuga por causa de guerra, enchentes,
epidemia, vulcanismo e coisas parecidas. A nós, parece causa principal de
redução de número de habitantes, a própria concorrência salutar entre cidades
que evoluem e cidades que se estagnam em desenvolvimento geral. Algumas já eram
previstas por pessoas experimentadas, outras causaram surpresas, mas a
concorrência, engole mesmo. Os gestores são peças fundamentais no
desenvolvimento, na estagnação ou na decadência das suas respectivas cidades,
dependendo do modo de vê o presente e o futuro
da urbe que administra. Cidade onde tudo falta a população migra
naturalmente em busca de centros maiores à procura de educação, saúde, emprego
e oportunidades.
E aqui
para nós, não deixa de ser humilhante a redução comprovada da população da
cidade em que habitamos. Muitas destas cidades que estão na lista acima, são
ótimas para se viver, mas a juventude é vibrante, futurista, cheia de sonhos e
não ficam amarradas ao berço em que nasceu vendo a prosperidade acontecendo em
todos os itens da cidade vizinha, da capital do seu estado. Apesar de uma
mentalidade nova de gestores interioranos (não aqueles que mantinham o
município como feudo) que mexeram no marasmo trazendo algumas novidades para os
munícipes, reagiram tarde demais e muitas cidades do Brasil ficaram na subida
da ladeira estourando o motor. Outras tudo superaram e hoje despontam como
lugares desejado por todos.
MARIBONDO
(FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.