SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
SERÁ QUE SAI? Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.841 Penedo foi o p...
SERÁ
QUE SAI?
Clerisvaldo
B. Chagas, 17 de fevereiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.841
Penedo
foi o primeiro núcleo habitacional de Alagoas, tornou-se progressista vencendo
os séculos seguintes, sendo respeitadíssimo, terra de artistas, escritores e
palcos de grandes eventos nacionais. Sem dúvida alguma, sua atração máxima é o
Rio São Francisco com suas histórias naturais e relatos apaixonantes de lutas
contra a invasão estrangeira em seu território. Muitas e muitas coisas
encantadas e vibrantes estão no bojo das terras penedenses. Mas ainda hoje existe um gargalo que resiste
em se alargar no seu território, mesmo já estando no século XXI. Até parece que
alguém - no
dizer popular – enterrou uma cabeça de burro à margem do rio. Penedo continua
com seus mais de quinhentos anos, fazendo a travessia do rio, de balsa.
Quanto
custa uma ponte sobre o rio São Francisco nesse Brasil que tem tanto dinheiro!
O progresso rodoviário chegou na região de Porto Real de Colégio com a ponte
ali construída, causando muito sofrimento na Economia penedense que ficou
isolada, na época. Desde antão, as promessas políticas são uma constante que
terminam com o conto da Carochinha. Com o novo presidente, agora em Sergipe, o
assunto novamente foi abordado por políticos da região. E fica novamente a
pergunta de resposta incrédula: Será que agora sai? Talvez convocando todos os
macumbeiros do mundo, seja desenterrada a cabeça de burro da lenda interiorana.
Arre!
Em
Santana depois de uma ponte sobre o rio Ipanema, em 1969, fechou-se a porta
para outros trechos importantes do rio como se naquela ponte tivesse sido gasto
os últimos centavos do Brasil. A passagem molhada no antigo lugar Minuino,
talvez da década de 20, clama por uma ponte de respeito para desenvolver a
região de ambos os lados do Panema, ponte que também está marginalizada mesmo
antes de ser prometida por alguma autoridade. E fica assim mesmo porque
visionários são diferentes dos políticos e tão marginalizados quanto os
projetos de progresso em terras de um olho só. Vale salientar que o hospital só
existe por causa da ponte. Os bairros Domingos Acácio, Floresta, Santa
Quitéria, Eduardo Rita, e Colorado só existem por causa da ponte General
Batista Tubino, interventor de Alagoas, na época, e que a construiu.
A
travessia de Penedo, será que sai?
Quanto
a de Santana, durma bem até o século XXII.
PONTE
ANTIGA SOBRE O RIO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).
FALTEI PELA FALTA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.840 Dedicado n...
FALTEI PELA FALTA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.840
Dedicado
nos últimos dias à elaboração de documentos importantes para entrega, isolei-me
da mídia da terra. E por estar desligado do mundo imediato, perdi a convite da
mídia de lançamento de livro. Mas não foi um lançamento de livro qualquer. Foi um
trabalho cobiçado, anunciado e aguardado com ansiedade pelos apreciadores do
mundo cangaceiro. Afinal de contas, tratava-se de um livro escrito com relatos
de mãe cangaceira de Sílvio Bulhões, Dadá, mulher do cangaceiro Corisco, o mais
famoso do bando, após Lampião. Somente quando voltei à mídia santanense,
descobri que o lançamento tão aguardo durante anos, e até cobrado por mim ao
autor, acabava de ser lançado.
Assim
perdi de prestigiar e rever o meu antigo colega de Magistério, hoje com
deficiência visual e idade avançada, presente incomparável do Senhor dos
Mundos. Agora tenho que correr atrás para tentar obter a obra que também
escorregou das minhas mãos. Trata-se do livro “Memórias e Reflexões de um Filho
de Cangaceiros, Corisco e Dadá”. Silvio é formado em Economia, trabalhou no
DNER e foi professor de Matemática, dos bons, em nossa cidade. Era muito amigo
do professor Alísio Ernande Brandão que nos contava muitas aventuras, cujos
personagens centrais era ele e Sílvio Bulhões. Quando Silvio era professor do
Ginásio Santana, eu ainda era estudante naquele estabelecimento, mas não tive o
prazer de tê-lo como professor. Silvio já estava deixando o Ginásio com novo projeto
de vida. Uma vez concursado, fui para a Escola Estadual Deraldo Campos e mais
uma vez encontrei Silvio já de saída, ocasião que foi morar em Maceió.
Com
certeza seu livro será muito disputado nos Sertões do Nordeste inteiro, mas
para mim muito mais importante do que a obra, teria sido o abraço no autor, o
dever incondicional de prestigiar a sua nobre e queridíssima presença na terra
de senhora Santa Ana. Almejo ao escritor Silvio Bulhões toda a felicidade do
mundo, parabenizando-o pela obra tão amplamente esperada dentro das grandes
realizações dos seus desejos.
FREI DAMIÃO É FORTE Clerisvaldo B. chagas, 15 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.839 N...
FREI DAMIÃO É FORTE
Clerisvaldo B. chagas, 15 de fevereiro de
2023
Escritor Símbolo do Sertão
Alagoano
Crônica:
2.839
Não sabemos bem o que aconteceu na Praça
Frei Damião, em Santana do Ipanema. Apesar de modesta e de bairro, havia sido abraçada
pela juventude e se tornado o novo “point” da cidade. Às sextas, a bebedeira
era grande, a enxurrada de motos e “cocotas” a beber, namorar e comer
churrasquinho. Isso até incomodava a Central de Velórios defronte, do outro
lado da rua. Mas, como se vê em situações assim, existem muitas polêmicas,
discussões e ojeriza à boca miúda. A praça Frei Damião está localizada em um
largo onde quatro ruas convergem e divergem da praça. Ultimamente, á noite, num
“tour” pela cidade, paramos e fotografamos a sua quietude que surpreendeu. Parecia até nunca ter havido nada
ali, devido à normalidade noturna, inclusive com o movimento em mercadinho
famoso recostado ao logradouro.
Enquanto isso, o Largo Maracanã
continua com um tráfego intenso, principalmente à boquinha da noite. Centro
principal do Bairro Camoxinga, além de seis ruas que ali despejam, ainda é
cortado pela BR-316. O comércio e a prestação de serviços, mesmo sendo
modestos, tem uma intensidade incrível. O movimento pedestre gira em torno de restaurante
popular, farmácia, padaria, casas de lanches, artesanato, bancas de feira, serviços
de Internet, ponto de transportes, clínica médica, salão de sinuca, bares e
lava-jato. E quando o centro comercial de Santana, fecha, tudo ali vira
deserto. Quem não acha o que procura até à meia noite, em outras regiões, vai
encontrar vidas em atividade no iluminado Largo do Maracanã.
Quanto
ao Carnaval que se aproxima, já acabou na cidade desde o final do século
passado. Já naquela época os foliões se viraram para outras frentes e foram em
direção à Piranhas e Pão de Açúcar, deixando o Carnaval santanense às moscas.
Atualmente, as duas cidades do São Francisco também perderam o interesse na
cabeça dos brincantes da “Rainha do Sertão”. Claro que ainda existe um ou dois
carros de som fazendo zoada em alguns lugares da cidade e talvez meia dúzia de
beberrões aqui ou acolá querendo ressuscitar Lázaro, mas o Carnaval santanense
morreu e as diversas tentativas de oxigenar o morto nunca deram certo.
E se
no Recife tem o galo da madrugada, em Maceió o pinto da madrugada, em Penedo o
ovo da madrugada... Em Santana do Ipanema tem a galinha morta da madrugada.
Ê...

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.