SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
NO ALTO SERTÃO (I) Clerisvaldo B. Chagas,9 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.881 Sábado próximo p...
NO
ALTO SERTÃO (I)
Clerisvaldo
B. Chagas,9 de maio de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.881
Sábado
próximo passado, ainda “não tinha caído a ficha” à nossa recepção do dia
anterior na Escola Estadual Prof. Aloísio Ernande Brandão (CEPINHA), quando
partimos para o alto Sertão das Alagoas. Há mais de vinte anos tínhamos andado
por aquelas bandas e que nem asfalto havia entre Maravilha e Ouro Branco. Acompanhado
pelo escritor Marcello Fausto e Iran Siqueira, fomos direto coletar graças
alcançadas através do padre Cícero para o livro “100 milagres Nordestinos –
Inéditos”. Tempo agradabilíssimo em todos os lugares, temperatura amena, mato
verde geral em nossa área de atuação. Passamos pelas cidades de Maravilha e
Ouro Branco, um professor e escritor desta última nos serviu de guia até a
chácara da pessoa procurada, no Sítio Serrotinho, imediações da urbe.
Ficamos
felizes por encontrarmos grande expansão do casario e modernidade visível, nos
chamando atenção a igreja reformada que ficou um “verdadeiro brinco”. Não deu
para visitarmos a escola em que fui um dos fundadores, vice-diretor e professor
por cerca de quatro anos. E partimos para a chácara, onde encontramos o grande
devoto do padre Cícero, que sempre vai a pé ao Juazeiro todos os anos, desde a
sua juventude. Hoje, com 86 de idade, o nosso amigo sabe tudo sobre Ouro
Branco. Natureza verde, partido de palma para o gado, cão na corrente no oitão da casa,
couro antigo de raposa enrolado à parede e um banco pela-porco no alpendre, coisa
que me deixou maravilhado e que ali fiz questão de me sentar, recusando cadeira
moderna para também usufruir daquele objeto rude de craibeira confeccionado há
63 anos.
Anotamos
duas boas narrativas, agradecemos e retornamos à cidade de Ouro Branco, após
vários casos contados e ouvidos com atenção pela nossa equipe. Mais uma vez
apreciando a geografia do lugar composto de areia branca, lajeados, e que
possui o lajeiro- mor, ponto turístico preservado. Lanche e pneu na estrada
rumo de volta, fomos dar em Maravilha, onde tanto passei meia-noite de volta as
idas constantes às aulas em Ouro Branco. Nada pagava meu retorno ao alto
Sertão, nada. A paisagem sertaneja que sempre me cativava desde criança,
continuava exercendo em mim um fascínio sobrenatural diante da Geografia Divina.
Continuaremos
amanhã esta série de 03 crônicas sobre o alto Sertão. Participe conosco.
IGREJA
(FOTO: B. CHAGAS).
RECEPÇÃO DE REI Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.880 Convidado pela dir...
RECEPÇÃO
DE REI
Clerisvaldo
B. Chagas, 8 de maio de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.880
Convidado
pela direção da Escola Estadual Prof. Aloísio Ernande Brandão, estivemos
ministrando uma palestra sobre parte da história de Santana do Ipanema (sexta
pela manhã) cujo estabelecimento é parte consistente dessa história.
Assessorado pelo Prof. e escritor Marcello Fausto, encontramos uma plateia
atenta entre professore, alunos e funcionários em geral que muito nos
impressionou. Aproveitamos para falar sobre o aniversário da Escola (31 anos)
sua origem e sua localização geográfica formada pelo riacho Camoxinga a
milhares ou milhões de anos. Falamos sobre os canoeiros do rio Ipanema, das
cheias, das pontes, das praças e de todas as fotografias antigas que foram
apresentadas em sistema de slides.
Aos
76 anos de idade, ficamos felizes com essa geração buscando conhecimentos sobre
a terra em que nasceu, muitos deles jamais abordados antes. No decorrer da
sessão de autógrafos e fotografias, uma senhora aproximou-se para dizer que era
de Maravilha e que fora minha aluna. Pense na emoção! Confesso que não estava
esperando, mas a longa fila formada após a palestra para autógrafos e foto com o
palestrante foi um reconhecimento desses que não tem como a gente agradecer. E
no final ainda uma recepção com lanche caprichado à base de galinha de
capoeira, diretamente da fazenda da diretora e o tradicional xerém de milho:
Uma delícia!...
Ôi
pisa o milho
Peneira
o xerém
Eu
não vou criar galinha
Pra
dá pinto a seu ninguém!...
Voltei
tremendamente agradecido da Escola Estadual Aloísio Ernande Brandão. Aproveito
para emitir frase da atual geração: É noite já “e a ficha ainda não caiu”. Ao
deixar a Escola, passamos por outra, cujo diretor também quer fazer homenagem
no mesmo nível. Dia grande! Amanhã, sábado, estaremos no Alto Sertão, na cidade
de Ouro Branco, visitando membros da Associação dos Romeiros do padre Cícero,
colhendo novos depoimentos para o livro “100 Milagres Nordestinos – Inéditos”.
E Que estará chegando à casa dos 80% concluídos. Viajaremos com os companheiros
Marcelo Fausto e Iran Siqueira, também devotos do homem. Foi uma recepção de
rei feita pela diretora Elisângela. Agradeço
com todo coração e humildade.
PALESTRA
NO CEPINHA (FOTOS: ALUNOS).
PRAÇA E CACETE NA MÃO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.879 Praça é uma...
PRAÇA
E CACETE NA MÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 5 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.879
Praça
é uma área de lazer, feita pelo poder público e pertencente ao povo. É uma área
de lazer, descanso, exposição, manifestações culturais e cívicas. Quando
Santana passou à cidade, construiu a sua primeira praça. Pequena, ainda
acanhada, mas estava ali o sagrado lugar das fofocas sociais, das críticas
políticas, do passeio das crianças e dos inflamados protestos. Já dizia o
poeta: “A praça é do povo como o céu é do condor”. Mas, no início da década de
30, foi construída a mais bela praça de Santana do Ipanema, até hoje. Enquanto
a primeira foi construída no atual Largo Prof. Enéas, a segunda aproveitou todo
o terreno baldio que havia defronte a igreja de Senhora Santana. A primeira,
Praça do Centenário; a segunda, Cel. Manoel Rodrigues da Rocha.
Conheci
um vigia da Praça da Matriz. Sim, tinha vigia. Percorria o logradouro com um cacete
à mão. Nunca bateu em ninguém, mas comia fogo com os rapazotes que estudavam na
Escola de dona Helena Oliveira e que aprontavam com ele. Certa feita a garotada viu o vigia
cochilando, amarraram sua perna à estaca do canteiro, bateram na sua cabeça e
saíram correndo. O restante fica por conta da imaginação. E o último vigia da
praça que conhecemos, foi o soldado reformado Gonçalo: tipo Bonachão, amigo e
que recebia alguns trocados dos comerciantes do entorno da praça. Dava pena!
Vivia soluçando, parece que bebia. Daí para cá nunca mais soube que praça tem
vigia. Os vândalos nada respeitam, quanto mais praça abandonada.
Vale
salientar, entretanto, que todas as antigas praças de Santana do Ipanema, foram
extintas ou modernizadas. Mais bonita ou mais feia depende da opinião
individual de quem conheceu a todas. E assim podemos nos referir ao bairro São
José, desmembrado do enorme Bairro Camoxinga e que tem como base a COHAB Velha.
A única praça que havia, fora construída às pressas no apagar das luzes da
gestão Marcos Davi. Vândalos, drogados, ladrões e muitos moradores
destruíram-na, transformando-a em lixeiro, estábulo e ponto inseguro dessas
mazelas sociais. Sobre esse terreno desprezado foi recentemente inaugurada
outra praça de características diferentes. Esperamos que desta vez seja
respeitada pelos usuários e não precise de vigia para andar de cacete na mão.
PARCIAL
DA NOVA PRAÇA (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.