SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O CACHIMBO DA SERRA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2890 Terça-feira (2...
O CACHIMBO DA SERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de maio de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2890
Terça-feira
(23), mais um dia nublado frio e chuvoso. A chuva fina, insistente e molhadeira,
como se diz por aqui no sertão de Santana do Ipanema. E a temperatura de 24
graus é bastante para o escritor buscar agasalho e abrigo. Sou filho da caatinga
e bicho de 26 a 27 graus. Mesmo com essa particularidade, vejo a rua
completamente deserta e seres semelhantes devem estar na preferência da cama,
do sofá, sob a égide do cafezinho quente ou da pipoca estaladeira. E apesar do
cinza esbranquiçado que cobre a cidade, posso assegurar que é um belo dia para
um passeio de carro e apreciação do tempo. Vai continuar chovendo? Vai parar?
Uma foto do serrote Gonçalinho, que circunda a cidade, mostra o monte
cachimbando. E a serra cachimbando, por aqui é estar parcialmente coberta de
neblina quando o tempo estia; ou no pé ou no pico do monte. Se a neblina é na
base o tempo vai para o estio, se a neblina é no pico, mais chuvas chegará.
Como
já disse antes, o nosso tempo chuvoso é de outono/inverno. E como ainda estamos
no outono, as chuvadas vão iniciando suas jornadas anuais. Como não temos sites
especializados, nem sabemos ainda se o homem do campo já iniciou o seu plantio.
Mas o certo é que todos sonham com milho assado, pamonha e canjica do período
junino. Ainda não se fala em São João por essas bandas... Nem forró, nem
fogueira, nem quadrilhas, mas é a própria Natureza que vai pintando o cenário
de festa e fartura para o próximo mês. Milho assado, milho cozinhado, bolo de
milho, povoam mentes que antecipam o São João.
E
o verde da periferia, das margens do rio, da estrada, da colina e dos elevados procura
enquadra-se no verde da bandeira nacional. O perfume do mato molhado é uma saudação
aos riachinhos que alegram o cenário e oferecem beijos carinhosos aos pés dos
caminhantes. O orvalho nas folhas molha os braços de quem logo cedo ama ao
tempo e rompe a trilha. E se tudo na vida tem a sua hora, por que pensar em
seca, em acauã, em sacrifícios se os céus estão derramando bênçãos sobre a
terra e sobre as esperanças do seu coração?
Ainda
existe o arco-íris.
O
Sol chegou tímido. Abra seu coração e deixe-o entrar.
PERIFERIA
OESTE DA CIDADE (FOTO: B. CHAGAS).
MANIÇOBA/BEBEDOURO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.888 Vez em quando ...
MANIÇOBA/BEBEDOURO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.888
Vez
em quando damos uma passada pelos bairros que formam um só, Maniçoba/Bebedouro.
Lugar onde o casario se confunde ao longo da margem esquerda do rio Ipanema.
Muitas rochas e árvores frondosas fazem de ambos os bairros, um belo jardim que
vai sendo descoberto para chácaras da classe média que procura descanso. Na
Maniçoba, o rio Ipanema recebe as águas de um riachinho que se forma em tempo
de inverno, vindo da região do Residencial Brisa da Serra, parte norte da
cidade e saída para o povoado São Félix. O riachinho não tem título e por isso
o chamamos de “riacho Sem Nome”. Mais adiante, no Bebedouro encontra-se a
estreita foz do riacho do bode, após as últimas casas do perímetro urbano. Hoje
transformada em escoadouro do açude formado pelo riacho, porém, sem sangramento
há muito tempo, é seca e coberta de mato.
Imortalizamos
o lugar com o livro documentário ainda inédito, “Santana: Reino do Couro e da
Sola”. Tendo como ponto central do documentário os curtumes daquela região que
alimentava artesãos do couro, a rede de sapateiros autônomos e as fabriquetas
de calçados da cidade. Muitos outros fatos, porém, ali acontecidos são narrados
e vindos a lume para conhecimento dessa e das futuras gerações da terrinha.
Curtumes são lugares onde o couro dos animais são transformados em couro
curtido e/ou em sola. Nos tempos mais recentes nesses lugares que ostentam o
primeiro documento sobre Santana do Ipanema, destacava-se a líder comunitária
conhecida como “Dona Joaninha”, mulher combativa pela sua comunidade e terror
dos políticos santanenses.
Tive
a imensa honra de trabalhar com Dona Joaninha na “Associação Guardiões do Rio
Ipanema – AGRIPA. A última vez que
estive na sua casa, foi com alguns guardiões de folga que aproveitaram para
pegar umas cervejas nas imediações. Dona Joaninha “deu um rela” na turma e
mandou pegar cerveja gelada em um lugar próximo, dizendo: “Vocês estão na minha
casa e a obrigação é minha, ora, ora, ora... Estava doente, mas não se
entregava e pouco se referia aos seus problemas pessoais. Poucos meses ou
semanas após esse encontro, Deus precisou daquela mulher sábia e guerreira para
aconselhar alguns rebeldes na porta do Céu. Uma lacuna difícil de ser
preenchida na Maniçoba/Bebedouro e em Santana do Ipanema.
CLERISVALDO
E DONA JOANINHA, NO BEBEDOURO (FOTO: SÉRGIO CAMPOS).
SECA VERDE Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.888 Já foi tema de antigos...
SECA
VERDE
Clerisvaldo
B. Chagas, 22 de maio de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.888
Já
foi tema de antigos vestibulares: “seca verde”, “quadrilátero Ferrífero”,
recôncavo baiano”, “êxodo rural” e muitos outros. E nesse momento em que a
mídia fala em seca verde em regiões de Sergipe e Alagoas, novamente voltamos a
falar na Natureza. Sábado passado foi o
dia todo nublado no Sertão de Alagoas, frieza e, aqui, acolá, sereno de chuva. O
domingo amanheceu nublado, chuveirinho e frieza, deixando a interrogação
costumeira na região: Será o começo do inverno? Os pássaros mesmo assim,
amanheceram o dia cantando. Logo cedo, aqui no perímetro urbano, a rolinha
cantou forte no Bairro São José, como sinal de caminhos abertos e dia feliz.
Depois os pardais vieram para fiação da rua enfrentaram frieza e umidade.
Mas
o que é mesmo “seca verde”? É o fenômeno em que a vegetação está completamente
verde, mas as águas das chuvas não foram suficientes para o desenvolvimento
completo da lavoura. Os produtos do campo não conseguem chegar à época da
colheita. E se chegam, nada ou quase nada se aproveita. Daí a preocupação do
agricultor também com a chuva. Vai dar para sustentar todo o ciclo das
plantações? E se vai dar, será que ainda vai sobrar água nos barreiros, nos
açudes, nas lagoas... Para a travessia pós inverno? Mesmo por essa época, já
começa uma certa inquietação pelos caminhões-pipa para abastecimento urbano e
rural. E o sertão nordestino vai vivendo na incerteza entre Deus e os homens. A
diferença da seca verde para a seca total é apenas o verde ou o cinza crestado
dos vegetais. Pouca água ou água nenhuma, não ameniza o desespero contra a fome.
Conhecimento
sobre a “seca verde” é bom... Melhor ainda são as ações preventivas e efetivas
em defesa da produção e o pecado da gula na fartura de mesa campesina.
Enquanto,
isso, nessa manhã de domingo em que a crônica se veste para a segunda-feira, o
sereno de chuva é constante neste dia nublado, frio e triste. A beleza,
todavia, da presença divina em cada uma das facetas do tempo renova esperança,
fé e crença no Senhor dos Mundos.
E
se a seca é verde, azul, cinza ou cor de rosa... Muito mais colorida é a
misericórdia que desce e que mescla todos os climas da Terra.
Já
é noite e a chuvada lenta do dia inteiro, penetra pela noite.
DIA
FRIO E MELANCÓLICO (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.