O TRINOME DO POVOADO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.948   Não soment...

 

O TRINOME DO POVOADO

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de agosto de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.948



 

Não somente aquela cidadezinha do interior demonstra tranquilidade. A calma do dia a dia pode aliviar em muito o seu estresse da cidade grande. A boa vizinhança, o bom-dia das pessoas, a marcha lenta do burro, do carro de boi, a busca de água no chafariz coletivo ou o grito do vendedor de macaxeira. O hábito alimentar mais simples e original também cativa, assim como os passeios matinais pelos arredores... Tudo, tudo se reflete também no povoado onde a vida caminha sem pressa e mais segura. São inúmeros esses povoados menores no Sertão alagoano. Mas hoje apontamos especificamente o antes arruado, com três nomes e uma longa história das antigas estradas de rodagem e seus briosos “cassacos” que pavimentaram o progresso do futuro de hoje.

É ali, às margens da BR-316 onde um povoado brilha com sua tradição e bravura, no município de Cacimbinhas, entre Dois Riachos e Estrela de Alagoas. Falamos do povoado Minador do Lúcio, Minador ou Minadorzinho. Qualquer chamado é carinhoso e bem bonito, pontamente atendido. Isso deve-se a um olho d’água ou minação que surgiu por ali e por essas três denominações passou a ser conhecido e montou firme na tradição sertaneja da região. É de topografia plana, simpático e marco histórico para quem trafega entre Santana do Ipanema e Palmeira dos Índios. Cresceu em sentido contrário da antiga rodagem em ambos os lados da BR-316, ganhou pracinha bonita e ponto de transporte para Leste e Oeste. Só não pesquisamos quem foi Lúcio que dá nome ao lugar, mas é muito fácil deduzir.

Minadorzinho foi acampamento dos funcionários do DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, apelidados “cassacos de rodagem” ou “cassacos do DNER” porque comiam muita galinha no entorno do acampamento, de forma clandestina como raposas. Naqueles tempos difíceis para os cassacos, em nossa opinião, são heróis do Brasil, titãs alagoanos que superaram os tempos amargosos de salários baixos, para que a nação pudesse chegar na posição que hoje ocupa. Minador tem muito o que dizer das epopeias da poeirenta estrada de rodagem trabalhada e que nos dias atuais representam um brinco valioso para os transeuntes.

Obrigado Minadorzinho, obrigado queridos cassacos.

MINADOR DO LÚCIO (PREFEITURA/ DIVULGAÇÃO)

  DELIMIRO GOUVEIA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.947   Vimos algumas ...

 

DELIMIRO GOUVEIA

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.947



 

Vimos algumas cidades sertaneja iniciando no Médio Sertão, perto de Santana do Ipanema, seguindo pela BR-316 e acessos. Cidades nas planuras do sertão: Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco e Canapi. Subimos para as montanhas com Inhapi, Água Branca, Pariconha e Mata Grande e, agora vamos descer para as planuras novamente com Delmiro Gouveia, Olho d’Agua do Casado e Piranhas. Delmiro Gouveia ocupa as planuras regionais e representa a mais importante cidade do Alto Sertão com 51.763 habitantes. Sua distância à capital Maceió, é calculada em 304 km e sua altitude mostra 256 metros acima do nível do mar.

Antigamente o lugar era uma fazenda chamada Pedra que progrediu com o implante de uma fábrica de tecidos pelo pioneiro Delmiro Gouveia. Através do tempo, Pedra desenvolveu e ganhou sua Emancipação Política no dia 10 de junho de 1952, passando a se chamar Delmiro Gouveia e cujos munícipes são chamados de delmirenses. A cidade vive da indústria têxtil, do comércio, da pecuária, da agricultura, da sua própria história e de parte dos cânions do São Francisco que atraem pesquisadores e turistas. Faz divisa com Pernambuco, Bahia e Sergipe. Comunica-se com a capital pela BR-316 (Via Santana do Ipanema – Palmeira dos Índios) e pela AL-220 (via Batalha – Arapiraca que está sendo duplicada.

A história de Delmiro Gouveia envolve fábrica têxtil, energia de Paulo Afonso e episódios lampionescos. Sua padroeira é Nossa Senhora do Rosário, celebrada no dia 10 de outubro com empolgação pelos seus habitantes. Os visitantes do Recife, Caruaru e Garanhuns chegam ao núcleo Delmiro Gouveia através da rodovia BR-423, passando pelo Entroncamento Carié, um dos mais importantes do Nordeste.

Vale à pena conhecer a cidade, sua vizinhança e sua história belíssima e enigmática narrada por vários escritores, entre eles, o santanense Tadeu Rocha, cujo livro é considerado o melhor entre todos.

PARCIAL DE DELMIRO GOUVEIA (DIVULGAÇÃO MUNICIPAL).

 

 

                                                                        

  OS MUSEUS NO TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.946   Lembrando a ...

 

OS MUSEUS NO TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.946

 



Lembrando a antiga estrada de rodagem, Palmeira dos Índios – Sertão, continua ainda de pé, testemunhando a história dos transportes e da engenharia em Alagoas, a antiga ponte sobre o rio Traipu.  A referida ponte foi descartada por ser estreita para o novo padrão rodoviário. O outro padrão veio de ponte mais larga e logo recebeu cobertura asfáltica. Aponte antiga, muito bem feita, por sinal, ficou à beira da estrada, servindo apenas para passagem de carros de boi, pesquisador ou apreciadores das cheias do rio, observadas por ambas as pontes. É bem ali na BR-316, próximo do acesso a Minador do Negrão. Sem dúvida alguma uma relíquia da história no museu a céu aberto que irá se acabando com o tempo. Mas se não podemos levá-la para um museu fechado, pelo menos deveria ser feita uma maqueta para tal fim.

Outra ponte relíquia da história é a de Dois Riachos que perdeu para ponte nova com outro traçado do trecho que passa pela cidade.

Mas, essa ponte, sabiamente passou a ser uma das entradas da urbe, usada normalmente por automóveis, carroças, animais e humanos na rotina da “Terra de Marta”. Tanto a ponte nova quanto a ponte velha, são também mirantes para apreciação das cheias do rio Dois Riachos, afluente do Ipanema e de calha bastante respeitosa. E mesmo ainda com tanta serventia, não deixa de ser, a ponte, um museu a céu aberto de muito significado para a cidade e município da “Pedra do Padre Cícero”. Os estilos das pontes velha e nova são diferentes, mas a história é a mesma em riquezas de detalhes.

Estamos falando de lugares, aonde palmilhamos ultimamente e vamos sentindo a evolução como acontece com as diversas ciências que iluminam a condição humana. O sertão do carro de boi para o sertão do automóvel; os rios das travessias, para os rios das pontes; O interior do grito pelo interior do celular; os lugares da escolinha pelos lugares das universidades; as cidades das rezadeiras pelas cidades da telemedicina... E a firmeza na crença no desenrolar do mundo. O caráter do homem também transfigurará, fazendo desse planeta de expiação, uma sociedade mais justa, mais igualitária. Afinal, o HOMEM não morreu em vão. Deixemos que o sertão vire mar e que o mar vire sertão. O coração do homem não pode é dispensar a harmonia e a beleza do rotineiro e do exótico para alimentar a sua alma sedenta do Grande Arquiteto do Universo.

PEDRA DO PADRE CÌCERO – (DOIS RIACHOS – AL) – foto: gazeta de alagoas.