A MORTE DOS GIGANTES SEM DIREITO A FLORES Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crôn...

 

A MORTE DOS GIGANTES

SEM DIREITO A FLORES

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3360

 



Quem viveu quase toda a segunda metade do século XX, deve ter gozado da formação e realizações dos três clubes gigantes de Santana do Ipanema, os centros das diversões e congregadores da Cultura regional sertaneja. Tempo do rádio, não televisão, não celular, não computador. Sim, o reisado, sim, o pastoril, sim, os grandes bailes, sim, as novenas, sim, os banhos no rio Ipanema, sim o grande São João, sim, os grandes Carnavais. E neste século XXI, nada contra a evolução geral da humanidade. Nada de saudosismo sem fundamento, mas um olhar prático e sensível nos anais da história e as estações obrigatórias dos defeitos. Os três gigantes, Tênis Club Santanense, Sede dos Artistas e Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, representam também outros gigantes: DNER, DNOCS, Instituto Colégio Sagrada Família, Posto de Puericultura, Ipanema Atlético Club e Ipiranga do futebol.

O orgulho dos trabalhadores (Sede dos Artistas), os orgulhos da Elite (Tênis Club e AABB) foram se degastando ao mesmo tempo em que as novidades de divertimentos em casa, foram surgindo. Seus fundadores e abnegados defensores, foram morrendo e mais nova geração não conseguiu mais editar os antigos feitos dos gigantes A geração novíssima, já de nada sabia sobre a vida dos três clubes. Os sócios se afastaram e não havia mais motivação para continuar com despesas de clube e da diversão em casa. Primeiro faleceu a Sede dos Artistas. Os dois clubes restantes resistiram até este primeiro quarto do século XXI; então caiu a AABB, logo depois era anunciado o óbito do Tênis Club Santanense, sem alarde, sem grito, sem zoada, sem choro, sem vela, SEM FLORES.

As memórias são apenas para os antigos. Mas, o que fazer agora com os dois velhos caarões que ainda estão de pé?   Serão demolidos? Serão transformados em museus, secretarias, escolas, hospitais... Como às vezes a história é cruel com os sobreviventes. Convido a Estação Rodoviária para fazer parte desse sepultamento coletivo. E, como foi dito acima: sem choro, sem vela e SEM DIREITO A FLORES.

TÊNIS CLUB EM 2013. (FOTO: Livro 230/B. Chagas).

 

 

 

                                   SAL E MEL – MEDIDAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alag...

 

 

                               SAL E MEL – MEDIDAS

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3359

 



Tem razão o escritor santanense, Luís Antônio, o Capiá, quando diz que o seu avô vendia sal. Era isso mesmo, Seu Misael, que morava à Rua Nilo Peçanha – quase defronte a Cadeia Velha – vendia sal na feira de Santana do Ipanema com mais dois ou três colegas do ramo e um deles parece-me que era o senhor Domingos que morava do outro do rio. Mas, não sei o motivo, eu apreciava o sal grosso vendido a granel em sacos de panos, primeiramente defronte o “prédio do meio da rua”, depois, entre a igreja Matriz e a esquina do Hotel Central. Eu apreciava aqueles quadrados de sal grosso que me parecia diamantes, brilhantes e transparentes. A unidade de medida era um quadrado de madeira boa a que era chamado “salamim”. “Quero um salamim de sal” dizia o povo. Já a medida de vender farinha era qualquer vasilhame e a quantidade se chamava “Cuia”. “Dê-me uma cuia de farinha”.

Dizem que a cidade São Sebastião, perto de Arapiraca, no Agreste, era antes, o lugar, chamado “Salomé”, porque ali se vendia sal e mel aos viajantes. Não sei como era vendido o mel no lugar Salomé, porém, desde que conheci sua venda até os presentes dias, sempre foi com unidade de medida, “litro”. “Um litro de mel”, “dois litros de mel... “ Sempre soube também que o mel mais valorizado e profundamente mais gostoso e medicinal era o mel de uruçu, isto é, da abelha Uruçu. O mel de uruçu que chegava a Santana, era quase sempre de encomenda e vinha das imediações do lugar Cabeça Danta, entre Palmeira dos Índios e Maribondo. Já presenciei o mel de abelhas comum ao preço de 10,00, enquanto o litro do mel de uruçu valer 80,00 e continua assim.

Vimos quais eram as medidas para o mel, o sal, a farinha. Usava-se também a medida “litro”, para se vender castanhas, nas feiras, amendoim, fava e feijão. E por falar nisso, recentemente alguns clientes de uma banca na feira admiravam um caneco de Flandre que equivalia a um litro, medida para feijão verde e, sempre pediam explicações a dona da banca, fiel seguidora do padre Cícero e ela dizia: “Isso aqui veio do Juazeiro, é o meu orgulho e minha valorização”.

Assim eram as medições.

Medições do século XX.

MEDIDOR DE SAL REDONDO.

 

                             

 

  

 

 

    BOMBA OU POSTO DE GASOLINA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3358   ...

 

 

BOMBA OU POSTO DE GASOLINA

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3358

 



O primeiro posto de gasolina que tenho lembrança, em Santana do Ipanema, deve ter sido na década de 1950. Era localizado na pracinha do Centenário, no centro da cidade. A Praça do Centenário foi a primeira praça de Santana do Ipanema, pequena, triangular e com apenas três bancos de cimento sem encosto. Naquela época, posto de gasolina, como é chamado hoje, tinha o nome de “Bomba de Gasolina”, em Santana e em todos os lugares, acrescentado do nome do dono. Veja, “A Bomba da Marieta”, em Maceió, ponto de referência até há pouco. Em Santana era a “Bomba de Seu Nequinho”, assim conhecido o seu proprietário. Serviu ao primeiro transporte coletivo  Santana – Maceió, ônibus primitivo chamado “sopa”.

De seu Nequinho não lembro mais das suas feições, mas lembro do rapaz, seu filho, que cuidava do posto. óculos de grau forte, olhos grandes, alegre e amigo de todos. Lembro também da sua irmã Neilda que dera um curso de recitação no Ginásio Santana e que   fiz parte. Esta faleceu em Maceió, não está com muito tempo. Acho que eu estava fora de Santana, quando soube da tragédia da “Bomba de Seu Nequinho”. Pegara fogo matara o rapaz, seu filho Newton. Uma comoção geral na Rainha do Sertão. Daí em diante nunca mais ouvimos falar no termo Bomba, a não ser a da Marieta, em Maceió. Lembro também do primeiro posto de gasolina (já com esse nome)  Posto de Gasolina do senhor Everaldo Noya, (Posto Esso), no lugar onde hoje é o prédio da Caixa Econômica, no Bairro do Monumento. Não sei dizer, porém, qual dos dois pontos de venda de gasolina era o mais antigo em Santana.

A bomba de Seu Nequinho, foi a coisa mais importante que funcionou na primeira praça de Santana. Era uma boa novidade para o Sertão e ao mesmo tempo fora um passo importantíssimo para o progresso sertanejo. No início desses transportes, os motoristas tinham que rodar com volume extra de gasolina para assegurarem o abastecimento no meio das suas viagens. Era o famoso “galão de gasolina”.  A proliferação de bombas ou postos de gasolina, pelos municípios, deu mais condições aos viajantes que aos poucos foram abandonando o galão extra, um perigo constante no interior do veículo.

BOMBA ANTIGA. (FOTO DIVULGAÇÃO).