SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
PUERICULTURA Clerisvaldo B. Chagas,29 de junho de 2026 Escritor Símbolo do sertão Alagoano Crônica: 3437 Talvez o nome inc...
PUERICULTURA
Clerisvaldo
B. Chagas,29 de junho de 2026
Escritor
Símbolo do sertão Alagoano
Crônica: 3437
Talvez
o nome incomum seja mesmo para não se saber o que o se representa. Entretanto,
havia em Santana do Ipanema, lugar
muito agradável, prédio comprido que ia de uma rua a outra. O referido prédio é
ainda localizado no Bairro Monumento, na Rua Dr. Otávio Cabral, quase vizinho a
Caixa econômica. Tinha na fachada com letras antigas de argamassa, escrito:
“Posto de Puericultura”. Como o edifício estava localizado em parte de um
antigo cemitério, era comum se dizer que o lugar era mal-assombrado. Uns viam
coisas outros nada viam. Irmãs holandesas trabalhavam no citado prédio contribuindo com a saúde da
cidade. Tempos depois o prédio ficou fechado e nunca o vi reabrir. Mas me
chamou muita atenção quando eu tirava foto e fazia a história iconográfica de
Santana do Ipanema, em 2012.
A
antiga beleza da fachada continuava
perfeita. Um pequeno jardim na frente e o prédio fechado me fez respirar fundo
. E a Puericultura que é o acompanhamento médico periódico e preventivo da criança e do adolescente, foi
para o espaço. Pelo que ouvi, ali também
se ajudava às pessoas pobres com roupas
e calçados. Ambiente calmo, bom
movimento e várias pessoas conhecidas trabalhando naquela nobre missão. E
rondando por ali na tarefa a que eu tinha proposto, fui ao AABB, à Escola Padre Francisco Correia, ao
Tênis Club Santanense, à Igreja Sagrada Família, à Emater, a Caixa Econômica,
ao Banco do Brasil... Porém, nenhum sentimento doeu mais do que contemplar
aquele edifício de tanta relevância, descartado como esmoler desconhecido.
Fiz minha foto, coloquei legenda
histórica e desci do bairro com toda a tristeza do mundo. Quanta falta de
sensibilidade aos lugares que foram tão sagrados! A propósito, o prédio foi
construído para ser Posto de Puericultura em terreno cedido entre os anos
1947-1948, durante a gestão municipal de Firmino Falcão Filho, Na foto, do
outro lado da rua, um pé de algum tipo de flor, parece fazer uma homenagem póstuma ao edifício desativado.
POSTO
DE PUERICULTURA EM 2012. (FOTO: B. CHAGAS) LIVRO 230.
O MONTE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3436 Vemos na foto deste traba...
O
MONTE
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3436
Vemos
na foto deste trabalho, uma rua em área nobre do Bairro Monumento. O asfalto
que domina toda a cidade de Santana do Ipanema, porém, ainda não chegou por
aqui, onde estar situada a sede do INSS. Entretanto, dar para se perceber a
limpeza da rua ainda com paralelepípedos. Veja que a paisagem urbana que parece
bem “penteada”, como um cenário após a chuva. Ao fundo da foto, vemos o verdume
do monte, começando a bela cor pelas árvores da rua, podadas e belas. O monte,
ao fundo, tem Geografia, tem histórias, tem o social e a literatura que a ele
se refere. Ali tem crônicas, tem conto real, tem turismo , têm fotos, têm
filmagens e tem encanto. Estamos falando do serrote do Gonçalinho, depois,
serrote do Cristo e depois serrote das Micro-ondas.
Vemos
a face voltada para grande parte da cidade; a outra face é voltada para a AL-220, que liga Santana do
Ipanema a olho d’Água das Flores. A face
apresentada abaixo, é íngreme e sem habitações, repleta de arbustos, cactáceas e
viva na fauna com teiús, cobras, formigas, raposas e gatos-do-mato. A face não
vista na foto tem as faldas habitáveis e com bairro formado recentemente
com nome Santo Antônio. Como já foi dito em outras vezes, a face apresentada é
o sota-vento. A outra face é o barlavento. Geralmente os serrotes do Sertão são
prolixos, em forma de lagartas, se bem que encontramos outras formas de relevo.
Os melhores ângulos para se fotografar o Gonçalinho é de onde esta foto foi
batida e das proximidades, especificamente, do hipermercado Nobre.
O
lugar é excelente para um convescote, porém, a ideia não é muito boa para esse
tempo de chuvas e frieza. De qualquer maneira a foto abaixo serve para dá rosto
ao monte e para apreciar a beleza do verde sertanejo. Foi aproveitando a ida ao
INSS que senti a foto e não pude evitá-la. Continuam em cima da crista, as
compridas antenas de comunicações que deram nome ao serrote pela terceira vez:
serra da Micro-ondas e que vai mudando de geração em geração conforme o que for
chegando no seu topo como novidade. Pela
face que dá para a AL-120, pode ser usado o automóvel até o topo, muito embora
vez em quando o calçamento de pedras precise de concertos.
Registrado
o que vi.
(FOTO DE B. CHAGAS).
ALTO DOS NEGROS Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.435 Benditos são os ...
ALTO DOS NEGROS
Clerisvaldo B.
Chagas, 24 de junho de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.435
Benditos
são os lugares denominados pelo povo. Eles são autênticos, feios ou bonitos
mais refletem as verdadeiras origens. Os
gestores políticos, as câmaras municipais, vão varrendo os nomes de tradição e inventam nomes de pessoas cujas
famílias possam lhes dar votos. Alguns casos podem não ser assim, mas no geral
os sãos. E foi pelo povo que surgiu o termo naquela colina do antigo Bairro
Floresta, de ALTO DOS NEGROS. A princípio, eram três ou quatro casinhas de
taipa, à beira da estrada em chão de
barro vermelho. Não era uma aldeia quilombola, mas os poucos habitantes
daquelas casinhas talvez tenham vindo do núcleo quilombola de Tapera do Jorge,
na margem do Ipanema, povoado de Poço das Trincheiras. Era algumas
mulheres e o preto Zacarias, carregador de malas, em Santana do Ipanema.
Não
havia oficialmente a profissão de carregador de malas, mas era uma atividade
bem exercida por algumas pessoas de Santana. No século passado, como havia
muitos caixeiros-viajantes. Permanecia a atividade. Consistia em o carregador de malas, levar as malas dos
caixeiros dos hotéis onde estes se hospedavam até à loja e depois das vendas,
levarem as malas de coro fornido de volta ao hotel. E Zacarias, calado e muito
esperto farejava de longe a chegada de caixeiro-viajante. Dizia que era o
carregador número 1, bem interessado numa boa gorjeta conforme a generosidade
de cada viajante. Pois, aquele pedaço de chão com algumas mulheres e poucos
homens, no comando de Zacarias, foi resgatado por nós no livro em parceria
NEGROS EM SANTANA e que, por sinal,
virou TCC em curso de Geo-História.
O
lugar nunca deixou de ser chamado ALTO DOS NEGROS, embora já tenha evoluído no
seu formato. Fica um pouco abaixo do Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues,
no alto da colina. E assim como o lugar Alto dos Negros, muitos outros lugares
de Santana do Ipanema, foram resgatados por nós e que hoje, inúmeros deles, só
se conhece a sua existência por causa da única fonte: os nossos resgates.
Tirando a distância ao Centro da cidade e algumas malandragens que pululam nas
periferias, o lugar é bom para se viver e
possui paisagens privilegiadas em todas
as direções. Ali tem hospital, tem faculdades e tem futuro. Sempre que passo
por ali, procuro as casinhas que deram nome ao lugar.
ALTO DOS NEGROS (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.