O CAFÉ DO BACURAU (Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009) Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu ...

O CAFÉ DO BACURAU

O CAFÉ DO BACURAU

(Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009)

Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu caso, apaixonado por um bom café, não posso esquecer o líquido negro que é servido na região de Garanhuns. Andando para àquelas bandas com o motorista de camioneta, Eugênio Teodósio, tínhamos parada certa para o café da manhã na pequena cidade de Iati. Eu ficava admirado com o pretume encorpado do café servido e achava uma verdadeira delícia daquele lugar tão simples. Depois descobri que o mesmo café (até parece coado pela mesma pessoa de Iati) também era servido na rodoviária de Garanhuns. Sei que um bom café depende de uma porção de coisas, não sendo tão simples assim. Descoberto o café da rodoviária, tornei-me um viciado sempre que passava pela “Suíça Brasileira”. O danado é que mesmo trazendo pacotes dessa região, o gosto em casa parece muito distante do original. Deve haver algum truque, alguma coisa que transforma o grão naquela coisa deliciosa. Sei sim que existem cafezais no planalto dos 800 metros de Garanhuns. Mesmo assim tem que haver algum segredo na bebida quentíssima.

Aqui em Alagoas dificilmente encontro um café igual ao daquela região pernambucana. Quando teve início a construção do asfalto na Al-120, acompanhei quase diariamente o processo na rodovia. Era tempo em que os ônibus, Santana-Arapiraca, davam rodeios enormes pelos caminhos esquisitos das fazendas de gado para retornarem à estrada principal. Foi aí que eu conheci a cidadezinha de Jaramataia com aspecto ainda de fazenda-povoado. O lugar onde hoje é o Bacurau, havia apenas uma ou duas casas isoladas de pescadores, cujas redes de pesca ficavam expostas aos passantes. Após a construção do asfalto, as casinhas começaram a atrair outras casinhas, que fugiam da pobreza do açude. Não demorou muito a formar-se ali um povoado com bares, churrascaria e posto de gasolina. Foi muito mais fácil para aqueles pescadores buscarem a sobrevivência vendendo coisas na beira da estrada de que na peleja escassa do açude enorme. E assim formou-se e se consolidou o povoado Bacurau. Ao parar ali pela primeira vez — muito antes do surgimento do posto de gasolina — fui surpreendido no primeiro bar e lanchonete, pela qualidade do café. Quase 100% da qualidade do de Garanhuns. Fiquei entusiasmado e sempre nas minhas andanças por aquele trecho, paro a provar do café bem preto do Bacurau. Atualmente não sei, mas muita propaganda fiz. Em compensação, existe um lugar na mesma AL-120 Santana-Arapiraca, onde classifico como o café mais ruim do Brasil. É o verdadeiro bola-murcha do Fantástico. Quem gostar de café investigue. Ô cafezinho ruim da gota serena! Faz até lembrar o repentista que ao cantar com outro, já estava enjoado de ouvir elogios sobre o sertão e disse (segundo Hermínio Tenório, o Moreninho, há mais de 20 anos):

Cala-te com teu sertão

Sertão é monturo

A água do teu sertão

É mijo de bode puro.

Da água eu não sei, mas do café...

Nunca mais rodei pela AL-120, não afirmo se ainda existe como antigamente o legítimo CAFÉ DO BACURAU.

OS DE BAIXO E OS DE CIMA (Clerisvaldo B, Chagas. 28.9.2009) Muitas coisas importantes aconteceram na semana que passou. Para o Brasil, a pr...

OS DE BAIXO E OS DE CIMA

OS DE BAIXO E OS DE CIMA
(Clerisvaldo B, Chagas. 28.9.2009)

Muitas coisas importantes aconteceram na semana que passou. Para o Brasil, a programação foi apertada, dificultando a respiração com eventos concentrados em cinco dias. A Assembleia Geral da ONU, a reunião do G20 e a 2ª Cúpula da América do Sul-África (ASA), foram de fato uma dose cavalar para o nosso país que busca cada vez mais uma posição adequada as suas aspirações. Além do arrocho temporal, ainda chega de supetão o caso de Honduras que faz lembrar a conversa do povo: durma-se com um barulho desses. No primeiro caso, isto é, na Assembleia, podemos dizer que os emergentes se saíram muito bem, alcançando seus objetivos iniciais. As questões do mundo não poderiam mesmo ficar nas mãos de apenas sete países ricos mais a Rússia. Essa ampliação para vinte, mesmo contra a má vontade de alguns, não tem como regredir. E todos sabem que para se chegar ao degrau dois tem que se passar pelo batente um. A reunião do G20, apenas consolida a Assembleia da ONU, porém, muita luta ainda vai haver por parte dos emergentes que entraram na marra no clube dos ricos. Quanto ao caso da embaixada de Honduras, o golpista é muito mais louco do que o que se pensa. Mas o Brasil não pode esperar ação nenhuma dos Estados Unidos. Eles não tem interesse. Ao Brasil, caso a embaixada seja invadida, só tem uma saída para não ficar desmoralizado: invadir Honduras e derrubar o ditador. Não resta outra saída, se não vai servir de chacota para outros países, perdendo o respeito definitivamente.
Em relação à Cúpula América do Sul-África, ficou apagada para a imprensa devido à importância das outras duas. 22 líderes dos dois continentes estiveram presentes na ilha Margarita, pertencente à Venezuela, numa tentativa de andamento em diversos aspectos entre ambas as partes. A América do Sul, principalmente o Brasil, muito tem a oferecer a África, principalmente em tecnologia e pesquisas agropecuárias. O continente negro por sua vez, explorado duramente pelas ex-colônias, agora são abandonados à seca, à fome e as guerras tribais, situações que os europeus mesmo provocaram. Em havendo democracia e união no enorme continente africano existe uma oportunidade de saída como esta, por exemplo, de cooperação sul-sul, Isto é, entre as nações que estão abaixo da Linha do Equador. Mas é preciso entender também que esse tipo de reunião, somente para ouvir impropérios do senhor Chávez ou do senhor Muammar Gaddafi (homem com quarenta anos no poder), não vai levar a lugar algum. A África, continente composto por cerca de 52 países, tem subsolo rico, mas continua sendo explorado pelos países desenvolvidos, os mesmos de outrora. Eles, os ricos, detestam a ideia de uma África industrializada. Não querem concorrência. Pouco importa se a seca, a fome, a AIDS e os fuzis continuem matando em terras africanas. Mesmo assim, com tanta “sabedoria” de exportação ideológica do desvairado venezuelano, poderá ser que alguma coisa mude para melhor nessa nova ordem sul-sul. Por mais que um homem resista à morte ele não é eterno por aqui. Só com um pouco mais de tempo, veremos o resultado da semana cheia que passou. No resto, tudo continua como dantes: OS DE BAIXO E OS DE CIMA.

BRASIL E O EQUILÍBRIO CIRCENSE (Clerisvaldo B. Chagas. 25.9.2009) Para os professores de História de Santana do Ipanema Honduras ...

BRASIL E O EQUILÍBRIO CIRCENSE

BRASIL E O EQUILÍBRIO CIRCENSE

(Clerisvaldo B. Chagas. 25.9.2009)

Para os professores de História de Santana do Ipanema

Honduras é um dos países mais pobres das Américas. Situado na América Central, banhado pelo mar do Caribe — porção do Oceano Atlântico — Honduras tem como capital Tegucigalpa e possui um distrito e 18 territórios. Esse belo país está sempre precisando de ajuda externa como as que chegam da União Europeia, do Japão e de Taiwan. Da sua exportação, fazem parte produtos como café, banana, camarão, lagosta, carne, zinco e madeira. É ela, a agricultura, a principal empregadora daquele território. Com sua população mestiça, o país sempre foi aliado dos Estados Unidos que ali possuíam bases militares contra guerrilheiros da região. Esse acordo, porém, foi revisto, não existindo mais as bases americanas.

A crise gerada em terras hondurenhas, não representa nenhuma novidade no cenário caribenho. A América Central sempre participou da brincadeira preferida pela região: colocar e derrubar ditadores. Se os Estados Unidos estão sem entusiasmo para intervir contra o golpista atual Roberto Micheletti, é que o presidente deposto, Manuel Zelaya, reza na cartilha do fura-penico da Venezuela. Por outro lado, o Brasil que vem sendo o novo protagonista no Planeta, tem mesmo que agir com o máximo cuidado e esperteza, por duas razões básicas. Primeira, prega sempre o diálogo antes da força. No caso atual não poderia fazer diferente para defender sua embaixada e seu incômodo hóspede; principalmente agora em que está havendo reunião da ONU, ali pertinho. Segunda razão, o Brasil também poderia intimidar Micheletti, deslocando tropas para águas internacionais próximas ao Caribe. Muito fácil, porém, se sabe que ninguém pode mexer no que os Estados Unidos chamam de seu quintal. Seria uma temeridade tomar decisões isoladas, principalmente de força. Por isso, talvez o Brasil, sabiamente, pediu a intervenção da ONU. A Organização das Nações Unidas é um poder legítimo e que já condenou as pretensiosas eleições articuladas por Roberto Micheletti (mais um caudilho para perpetuar situações de pobrezas e ditaduras do Caribe).

O Brasil tem o apoio global da atitude democrática que tomou em Tegucigalpa. Passou a ser a atenção do mundo. Para quem está pretendendo um lugar permanente no Conselho da ONU, é um excelente teste para a sua diplomacia externa. É hora de domínio da prudência e da habilidade. Domínio esse usado até agora. Isso faz lembrar circos grandes e pequenos em trânsito pelo nosso interior; a tensão e a expectativa da plateia quando os exímios artistas caminhavam por cima do arame. Àquele mundo encantado, colorido e alegre, também era um espelho mágico da realidade humana. Sob a lona amarela das bandeiras agitadas, aprende-se bastante. Vamos torcer para que o Brasil passe no teste do EQUILÍBRIO CIRCENSE.

UM GALÃO BEM DIFERENTE (Clerisvaldo B. Chagas. 24.9.2009) Para o apologista Miguel Chagas que me passou esta narrativa há mais de 20 anos. E...

UM GALÂO BEM DIFERENTE

UM GALÃO BEM DIFERENTE
(Clerisvaldo B. Chagas. 24.9.2009)
Para o apologista Miguel Chagas que me passou esta narrativa há mais de 20 anos.

Em diversas comunidades brasileiras, não chegou ainda a água encanada. Mulheres, homens e crianças transportam o precioso líquido em latas, potes, baldes, entre brigas e discussões. Alguns lugares tem mais sorte quando existem boas fontes por perto. Esse fator ameniza as tensões geradas pela sobrevivência. Mulheres preferem latas à cabeça. Homens mais robustos costumam usar o chamado “galão”, objeto engenhoso para ganhar tempo. O galão se compõe de duas latas, cada uma pendurada através de corda na extremidade de um pau forte carregado nos ombros. Mas o galão, entre outros significados, pode ser também uma tira de pontas douradas que indica a graduação de militares. Como a coisa, no momento, estar ligada a outra, isso faz lembrar uma passagem de poeta-repentista. O caso vem sendo narrado há bastante tempo (e pela via oral), não sendo possível para nós a identidade do autor.
Dois repentistas cantavam na feira, em torno de uma roda de apreciadores. Elogiavam aos que iam chegando e sempre ganhavam algumas cédulas pelas criativas saudações. Eis que de repente surgem à roda dois policiais: um tenente e um sargento. O repentista da vez — percebendo a excelente oportunidade para ganhar mais — iniciou a estrofe em sextilha com a seguinte louvação:

“Eu agora vou botar
Um galão nesse tenente... “

Mas o oficial, percebendo a “facada”, chamou o sargento e disse: “Deixe esse corno para lá”. O repentista ouviu, sentiu-se ofendido e mudou o rumo da prosa, concluindo a estrofe:

“Mas o galão que eu falo
É um galão diferente
É um pau com duas latas
Uma atrás outra na frente.”

Vejamos nós como é a vida. O poeta inicia com um elogio, é decepcionado e ainda encontra como consertar o erro. Encerra, sem ofender, com uma ótima lição em quem merecia. Quantas vezes elogiamos antes da hora, igualmente ao repentista. Surge o desengano logo a alguns passos após o brinde. Isso acontece muito entre as pessoas com as quais nos relacionamos. E o pior é que elas ofendem, atacam e nunca conseguem adquirir a humildade para as devidas reparações. Casos decepcionantes com elogios são comuns em se tratando de representantes do povo. Você vota em alguém com uma certeza tão grande sobre as qualidades do candidato... E depois? Você já se sentiu como se fosse colocar um galão no tenente? Não sendo repentista e nada podendo fazer, esqueça o tal leite derramado (muitas vezes é champanha). Mude o desenrolar da estrofe nas próximas eleições como nos ensina o poeta: retire os dois primeiros versos e coloque no tilintar da urna UM GALÃO BEM DIFERENTE.

GEOGRAFIA OXENTE (Clerisvaldo B. Chagas. 23.9.2009 Para os (as) colegas professores de Geografia, em especial a José Arnaldo, a Rosâ...

GEOGRAFIA OXENTE

GEOGRAFIA OXENTE

(Clerisvaldo B. Chagas. 23.9.2009

Para os (as) colegas professores de Geografia, em especial a José Arnaldo, a Rosângela, a Hélia e a Geraldo “Maleta” (In memoriam).

Nos últimos anos a Geografia, matéria de ensino e ciência, tem deixado os professores ressabiados. Pelos novos conteúdos, pela complexidade, pelos novos avanços epistemológicos e até pela individualidade dos autores, ficou difícil cada vez mais dominar essa matéria. É certo que não se pode entender um Estado sem território, sem fronteiras, mas também a sociedade sem território. Cada vez mais, entretanto, os livros engrossam no conteúdo com muitas “abobrinhas” e vintenas de páginas inúteis para mestres e alunos. Os conteúdos divisórios do Fundamental e Médio não são claros nem objetivos. Quando é dividida a lógica da sequência, não corresponde. A definição clara de domínio da Geografia, nunca aparece em série alguma. Para o Curso Médio muitas vezes é apresentado volume único. Sem divisória interna, o compêndio dificulta o bom ensino para veteranos quanto mais para novatos. A Geografia do Brasil se dilui na Geografia Geral e nem uma coisa nem outra. Parece até que os responsáveis não querem que o aluno aprenda tanto a Geografia quanto a História do Brasil. Nesta, são omitidos importantíssimos episódios da história brasileira. Na Geografia é capado o esquema básico objeto da matéria. Por outro ângulo, surgem “defeitos” na confecção dos livros que acompanham o samba da loucura. Páginas coloridas idênticas às cores das letras; letras reduzidíssimas para olho biônico que levam à irritação constante dos pesquisadores. Em alguns deles, tem-se a impressão de que os donos estão muito mais preocupados em demonstrar conhecimento de que em transmiti-los didaticamente.

Lecionar Geografia, hoje, é um perigo constante para o mestre — não pelas novidades dos conteúdos e atualizações de rotina — que se perde na falta de clareza. Não existe mais satisfação no aprender. O que vale agora é a obrigação de cumprir a meta escolar, tornada cada vez mais dificultosa. A Geografia vai perdendo o encanto, a magia, o êxtase de ser apreciada. Cursos de capacitação ainda são oferecidos. Não raras vezes os contratados são fracos como cabos de vassoura, causando irritação nos dentes de quem os escuta. Ninguém pode entender o mundo se não o conhece. A Geografia veio justamente para mostrar esse caminho. Mas olhando do jeito que está o que vem de cima, com certeza não é água líquida, é saraivada de granizo na cabeça de quem vive da sala de aula. Veja esse trecho, a fonte é tão pequena que nem a lupa decifra: “(...) a construção dos fundamentos epistêmicos necessários à consolidação de sua cientificidade; a definição e a clareza do seu objeto de estudos; e o papel do sujeito desta ciência, capaz de desvelar a organização espacial e suas relações (...). Entendeu?

Minha eterna, querida e encantadora Geografia organizada, não aguento mais a burocracia da besteira. Após a chegada da sua prima, A GEOGRAFIA OXENTE, digo como a juventude: FUI.

CHEGOU A PRIMAVERA (Clerisvaldo B. Chagas. 22.9.2009) Hoje , 22 de setembro, tem início a tão esperada estação da primavera. No decorrer do ...

CHEGOU A PRIMAVERA

CHEGOU A PRIMAVERA
(Clerisvaldo B. Chagas. 22.9.2009)

Hoje, 22 de setembro, tem início a tão esperada estação da primavera. No decorrer do dia, o Sol estará iluminando a Terra na altura da linha do Equador. Estamos no equinócio, isto é, na posição em que o Sol ilumina diretamente o Equador, proporcionando os dias e as noites com iguais durações. Na maior parte da Terra dia e noite duram exatamente 12 horas. No hemisfério norte é equinócio de outono, no hemisfério sul chega o equinócio de primavera. O mesmo fenômeno só acontecerá agora no dia 21 de março.
Primavera representa para os países de clima temperado, a estação amena, intermediária entre os rigores de inverno e verão. Também é chamada “estação das flores”, pois naqueles países, após o degelo do inverno, as plantas brotam com intensidade e surgem as flores colorindo a Natureza. No Brasil, o clima mais parecido com o temperado, é o subtropical — abaixo do trópico de Capricórnio — que abrange a chamada região Sul. No Nordeste brasileiro, geralmente dividido em apenas duas estações, a das chuvas e a da estiagem, os efeitos não chegam a ser intensos como em climas temperados. Entretanto alguns sinais são vistos e sentidos como mudanças nas folhagens de alguns vegetais e o tempo mais sereno.
As pessoas gostam de casar na primavera, iniciar negócios e fazer planos variados. A estação parece mesmo trazer energia de novas esperanças, bastante inspiração e oportunidades de mudanças de vida. O que planejamos nas noites frias de inverno, talvez seja agora realizado nesse período de radiosa vibração. Desabrocham as flores, desabrocham o amor e, os pássaros cantam um novo tempo. É oportunidade de esvaziar o baú do ódio, do egoísmo, da inveja e das raivas desvairadas.
O Brasil inicia a primavera com as boas notícias do IBGE, sobre o social e o econômico. Estreia uma fase entre as nações do G20, sepultando de vez o G7 mais a Rússia. O mundo começa um período com novos protagonistas que são os emergentes G3: Brasil, China e Índia. Foram os três que lideraram a saída da crise mundial. Após a reunião da ONU, amanhã, a economia do mundo nunca mais será a mesma. É chegado o momento e a vez dos emergentes. E o melhor, é irreversível. É hora da curvatura de espinhas duras dos chamados dominadores do mundo.
Vamos aproveitar a nova estação, bênção de Deus, presente grátis para que todos tenham vida. Afinal, depois dos problemas de outono e de inverno, radiante CHEGOU A PRIMAVERA.

O ASA MERECE (Clerisvaldo Br. Chagas. 21.9.2009) Não cremos que tenha ficado algum desportista torcendo contra o ASA na tarde do úl...

O ASA MERECE

O ASA MERECE

(Clerisvaldo Br. Chagas. 21.9.2009)

Não cremos que tenha ficado algum desportista torcendo contra o ASA na tarde do último sábado. Estamos falando de todos os simpatizantes do CSA, CRB, Ipanema, CSE e dos demais times do estado. Para falar a verdade, não temos tido muita sorte em campeonatos nacionais há bastante tempo. Em Alagoas prevalece a garra e os gritos das fiéis torcidas, mas quando chegam à hora da onça beber água, os times alagoanos não vão muito longe nesses embates. Ultimamente, ou a capital perdeu seu futebol ou o interior encontrou o dele. Mas isso é uma questão interna que fica para ser discutida entre os aficionados, os entendidos, os burocratas. Saindo desse pedaço amargo do esporte, o ASA proporcionou a sua cidade e ao estado, uma alegria imensa, mesmo tendo perdido as duas últimas partidas de série “C”. Diante de tantas coisas negativas que tomam o nosso tempo do cotidiano, o time arapiraquense veio como uma espécie de salvação para bem representar o nosso futebol. Não era mesmo fácil derrotar o América lá dentro da própria Minas Gerais — unidade da federação que marcha na linha de frente do futebol brasileiro. Ganhar com diferença de três gols, também não era coisa impossível, mas pelo menos fantástica, não tenhamos dúvidas. Contudo, o representante alagoano não se intimidou com a derrota em casa e se não conseguiu dar o troco na capital mineira, caiu de pé numa luta aguerrida e digna da sua posição. No momento em que todos os outros clubes estão parados, o conjunto teria que se voltar para o representante único da Terra dos Marechais. Temos certeza de que a torcida alagoana estava em peso torcendo pelo ASA, que naquele momento era um pouquinho de cada uma das nossas cores. O jogo do estádio Independência não garantiu o mérito da vitória, mas garantiu a invejável posição de vice da série “C”. Certo que a festa poderia ter sido bem maior, mas a posição inédita final honrou a sua torcida principalmente aos que se multiplicam em dez torcendo pelo seu partido. Graças ao ASA de Arapiraca, ficam garantidas outras tardes e noites em 2010, certamente recheadas de lazer, esperança e vibrações no campeonato da série “B”. Não ficamos sem representantes. Temos certeza de que a cidade do Agreste está orgulhosa dos feitos do técnico Vica e seus comandados.

Enquanto isso esperamos que esse exemplo positivo e altamente gratificante, tenha efeito bombástico em cada cidade que disputa a primeira divisão alagoana. Talvez mudanças profundas aconteçam no futebol da terra, primordialmente no pensamento dos cartolas. O ASA acaba de dar um presentão a esse estado tão sofrido que pelo menos já pode sonhar com a bola em 2010. Quantas e quantas vezes ouvimos os torcedores arapiraquenses desanimados com seu time! Dando uma volta por cima de todos os obstáculos, está aí o vice do Agreste cheio de moral, proporcionando os festejos da galera. Pelo que sofreu e batalhou esse grupo guerreiro, os alagoanos podem gritar forte nos quatro cantos do estado: O ASA MERECE!

BENDITOS MASCATES (Clerisvaldo B. Chagas. 18.9.2009) Recife e Olinda sempre viveram em rivalidade, principalmente no início do século XVIII...

BENDITOS MASCATES

BENDITOS MASCATES
(Clerisvaldo B. Chagas. 18.9.2009)

Recife e Olinda sempre viveram em rivalidade, principalmente no início do século XVIII. Recife era habitado por comerciantes da região; Olinda abrigava fazendeiros ricos que menosprezavam os que moravam no Recife. Na época, Olinda já era uma vila. Isso fazia com que as condições de mando e prestígio prevalecessem sobre o território, inclusive com a cobrança de impostos sobre Recife. Sendo uma vila, Olinda podia possuir câmara municipal e manter um pelourinho, tronco de castigar negros e marginais. Pela sua posição geográfica e pelo trabalho dos comerciantes, o Recife se desenvolveu e terminou pleiteando também uma condição de vila. A metrópole entendeu que era justo o pedido do Recife e concedeu essa invejável posição. Os de Olinda chamavam os do Recife de mascates, sendo essa palavra pronunciada com desprezo. Quando Recife passou à vila, os aristocratas de Olinda não aceitaram e invadiram a localidade rival. Com a investida dos homens de Olinda, foi destruído o pelourinho e destituído o governador. Recife não ficou inerte. Reagiu a invasão prolongando uma luta entre as duas vilas que durou perto de um ano. Todavia os fazendeiros de Olinda não se conformavam com o cenário e até ameaçaram romper os seus laços com Portugal. Caso isso acontecesse, Olinda tornar-se-ia uma república independente. Despertado para o perigo em potencial, o governo português decidiu intervir de modo firme no conflito. Acabou de uma vez com a luta que foi chamada de GUERRA DOS MASCATES.
No Sertão alagoano, década de cinquenta do século passado, a figura do mascate estava em evidência nas feiras de cidades e vilas. Comerciantes de tecidos, armarinhos, cordas, miçangas... Eram transportados de Santana do Ipanema para Olho d’Água das Flores, Carneiros, Pão de Açúcar... Aonde armavam suas toldas de lona ou espalhavam pelo chão batido as mercadorias. Os mascates eram criaturas simpáticas que saíam cedo e retornavam após as feiras livres. Muitas vezes, em tempos de inverno ou trovoadas, enfrentavam as cheias de riachos como o João Gomes (ainda sem ponte) ou a fúria das águas do Ipanema em canoas rústicas e negras, como opção. A cobrança das passagens era realizada nas proximidades do destino, quando os caminhoneiros paravam ao lado da rodagem. Em cima da carga de homens e objetos, passageiros andavam em franja nas laterais com os pés do lado de fora, sentados nas próprias mercadorias. Outros preferiam o centro da carga. O cobrador — geralmente o próprio motorista — equilibrava-se pelas tralhas pegando dinheiro, passando troco, mantendo a cara fechada.
Foram os mascates, depois, os novos comerciantes fixos de Santana do Ipanema. Todos progrediram em os mais diversos ramos de negócios. Heróis de um tempo difícil, eles ajudaram a consolidar o comércio sertanejo da Rainha do Sertão. Qualquer homenagem ainda seria pouca diante desses que aqui constituíram famílias, enriqueceram, educaram os filhos e alargaram os horizontes da terra de Santa Ana. BENDITOS MASCATES!