domingo, 5 de junho de 2016

RETALHO DOS VALORES AMOFAMBADOS



RETALHO DOS VALORES AMOFAMBADOS
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de junho de 2016
Crônica Nº 1.526

“Recordo-me perfeitamente como tomei conhecimento da nova poesia de Jorge de Lima, através de Essa Negra Fulô e Banguê. Foi na loja da Viúva Manoel Rodrigues da Rocha, nos fins de minhas férias de colegial recifense, depois do carnaval de 1928.
O poeta Valdemar Lima e o “causeur” Atanagildo Brandão, principais auxiliares daquela firma, não gostaram da liberdade do Dr. Jorge, um médico respeitado em todo o território alagoano. E eu, com os meus botões, achei a poesia meio indecente.
Na mesma semana, as pessoas “sabidas” lá de Santana do Ipanema o Juiz de Direito Dr. Acioli, o Promotor Público Dr. Arquimedes, o professor Pedro Bulhões, o negociante Fernando Nepomuceno, o farmacêutico “doutor” Carôla, o “engenheiro” Joaquim Ferreira, o “advogado” Joel Marques, o “astrônomo” Sinhô Morais (porque conhecia a direção das chuvas) e o dentista prático “doutor” Perdigão, que vivia aboletado de cama, mesa e consultório, na casa do Vigário comentavam desfavoravelmente a traição do “príncipe dos poetas alagoanos”.
Com a sua reviravolta, o Dr. Jorge de Lima decaíra no conceito dos homens de bem e dos bem-pensantes de toda a Província de Alagoas, desde a baía de Jaraguá até a cachoeira de Paulo Afonso”.
ROCHA, Tadeu. Modernismo e Regionalismo. Imprensa oficial, Maceió, 1964. Págs. 35-36.



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