O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3368  ...

 

O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3368



 

Quando o senhor Abílio Pereira, comerciante com Armarinhos no “sobrado do meio da rua” teve o sobrado demolido pelo, então, prefeito, Ulisses Silva, procurou, como outros comerciantes, encontrar novo lugar para negócios. Estabeleceu-se no largo Prof. Enéas, ainda no Centro Comercial e, pelo que eu observava, mudou de ramo e passou a negociar com ferragens. Modernizou sua casa comercial e nela implantou um terceiro andar que na certa servia de depósito. Foi o primeiro prédio do Comércio de Santana com segundo andar e primeiro. Fato histórico, portanto. E, como o prefeito e seus seguidores previam, de fato novos e modernos horizontes surgiram na paisagem do Centro, afastando definitivamente o seu aspecto de vila.

Vale salientar que pareceu que o Sertão inteiro acompanhava a transformação que aconteceu na “Rainha do Sertão” e “Capital Sertaneja”. Muitos diziam que havia duas Santana: a do passado e a do presente. Muito embora as opiniões se dividissem, ninguém ousou desafiar o prefeito e, os contra as demolições do “prédio do meio da rua”, inclusive, minha opinião de adolescente, também era em favor dos edifícios que eram uma espécie de Shoping de Santana do Ipanema. Entretanto, o tempo deu razão ao prefeito, muito embora a forma com foi feita tivesse sido truculenta e rápida sem consulta pública e para não dá tempo ao povo pensar. Isso também havia acontecido na década de 40 quando derrubaram o antigo cemitério de Santana à marretadas e pauladas, durante uma noite.

Histórias de empáfias e macabras se encobriram nas curvas do tempo e na força, na marra, no cacete, o Comércio de Santana do Ipanema foi considerado por inúmeros caixeiros-viajantes, como o mais bonito do interior de Alagoas. Imaginem agora com as transformações naturais e profundas que sempre estão acontecendo! Agora, como novo becos, viadutos, pontes e alargamentos de ruas estão completamente desatualizados, cada dia que passa o trânsito vira terra de ninguém. E como o número de motoqueiros só perde para Arapiraca, imagine o caos em que estamos vivendo. Ninguém sabe dizer até quando vai continuar essa falta de estrutura urbana para a segunda modernização. Enquanto isso viramos uma Índia no tráfego doido da cidade.

PARCIAL DO COMÉRCIO DE SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

  O PAU-BRASIL DA RUA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3337   Um dos pr...

 

O PAU-BRASIL DA RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3337

 



Um dos primeiros ataques estrangeiros às nossas riquezas foi em nossa Floresta Tropical, devastando as matas em busca do Pau-brasil. Levado à Europa para servir de corante e ser usado como madeira de lei, esse tipo belo de árvore quase foi extinto em nossa Costa. Mas a história da exploração estrangeira do Pau-brasil, apesar de tudo, ainda deixou algumas brechas para contemplarmos a espécie neste século XXI. E sem se aprofundar na sua história do tempo dos machados, ainda podemos ver aqui no Sertão, pelo menos em Santana do Ipanema, algumas dessa árvores históricas como arborização urbana. É certo que existe a raridade nas ruas, que é uma aqui, outra acolá, bem longe, mas existem. E por que venho novamente falar sobre o tema?

É meu amigo, minha amiga, pela beleza da sua roupagem nessa época do ano. E sempre que isso acontece, não resisto a essa beleza e fico de boca aberta a contemplar aquele verde belíssimo repleto de cachos de flores amarelas e rendadas. A minha rua, então, vai ficando ornada com o rei Pau-brasil em toda sua pujança. É, na rua, somente uma árvore, mas que realmente encanta. Outra que foi plantada não conseguiu se desenvolver, acho que por causa de subsolo rochoso. Mas quando você vê o pau-brasil em toda sua plenitude, sabendo que aquele é o nome da nossa pátria, dá um orgulho danado! Quando a espécie é natural, na Mata Atlântica, é troncuda e muita alta, entre 10 e doze metros, comum, mas pode atingir os 30 metros.

Foi chamada pelos índios de “Ibirapitanga” (madeira vermelha). Pau-brasil vem da cor vermelha de brasa. É a árvore símbolo do Brasil desde 1961. Em extinção, é protegida por Lei e praticamente hoje só é usada para arco de violino de excelente resultado. O seu nome científico é (Paubrasília echinata). Por isso e por outras coisas mais, temos o dever de proteção, tanto a esse vegetal histórico e de estimação quanto aos outros que não alcançaram essa grandeza. Não tem como apreciar a belíssima árvore durante as floradas, sem não irmos direto para as páginas da história, do escambo entre portugueses e indígenas.

Pau-brasil, viva o ibirapitanga!

VIVA A BRASA! VIVA O BRASIL!

 

PAU-BRASIL (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  TUDO NO SEU TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026 Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3367   É verdade. ...

 

TUDO NO SEU TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026

Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3367



 

É verdade. O nosso estado é pródigo em histórias regionais de esperas, em décadas e quase em século. Entre essas famosas esperas por benefícios ou por soluções radicais, estão a Ponte de Penedo, o asfalto do povoado Carié a cidade de Inajá (Pernambuco), o asfalto Olivença – Batalha, direto, e entre muitas outras paciências de Jó, os trechos asfálticos santanenses, Centro – Bairro Bebedouro/Maniçoba e o trecho de terra da antiga rodagem Santana – Olho d’Água das Flores (Rua São Paulo – travessia do rio Ipanema (pelas antigas Olarias) até a AL-120. Estas últimas, mais de 70 anos de espera, desesperanças e descréditos nos políticos. É pena já terem partidos os antigos proprietários daquelas olarias que me viram brincar: José Cirilo, Eduardo Rita, Senhor Cristino (Piduca).

É bem verdade que após esses dois últimos trechos citados ganharem o benefício asfáltico, ainda não tive oportunidade de visitá-los, mas pelo menos um deles, vi de longe. Maniçoba/Bebedouro foi marcado como lugar já habitado antes mesmo da fundação da cidade, em 1787. Pertence ao hoje Bairro Maniçoba/Bebedouro, o mais antigo documento sobre Santana do Ipanema. Dali saiu o primeiro registro de venda de terras, no município. Já as olarias faladas acima, ficavam na margem direita do rio Ipanema, na passagem chamada antes de “Minuíno”. Foram essas olarias, mais conhecidas que impulsionaram as construções da cidade, fornecendo, tijolos, as três e uma fornecendo também telhas. E da que fabricava telhas (de Eduardo Rita) levávamos barro para fabrico de máscaras de Carnaval.

A propósito, para melhorar essa possível fonte de pesquisa, os proprietários das três olarias famosas de Santana tinham também outras atividades. José Cirilo possuía caminhão e conduzia mascates para as feiras das cidades circunvizinhas; Eduardo Rita, também era proprietário de caminhão; Seu Piduca possuía mercearia poderosa no centro de Santana. E voltando ao tema inicial, cheguei numa idade em que devo ser pesquisado e não procurar pesquisas. Mas, como foi preciso esperar quase um século pelas mudanças citadas acima eu não poderia negar o que vi e aprendi. Para os jovens, nada de mais, apenas um trecho de asfalto. Para os antigos, fim de mundo com asfalto (impensável) chegando por todas as bibocas. De fato, tudo tem seu tempo.

 

  O RUDE HISTORIADOR Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3366   E com as r...

 

O RUDE HISTORIADOR

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3366

 



E com as ruas completamente desertas, sem se vê nem sequer um animal, um passarinho, um gato, um cachorro... Nada, absolutamente nada, nesta manhã de Quarta-Feira de Cinzas, tomo a resolução de sair de casa e caminhar algumas quadras. Vou levar certo donativo a quem precisa e sabe dividir com quem precisa muito mais. Aproveito e procuro localizar a casa modificada do senhor Manoel Daniel, 85 anos e cadeirante. Um senhor aposentado do DNER, que viveu parte da história sertaneja e passou a ser fonte de pesquisa segura, por todo seu aprendizado desde 1941. É por isso que aprendi muito mais detalhes da maior cheia do rio Ipanema, do século passado, a “cheia de 41”, como ficou imortalizada e passou a fazer parte do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

Seu Daniel, parece tão cheio no mundo de valiosas informações que parece querer botar tudo para fora de uma vez. Fala de tragédia, fala de política, de plantas, de animais, de patrões bons e ruins, de remédios caseiros e tanta coisas que não tem livro grosso que caiba tantas informações assim, do nosso passado sertanejo. Você ainda lembra daqueles primeiros tipos de gravadores que apareceram na praça? Pois somente com um gravador daqueles para se fazer uma filtragem longa dos conhecimentos aprendidos e vividos pelo rude historiador do semiárido. Então, eu percebo que somente quem ama de fato seu torrão, sem amargura, sem ódio, sem ressentimento, pode narrar com tanto entusiasmo a paisagem crua do que viu como passageiro da vida. 

Ao retornar, apenas uma senhorita subindo devagar a solidão da rua, a rapidez de um mototaxista se encobrindo na esquina e um pintor solitário pintando o muro de uma residência, SÓ. E para disfarçar a solidão do mundo, passo pelo pintor sem cumprimento, mas apenas lhe jogo um trava-língua: “O pintor que pintou trinta, de tinta tem trinta latas”, repita! E passo sem parar. O homem parece assustado, nada responde e eu faço como a senhorita, continuo a jornada, devagar, ladeira acima. Mais uma Quarta-Feira de Cinzas sem frequentar a missa do importante dia. Afinal, que somos nós em nosso invólucro senão cinzas! Será que o orgulho vale à pena?!

O RUDE HISTORIADOR MANOEL DANIEL (FOTO: B. CHAGAS)

    PIAÇABUÇU – COOPAÍBA Clerisvaldo B. Chagas, 18   de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3364   P...

 

 

PIAÇABUÇU – COOPAÍBA

Clerisvaldo B. Chagas, 18  de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3364

 



Para variar a  paisagem do Sertão, fui parar em Piaçabuçu, cidade da foz do São francisco. Fiquei admirado com a paisagem tão diferente, tanto urbana quanto rural. Os imensos coqueirais da região muito me impressionaram, inclusive  em homens e mais homens que passavam armados de facões. Soube localmente que eram profissionais tiradores de coco. Encantou-me também a culinária do lugar. Almoçamos em casa de uma famíla conhecida de uma das nossas acompanhantes. Ouvimos também reclomações de mulheres sobre a carestia em Piaçabuçu, quando uma delas disse: “Aqui é onde judas perdeu as botas”, como se a carestia da época estivesse apenas naquele núcleo ribeirinho. Eu nem queria voltar mais para o Sertão diante de tanta curiosidade e coisas bonitas.

Acho mesmo que foi na época da fundação da cooperativa que se faormava para o beneficiamento do coco. Tempos depois, quis ir até Piaçabuçu para fotografar o Ponto Extremo Sul do estado, quando estávamos pesquisando e escrevendo REPENSANDO A GEOGRAFIA DE ALAGOAS. Entretanto, não conseguimos viajar para os nossos objetivos. Mas agora, temos o orgulho  do êxito crescente da Cooperativa Coopaiba que vem se destacando no estado e, consequentemente, melhorando o padrão de vida dos seus cooperados e  da simpática cidade, onde o rio São Francisco se encontra com o mar. É muito salutar e gratificante reportagens de empreendimentos que elevam o nome de Alagoas. Ah! O coco e seus derivados, culinária das nossas raízes.

O artigo sobre a Cooperativa me faz recordar a uma viagem a Caruaru. Em certo armazém, me chamou  atenção uma embalagem de manteiga e fui direto ao pote. Também direto as sua sorigens e estava lá escrito no rótulo que a manteiga de primeira qualidade era de Batalha, Alagoas. Pense no júbilo do impacto. Quem ama sua terra é assim, torce de corpo e alma pelo progresso que vai além fronteiras. Pois, que a cooperativa familiar de Piaçabuçu, cresça cada vez mais e encontre seus destaques em terras nordestinas e brasileiras e quiçá, em otros países que importam os nosso produtos de qualidade.

PARABÉNS PIAÇABUÇU!

COOPERATIVA (DIVULGAÇÃO)

 

 

    A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3663...

 

 

A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS

Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3663

 



11.02.1939. Santana do Ipanema (AL). O cangaceiro Português (Francelino José Nunes) se entregou em Santana do Ipanema e só foi morto muito tempo depois. Andava com as volantes indicando o coito dos parceiros dele. Tinha vida mansa, segundo o sargento Leôncio Siqueira: “Cansei de vê-lo passeando pela cidade. Nunca vi um cangaceiro que matou homem de bem, ser tratado daquele jeito”.

 

Português andava nas volantes. Nesse dia chegavam de uma diligência em Mata Grande. Foram guardar as armas no quartel. Alguém chegou para Pedro Aquino que estava jogando sinuca no bar do senhor Vandir (ex-pracinha e seresteiro) e contou. Pedro deixou o jogo e esperou que guardassem as armas. Nesse tempo ele era cabo. Ficou rebeirando por ali. Foi aí que ele entrou no quartel e pediu emprestado o revólver do sargento Barbosa, um HO que pegava sei tiros. O sargento não quis emprestar o revólver dizendo que o coronel não queria o Português morto, que ele era de serventia. Mas, não se sabe como, Pedro pegou o revólver do sargento, foi por trás e matou o peste do cangaceiro. Ficou preso, depois foi para Maceió, lá ficou no Exército e depois entrou na polícia de novo e virou major.

 

O rosário que Português Usava enterrou-se em seu peito com a violência de um dos tiros. Diz Silvio Bulhões, o filho de Corisco e Dadá. O fato aconteceu à noite. Pedro Aquino era um dos filhos do velho Tomás Aquino, assassinado e esquartejado por Português. (Ver página relativa).

O Secretário de Segurança ficou bravo com o coronel Lucena, chefe do 2 0 Batalhão de Polícia. O tenente Porfírio (já nos referimos a ele) ofereceu-se para liquidar o Secretário. A proposta não foi aceita pelo coronel Lucena. Bem que Pedro Aquino e seus irmãos, após a morte do pai, andaram na volante do, então, sargento Porfírio em busca de Português e mais dois asseclas. Os dois morreram por outras mãos e Português entregou-se. Português teria que ser morto antes de se entregar, dizia Lucena, pois o estado terias obrigação de proteger o preso, mas a volante nunca se encontrou com ele.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. & FAUSTO, Marcello. Lampião em Alagoas. Grafmarque, 2012, Maceió. Págs. 434-435-436.

    O VERDE DE HERODES Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3362   Foi me...

 

 

O VERDE DE HERODES

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3362

 



Foi mesmo forte a chuvarada da sexta que passou. O grosso, porém, da trovoada, aliás, a primeira chuvada do ano, foi mais encorpada no centro da cidade, como foi apreciada em vídeo que circulou pela Internet. Sendo Santana do Ipanema uma cidade ladeirosa, as águas desceram imediatamente para o leito seco do rio Ipanema. Como a terra estava precisando muito de chuva, foi gratificante novamente olhar a vegetação, antes crestada e contemplar o esverdeado do último “pé-d’água”.  Impressionante é a capacidade de reação da caatinga, esse bioma abençoado que Deus deixou no Nordeste do Brasil para forjar homens e mulheres em corpos e espíritos. Ah! Nós somos mistos de mandacaru e juazeiros, é só analisar.

Foi com essa imensa alegria que estirei a vista para o outro lado do rio Ipanema, para a sequência da barreira ascendente do Bairro Paulo Ferreira, cujo topo leva até o hospital regional e continua fazendo a base da serra da Remetedeira. Estava ali os fundos da construção, lá no alto a que apelidei “Palácio de Herodes”. Bati uma foto de celular, distante e em hora não recomendável, mas o que vi era inadiável, o verdume, ainda pálido, após as águas do céu. E eu tinha que prestar esta homenagem a natureza porque quando chove no Sertão, tudo fica parecido com o paraíso citado pelos cristão. Os matizes do verde, a ferroada da mutuca, o mel das abelhas, o canto variadíssimos dos pássaros, O romantismo do sereno, das orvalhadas, o canto do galo e a magia do amanhecer.

Estar lembrado do caso do maribondo, em que encontrei um deles fazendo ninho no meu banheiro e eu havia lembrado do que diziam os profetas da chuva? E eu perguntava como é que poderia chover com pouco tempo após aquele ninho dentro de uma residência. Verão sem sinal nenhum de chuva. Ora, está aí o resultado da experiência dos homens do campo: Uma trovoada muito forte chegada de repente com o anúncio da vespa braba. Ah! Vou aprender para ser profeta também.

 

 

        OS BICHOS BRUTOS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3361   ...

 

 

 

 

OS BICHOS BRUTOS

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3361

 

Quadro da Internet exibindo história


 com animais, principalmente asnos, me faz lembrar de algumas passagens da década de 1960 ou em torno disso. No Sertão se costumava chamar de “marroque”, o pão que fica duro de um dia para outro ou mais dias. Mas o que se fazer com um pão duro, fora da validade. Não sei dizer como as pessoas em geral procediam, mas Seu Izaías Vieira Rego, que era dono de padaria, sabia bem como lidar com esse destino. O panificador, que também era fazendeiro, delegado civil e usava no seu estabelecimento, duas atividades, armarinho e padaria, surgiu com dois jumentos enormes. Jumentos altos, bem-feitos que imediatamente chamava atenção de quem passava pelo Largo da Feira ou na sua calçada onde estavam amarrados os jegues da raça “pega’.

Em um tempo em que os animais de cargas ainda predominavam nos Sertões, a dupla “Pega” deveria valer uma pequena fortuna. E via-se claramente que os jumentos vieram de longe e eram selecionados.  Pois, seu Izaías Rego, dava destino às sobras dos pães da sua padaria, os chamados marroques, para as refeições dos dois jumentos que eram servidos em balaios de cipós. Muito interessante os ruídos das mastigações nos pães duros e que só mordidas de jumentos mesmo, poderiam desencantar os “marroques” de, sabe-se lá de quantos dias!  E nós, adolescentes, que não éramos jumentos pega, preferíamos o pão doce da tardinha, saído na hora.

A maioria dos jumentos do Sertão era da raça pega, mas não selecionados como os dois adquiridos pelo Senhor Izaias. Havia também o jumento da raça “Canindé” (menor, peludo, muito escuro ou marrom. Uma força extravagante!  A proporção entre as duas raças, ficava em torno de 10 X 1. A casa dos meus pais, mesmo, era abastecida com água do Panema, em uma das fases, por um jumento Canindé do senhor vulgo, Quixaba. Mais de cem desses animais abasteciam Santana com água do rio.  Quanto ao tratamento desses animais, dependia apenas do coração de cada proprietário. Ainda   não havia Lei do maltrato aos bichos. O monumento ao jegue foi merecido e ainda hoje é um dos pontos mais visitados e fotografados pelos turistas.

JUMENTO PEGA (DIVULGAÇÃO).

  A MORTE DOS GIGANTES SEM DIREITO A FLORES Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crôn...

 

A MORTE DOS GIGANTES

SEM DIREITO A FLORES

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3360

 



Quem viveu quase toda a segunda metade do século XX, deve ter gozado da formação e realizações dos três clubes gigantes de Santana do Ipanema, os centros das diversões e congregadores da Cultura regional sertaneja. Tempo do rádio, não televisão, não celular, não computador. Sim, o reisado, sim, o pastoril, sim, os grandes bailes, sim, as novenas, sim, os banhos no rio Ipanema, sim o grande São João, sim, os grandes Carnavais. E neste século XXI, nada contra a evolução geral da humanidade. Nada de saudosismo sem fundamento, mas um olhar prático e sensível nos anais da história e as estações obrigatórias dos defeitos. Os três gigantes, Tênis Club Santanense, Sede dos Artistas e Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, representam também outros gigantes: DNER, DNOCS, Instituto Colégio Sagrada Família, Posto de Puericultura, Ipanema Atlético Club e Ipiranga do futebol.

O orgulho dos trabalhadores (Sede dos Artistas), os orgulhos da Elite (Tênis Club e AABB) foram se degastando ao mesmo tempo em que as novidades de divertimentos em casa, foram surgindo. Seus fundadores e abnegados defensores, foram morrendo e mais nova geração não conseguiu mais editar os antigos feitos dos gigantes A geração novíssima, já de nada sabia sobre a vida dos três clubes. Os sócios se afastaram e não havia mais motivação para continuar com despesas de clube e da diversão em casa. Primeiro faleceu a Sede dos Artistas. Os dois clubes restantes resistiram até este primeiro quarto do século XXI; então caiu a AABB, logo depois era anunciado o óbito do Tênis Club Santanense, sem alarde, sem grito, sem zoada, sem choro, sem vela, SEM FLORES.

As memórias são apenas para os antigos. Mas, o que fazer agora com os dois velhos caarões que ainda estão de pé?   Serão demolidos? Serão transformados em museus, secretarias, escolas, hospitais... Como às vezes a história é cruel com os sobreviventes. Convido a Estação Rodoviária para fazer parte desse sepultamento coletivo. E, como foi dito acima: sem choro, sem vela e SEM DIREITO A FLORES.

TÊNIS CLUB EM 2013. (FOTO: Livro 230/B. Chagas).

 

 

 

                                   SAL E MEL – MEDIDAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alag...

 

 

                               SAL E MEL – MEDIDAS

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3359

 



Tem razão o escritor santanense, Luís Antônio, o Capiá, quando diz que o seu avô vendia sal. Era isso mesmo, Seu Misael, que morava à Rua Nilo Peçanha – quase defronte a Cadeia Velha – vendia sal na feira de Santana do Ipanema com mais dois ou três colegas do ramo e um deles parece-me que era o senhor Domingos que morava do outro do rio. Mas, não sei o motivo, eu apreciava o sal grosso vendido a granel em sacos de panos, primeiramente defronte o “prédio do meio da rua”, depois, entre a igreja Matriz e a esquina do Hotel Central. Eu apreciava aqueles quadrados de sal grosso que me parecia diamantes, brilhantes e transparentes. A unidade de medida era um quadrado de madeira boa a que era chamado “salamim”. “Quero um salamim de sal” dizia o povo. Já a medida de vender farinha era qualquer vasilhame e a quantidade se chamava “Cuia”. “Dê-me uma cuia de farinha”.

Dizem que a cidade São Sebastião, perto de Arapiraca, no Agreste, era antes, o lugar, chamado “Salomé”, porque ali se vendia sal e mel aos viajantes. Não sei como era vendido o mel no lugar Salomé, porém, desde que conheci sua venda até os presentes dias, sempre foi com unidade de medida, “litro”. “Um litro de mel”, “dois litros de mel... “ Sempre soube também que o mel mais valorizado e profundamente mais gostoso e medicinal era o mel de uruçu, isto é, da abelha Uruçu. O mel de uruçu que chegava a Santana, era quase sempre de encomenda e vinha das imediações do lugar Cabeça Danta, entre Palmeira dos Índios e Maribondo. Já presenciei o mel de abelhas comum ao preço de 10,00, enquanto o litro do mel de uruçu valer 80,00 e continua assim.

Vimos quais eram as medidas para o mel, o sal, a farinha. Usava-se também a medida “litro”, para se vender castanhas, nas feiras, amendoim, fava e feijão. E por falar nisso, recentemente alguns clientes de uma banca na feira admiravam um caneco de Flandre que equivalia a um litro, medida para feijão verde e, sempre pediam explicações a dona da banca, fiel seguidora do padre Cícero e ela dizia: “Isso aqui veio do Juazeiro, é o meu orgulho e minha valorização”.

Assim eram as medições.

Medições do século XX.

MEDIDOR DE SAL REDONDO.

 

                             

 

  

 

 

    BOMBA OU POSTO DE GASOLINA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3358   ...

 

 

BOMBA OU POSTO DE GASOLINA

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3358

 



O primeiro posto de gasolina que tenho lembrança, em Santana do Ipanema, deve ter sido na década de 1950. Era localizado na pracinha do Centenário, no centro da cidade. A Praça do Centenário foi a primeira praça de Santana do Ipanema, pequena, triangular e com apenas três bancos de cimento sem encosto. Naquela época, posto de gasolina, como é chamado hoje, tinha o nome de “Bomba de Gasolina”, em Santana e em todos os lugares, acrescentado do nome do dono. Veja, “A Bomba da Marieta”, em Maceió, ponto de referência até há pouco. Em Santana era a “Bomba de Seu Nequinho”, assim conhecido o seu proprietário. Serviu ao primeiro transporte coletivo  Santana – Maceió, ônibus primitivo chamado “sopa”.

De seu Nequinho não lembro mais das suas feições, mas lembro do rapaz, seu filho, que cuidava do posto. óculos de grau forte, olhos grandes, alegre e amigo de todos. Lembro também da sua irmã Neilda que dera um curso de recitação no Ginásio Santana e que   fiz parte. Esta faleceu em Maceió, não está com muito tempo. Acho que eu estava fora de Santana, quando soube da tragédia da “Bomba de Seu Nequinho”. Pegara fogo matara o rapaz, seu filho Newton. Uma comoção geral na Rainha do Sertão. Daí em diante nunca mais ouvimos falar no termo Bomba, a não ser a da Marieta, em Maceió. Lembro também do primeiro posto de gasolina (já com esse nome)  Posto de Gasolina do senhor Everaldo Noya, (Posto Esso), no lugar onde hoje é o prédio da Caixa Econômica, no Bairro do Monumento. Não sei dizer, porém, qual dos dois pontos de venda de gasolina era o mais antigo em Santana.

A bomba de Seu Nequinho, foi a coisa mais importante que funcionou na primeira praça de Santana. Era uma boa novidade para o Sertão e ao mesmo tempo fora um passo importantíssimo para o progresso sertanejo. No início desses transportes, os motoristas tinham que rodar com volume extra de gasolina para assegurarem o abastecimento no meio das suas viagens. Era o famoso “galão de gasolina”.  A proliferação de bombas ou postos de gasolina, pelos municípios, deu mais condições aos viajantes que aos poucos foram abandonando o galão extra, um perigo constante no interior do veículo.

BOMBA ANTIGA. (FOTO DIVULGAÇÃO).

 

 

    O JUIZ E O CANGACEIRO Clerisvaldo B, Chagas, 6 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3557     ...

 

 

O JUIZ E O CANGACEIRO

Clerisvaldo B, Chagas, 6 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3557

 



 

Corria o ano de 1924. Em Santana do Ipanema, Alagoas, era nomeado o seu primeiro juiz, Manoel Xavier Acióli. Não demorou muito e o homem entrou num teste de fogo. Um agricultor do lugar, serra da Remetedeira, fora assassinado. O filho do morto, sujeito tão pacato que até tinha o apelido de Josias Mole, vingou a morte do pai. Josias foi preso e levado para a cadeia. O povo, em comoção, pressionou o juiz pela soltura de Josias. “Não era possível que um homem pacato que vingara a morte do pai fosse encarcerado”. E o juiz, Manoel Xavier, terminou se rendendo ao clamor popular. Josias foi libertado. Ao se ver livre, o homem pacato transformou-se e virou arruaceiro, desordeiro. E sua nova valentia passou a ser testada nos meretrícios da cidade. A polícia não queria um intruso na sua área, deu uma pisa em Josias Mole e o meteu na cadeia, novamente. Dessa vez, o homem comeu fogo para sair.

Ao sair da cadeia pela segunda vez, Josias Mole, resolveu procurar o bando de Lampião, fez teste e foi aprovado no cangaço com o apelido de Gato Bravo. Em 1926 esteve na visita de Lampião ao Juazeiro e foi registrado por cordelista. Quando Lampião desceu do Juazeiro passou em Pernambuco e Alagoas. Invadiu a zona rural de Santana do Ipanema, guiado por Gato Bravo, até a invasão da Vila de Olho d’Água das Flores.

Gato Bravo, porém, não teve vida longa no cangaço. Tudo indica que ainda na década de 1920, em que ingressara no bando, também o abandonara. Foi viver tentando a vida de barbeiro, nas imediações de Arapiraca, quando foi reconhecido. A polícia foi chamada, houve tentativa de fuga espetacular, porém, o ex-cangaceiro foi capturado.  Foi recambiado ao Recife, onde prestou entrevista. Josias Mole esclareceu vários ataques na zona rural de Santana do Ipanema inclusive dizendo que graças a ele, Lampião não invadira aquela cidade sertaneja. Seu pai tinha o apelidado de Antônio Mole e todos queriam bater nele. O último foi um vizinho chamado Cassimiro que logo levou dois golpes de faca na vingança do filho da sua vítima, Josias Mole.

JUIZ: MANOE XAVIER ACIÓLI. (DO LIVRO, O BOI A BOTA E A .BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA)

 

 

 

  SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA Clerisvaldo B. Chagas 5 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3356  ...

 

SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA

Clerisvaldo B. Chagas 5 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3356

 



Apresentação. Às vezes, o cerne da história, não existe. É um “vento levou” esquecido por tudo e por todos. As gerações futuras ficam sem o conhecimento das suas origens, equilibrando uma taça no ar, sem plataforma para a colocar. Também acontece surgir a espinha dorsal dos acontecimentos nos registros oficiais, porém, não poucas vezes ficam fora períodos relevantes com fatos históricos de reconhecidos valores e que não são colocados dentro dos caçuás do anais históricos. Entre esses galhos esquecidos e robustos da história, em Santana do Ipanema, Alagoas, estão a IGREJINHA DAS TOCAIAS, OS CANOEIROS DO IPANEMA e, agora SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Situações em que nunca tiveram escrito uma linha sequer e foram resgatadas por nós.

SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA, é um documentário sobre relevantes curtumes santanenses que fizeram florescer a alegre e maravilhosa atividade fabril calçadeira na cidade, movimentar um rede urbana e rural dos artesãos do couro e abastecer a extensa teia de sapateiros autônomos da Rainha do Sertão. Os detalhes dessas movimentações profissionais que fizeram brilhar a Economia de terra, têm rostos, tem nomes e ainda mais filhotes e mais filhotes do tronco e dos galhos que fazem parte do resgate para essa e futuras gerações, nas escolas, nas praças... No trabalho. Vamos, então, assistir ao filme do tempo e percorrer no papel o desenrolar da vida nessa carruagem alentadora das letras.

Saber sobre a terra em que nasceu é um direito e um dever de qualquer cidadão do mundo.  O reconhecimento do âmago aos proprietários de curtumes proprietários dos curtumes, aos donos de fabriquetas de calçados, aos sapateiros e artesãos da época, também pode formar uma rede de profundo respeito e reconhecimento às almas dos progressistas geradores de emprego, renda, galope dos “mil reis” crescentes que deram “status” e dignidade a Ribeira do Panema, até o terceiro quartel do século XX.

Como escritor, pesquisador e contemporâneo de parte dos períodos relatados, derramo um poco de orgulho de episódios relevantes de burros cargueiros e de seus donos fantásticos que alavancaram a produção sertaneja sob os sinos da Matriz da generosa esposa de São Joaquim.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. CBA, 2024, Maceió.

 

 

 

    MARIBONDO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3355   Vi muitas casas ...

 

 

MARIBONDO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3355

 



Vi muitas casas de maribondo e o próprio maribondo dezenas e dezenas de vezes, sem conta. Entretanto, só agora, com as observações dos “Profetas das Chuvas”, vim a saber que esse tipo de vespa faz sua casa em residências habitadas ou não e em outros abrigos, é que as chuvas estão se aproximando. Durante o verão ele faz a casa ao ar livre. Vespa muito perigosa, veloz e atenta a todos os movimentos de quem dela se aproxima, tem ferrão poderoso e sua picada – é quase um jargão – Dar frio, febre e dor de cabeça. Quando resolve fazer a sua casa, sobrevoa inúmeras vezes o local escolhido até definir o ponto exato onde edificar a sua casa de barro. Nessa tarefa passa vários dias trazendo barro das proximidades e construindo.

Estou escrevendo sobre o assunto porque fui surpreendido com uma dessas casas, no banheiro. E para tomar banho com um maribondo no banheiro é uma tensão danada. Como um apelo importante não deu certo, tive que ser radical. Mas até o presente momento as chuvas ainda não chegaram e fevereiro entrou com a quentura intensa do mês anterior. Às vezes o céu fica completamente branco, mas não chove. As madrugadas deixam cair a temperatura e o amanhecer é de céu branco e logo se torna azul profundo. Melhor esclarecimento sobre a palavra Maribondo (cidade) ou Marimbondo. Ambas estão corretas, assim como sua ferroada terrível que ninguém vai perguntar a ele, depois da ferroada, “Você é Maribondo ou Marimbondo?”

Bem, pelo visto, o escritor José Sarney estava certo em titular um livro com MARIMBONDOS DE FOGO. Não lembro do tema escrito, mas os Marimbondos são mesmo de fogo. Eu já os enfrentei no sítio Pedra Rica, para desenhar incisões rupestres, no leito do rio Ipanema, conhecendo a pirâmide santanense ou Pedra dos Bexiguentos, usando habilidades em que não fomos atacados. Porém, na igrejinha do serrote do Cruzeiro, na capela de Santa Terezinha, o negócio não foi bom. Igrejinha fechada, um quadrado de vidro faltando. Mão no quadrado e terrível ferroada vinda de dentro. Mas, Marimbondos são vigilantes da natureza.

 

 

 

 

    OBJETOS PERDIDOS DE LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3354   ...

 

 

OBJETOS PERDIDOS DE LAMPIÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3354

 



  Após a tragédia de Angicos, muitos objetos pertencentes aos cangaceiros e mesmo com o bando em atuação foram encontrados em diversos pontos da caatinga. Alguns pontos até inusitados.  Balas, fuzis, refles, pistolas, punhais e mesmo utensílios caseiros. Os principais esconderijos para essas coisa eram locas de pedras, oco de árvores e escavações artificiais de todos os tamanhos. Um dos problemas que os cangaceiros tinham para resolver era como esconder o excesso de balas sem que elas não arruinassem. Inúmeras tentativas foram realizadas sem êxito, até que descobriram - segundo o filho de Corisco e Dadá, Silvio Bulhões - que a melhor maneira descoberta era colocar as balas dentro de recipientes de vidro e vedar a entrada com cera de abelha.

  As descobertas passaram a acontecer mais, com a aceleração do desmatamento a partir mais ou menos da década de 1960. Alguns desses objetos são levados para pessoas conscientes que procuram entregá-las aos museus apropriados com os seus respectivos históricos desses achados. Às vezes estaciona nas mãos de um egoísta que possui um ou dois objetos pertencentes ao antigo cangaço e que se acha grande colecionador de coisa que pertenceu a Lampião, para não largar o osso. E acontece ainda roubos de peças de museus que acreditamos que seja apenas para satisfazer o ego em dizer que possui isso ou aquilo do cangaço.  Vimos também, não somente uma vez, museu de cangaço completamente esvaziado e resumido a apenas quatro ou cinco artigos de jornais. Uma vergonha!

 Mas também, para os admiradores das histórias cangaceiras nordestinas, nunca foi encontrado nenhum objeto do cangaço no prédio onde funcionou a sede do Batalhão, em Santana do Ipanema. Prédio este que ficou ocioso após o epílogo do cangaço, até ser transformado em Escola Secundária. Era o Centro das Operações contra o banditismo em Alagoas.  Do período em que o Batalhão foi embora até o presente momento, houve um silêncio profundo sobre o cangaço como se ele nunca houvesse existido. Ali, no início da década de 50, surgiu na principal cidade sertaneja, uma nova era, a era do Ensino e, o livro fez esquecer na memória de velhos e de novos o terror que parece mentira.

 

  A JIBÓIA E A TRAGÉDIA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3353   Dois fat...

 

A JIBÓIA E A TRAGÉDIA

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3353

 



Dois fatos da história de Santana do Ipanema, somente interligado por mim. O coronel Lucena, comandante do Batalhão em Santana e que deu fim a Lampião, tinha o quintal da sua residência, repleto de animais, inclusive, uma cobra jiboia. Os soldados, quando o visitavam em casa, costumavam bulir com o ofídio para observarem o seu desespero.  Certa feita um bom soldado surtou completamente, além de usar e continuar usando bebida alcoólica. Em um dia de feira do sábado, roubou a jiboia e saiu com ela enrolada no pescoço e nas mãos. Percorreu a feira toda fazendo medo aos feirantes. Companheiros tentavam dissuadi-lo, mas não tinha jeito que até na igreja o homem entrou com a cobra.

No Bairro Bebedouro/Maniçoba, havia o artesão festeiro da região chamado João Lourenço, inclusive fundador da Igreja de São João contra a gripe que dizimava o mundo. Influenza. Por coincidência, em uma das passagens do soldado na feira, jogou a cobra no artesão. A jiboia, cobra que não tem veneno, bastante enfezada, atacou e mordeu a região pélvica de João Lourenço. O artesão de chapéu de couro de bode, veio a falecer com poucos dias. João Lourenço era uma espécie de Major Bonifácio do Bairro Bebedouro de Maceió, famoso pelas suas grandes festas.

O fato da cobra foi narrado pelo escritor Oscar Silva que também fora sargento daquele Batalhão. Porém, Oscar não cita na sua crônica: “A Jiboia do Coronel”, no livro FRUTA DE PALMA, o nome de João Lourenço, somente o do soldado que surtou: Monteiro. Porém, em outra ocasião e sem querer, descobri através de fragmentos quase imperceptíveis de leitura, que João Lourenço fora a vítima do surto do soldado Monteiro. Consegui assim, descobrir o elo que faltava em dois momentos distantes um do outro de pesquisa inocente.

JIBOIA (divulgação).