A JIBÓIA E A TRAGÉDIA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3353   Dois fat...

 

A JIBÓIA E A TRAGÉDIA

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3353

 



Dois fatos da história de Santana do Ipanema, somente interligado por mim. O coronel Lucena, comandante do Batalhão em Santana e que deu fim a Lampião, tinha o quintal da sua residência, repleto de animais, inclusive, uma cobra jiboia. Os soldados, quando o visitavam em casa, costumavam bulir com o ofídio para observarem o seu desespero.  Certa feita um bom soldado surtou completamente, além de usar e continuar usando bebida alcoólica. Em um dia de feira do sábado, roubou a jiboia e saiu com ela enrolada no pescoço e nas mãos. Percorreu a feira toda fazendo medo aos feirantes. Companheiros tentavam dissuadi-lo, mas não tinha jeito que até na igreja o homem entrou com a cobra.

No Bairro Bebedouro/Maniçoba, havia o artesão festeiro da região chamado João Lourenço, inclusive fundador da Igreja de São João contra a gripe que dizimava o mundo. Influenza. Por coincidência, em uma das passagens do soldado na feira, jogou a cobra no artesão. A jiboia, cobra que não tem veneno, bastante enfezada, atacou e mordeu a região pélvica de João Lourenço. O artesão de chapéu de couro de bode, veio a falecer com poucos dias. João Lourenço era uma espécie de Major Bonifácio do Bairro Bebedouro de Maceió, famoso pelas suas grandes festas.

O fato da cobra foi narrado pelo escritor Oscar Silva que também fora sargento daquele Batalhão. Porém, Oscar não cita na sua crônica: “A Jiboia do Coronel”, no livro FRUTA DE PALMA, o nome de João Lourenço, somente o do soldado que surtou: Monteiro. Porém, em outra ocasião e sem querer, descobri através de fragmentos quase imperceptíveis de leitura, que João Lourenço fora a vítima do surto do soldado Monteiro. Consegui assim, descobrir o elo que faltava em dois momentos distantes um do outro de pesquisa inocente.

JIBOIA (divulgação).