PATAGÔNIA (Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2010)      A Patagônia é uma grande região fria que engloba o sul de Argentina e Chile. ...

PATAGÔNIA

PATAGÔNIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2010)
     A Patagônia é uma grande região fria que engloba o sul de Argentina e Chile. Por se encontrar no extremo do continente americano ainda é parte de terras misteriosas de exóticas paisagens que encantam os que procuram aventura no frio. É ali no extremo onde está situada a passagem natural que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, chamada de Estreito de Magalhães. A denominação dessa passagem tem origem com a primeira viagem de circunavegação a terra. O navegador português a serviço da Espanha, Fernão de Magalhães, encontrou o perigosíssimo estreito que une os dois maiores oceanos. Até hoje poucos se arriscam a navegar por ali devido às mudanças bruscas do tempo e aos ventos fortes que metem medo. Também o nome Patagônia tem origem com a expedição do imortal navegador que chamou os moradores do lugar de “patagónes”. A palavra significa homens de pés grandes ou de patas. Na visão dos forasteiros, os nativos eram altos e de pés compridos. Na realidade os patagónes usavam gorros altos e calçados de couro de guanaco que ofereciam a curiosa impressão aos navegantes. Desse continente, quem parte para a Antártida, tem obrigação de passar por esses lugares, onde são realizados os últimos preparativos para a viagem. Ushuaia é a cidade mais austral do planeta, conhecida como “a Terra do Fim do Mundo”. É a zona da Terra do Fogo tão falada em nossas aulas de Geografia.
     O que mais encontramos no mundo é a tal discriminação. Discriminam-se tudo. Mas a inteligência, o talento, a capacidade do homem não é privilégio de nenhum lugar. Grandes gênios da humanidade podem nascer nas mais inóspitas paisagens ou nos mais urbanos centros da Terra. A questão nuclear que falta à projeção do indivíduo é justamente a falta de oportunidade. Cultura é uma coisa, inteligência é outra. Mas queremos ficar apenas no básico que é o talento independente do lugar de nascimento. Está aí o exemplo do Lula que precisou fugir da terra natal para não morrer de fome. Com muito esforço e determinação chegou à presidência desse país gigante. O senhor Nestor Kirchner veio também de uma terra sem muitas oportunidades, lá da província de Santa Cruz, da cidade de Rio Gallegos, região da Patagônia. Tornou-se presidente da Argentina liderando sua pátria nessa transformação difícil da economia interna. Ambos vieram dos confins. Um do frio, outro do calor. Um da terra branca, outro da terra queimada, guiados pela providência para papéis importantes da História. Agora a alma ascende e o corpo de Kirchner retorna ao torrão que o viu nascer. Rio Gallegos, Santa Cruz, Terra do Fogo, vão recebendo de volta o carbono da contribuição regional. Caeté em Pernambuco e Rio Gallegos na Argentina traziam o traçado do destino. Hoje o corpo de Nestor Kirchner estará de volta a PATAGÔNIA.

HOSPITAL NA HISTÓRIA (Clerisvaldo B. Chagas, 28 de outubro de 2010)      A saúde no Brasil ainda é muito complicada, por isso temos a inau...

HOSPITAL NA HISTÓRIA

HOSPITAL NA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de outubro de 2010)

     A saúde no Brasil ainda é muito complicada, por isso temos a inauguração do hospital geral de Santana do Ipanema, como coisa rara e fato histórico. O Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira, fundado em uma das gestões do prefeito Adeildo Nepomuceno Marques, custou longos anos de luta da sociedade santanense para a sua implantação e funcionamento. Criticada por uns, elogiada por outros, essa unidade tem prestado extraordinários serviços ao povo sertanejo. Para continuar esse empreendimento está marcada para hoje às dez horas, a inauguração do novo hospital de Santana. Iniciadas as obras e construído o prédio gigante no governo Marcos Davi, o edifício recebeu a denominação de Hospital Doutor Clodolfo Rodrigues de Melo, em homenagem ao primeiro médico da terra que ainda hoje mora no lugar. A estrutura física do novo hospital impressiona de fato pela sua grandiosidade. Depois de muito esforço de vários políticos e das constantes cobranças populares, a unidade do lugar Cajarana ─ parte mais elevada do Bairro Floresta (sopé da serra Aguda) ─ abre suas portas com o setor ambulatorial. Com o tempo, outros tipos de atendimentos poderão chegar à força máxima esperada ansiosamente pela população sertaneja. O auge significará atendimento regional, desafogando hospitais de Maceió e de Arapiraca. Também não seria e nem é possível iniciar logo com serviços completos naquele titã. Escrevemos hoje com o olhar voltado para os inúmeros benefícios que serão trazidos para o médio e alto Sertão, primordialmente, o município onde se acha implantada a obra. A parte política é muito complexa e foge aos objetivos do cronista.
     Houve algumas críticas sobre a localização do hospital. Da nossa parte, achamos que o prédio está bem situado. Não entendemos como tudo que existe possa caber no centro de uma cidade. Ali na periferia mais pobre de Santana, a simples presença da unidade, poderá despertar para investimentos particulares na área, trazendo melhor perspectiva na vida daqueles moradores. Com a implantação da UFAL, no terreno defronte, multiplicam-se as esperanças de melhoria ampla na Cajarana, Conjunto Marinho, Santa Quitéria, Alto dos Negros e o Bairro Floresta como um todo. Bem perto das duas forças estão localizadas a igreja de Santo Antonio e a Escola Estadual Lions, além de fábrica de gesso, padaria e posto de saúde. A grande maioria da população formadora do Bairro Floresta, veio do campo em busca de emprego e de escola para seus filhos.
     Quanto o acesso àquele pé de serra, não foi planejado antes. A rua única é relativamente estreita e composta de paralelepípedos. O intenso fluxo de veículos no futuro próximo vai exigir projeto que atenda totalmente as necessidades modernas dos transportes. De qualquer maneira estarão ali os dois carros-chefes, Educação e Saúde, que poderão puxar todos os vagões do desenvolvimento da terra. Tudo vai depender do binóculo ou da venda dos seus dirigentes. Sem dúvida, com a inauguração prevista para esta manhã, 28 de outubro de 2010, entra o novo HOSPITAL NA HISTÓRIA.

O CÃO DA QUARESMA (Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2010)      Apesar de estarmos longe ainda, a mídia faz-nos lembrar os tempos rel...

O CÃO DA QUARESMA

O CÃO DA QUARESMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2010)
     Apesar de estarmos longe ainda, a mídia faz-nos lembrar os tempos religiosos mais significativos. As coisas vão ficando mais modernas e a força da tradição vai-se esvaindo com motivos novos que percorrem o globo. Muitas vezes nem sabemos se novidades são melhores, corretas ou mais práticas em diversos setores das organizações. É de se notar que havia mais rigor na Igreja Católica, após o carnaval. A partir da quarta-feira de Cinzas a Igreja entra no período mais delicado das suas atividades e que perdura por quarenta dias. Esses quarenta dias recebem o nome de Quaresma, palavra de origem latina, quadragésima. A Quaresma é a etapa do ano em que acontecem os preparativos para comemorar a ressurreição de Jesus, no chamado domingo de páscoa. Essa fase também faz lembrar os quarenta dias em que Jesus passou no deserto em oração. A Igreja ─ na quarta-feira de Cinzas ─ apresenta três linhas de movimentos baseadas na oração, penitência e caridade. Para milhões de católicos, é um ótimo cenário para a reflexão, a esmola e o jejum. Assim os fiéis mais tradicionais se preparam para a festa maior que é a ressurreição. Dentro dos quarenta dias, os domingos não são contados, formando na verdade quarenta e sete. As imagens encontradas nos templos ficavam todas cobertas de pano roxo, dando certo significado de penitência. Conhecemos pessoas que bebiam normalmente, mas suspendiam a bebida em época de Quaresma. Em suma, havia um respeito profundo que hoje não parece tão profundo assim.
     Visto a palavra quadragésima pelo ângulo acima, vamos contemplá-la através do prisma advocatício. A TV brasileira divulgou um vídeo que mexeu assombrosamente com o caso Bruno. Ah! Pode ficar certo de que a novela sobre o goleiro do Flamengo vai render bons dividendos para quem escrever um livro contando tudo. Os constantes desmaios dos personagens centrais, os desentendimentos entre familiares e advogados e as declarações do polêmico defensor do Bruno, fizeram o roxo do catolicismo empalidecer. As ameaças do doutor Ércio Quaresma diferem um bocado da Quaresma a que estamos acostumados. Na Quaresma da Igreja católica, o cidadão procura ficar o mais distante possível do inferno. No Direito, o doutor Quaresma afirma categoricamente que ele não é representante do satã, ele é o próprio diabo. E da maneira como fala na gravação apresentada, é bem capaz de ser mesmo verdade o que ele disse. A profissão de defensor vai ficando manchada com as descobertas mostradas pela Imprensa. Infelizmente tem muitos depositários de nomes magnânimos, envolvidos com o bicho preto até a alma. Envolvidos, dissemos. Mas o doutor Ércio afirma que é o próprio bicho. E se ele afirma, para que duvidar do engravatado, nervoso e satânico cidadão! O caso Bruno já prometia, imaginemos agora o desenrolar de investigações sobre o advogado embaixador do inferno. Com quem fica o caro leitor? Com a Quaresma para espantar o cão ou (apenas para soar mais bonito) O CÃO DA QUARESMA?