INÍCIO DE SEMANA (Clerisvaldo B. Chagas, 22 de novembro de 2010)        Entre as várias resoluções dos homens, encontramos alguns tipos em...

INÍCIO DE SEMANA

INÍCIO DE SEMANA
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de novembro de 2010)
     
 Entre as várias resoluções dos homens, encontramos alguns tipos em relação à serventia. Existe o que não gosta de servir; o que serve somente quando solicitado e o que serve em todos os lugares e ocasiões sem pedidos de ajuda. Levando esse geral para o campo mais próximo, conhecemos em nossa sociedade tipos que davam esporros em quem pedia; outros que ajudavam com sermões à frente; outros ainda que serviam sempre que solicitados e ainda os que tomavam a iniciativa do socorro sem nenhum pedido. Escapa desse enquadramento, um tipo de hábitos estranhos. Rico, prestador de serviço, fazendeiro e político, ficava com o produto da mendicância de quem fosse lhe solicitar auxílio. Fatos tristemente presenciados por vaqueiros e familiares da fazenda.
     Existem os ricos que adquiriram seus bens através de certas facilidades como loterias, prêmios, sorteios, heranças, divisões em família ou diversas outras formas. São riquezas que fazem parte do patrimônio de maneiras honestas sem nenhuma contestação. Mas o amor exacerbado ao que possuem, faz esquecer que tudo que veio às mãos, foi obra de Deus. Os frutos dessa dádiva são para beneficiar também os necessitados. Geralmente nada, absolutamente nada sai daquelas mãos fechadas, do cofre inexpugnável. Afora aos seus mais próximos, nem mesmo o que chamamos café pequeno.
     Por outro lado, temos os que adquiriram patrimônios até semelhantes, não com aquelas facilidades, mas à custa do trabalho, do suor e de muitos sacrifícios. Assim deixaram a situação de penúria até a coroação da batalha do ter. Entretanto, esses também ─ assim como os primeiros ─ não gostam de servir. Alegam que tudo custou caro, noites de sono, dias de fadiga e privações. Encaramujados nas íntimas amarguras, cada pedido de socorro é um mergulho no antigo sacrifício para expulsarem um não. Preferem mandar que a vítima das atuais circunstâncias, faça o mesmo que eles fizeram e encerram aí a rapidíssima entrevista. Para eles, nada do que possuem tem excessos que possam ser retirados.
     Para Deus, o segundo tipo de cidadão ainda é pior do que o primeiro. É que esse viveu a miséria de perto e a conhece muito bem. Portanto, sua responsabilidade é muito maior do que os que nem fazem cálculo do infortúnio. O orgulho, a ambição, o medo de perda, fazem ambas as classes esquecerem que todo bem adquirido foi obra do Alto. Pensam eles que os filhos irão amá-los mais porque estão ofertando o conforto. Suas ações estão no tripé acima, porque é mais fácil amar os bens de que amar a quem os abasteceu. E o Soberano passa a ser um inimigo que pode arrebatar tudo a qualquer momento. É essa maneira egoística de encarar o Pai que lembra cenas de livros sagrados. Sem almejar ser padre e nem pastor, qualquer pessoa pode refletir bem, nem que seja em INÍCIO DE SEMANA.

O EXEMPLO (Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2010) Com o novo sistema de Ensino em que o compêndio apresenta História Geral e do Br...

O EXEMPLO

O EXEMPLO
(Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2010)

Com o novo sistema de Ensino em que o compêndio apresenta História Geral e do Brasil, é coisa a ser pensada. Sim, é preciso situar os fatos históricos brasileiros no tempo e no espaço da história universal. Acontece que muitos episódios da nossa história terminam ficando fora dos livros escolares, jogados ao limbo vultos importantes que honraram com bravura o povo brasileiro. Lapidando aqui, puxando no miolo, o solapar constante vai transformando a História do Brasil em resumo de conteúdo e amontoados supérfluos. Isso não teve início agora, começou com as manias da ditadura militar que também empurrou nas escolas OSPB e Moral e Cívica. Assim a juventude raramente ouve falar sobre Rondon, Anita Garibaldi, Barão do Rio Branco, Plácido de Castro, Piragibe, Henrique Dias, Frei Caneca, Maria Quitéria, Tibiriçá e mesmo Zumbi dos Palmares. Falamos dos compêndios de História Geral e do Brasil, mas outras matérias como Geografia sofrem do mesmo problema. Muito papel, tolices, péssimas impressões e cores esquisitas que dificultam a leitura. Já expomos por aqui essa coisa toda.
Como amanhã é Dia da Consciência Negra, o tema parece repetitivo. Apesar do esforço de alguns que abraçaram a causa, parece não ter evoluído muita coisa na serra da Barriga. Palácio dos Palmares, Aeroporto Zumbi dos Palmares, dizem muito do negro que lutava pela sua gente. Mas a estrutura física do local de homenagens parece o que a gíria chama de “parado demais”. O nome Zumbi tem símbolo caro! Envolvem pretos e brancos do Brasil e sentimentos libertários em outras nações com o denodo do comandante e os objetivos da sua luta. Se ontem Zumbi combatia nas serras, nos tabuleiros, nos canaviais, esse legado não pode morrer com desertores. Zumbi não brigava só. Incentivava a todos que sofriam com as humilhações a libertarem os que ainda se achavam sob a tirania. Foi assim que os  guerreiros da serra da Barriga foram invencíveis até a chegada dos canhões arrasadores de Domingos Jorge Velho.
O Dia da Consciência Negra deve ser um ponto importantíssimo de reflexão. A violência contra os pretos do passado vive hoje de terno e gravata saqueando os cofres públicos pelo Brasil afora. Cabe perfeitamente uma cruzada popular, intensiva, incessante e sem quartel contra a corrupção que doi ao povo brasileiro muito mais do que as drogas das ruas. Estamos carentes de Zumbis da serra para transformar a todos em guerreiros contra os escravocratas dos poderes públicos. Morre o homem, mas continuam seus ideais. Já foi mostrado O EXEMPLO.

A FAMÍLIA DO G (Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2010 ) Com muita antecedência falávamos em nossos trabalhos sobre o G-7 e o G-8. ...

A FAMÍLIA DO G

A FAMÍLIA DO G
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2010)

Com muita antecedência falávamos em nossos trabalhos sobre o G-7 e o G-8. Batíamos no assunto de que não havia mais como esse clube restrito comandar o mundo. Arrastando mais de dois terços da economia mundial e mesmo assim, naturalmente, não era direito que o restante do mundo fosse ignorado, quando mais de duzentos países fazem parte do planeta. Na última reunião desses poderosos, dizíamos que ela não daria em nada, porque o mundo já não se ajoelhava diante deles. Mesmo assim, ainda afirmava, que esses tais procuravam frequentar os bailes com as mesmas roupas desgastadas, cujos brilhos não mais deslumbravam a eles mesmos. Falávamos que, sem vaidade ou com orgulho de ricos falidos, o G-7 não aguentaria muito e abriria mais aos emergentes. Não deu outra. O G-7 agora é apenas uma lembrança dos bons e velhos tempos para a síntese rica. Ai dessa crise econômica que tomou conta das nações se não fossem os países emergentes.
Essa reunião do G-20 em Seul, se não serviu de imediato para alguma coisa prática, pelo menos prestou para a consolidação do novo grupo ampliado e com mais representatividade. Como ignorar China, Índia, Brasil, África do Sul, México e vários outros países que pisam forte na balança do comércio? Como disse o presidente Lula, nesse crepúsculo de governo, a reunião de Seul foi proveitosa porque houve a conscientização de não ser dita a frase “cada um por si”. E arrebata o presidente dizendo que se todos só quisessem vender, quem iria comprar? Foi daí, dessa cúpula dilatada que apareceu a única saída possível para a crise que ainda arrocha a goela dos desenvolvidos. Barack Obama, mesmo, encontrou uma maneira de economizar, anunciando a retirada de tropas do Afeganistão. (Guerra inglória nunca vencida pela Rússia e nem pelos Estados Unidos. Quem pode acabar com os escorpiões do deserto?)
Dilma já estreou de carona no grupo do G-20. Sábia decisão em aceitar o convite da cúpula. Sem a responsabilidade de presidente oficial, Dilma teve a oportunidade de ouro de tudo observar sem abrir a boca para comprometimentos. Volta o Lula aliviado com, segundo ele, o êxito do G-20. Retorna a presidenta eleita, feliz com a oportunidade e o pré-batismo de fogo. Esse recente grupo – já estamos prevendo novamente – não durará o mesmo tempo fechado como o G-7. Logo, logo, arejado com novas mentalidades, temos certeza de outra ampliação. Dessa vez com países não propriamente chamados de emergentes, mas também de grande influência regional. Afinal, todos querem respirar e nadam em direção à superfície. Muita coisa ainda vai acontecer antes do equilíbrio geral. Notemos a situação da Irlanda. Ninguém esqueceu a crise na Grécia. Como diria um velho amigo nosso, o mundo vai se desdobrar igualmente à cobra salamanta. Nada melhor de que aguardar o futuro. E se alguém estiver observando primos, parentes e amigos, é só dá uma espiadinha também na FAMÍLIA DO “G”.