OS CAMINHOS DAS ESTRELAS (Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2011).                     Sendo ainda um planeta de expiação, a Terra pare...

OS CAMINHOS DAS ESTRELAS

OS CAMINHOS DAS ESTRELAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2011).
         
          Sendo ainda um planeta de expiação, a Terra parece socialmente injusta e desigual. Regiões marcham com cidadãos aparentemente mais evoluídos, quando outros lugares parecem o caos completo em guerras, costumes bárbaros, fome e cultura. Surgem em pontos distantes tribos selvagens, porém, organizadas dentro dos padrões tribais. Olhando-se do pé da escada a impressão é essa mesmo de uma sociedade global sem organização, sem nexo, sem rumo. Mas na escala evolutiva da Natureza, o que nos parece caos, está milimetricamente organizado. Os frutos estão presos aos galhos de origens, embora pensemos que os entrelaçamentos desses galhos estejam em desordem. Todos nós estamos viajando nessa nave Terra por apenas um motivo básico que se desdobra em dois ramos. O motivo básico é a evolução permanente da alma. Já foi dito que espírito nenhum chegará ao pai sem pagar o último ceitil. Portanto, aqui procuramos aperfeiçoar as nossas ações espirituais inseridos em corpos físicos e grosseiros próprios do Planeta. Os dois ramos do aperfeiçoamento são os do que vem para saldar dívidas anteriores e assim continuar evoluindo e os que chegam mais evoluídos com a missão de guiar (em todos os sentidos), mas não deixando também o aperfeiçoamento. A complexidade existente é que existem pessoas evoluídas e outras menos evoluídas numa escala muito variada. Assim como as pessoas, são as nações que seguem o mesmo padrão dos humanos. Enquanto alguns países já estão navegando no espaço, outros continuam na Idade da Pedra, mas que alcançarão o mesmo estágio dos primeiros a milhares de anos, nesse ou em outro planeta, se migrarem para lá. Assim também, dentro de uma mesma nação evoluída, encontramos grupos de indivíduos completamente atrasados em relação à maioria.
          Povos com mais estudos descobriram e passaram a utilizar a energia dos átomos. Não deixa de ter sido um dos grandes feitos da humanidade a descoberta do átomo e seus desdobramentos. É de se notar os grandes benefícios da energia atômica empregada na saúde, principalmente em hospitais os mais diversos espalhados pelo globo. Entretanto, como o sexo é bom e tem o seu lado perigoso nas mais diferentes formas, a energia atômica tem também a sua parte perigosa, não somente quando é usada para o mal, como no caso das bombas atômicas que abarrotam os arsenais dos países belicistas. A forma levada em frente para o bem também pode desencadear situações desagradáveis para todos, como nos casos da energia acumulada para fins pacíficos. Isso quer dizer que apesar do desdobrar da Ciência e dos cérebros privilegiados dos que vieram para descobrir e guiar parte da humanidade, o homem ainda continua distante das exigências do Criador. Tanto os meios científicos quanto às funções religiosas possuem acertos e falhas que ilustram OS CAMINHOS DAS ESTRELAS.

O GANSO TRAÍDO (Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2011).           Ao vermos reportagens de animais de estimação acompanhando os donos...

O GANSO TRAÍDO

O GANSO TRAÍDO
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2011).

          Ao vermos reportagens de animais de estimação acompanhando os donos, destacamos cabra, porco e bode que fogem do tradicional. Isso faz lembrar o senhor Walter, filho de Marinheiro Amaral, comerciante de sapataria de luxo por muito tempo em nossa cidade. Walter era um apreciador da boemia, das farras prolongadas e diárias. Foi fundador do cine Wanger, no Bairro Camoxinga, um prédio enorme perto do Largo Maracanã. Ali atraía pessoas com filmes, atualmente chamados pornôs. A estrutura atual do cine serve como sorveteria e rádio comunitária. Walter criava um ganso que o acompanhava pelas ruas de Santana e com ele frequentava os bares dividindo goles, piadas e conversa mole de quem bebe. Todos apreciavam a amizade entre a ave anseriforme e o seu dono. Certa feita a sociedade ficou inconformada ao saber que o senhor Walter de Marinheiro havia matado e servido o amigo ganso como tira-gosto em mais uma das suas inúmeras farras.
          Genival Wanderley Tenório, fazendeiro e comerciante, foi prefeito de Santana do Ipanema na gestão 1978-1982. Não gostava muito de despachar na prefeitura, preferindo bares e outros ambientes parecidos. Inaugurou o serrote Pelado com três imagens religiosas e rebatizou o lugar como Alto da Fé. Inaugurou a praça defronte a Igreja Matriz de São Cristóvão e, então, Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira. Lajeou uma passagem sobre o riacho Camoxinga, acesso à Escola Mileno Ferreira. Calçou algumas ruas, entre elas, a subida de acesso ao serrote Pelado. Talvez para ajudar o amigo das brincadeiras, Genival passou alguns poderes para Walter que servia como mestre de obras improvisado. Quando o povo encontrava qualquer obra daquele jeito, falava: “Isso é bem engenharia de Walter de Marinheiro”.
          Houve alguns acontecimentos importantes no período gestão de Genival. Foi lançado o livro “Geografia Geral de Santana do Ipanema”, deste autor. Houve o assassinato do ex-prefeito, por três vezes, Adeildo Nepomuceno Marques. Foi inaugurada uma agência da Caixa Econômica Federal, funcionando a princípio onde era a Cadeia Velha. Houve a instalação do DETRAN em nossa cidade. Foi constatado o ato inaugural da “Rádio Correio do Sertão”, pioneira no semiárido. É lançado o livro “Carnaval do Lobisomem”, também deste autor. Foi construído o Conjunto Residencial São João. Construído ainda o conjunto habitacional defronte o estádio e o cemitério, com 103 casas. Foi ampliada a capela do Padre Cícero, no Bairro Lajeiro Grande. Foi inaugurado o Centro Bíblico no Bairro Camoxinga. Santana perde terras para o novo município do antigo Riacho Grande. Morreu o ex-interventor do município Frederico Rocha. Faleceu o Cônego Luís Cirilo, da Paróquia de Senhora Santa Ana. Clerisvaldo lança seu segundo romance “Defunto Perfumado”.
          Pois foi nesse cenário em que vivia Genival e sua sofisticada, elegante esposa Salete, que o ganso passeador, leal e companheiro enfrentou a panela. Conquista-se e mata-se. Você pode não achar, mas existe coisa muito mais profunda no ato desnaturado contra o fiel, carinhoso e amicíssimo GANSO TRAÍDO.


MEIA PORTA (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2011)        O presidente dos Estados Unidos fez o seu giro pela América Latina, pontilh...

MEIA PORTA

MEIA PORTA
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2011)

       O presidente dos Estados Unidos fez o seu giro pela América Latina, pontilhando apenas três países. O motivo resumido em três, não se sabe. Nem perguntando a ele próprio, o presidente responderia. E se respondesse, é óbvio que não falaria a verdade. E se falasse a verdade iria ofender quase o hemisfério todo. A repercussão, entretanto, da sua visita foi apática, quase inexistente. Os jornais do mundo inteiro preferiram a quentura do norte africano e a tragédia japonesa. Mas o mutismo da repercussão pode ter sido gerado na particular ação gelada, rotineira e sem vida de Barack. O que outrora causaria sensação, dessa vez conquistou apenas indiferença e sono. Os países da América do Sul, bem como os da América Central, calaram como se fosse uma combinação antecipada. Todos parecem cansados do império. Como a imprensa é a parte mais sensível dos grandes acontecimentos, a sua ausência após a visita do homem, pareceu refletir o pouco interesse no assunto. Foi por isso que os acontecimentos da Líbia e do Japão foram marcados em cima o tempo todo. Obama deve ter chegado de volta aos Estados Unidos, arrasado com a indiferença latina pela sua presença. Ele não é culpado sozinho. Os freios do congresso às suas ideias e a tradição arrogante americana, rareiam as caças nas pradarias do planeta. O presidente deve ter chorado com seus botões pela indiferença do Sul a sua visita, consequentemente a seu país. Foi levantar a popularidade e voltou pior. Ao chegar a Casa Branca, encontrou a porta fechada. Ficou preso por fora. A porta falou simbolicamente sobre o giro que acabava de fazer.
       Atolado até o pescoço no Iraque e no Afeganistão, os Estados Unidos não conseguem fazer brilhar a estrela do presidente que eles mesmos elegeram. É, porém, muito cedo para dizer se Obama está no lugar certo no tempo errado. Todo o plano de Barack no passeio latino voltou-se contra. Tanto é que, para aliviar às pressões antiamericanas em todos os lugares, entregou o comando a outros, nos ataques a Líbia. Não quis se desgastar mais ainda, muito embora possa ter alegado outras razões. Procurar notícia de Obama nos jornais ficou mais difícil.
       Enquanto isso, sigamos outros movimentos que estão ajudando a mudança global. Afinal, não se sabe tudo. Existem por aí tais bastidores, que são bichos quase invisíveis e que somente andam com o focinho nos ouvidos alheios. Longe dos bichos uma coisa é coisa; se estão os bichos, coisas não são coisas. Para os chamados agora “gestores”, nem tudo é conveniente que o povo saiba. Meu amiguinho, esse negócio de política é complicado até em casa, quanto mais no exterior. Veja o Obama, compadre. Triste que só urubu no inverno. Ao chegar ao Salão Oval da Casa Branca e encontrar a porta fechada, deve ter associado, como nós, à entrada da América Latina com apenas MEIA PORTA.