HELENA BRAGA EM FESTA Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.912   Escola Hel...

HELENA BRAGA EM FESTA


HELENA BRAGA EM FESTA
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.912
 
Escola Helena Braga. Foto: (B. Chagas - Livro 230).
Excelente a festa de ontem acontecida na Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas. Dia transferido de homenagem às mães, elas compareceram em massa e assistiram emocionadas a seguinte programação: Abertura do evento com palavras do novo diretor, Ivanildo Ramalho dos Santos. Presente do livro 230 ao padre Jaciel Soares Maciel, pelo autor e o diretor da Escola. Entrega de documento ao pároco, pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto. Documento este que narra fatos sobre Ana Tereza, a primeira devota de Senhora Santa Ana no município, inclusive reivindicando um lugar para o seu nome na Paróquia e outras providências. Palestra do vigário sobre o Dia das Mães, realizada com brilhantismo pelo padre Jaciel Soares Maciel.
Em seguida, a professora Vilma de Lima, iniciou a segunda parte, com a crônica humanista, de cunho ecológico,”Beija, Beija, Beijando”, do mesmo autor do livro 230. As mães não arredavam o pé e, uma banda musical acompanhava as homenagens abrilhantando os festejos merecidos. Em seguida, os alunos de várias turmas foram ao palco do evento, realizando apresentações ensaiadas com seus eficientes professores. Era grande o entusiasmo estudantil aguardando a vez de cada uma das apresentações. Jesus participou mandando uma chuvarada boa que fazia coro na terra com as páginas musicais. De fora só se ouviam as salvas de palmas da plateia demonstrando a imensa satisfação matinal.
E o entusiasmado evento que teve início às oito da manhã, parou para um lanche às donas da festa, aproximadamente às dez horas. Era a escola do Bairro São José reforçando o liame entre educadores e as famílias pela batalha da vida. O esforço de cada um que faz a Escola Helena Braga, valeu à pena em contemplar o semblante de felicidade de mães, filhos e filhas, nessa manhã inesquecível. Bastante aplaudido o antigo diretor, Marcello Fausto, pelos relevantes serviços prestados por duas gestões sucessivas. Já o novo diretor,  Ivanildo Ramalho, procura estruturar a Unidade e partir para novas conquistas que elevarão o nome do Ensino em Santana.
Como será o próximo Dia das Mães? Imaginemos nós.



MORDENDO A BATATA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.911 PITUS. (COZINHA C...

MORDENDO A BATATA


MORDENDO A BATATA
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.911

PITUS. (COZINHA CAIÇARA).
Quando o dia queria morrer, acenderam uma fogueira. Mesmo sendo verão, começou a chegar um vento frio que se foi tornando cada vez mais gelado e, eu que sou friorento, não mais aguentei a situação e fugi. Fui refugiar-me dentro e no fundo da barraca de lona preta, armada pelos pescadores. Durante o dia havíamos subido com eles de Belo Monte até ali ao sítio Telha. Naquele lugar deslumbrante e terrível, acampamos no leito seco do rio Ipanema, no lado de baixo das temíveis corredeiras. A proposta era passar uma noite pescando pitu, camarão e peixe, coisa que havia sido feita pelo dia. Após a pesca de covos, houve pirão de peixe e bom descanso. Eu, mais dois amigos e cerca de três pescadores do São Francisco, queríamos apenas um aventura farrista.
Um garrafão de cachaça de cabeça levada por nós, ao invés de animar, acabou a brincadeira. Os meninos de Belo Monte entraram abaixadinhos no “caldo de cana” a que não estavam acostumados. Eu não conseguia dominar o frio no fundo da barraca e imaginava uma cheia repentina naquele cânion que nem a alma escaparia. De repente os pescadores se desentenderam motivados pela “marvada”, rolou confusão e pega-pega, sendo preciso corajosa intervenção dos amigos para acalmar os ânimos. Quando a poeira baixou, os caboclos ainda continuaram verificando os covos, catando os pitus nas armadilhas, produzindo na fogueira os petiscos para as demais rodadas.
Infelizmente aquela noite não era eterna e deu tempo suficiente para me arrepender da empreitada. Mas como saberia da brusca amplitude térmica do lugar? Acho que não preguei o olho, ansioso pela barra do dia. E quando finalmente a luz solar mostrou a face, fui ver o campo de batalha. Entre mortos e feridos escaparam todos do frio, da arenga e da cachaça de cabeça. Estavam estirados pelo areal e pelas enormes pedras das corredeiras. Mais tarde juntamos tudo e partimos para Belo Monte.
Nunca mais quis saber de aventura noturna que pudesse me trazer prejuízo. Os camaradas da pesca voltaram todos com a cara de burro depois da fuga. Nem sei dizer se os seus dentes estavam sadios após as dentadas na cana, mas, cachaça de cabeça, “véi”, quem quiser que vá comprá-la na casa das “mile peste!”, tenho dito.

JUMENTOS, BURROS E GASOLINA Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.910 Seu Ma...

JUMENTOS, BURROS E GASOLINA


JUMENTOS, BURROS E GASOLINA
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.910

Seu Marinho era poderoso comerciante de secos e molhados. Negociava no “prédio do meio da rua”, onde seu armazém tinha de tudo, desde a ximbra colorida ao arame farpado e querosene. Viera do campo, após uma passagem de Lampião pela sua propriedade. Possuía fazendas e terrenos. E eu como rapazinho, ainda, sonhava um dia comprar a ele a casa e aquelas terras vizinhas à olaria de seu Piduca. Namorava sempre a casa modesta à margem do rio Ipanema, vista da residência de meus pais. Mas seu Marinho também possuía outro terreno na colina, hoje perto do posto de saúde do Bairro Floresta. E nas minhas andanças para o curso de Admissão na Ponte Padre Bulhões, sempre admirava aquela casa de alpendre. “Ah, se um dia pudesse comprar uma das duas!”.
Virei adulto e ouvia dos outros que Seu Marinho não vendia nada do que possuía, apenas os produtos do armazém. “Não me desfaço de nada, nem de um jumento; amanhã posso precisar”, dizia ele. Virei fiel desistente de ambas as coisas. E de fato, alguns bens do comerciante somente foram vendidos após a sua partida.
E como seu Marinho estava certo, atualmente precisamos de cavalos, burros, jumentos e carros de boi, para transportar – que ironia! – gasolina, querosene, leite, mulher para a maternidade, menino para a escola... E tudo, enfim. O boi, o jegue, o burro, o carro de boi, nunca obstruíram estradas e nem entraram em greve. Bichinhos! E agora, comadre, o que fazer com o trem, com o carro de luxo, com o iate, o aviãozinho progressista? E o “babau” que andava perambulando pelas rodovias, sem valer “um conto”, virou peso de ouro para transportar o que o “caminhãozão” nesta greve pai d’égua não carrega: são as coisas da fazenda, o estudante, o leite e o pão.
Sem combustível para ir ao trabalho, botei um bom dinheiro num burro movido a óleo, não o óleo diesel, mas óleo de milho mastigado, querido leitor.
É a greve, irmão, que veio para sentir o pensamento tortuoso do brasileiro moderno. Aí vamos retornando aos transportes antigos dos nossos avós; aqueles que nós já os tínhamos aposentado, menos os de Seu Marinho, é claro, kkkkkkk!