GEO-HISTÓRIA NA RUA DA POEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de outubro de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.996 ...

GEO-HISTÓRIA NA RUA DA POEIRA


GEO-HISTÓRIA NA RUA DA POEIRA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de outubro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.996

PARCIAL DO Cj. SÃO JOÃO. (Foto: B. Chagas).
Em 1926, Lampião invadia a zona rural de Santana do Ipanema. O futuro escritor Breno Accioly, ainda criança, foi mandado em automóvel para Palmeira dos Índios. O povo santanense começou a organizar a resistência com o Tiro de Guerra 33, policiais da Cadeia Velha e civis. Rifles foram distribuídos, sendo feita a barricada na chamada Rua da Poeira, atual Manoel Medeiros. Estavam na organização homens como Joel Marques, Pedro Agra e o próprio sacerdote Bulhões. Tempo de inverno e noite completa na trincheira, mas Lampião não tentou invadir a cidade. A Rua da Poeira foi trecho da estrada construída por Delmiro Gouveia, da Pedra a Palmeira dos Índios.
Mudando da História para a Geografia, a Rua pavimentada com paralelepípedos, não deixou de ser Rua da Poeira. O Conjunto São João e imediações da Escola Helena Braga, ainda recebe poeira da Rua Manoel Medeiros. Mas existe uma poeira fininha e preta levada pelo vento, proveniente dos quintais das casas que têm fundos até o rio Ipanema. Essa poeira é proveniente dos remansos das grandes cheias de outrora. Assim como o vento transporta areias das dunas, faz o mesmo com a poeira preta dos quintais. A areia fina é semeada nos telhados, e nas partes descobertas do Conjunto. As varridas são frequentes. Durantes as chuvas desce o pretume das telhas, que depois seca e precisa ser varrido.
Fazer o quê? O fenômeno descoberto por nós daria um  estudo vivo para o alunado da matéria geográfica. Assim, bom é começar os trabalhos com os problemas locais e ampliá-los para estados e regiões. O laboratório é a própria Natureza que precisa ser compreendida e respeitada.
A nós do Conjunto São João e imediações, restam à vassoura e a faina diária para remover a poeirinha preta; herança cabulosa das grandes cheias do rio.

PRIMAVERA/VERÃO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1995 SANTANA DO IPA...

PRIMAVERA/VERÃO


PRIMAVERA/VERÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1995

SANTANA DO IPANEMA. (FOTO: B. CHAGAS)
Muito alta a temperatura no sertão alagoano. No último sábado e no domingo, meu senhor, foi mesmo de torrar. Com tanto calor assim, desenha-se uma trovoada, mas o céu limpo e azul nada promete. E se dentro de casa procura-se o melhor lugar, quase não tem. O jeito é tomar banho que ainda é uma saída. Ao amanhecer nada mostra esperança de uma boa chuvarada. Assim vamos fazendo uma transição difícil até a próxima estação que não alisa como a primavera. O inverno chegou antecipado e curto. Volta-se mais uma vez a enfrentar os rigores do clima nesse sertão velho de meu Deus. Ainda bem que as adutoras em todas as regiões aliviam o cotidiano da dona de casa.
Na paisagem agrestina de Palmeira dos Índios, cavalos e vacas nos cercados de capim seco. Mais adiante animais lambendo a poeira cinza sob um céu causticante. Em Cacimbinhas, a meninada banha-se no açude público que vai resistindo. Carros de boi e carroças cercam um chafariz procurando levar água para a redondeza. Em Dois Riachos, carroças e mais carroças de burro transitam pela BR-316 em busca do precioso líquido. São os conhecidos tonéis azuis de plástico forte, conduzidos até em carroças de jumento. E o sol tinindo de quente, queima o mato próximo, resseca a vegetação dos montes.
Em Santana do Ipanema nada muda, porque o inverno foi o mesmo para todos. Imaginemos, então, como se encontra o Sertão do São Francisco com Pão de Açúcar liderando na temperatura! Delmiro Gouveia, Canapi... Vão provando o gosto amargo da estiagem. O Canal do Sertão ajuda, mas não muda o tempo rigoroso por todos os lugares. Assim vamos aplaudindo a Natureza e seus caprichos; hoje queimando tudo, amanhã refrescando e trazendo o verde de volta aos campos.
Orgulho de ser sertanejo.

SEJAM BEM-VINDOS OS POÇOS Clerisvaldo B. Chagas, 11 de outubro de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alag oano Crônica: 1.993 ...

SEJAM-BEMVINDOS OS POÇOS



SEJAM BEM-VINDOS OS POÇOS
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de outubro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.993

(FOTO: JEAN SOUZA - DIVULGAÇÃO)
A luta sertaneja nordestina pela água faz criar situações as mais diversas, tanto pelo sertanejo quanto pela tecnologia que avança pelo mundo todo. O sertão procura água nos pilões de pedras, barreiros, cacimbas de riachos secos e açudes. As cisternas fornecidas pelo governo facilitam a captação das chuvas e asseguram a reserva de água potável por determinado tempo. Tudo ajuda na busca diária pelo precioso líquido. O Canal do Sertão – quando for concluído – será uma obra gigantesca que atenuará as agruras do camponês. Entretanto, o Canal não resolve todos os problemas da seca como se pensa. Nem somente de água vive o homem. A água mata a sede, mas não mata a fome. Não existe canal de alimentos por aí.
Têm sido criados poços artesianos no Sertão em locais onde a água oferece condições de consumo. Mas conhecemos vários casos de festas nas inaugurações e abandonos de poços. Tudo por pequenas coisas como a quebra de uma peça, falta de manutenção e até desprezo. Volta-se, então ao marco zero. Com tecnologia avançada, surgiu o sistema de Dessalinização. Retira-se a água salobra do subsolo e separa-se o sal. O segredo do sucesso é a manutenção.
A Prefeitura de Santana do Ipanema acaba de entregar a comunidade Camoxinga dos Teodósio, em parceria com o governo do estado, um poço artesiano com três reservatórios. A capacidade de armazenagem é de 60 mil litros de água com um sistema de dessalinização.
Mais de 100 famílias serão beneficiadas com água potável naquela localidade, afirma o que foi divulgado. Os tempos de estiagem prolongada não respeitam o pediplano nem a região serrana. Uns choram mais, outros sofrem menos, mas todos são vítimas da seca. Vizinho ao sítio Camoxinga dos Teodósio, em 1940, foi aberto um poço no riacho Camoxinga para captação de água contra uma seca braba. A água deu salobra e o lugar até hoje é chamado Poço Salgado. (Pesquisa inédita).
O prefeito de Santana do Ipanema marca assim uma obra pequena para quem não precisa; enorme e vital para a Camoxinga dos Teodósio. É motivo de mais parabéns para o gestor, num olhar crítico e isento de quem torce por tudo de bom que é feito na terra de Santa Ana.