A VOLTA DOS PROFETAS Clerisvaldo B. Chagas,28/29 de janeiro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.460 Com muita s...

 

A VOLTA DOS PROFETAS

Clerisvaldo B. Chagas,28/29 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.460



Com muita satisfação recebemos convite do Secretário da Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Santana do Ipanema, Jorge Santana, para participar de grande evento municipal. Estamos falando de mais um Encontros de Profetas Populares das Chuvas do Sertão Alagoano. Dar-se-á o acontecimento no próximo dia 12 de fevereiro, das 8 às 12 horas. O local será defronte a Secretaria da Agricultura, vizinha à Caixa Econômica no Bairro Monumento. Por coincidência, o dia 12 cairá numa sexta-feira, quando se realiza em Santana a Feirinha da Agricultura Familiar que vai ganhando tradição na mesma localidade. Além da apresentação dos Profetas da Chuvas, o evento contará com a presença dos repentistas José de Almeida e Manoel Cruz, poetas que se apresentam todos os dias na Rádio Correio do Sertão.

Esta será mais uma jornada que vem fazendo sucesso em Alagoas, quando homens experientes, observadores da Natureza, expõem seus conhecimentos sobre o futuro das chuvas na região. O evento municipal procura valorizar o homem do campo na sua sabedoria acumulada através de anos a fio estudando a flora, a fauna, a posição dos astros, a maneira de agir do tempo sertanejo. Foi mais uma tentativa que deu certo por parte da Secretaria da Agricultura. A expectativa é grande, tanto pelos habitantes da cidade quanto do homem rural. Aguardamos mais novidades ainda sobre os conhecimentos que virão.

Enquanto isso, a Feirinha da Agricultura Familiar, será naquele dia uma espécie de suporte para os que procuram se alimentar com as comidas de panelas e as guloseimas oriundas do campo. É um momento único que bem poderia constar no calendário turístico estadual. Quem quer perder um acontecimento único e inusitado que não se vê em outros lugares das Alagoas.  As profecias anteriores não trouxeram o excesso d’água nas enchentes do Panema, mas previram a chegada das águas em rio, riachos e riachinhos. O inverno foi bom como foi anunciado no palanque dos Profetas, a despeito das cheias e do Corona.

Que venha a nova edição das profecias para mais uma inolvidável manhã de sexta-feira.

Ponha máscara, se cuide e marchemos rumo ao Bairro do Monumento.

(CARTAZ/DIVULGAÇÃO).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  AGUARDANDO TROVOADAS Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2021 Escritor Símbolo de Sertão Alagoano Crônica: 2.459     Quem co...

 

AGUARDANDO TROVOADAS

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo de Sertão Alagoano

Crônica: 2.459



 

 Quem conhece os sertões nordestinos, também conhece as agruras das longas estiagens e, consequentemente, os barreiros, açudes ou barragens da região. Os barreiros são depósitos d’água escavados no solo em lugares que possam receber o fluxo das enxurradas. Eles podem ser pequenos, médios ou grandes, quase sempre de forma arredondada. Os barreiros, muitas e muitas vezes menores do que as barragens ou açudes, são as formas mais grosseiras, baratas e simples de acumular água nas propriedades sertanejas. Antes, o barreiro era feito manualmente em forma de mutirão. Na época de limpeza, isso também era realizado manualmente usando-se o couro de boi esticado para jogar a lama fora. Hoje, usa-se o trator para cavar o barreiro e para a limpeza periódica.

Alimentado pela terra nua, os barreiros recebem água da chuva diretamente e por meios das enxurradas nos terrenos inclinados, ocasião em que essas enxurradas trazem com elas muita sujeira e terra na lixiviação do relevo. O barreiro enche, todavia, fica assoreado, recebendo cada vez menos água em cada chuvarada. Daí a necessidade periódica do que se chama por aqui de limpeza. Retirada toda a areia, lama, e sujeiras outras, volta o depósito a receber e acumular quantidade maior de água que vai ajudar a varar a estiagem até a volta do período chuvoso. O pequeno agricultor não consegue sozinho fazer essa limpeza, pois não pode pagar os custos do procedimento. Daí entrar a prefeitura através de algumas secretarias nas ações gratuitas assistindo à Agricultura Familiar.

Tudo isso tem que ser feito no período certo, isto é, antes da chegada das trovoadas, chuvas fortes e benfazejas dos sertões. É assim que estar procedendo a prefeitura de Santana do Ipanema, limpando os barreiros do pequeno agricultor, enquanto no céu, arrodeia e ameaça as trovoadas de janeiro. Dia o ditado popular: “Trovoada de janeiro tarda, mas não falta”. Também é época de reparar os telhados. No sertão, reparar é olhar, prestar atenção, mas o reparar do texto é conserto mesmo nas telhas que se afastam nas caçadas dos gatos.

Faz muito bem a espiada eficiente da prefeitura para o social do campo. É de lá que vem a alimentação dando fartura à nossa mesa e dispensa com produtos agrícolas de boa qualidade.

Viva a Agricultura Familiar!

(FOTO CRÉDITO: JEAN SOUZA/SERTÃO NA HORA).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  IMAGINANDO A MATRIZ DE SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.458 Vendo...

 

IMAGINANDO A MATRIZ DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.458




Vendo a imponente Igreja Matriz de Senhora Santana, temos que seja originária da capela inicial, construída em 1787 pelo padre Francisco Correia. Na verdade, foi uma parceria feita entre o fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia e o padre Francisco. Martinho fornecendo mão de obra e material de construção, o padre, elaborando sua arquitetura, seus desenhos, seus altares. Imaginamos a esposa do fazendeiro, primeira devota de Senhora Santa Ana, acompanhando e encorajando os trabalhos da capela, cujo santos ela encomendara ao padre que os trouxe da Bahia. O padre só inaugurou a igreja após esculpir o Cristo Crucificado com suas próprias mãos.

Podemos conferir que foi seguida a sua arquitetura na reforma que sofreu em 1900, pelo padre Manoel Capitulino de Carvalho, futuro intendente de Santana e também governador de Alagoas. Basta examinar uma foto antiga e de domínio público mostrando a reforma da igreja ainda em preto e rodeada de andaimes. É comparar com o desenho da igreja original e notar a sua semelhança. Nada mais sabemos fora a data de inauguração da reforma e do mestre de obras denominado: Francisco José Bias. A igreja de Senhora Santana só vai aparecer na história com a significativa reforma já inserida em Santana/cidade, na segunda metade da década de 1940. Mas, dessa vez temos apenas os nomes do padre Bulhões, como seu reformador e seu auxiliar, padre Medeiros, após os problemas de saúde de Bulhões.

No caso dessa grande reforma que externamente até hoje perdura, não temos conhecimento de quem teria sido, mestre de obras, engenheiro ou trabalhadores. Também não sabemos com exatidão o material empregado fora o tijolo: argamassa, ferro, cal, tipos de areia... Temos a ideia, porém, e a realidade da beleza única da sua arquitetura, sem fugir aos desenhos originais do padre Francisco Correia. A Igreja Matriz de Senhora Santana foge de todos os padrões dos templos católicos ao longo do rio São Francisco, em Alagoas, a maioria com duas torres. Atualmente a beleza e a pujança do edifício, destaca-se como o mais atraente cartão de visitas do Sertão alagoano e um dos mais chamativos de Alagoas, senão o maior de todos.

E se o relógio quatro faces já não funciona, se os abençoados sinos não dobram como antes, mas seu campanário não perdeu a sua mística e nem sua torre o magnetismo dimensional entre Deus e os homens. Amém, amém...