ALAGOAS/SERGIPE Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.470   Penedo, municí...

 

ALAGOAS/SERGIPE

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.470



 

Penedo, município localizado às margens do rio São Francisco, foi o primeiro núcleo habitacional de Alagoas. Coisas ainda dos primeiros navegantes portugueses após o descobrimento do Brasil. Depois de cinco séculos de história, o núcleo ribeirinho continua encantando turistas de todas as partes do mundo. É uma das mais belas cidades do nosso território, cheia de sobrados e histórias sem fim. Mas, apesar de carregar nas costas cinco séculos de existência, “enterraram uma cabeça de burro” na travessia de balsas no rio São Francisco que impediu até agora a construção da ponte Penedo (Alagoas) – Neópolis (Sergipe). Bastante progressista, Penedo recebeu um baque com a ponte Porto Real do Colégio – Propriá. Continuou de forma medieval transportando passageiros e coisas na base do remo e do motor de embarcações. Por tudo que representa, Penedo não merecia o descaso federal da obra citada.

Vamos colocar abaixo mais um texto sobre construção da ponte que se tornou sonho do outro mundo. Até a Imprensa cansou de publicar notícias que afirmavam o início das obras sobre o rio São Francisco. Estar muito pior do que aquela antiga novela do asfaltamento Carié – Inajá. Povo iludido há mais de 40 anos, porém, esse seriado enganador finalmente teve um final feliz. Semana passada, mais uma vez a Imprensa da terra volta a tocar no assunto dizendo: “O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, informou ao senador Fernando Collor (Pros) que já dispõe em mãos de um projeto da Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) para a construção da ponte que vai ligar o município de Penedo”.

A enganação e o descaso com a cidade levam de primeira um descrédito enorme, porém, políticos em busca de reeleição inauguram obas até duas vezes como fizeram com a de Porto Real de Colégio – Propriá. Nesse caso somente resta aos interessados das duas unidades da federação, uma entrada na briga ou o olho arregalado na espera da moita.

Porém, enquanto a ponte fica no sai, mas não sai, você poderá fazer uma visita a terra do saudoso escritor Ernani Otacílio Mero e se deliciar com tantas belezas acumuladas do tempo de balsas e canoas.

PARCIAL DE PENEDO. (FOTO: PREFEITURA/DIVULGAÇÃO

 

  FENÔMENO SERTANEJO Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.469   Durante e...

 

FENÔMENO SERTANEJO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.469

 



Durante e após vários dias seguidos de altíssima temperatura nesse verão de janeiro e fevereiro, o nosso Sertão alagoano aguardava até com ansiedade, uma trovoada daquelas que arrancam braúnas pela cepa. Mas nem tudo é como se quer que seja e a Natureza, tão agredida pelo homem, vez em quando surpreende os terráqueos nas diversas regiões do Planeta. Ontem mesmo, dia 11 de fevereiro, o clima do Sertão desconcertou seus habitantes.  O amanhecer trouxe um céu completamente cor de marfim, frieza mansa e uma garoa a que chamamos aqui de sereninho.  Pois foi esse sereninho e essa inexplicável mudança de tempo que deixaram nosso “verãozão” com cara de inverno normal do mês de junho. Pense o amigo na alegria do nosso habitat.

O pouco d’água, pelo menos ajudou em alguma coisa. Diz o ditado da nossa região: “O pouco com Deus é muito, o muito seu Deus é nada. Se o sereninho não deu para encher barreiros e açudes, melhorou significativamente a temperatura, o ânimo sertanejo, temperou a pastagem seca umedecendo o pasto para o criatório, o boi, o cavalo, o bode... O carneiro, com suas respectivas namoradas: vaca, égua, cabra e ovelha que espanaram água do capim nos seus dedicados vaqueiros. Alegria nos campos, júbilo nas cidades, “coceiras” nos bolsos. Será que teremos um inverno precoce? Não será o fenômeno do dia 11 apenas um capricho da Natura? Os idiotas do mundo mexeram tanto negativamente no meio ambiente que as surpresas do Alto ganham filas em todos os recantos do mundo.

A moça do tempo anunciou na TV chuvas em todas as regiões do País. Seria a continuação da prévia do nosso sereninho?! Vamos tocar a realidade e comparecer à Feirinha da Agricultura Familiar no Bairro Monumento onde estarão se apresentando os Profetas das Chuvas.

Quem mora no Sertão, não é agricultor e nem pecuarista, não deixa, entretanto, de namorar constantemente o tempo. Procura dinheiro nos raios do Sol, na face da Lua, procurando a negação do repentista:

“Cala-te com teu Sertão

Sertão é monturo

A água do teu Sertão

É mijo de bode, puro”.

SERTÃO ALAGOANO (FOTO: B. CHAGAS)

 

 

  TEMPO IMPLACÁVEL Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.467 Temperatura al...

 

TEMPO IMPLACÁVEL

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.467





Temperatura altíssima nos últimos dias no Sertão. No interior de cada residência a procura do melhor lugar contra o calor. Vegetação amarelando nos montes, nas planuras... Nas baixadas. Fontes d’água mirrando, desaparecendo, rareando “bebidas” para os animais selvagens. Vão mais para longe procurando água: o preá, o teiú, a raposa, os diversos passarinhos que dão vivacidade às matas. Os longos caminhos vão ficando tristes ladeados pela vegetação transparente. No céu os urubus sobrevoam fazendo festa adivinhando mudança de tempo. Fevereiro prossegue forte retardando as trovoadas fugidias de janeiro. Os mandacarus furam o espaço com seus braços compridos, esverdeados e espinhentos. A poeira cobre a estrada onde marca os rastros nervosos do sardão.

O sertanejo deve louvar os seus barreiros, seus açudes... Suas cisternas oriundas do governo. Outrora anunciado como o grande libertador das secas, o Canal do Sertão continua num mutismo impressionante. Uma vez ou outra perdida sai um noticioso pela metade sobre suas ações. Assim não se pode saber como estão as terras cortadas pelo Canal, a política sobre o seu uso, o desenvolvimento dos trabalhos. O Canal do Sertão, cujo final seria em terras agrestinas, ainda não deixou o semiárido. Tampouco não é divulgado o mapa do seu roteiro, deixando o homem do campo desinformado e o investidor em alerta. O que vale mesmo nesse momento de fevereiro, é colocar os joelhos no chão pedindo chuva a quem tem para dá.

Estamos em pleno verão, e verão por aqui é “duro que nem boca de sino”, diz o agropecuarista. O problema é que as trovoadas prometem, mas não descem. Precisamos dessas águas das tormentas para com elas chegarmos ao próximo outono/inverno, meses mais chuvosos da nossa região. É certo, porém, que os dramas das secas são diferentes do passado. Estradas asfaltadas ligando todas as cidades das Alagoas, facilitam muito o deslocamento de pessoas e animais. O pau de arara teve fim, mas não deixa de existir o pequeno agricultor que tem mais sensibilidade aos impactos negativos da estiagem. E diante desse quadro chove, mas não chove, nada demais comparecer ao III Encontro do Profetas das Chuvas do sertão alagoano, na próxima sexta, dia 12.

(FOTO: BIANCA CHAGAS).