SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CASA IMPERIAL Clerisvaldo B. Chagas, 8/9 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.624 Quem Conheceu “A I...
CASA
IMPERIAL
Clerisvaldo
B. Chagas, 8/9 de dezembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.624
Quem
Conheceu “A IMPERIAL” no Centro Comercial de Santana do Ipanema, do
proprietário Pedro Cristino de Melo, se não me engano? Homem baixinho e muito
agradável, conhecido como Seu Piduca, vendia uma variedade enorme de
mercadorias, além de possuir olaria na margem direita do Ipanema, anos 60. Seu
Piduca era sogro do saudoso professor Ernande Brandão e prestou relevantes
serviços à sociedade santanense. Ao falecer, A IMPERIAL continuou a funcionar
com seu filho Rubens e o estabelecimento passou a ser CASA DAS TINTAS e assim
entrou no Século XXI. Pois bem, a loja
que se tornou um patrimônio da cidade, mudou-se, segundo informações, para a
Rua Pancrácio Rocha, onde mantém viva a tradição de bem servir.
Onde
fora a IMPERIAL e a Casa das Tintas – falamos mais para os que estão ausentes
da terrinha – está sendo reformada para abrigar uma luxuosa clínica
odontológica, em mais um empreendimento de grande valor para o continuado
progresso de Santana do Ipanema como Capital do Sertão. São os investimentos
ininterruptos chegados de fora para a nossa terra: Arapiraca, Palmeira dos
Índios, Maceió e de tantas partes das Alagoas. Em breve um titã mercado de
Maceió também estará servindo Santana do Ipanema, por ora, dizem, encontra-se
em negociação para o local. A cidade já está cheia de marcas nacionais e até
internacionais, provando que o futuro do Sertão passa pela terra de Senhora Santana.
Mas os filhos da terra também aprenderam a investir por aqui e as novidades
comerciais e prestadoras de serviços não deixam nem a gente contá-las.
O bom
disso tudo é que as outras cidades sertanejas do Sertão, Alto Sertão e Sertão
do São Francisco, também vão se desenvolvendo rapidamente com ajuda externa e
mentalidade moderna. São favorecidas e favorecem a Capital Sertaneja num
intercâmbio de causar inveja. Sem conta são os transportes alternativos que desembarcam
gente na cidade, principalmente no primeiro horário. Por outro lado, a cidade
vai ficando cada vez mais bonita que dá gosto até entrar por todas as bibocas,
mesmo sem gastar nada, porém, aguçar mais a curiosidade. Entretanto já foi
tentando o transporte coletivo urbano e não deu certo. Os quase mil
mototaxistas, parecem no domínio do deslocamento popular. Sei não...
RUA
PANCRÁCIO ROCHA, TRECHO URBANO DA BR-316 (FOTO: GUILHERME CHAGAS).
ODE AO RIO IPANEMA extra Clerisvaldo B. Chagas, 6/7 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano POESIA NA PROSA EM 2.1...
ODE AO
RIO IPANEMA
extra
Clerisvaldo
B. Chagas, 6/7 de dezembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
POESIA
NA PROSA EM 2.10.2007
Os
desbravadores logo perceberam que o rio Ipanema – mesmo temporário –
representava palpitações de vida. Uma veia grossa que irrigava todo o corpo
sertanejo. E o pai amigo, generoso e bom, logo presenteou o semiárido com uma
cidade morena, dourada, plena de Sol e ornada de colinas, chamada Santana.
As
águas vivas sobre as areias, as águas serenas sobre as areias, as agitações
supremas de cima, as quietudes divinais de baixo, o tempero salobro da ribeira,
mataram a sede da “Rainha do Sertão”. E o rio gritou bem alto: Façam as casas,
eu dou a areia; fabriquem os tijolos, eu cedo o barro verde; definam seus
tetos, eu contribuo com argila; lembrem dos alicerces, eu tenho pedras
milenares; tragam os animais, usem meus pastos; provem dos meus deliciosos
peixes, e... Quando estiverem cansados do trabalho dignificante, durmam sobre
colchões e descansem com travesseiros dos meus juncais.
E as
espumas desciam das roupas sob lindos cânticos das lavadeiras caboclas; dorsos
robustecidos submergiam nas águas turvas; e o sopro da leve brisa amenizava o
suor negros dos corpos noturnos e nus.
Grita
Santana, teu nascimento! Berra Santana, tua expansão! Enfeita teus aromáticos
cabelos com a flor da craibeira. Embala teu berço com o sussurro do Cruzeiro,
com a lenda da caipora, com o doce murmúrio dos regatos do mês de julho.
Silêncio,
que esvoaça o gavião, câmera natural que filma e comanda os céus de borboletas
e bem-te-vis. Olhos mágicos que perscrutam o Panema e a flora, e a fauna, e o
relevo privilegiado do lugar. Sentinela altivo das paixões, dos amores... Dos
queixumes do povo santanense.
Deus
fez o Ipanema, o Ipanema fez Santana, Santana observa seu criador pelas frestas
das portas, pelos rachões das janelas, pelas varandas de aroeiras... Pelo
mormaço das tardes preguiçosas ou pela íris da mulata da ribeira.
Erga-se
meu herói sertanejo, que o astro-rei traz a luz no Oriente; que os matizes do
azul marcham no firmamento. Já soaram as trombetas dos pardais.
Breve,
breve, minha cidade estará de pé; bênção meu Panema. Deus no ilumine neste novo
dia.
RIO IPANEMA,
SERENO, VISTO DA TRAVESSA PROF. ENÉAS. (FOTO: JEANE CHAGAS)
O BOI MISTERIOSO Clerisvaldo B. Chagas, 2/3 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.623 Ainda lembro da...
O BOI
MISTERIOSO
Clerisvaldo
B. Chagas, 2/3 de dezembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.623
Ainda
lembro da saudosa Dona Ester, esposa do farinheiro José Camilo, lendo folhetos
de cordel para nós, meninos da vizinhança. Sentada no degrau interno da casa,
rodeadas de crianças, lia com muito prazer “A Índia Neci” e outros folhetos que
comprávamos na feira com o nome de romance. “O Cachorro dos Mortos”, “Cancão de
Fogo”, “João Grilo”, “O Pavão Misterioso”, “O Boi Misterioso”, “O Negrão do
Paraná e o Seringueiro do Norte” e mais uma porção deles. “O Boi Misterioso”
falava de um boi que vaqueiro nenhum conseguia pegá-lo. A descrição dizia que o
animal era enorme e dasafiava todos os vaqueiros da época. Infelizmente não
lembro o final da história. Tudo vem à mente quando assistimos aos vídeos sobre
o Boi Salgadinho, o mais famoso do Brasil, na atualidade que, com suas 46
carreiras, derrotou todos os vaqueiros dos nove estados nordestinos que
tentaram trazê-lo na corda.
Salgadinho
não é um boi gigante como o do romance do meu tempo dizia, o boi misterioso, é
um animal amarelo, aparentemente normal, mas se transforma num fantasma ao
levar corrida dentro do mato. Quem não acredita em inteligência fora dos
humanos, tenha a coragem de apostar dez mil reais contra o boi Salgadinho na
corrida de mato no município de Iguaracy, em Pernambuco. O dono do boi, senhor
José Carlos dos Correios, bem que aceita. A última vaqueirama a correr o boi
foi a do Piauí, mais uma derrotada contra o boi. Dizem eles que ninguém pega o
boi Salgadinho naquela manga onde tem muitos empecilhos no mato, inclusive
árvores caídas onde cavalo não passa nem por cima nem por baixo, O Boi conhece
tudo e ao se ver apertado, penetra em lugares aonde deixa o vaqueiro
completamente desarticulado. Não são poucos os que voltam dizendo que não sabem
aonde o boi se escondeu.
Ê Dona
Ester, minha boa vizinha! Se a senhora ainda estivesse nesse mundo, iríamos
sentar naquele mesmo degrau e comentar sobre quem é melhor, se o antigo “Boi
Misterioso” ou o Salgadinho de Iguaracy. Histórias do mundo, Histórias que
povoam a mente de milhares de sertanejos iguais a nós. Isso também puxa pelo
“Saia Branca”, boi famoso da região do povoado Várzea de Dona Joana, sertão
alagoano, mas que perdeu a fama para um vaqueiro também encabulado daquele
lugar. Falar em bois famoso é falar de Nordeste.
BOI
SALGADINHO (FOTO: FACEBOOK).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.