SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MAJOR IZIDORO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de novembro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.981 Como encerramos ...
MAJOR
IZIDORO
Clerisvaldo
B. Chagas, 6 de novembro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.981
Como
encerramos o roteiro das cidades sertaneja, pela AL220, em Jaramataia, vamos
voltar pela mesma estrada para o acesso a Major Izidoro, em cuja via não
entramos. Próximo a Batalha você encontra o acesso a Major que passa pela cidade
e vai sair no outro ramal (BR-316). Portanto Major Izidoro está localizado em
paisagens planas entre a BR-316 e a AL-220, ligadas pela AL-120 entre
Cacimbinha e Batalha. Fica a cidade de
Major Izidoro a 191 quilômetros da capital, Maceió e a 182 metros de altitude.
É pequena e bela, tão limpa quanto Penedo. O seu minúsculo comercio tem aspecto
de capital e é muito fácil se apaixonar por ela. Antigo distrito de
Sertãozinho, foi emancipado de Santana do Ipanema em 17 de setembro de 1949. A
população izidorense quase chega a 18.000 habitantes.
A
economia de Major Izidoro se baseia em serviços, agropecuária, principalmente
nesta última, sendo famosa como “Terra do Leite” e seus laticínios que
conquistaram o estado com deliciosos queijos e manteigas. E em se tratando de
festa religiosa, os festejos ao padroeiro Santo Antônio de Pádua representa o
auge da devoção, ocorrendo no dia 13 de junho. Mas o antigo distrito também tem
histórias de Lampião. Uma delas foi quando o chefe cangaceiro mandou buscar
dinheiro sob ameaça de invasão ao distrito. O episódio está compilado no livro
“Lampião em Alagoas”, da nossa autoria. Inclusive, foi motivo de reflexão,
tanto dos leitores, quanto fora por parte de Virgulino Ferreira.
É
bastante agradável a rodovia AL-120 trecho Cacimbinhas – Major Izidoro, pelo
relevo plano, vegetação baixa e campos semeados de gado leiteiro. Sensação
enorme de bem-estar. Porém, tudo que foi falado acima ainda é muito pouco
diante da grandeza intelectual do izidorense. A vantagem do visitante que
pretende conhecer a Bacia Leiteira Alagoana, é que as suas componentes estão muito
próximas um das outras, e que pode ser vista em grande parte numa viagem única.
Ainda
hoje agradeço no meu coração os aplausos recebidos em Major Izidoro quando
apresentamos a peça teatral “Irmão das Almas”, aproximadamente no ano de 1970.
Foi uma euforia pelo êxito obtido pelo Teatro de Amadores Augusto Almeida.
Inclua
major na sua Agenda.
MAJOR
IZIDORO (FOTO: IBGE).
SERROTES SANTANENSES Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.980 Um elevad...
SERROTES
SANTANENSES
Clerisvaldo
B. Chagas, 2 de novembro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.980
Um
elevado de terra é chamado de montanha. Várias montanhas juntas formam as
serras e, várias serras juntas formam uma cordilheira. Na verdade, o
regionalismo popular distorce ou complementa essas afirmações geográficas. No Sertão
nordestino um elevado não tão alto assim, é chamado de morro quando é
arredondado ou afunilado; serrote quando tem a forma mais horizontal (serrote:
pequena serra) e serra quando o elevado é muito alto, isolado, ou muito alto e
contínuo horizontalmente. No sertão não
se chama montanha; somente as três formações populares citadas. Os serrotes são
costumes regionais tão corriqueiros que a atenção só aparece quando o visitante
indaga, o que é serrote? O serrote, geralmente isolado e residual, isto é, resto
de elevações conjugadas, desgastadas e extintas pelo tempo, tem muita serventia
no Sertão.
O
serrote é mais úmido, tem mais vegetação de porte, é refrigério para os
bovinos, fonte de alimentação para caprinos, receptor e dispersor de ventos,
refúgio de animais selvagens e pulmão verde dos arredores; além disso, os
serrotes são pontos de referências assim como as lagoas regionais. Esses acidentes
geográficos, recebem a denominação do povo, muito mais pelas suas primeiras
famílias que ali fizeram moradias. Assim em Santana do Ipanema se destacam os
seguintes serrotes: “Serrote”, “Serrotinho”, “Serrote dos Brás”, “Serrote dos
Bois”, “Serrote dos França” e “Serrote dos Angicos”, na zona rural. Na zona
urbana: “Serrote do Gonçalinho”, “Serrote do Cruzeiro”, “Serrote do Pelado” e a
“Serra Aguda”.
E
quando falamos na serra Aguda, hoje, quase no limiar do urbano/rural, é uma
montanha isolada em forma de sela, localizada próxima à Reserva Ecológica
Tocaia. É avistada de imediato pelos que entram em Santana do Ipanema, no
sentido Maceió/Santana, a partir das ruas principais do Bairro Monumento. Fica
muito perto do Hospital Regional da colina. É ali na parte mais alta da sela,
onde será erguida a mais alta imagem religiosa do mundo, a de Senhora Santa
Ana, cujos trabalhos de limpeza do terreno, já foram iniciados. A propósito,
vista de longe através de aparelho, existe um desgaste entre as duas partes da
sela, proveniente das enxurradas que descem de serra abaixo.
Amigas
e amigos, abraços do tamanho dos serrotes da minha terra.
SERRA
AGUDA (FOTO:B. CHAGAS)
FREI DAMIÃO E O PÂNICO Clerisvaldo B. Chagas, 1 de novembro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.989 As Sant...
FREI
DAMIÃO E O PÂNICO
Clerisvaldo
B. Chagas, 1 de novembro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.989
As
Santas Missões no distrito Canafístula Frei Damião, em Palmeira dos Índios,
Alagoas, inspira-me a contar mais uma vez a chegado de Frei Damião em Santana
do Ipanema, entre 1956 e 1960. O respeito, a admiração, a devoção e o carinho
ao Frei pelo povo santanense e da região, eram quase um fanatismo. Eu ainda era
criança quando foi anunciada a vinda de Frei Damião a Santana para suas pregações.
Existia uma agonia geral por falta de chuvas há muito. Comentava-se que quando
o Frei chegava a um lugar seco trazia chuva, era uma esperança. Frei Damião
chegaria por Olho d’Água das Flores. Inúmeros veículos foram ao encontro do
homem, nas imediações de Olho d’Água, fora os que já vinham o escoltando. Uns
ganzelões de minha rua, motivados pela euforia, formaram um pequeno grupo para
encontrar Frei Damião na estrada. Segui com eles.
Atravessamos
o rio Ipanema seco, subimos pelas olarias e em breve estávamos na estrada de
terra rumo a Olho d’Água das Flores. Era um fim de tarde, passamos sobre o
riacho João Gomes e um pouco mais para lá, no deparamos com a comitiva em
sentido contrário. Eu já estava muito cansado e vi passar automóveis e mais automóveis,
caminhões e mais caminhões lotados passaram com muita rapidez. Fiquei choroso
em não ter havido uma única parada para nos acolher. Voltamos a pé tal a ida. O
tempo anoitecia e eu cansado e choroso acompanhando “morcegos”. Ao chegarmos
perto de Santana, chegaram a chuva e o véu da noite. Esbarramos diante do
Ipanema bebendo água. Tive medo de atravessá-lo, mas tive que seguir os
ganzelões, chorando muito. Deu para atravessar sem ser levado pelas águas que
aumentavam de volume rapidamente.
Houve
sermão diante da Matriz, com o quadro comercial completamente lotado. Porém,
dois lugares de Santana, segundo o povo, debocharam do Frei e promoveram bailes
de forró. Um na rua de Zé Quirino (Prof. Enéas) outro no lugar Cachimbo Eterno.
De repente os respectivos salões com grande distância entre eles, encheram-se
de potós que caiam de todos os lugares e espirravam até dos foles dos
sanfoneiros. Gritos, pânico geral. Muita gente queimada pelos insetos. Algumas
pessoas tiveram que ser transportadas para hospitais de outras cidades. A seca
acabou na região de Santana do Ipanema e o rio continuou escorrendo no período
das Santas Missões. Sou testemunha viva do acontecimento.
ESTÁTUA
DE FREI DAMIÃO EM CANAFÍTULA FREI DAMIÃO (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.