SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
A GALINHA E O OVO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.028 Já se foi o te...
A
GALINHA E O OVO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.028
Já se foi o tempo em que o criatório de aves
nos terreiros de sítios e fazendas saltava aos olhos. Galinhas, pintos, galos,
pavões, perus, frangos, guinés, patos e até marrecas obstruíam o caminho dos
passantes. Eram as chamadas galinhas de capoeira. Um misto de inúmeras
espécies, que ornamentavam a zona rural. Após esse desaparecimento, o vazio e,
depois do vazio uma nova tentativa de criar galinha para produção de ovos em
quantidade no Sertão e Agreste de Alagoas. Não é fácil transformar qualquer
região sertaneja alagoana num São Bento do Una e imediações, onde as granjas
estão consolidadas.
Mas já aparecem na região, ovos de galinhas
caipiras vindo de cooperativas de Santana do Ipanema, Olivença e de formação em
São José da Tapera, além de ovos de granja (o branco) do povoado Laranjal de
Arapiraca. Esses ovos vêm em embalagens belas, modernas e higiênicas que
parecem que estão desbancando os ovos que chegam de Pernambuco com suas
embalagens de papelão rude e anti-higiênicas. Que bom que está sendo
diversificada a economia regional no império do boi. Pelo visto o homem
sertanejo alagoano também quer criar o Poder Granjeiro como o do estado
vizinho. É preciso muita persistência, assistência técnica, capital e muita
tecnologia de ponta. Será que conseguiremos?
A galinha branca de granja, todos conhecem. A
galinha de capoeira é aquela de qualquer raça criada nos quintais e nos terreiros
de sítios e fazendas. Possui ovo branco igual ao da galinha de granja. E a
galinha caipira é aquela marrom, cujo ovo também é marrom claro ou escuro. Mas
o miolo do assunto é mesmo a Economia. Já pensou em várias granjas no seu
município, produzindo 30.000 ovos/dia, vendendo e exportando através de
cooperativas? Quanto dinheiro não entra! Quanto em dinheiro circula... E o
número de empregos nas granjas e na cadeia produtiva? Pois chegou a hora de tornar o Sertão
independente de ovos, um dos alimentos mais ricos do mundo.
Viva as cooperativas que representam a força
de vontade do produtor guerreiro do sertão. Vamos dar preferência aos nossos
produtos. Viva a galinha e viva o ovo!!!
GALINHAS CAPIRAS
O CANGACEIRO MOCIDADE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3. 027 Para quem...
O
CANGACEIRO MOCIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de
2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3. 027
Para quem gosta dessas ladainhas de
cangaceiros, cumpre-me trazer a lume um cabra dos anônimos do bando de
Virgolino Ferreira, o Lampião. Neste espaço, tenho me referido ao Filemon,
homem do povo, simples, educado e muito calmo, devagar. Não sabemos se era de
Santana ou chegara a Santana. Quando conheci o casal, Filemon e Júlia foi em torno
dos anos 60. Ela possuía banca na feira, onde vendia comida caseira. Muita
desbocada, dona Júlia. Ele, Filemon, era alto, escuro igual à mulher e poderia
ser localizado na casa dos 60 anos de idade ou mais. Sobre sua atividade, só conhecemos o ato de
fazer saborosas comidas para festas, para clubes, sendo mestre na feijoada, no
abate e preparo de cágados (jabutis), muito apreciados na época.
Ele nos contava: era padeiro em vila Mariana,
Pernambuco. Certa feita, Lampião passou por ali com o bando, convido-o. Convite aceito partiu com o bandido sertão
afora. Recebeu todos os equipamentos de guerra e passou a ser conhecido por MOCIDADE. Passou a cozinhar para o bando e
participou do sequestro de coronel famoso em Águas Belas. Explicou por que
Lampião não matou o coronel e toda a sua explicação coincide com livros que
falam do assunto. Seis meses do seu ingresso no bando, fugiu, afirmando a si
próprio que não nascera para aquela vida. Por ser calmo e paciente, servia às
vezes de chacota para o amigo Zé Chagas, homem piadista nato, em Santana do
Ipanema. A vida do primo Zé Chagas, daria um livro completo, por sinal, rimos
muito no lançamento do livro em Maceió, lembrando suas brincadeiras inusitadas.
Fo ali que descobri o nome do CANGACEIRO, através de outro primo, Zé Ormindo.
Pois, estão aí agora, os dois únicos
cangaceiros santanenses que se tem notícia. Gato Bravo e Mocidade. Com estilos
completamente diferentes, possuem a coincidência de fuga de cangaço.
Entretanto, a nossa cidade nunca alimentou histórias de cangaceiros. Sempre foi um limbo total na
tradição do município desde a grande festa de cabeças de 1938. O nome
descoberto e apresentado à sociedade e aos estudiosos foi apenas um desencargo
da consciência de quem teve acesso.
Estamos indo, fui.
CAPA DE LIVRO (FOTO: B. CHAGAS).
AFOGADOS Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3. 025 Pequei uma quadra e ...
AFOGADOS
Clerisvaldo B. Chagas,
21 de março de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3. 025
Pequei uma quadra e fui a uma tardinha conhecer a barragem do riacho
João Gomes. O riacho é um afluente do
rio Ipanema e contorna Santana pela margem direita numa distância entre dois e
três quilômetros. As nascentes do riacho, duas, estão situadas no município de
Carneiros, imediações do sítio Serrote da Furna. O seu nome tudo indica, deriva
da planta denominada beldroega, também antigamente chamada João Gomes. As águas
ficaram represadas no Alto Riacho que conta também com uma bela ponte asfaltada
e toda a estrutura para um balneário. O
Médio Riacho, muito abaixo da represa, corta a AL-120 e desce para o Baixo
Riacho em busca da sua foz no sítio Barra do Panema. Era nessas imediações do
Baixo João Gomes, que morava a família PIO, lugar de origem do grande escritor
Oscar Silva. (“Água do Panema”, romance, “Fruta de Palma”, crônicas e outros
mais).
Parece-me que já houve na Represa um
afogamento, lembrando a mais famosa fonte de lazer de Santana, o Poço dos
Homens. Contamos desde a nossa infância
até o abandono do poço em 1969, cerca de 20 afogamentos, citados pelos mais
velhos e os da nossa geração. Entre os afogados, o mais falado era de um
cidadão apelidado “Tinteiro”, que se não nos enganam, morava nas imediações do
poço. Falava-se muito também de tal Zé Belebebeu ou Jabobeu, que teria sido o
primeiro afogado e que de vez em quando puxava na perna de um bahista para o
mesmo destino.
Mas voltando ao riacho João Gomes, o espelho
d’água da Represa, visto de pontos mais elevados, estende-se riacho acima por
vários sítios, beneficiando tanto a montante quanto a jusante os inúmeros deles
que ficam diretamente às margens ou nas suas imediações. Além do banho
domingueiro dos seus frequentadores, o pôr-do-sol é uma atração à parte que
permite concorrência entre fotógrafos amadores e profissionais. Isso reduziu
muito as viagens de santanenses em busca do rio São Francisco em fins de
semana, tanto em Pão de Açúcar quanto em Piranhas.
Vamos ao banho!
ENTARDECER NA REPRESA (FOTO: BIANCA CHAGAS)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.