ESTIAGEM OU SECA Clerisvaldo B. Chagas, 23 de janeiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3349   Estamos vivend...

 

ESTIAGEM OU SECA

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de janeiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3349

 



Estamos vivendo, segundo a tradição, uma época de estiagem, típica dos últimos e dos primeiros meses do ano. Mas como essa estiagem está muita braba, ficamos sem saber se podemos chamá-la de verão, de estiagem ou seca, mesmo. Mas o que chama atenção é que não se ouve falar nos famosos caminhões-pipa, nesse período e que as prefeituras de Sertão e Agreste costumavam alarmar. O que é que estar havendo, então. Por que não estamos contemplando uma campanha orquestrada para fazer rodar o caminhão, considerado antes, o salvador da pátria? Será o efeito do Canal do Sertão? Ora, o Canal do Sertão que deverá atingir o Agreste,  ainda não conseguiu completar toda a região sertaneja. Talvez seja a maravilha da sua presença onde já conseguiu romper, que esteja fazendo este milagre do não carro-pipa.

Não tem como não classificarmos a obra do Canal do Sertão como uma das maiores do mundo com louvor à capacidade da engenharia brasileira. Água do São Francisco jorrando entre túneis, pontes, pontilhões, planuras e serrotes nas terras abençoadas do semiárido, de Delmiro Gouveia a Jaramataia, quando por ali chegar. É certo o Canal anda com lentidão, mas estamos chegando, segundo notícia, as últimas cidades sertaneja para a sua penetração no Agreste. Portanto em breve estará em Monteirópolis, Jacaré dos Homens, Batalha e Jaramataia, cumprindo assim o compromisso do projeto na área mais necessitada. Apesar dos inúmeros benefícios, não vamos tendo notícias do seu andamento sempre, sempre. Quando tudo estar esquecido, surge uma notícia que não mata toda a curiosidade.

Voltamos a falar do caminhão-pipa, que prestaram relevantes serviços à causa sertaneja, mas se diga também que muitos donos de caminhão ganharam bastante dinheiro, pois, tanto víamos a ansiedade do produtor rural pela assistência do governo, quanto víamos também a inquietação daqueles motoristas pela liberação dos caminhões pelo exército. E muitos carros velhos se transformaram em carros novos, mas aqui não vai uma crítica a nada, pois, com trabalho, seja como for, tem que haver prosperidade coletiva e individual.

CANAL DO SERTÃO (DIVULGAÇÃO).

 

  SÃO SEBASTIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de janeiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3348   A igrejinha de Sã...

 

SÃO SEBASTIÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de janeiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3348

 



A igrejinha de São Gonçalo, em Maceió, fica no Mirante de São Gonçalo e é histórica. Seu atrativo é a sua própria solidão, indiferente às pessoas que passam por ali e não a conhecem. Quase sempre estar fechada. Assim é a igrejinha de São Sebastião, em Santana do Ipanema e que quase sempre se encontra também de portas cerradas. Mas, esta não fica em área afastada, estar localizada em pleno comércio santanense e quase com a mesma indiferença dos transeuntes. Já falamos inúmeras vezes sobre a igrejinha de São Sebastião porque ela é a história e uma das relíquias de Santana. depois de longo período sem passarmos por ali, no deparamos ontem à tardinha com as portas abertas. Como foi uma surpresa a novidade, nós nos apressamos para bater uma foto do cenário, pegando parcialmente a praça defronte.

Céu cinzento diferente, esquisito, como se tivesse havido longe uma grade queimada. Devido a hora da tardinha a foto talvez não tivesse ficado ideal, mas quanta história tem embutida na fotografia! Não tem como olharmos para a igreja de São Sebastião e não lembrarmos dos Domingos de Ramos, quando sempre ali era realizada parte das solenidades. Igrejinha no Centro Comercial da cidade, construída por volta do ano 1915, pertencente à família Rocha, do coronel Manoel Rodrigues da Rocha. Igrejinha que ainda causou problema com descendente daquela família que a queria tomá-la da paróquia.

E o Beco São Sebastião ao lado da igrejinha, liga o Comércio a Rua mais abaixo, Prof. Enéas. Com acentuado declive, e continua irregular, desta rua ao rio Ipanema. Sempre foi o lugar de soltar foguetes no novenário de Senhora Santana. O beco abrigou o último dos grandes alfaiates de Santana do Ipanema, Gilson Saraiva, que talvez ainda tenha ali a sua alfaiataria. Mesmo sendo ladeada pelo beco, a igrejinha de São Sebastião sempre foi respeitada até os presentes dias.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO, AMARELA E AO FUNDO (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  MULHER-BESTA – HOMEM-CAVALO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3347   Já ...

 

MULHER-BESTA – HOMEM-CAVALO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3347

 



Já falei sobre o assunto há muito. Mas, novamente ao abrir a porta da rua me deparo com a catadora idosa carregando carroça no lugar do cavalo, repleta de material reciclável. E por honesto que seja o trabalho, é degradante e deixa o ser humano num lugar de dignidade na escala, quase invisível. É a mulher-besta é o homem-cavalo, carregando carroças de burros. Ora se existe uma cooperativa e muito apoio do governo federal para os catadores, por que as próprias cooperativas não procuram resolver esse tipo de vergonhoso problema? Arranjar financiamento para motores e distribuir esse motores entre os seus membros, que poderá ser moto com caçamba ou outro tipo de veículo disponível no mercado. Já ouvi muita reclamações de catadores sobre cooperativa e diante de explorações, preferem atuações particulares, solitárias.

As prefeituras de todas as cidades do Brasil, aonde catadores trabalham, deveriam dá completa assistência às cooperativas, entre os catadores e as cooperativa, entre as cooperativas e as fontes de recepção do material reciclável vendido. Não se pode deixar que    aqueles que deixam sua cidade limpa virem zumbis. Ora, o que a sociedade enxerga é abandono, egoísmo, cinismo e falta de humanidade. Dificilmente uma pessoa equilibrada e atenta não figa indignada com cenas degradantes e chocantes no dia a dia daqueles que limpam sua cidade.

Fomos, então, pedir ao poeta repentista Zé Coxó que ilustrasse nossa crônica com sua sábia opinião. Ele despachou na hora:

 

Se o catador catasse

Dinheiro pra prefeitura

Era vestido de ouro

Da prata mais fina e pura

Na ingratidão dos homens

Navega na amargura.

 

(FOTO: HOMEM-CAVALO).