JURITI Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3459   Não, não é o falecido sap...

 

JURITI

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3459



 

Não, não é o falecido sapateiro de Santana do Ipanema chamado Juriti. Também não é o cabra de Lampião de apelido Juriti. É a ave Leptotila varreauxi) semelhante à rolinha que vive nas matas, bordas de matas, capoeiras e vegetação mais abertas. Mede em torno de 29 centímetros, foi bastante caçada pelo sabor, que segundo caçadores, é bem mais gostosa do que a própria rolinha. Dizem que o seu canto tem o onomatopaico de pupu... Daí, em determinadas regiões brasileiras serem chamadas de Juriti Pupu. De vez em quando, meu pai saía com seus primos para uma caçada de Juriti, porém, não me lembro de ter visto uma  de verdade, nem em minhas andanças pela caatinga, nem morta nem viva nos bornais alheios. Falam que a ave passa muito tempo no chão, catando  sementes. ,

Era um tempo de lazer ou necessidade. Entretanto a lei rigorosa da atualidade, desestimula qualquer tentativa de voltar ao passado da espingarda.  Os que apreciavam as caçadas afirmavam que a melhor de todas é o tatu, opinião, unânime em todas as regiões brasileiras. Mas, em se tratando de aves selvagens, a juriti sempre era apontada como a melhor. Porém, o medo medonho das autoridades, não é o suficiente  para se evitar a caçada clandestina, escondida a sete chaves. As próprias feira livres do Nordeste tentam burlar a vigilância e que de vez em quando motivam manchetes de fragrantes policiais. Nesse caso, a família das pombas, ficam mais quietas e o destaque vem para as denominadas aves canoras que custam fortunas: o canário, o coleira, o galo, o sabiá, o curió...  E assim por  diante.  

Todavia, se o tema é juriti, temos a foto em livro do sapateiro Juriti, que foi bastante conhecido em Santana do Ipanema, pouco antes do seu falecimento. Ficou imortalizado no livro documentário SANTANA:  REINO DO COURO E DA SOLA. Quanto ao cangaceiro Juriti, o belo e cruel do bando de Lampião, foi capturado após o cangaço e jogado ao fogo. E por falar nisso, logo, logo, estaremos lançando pela segunda vez, o livro acima e, desta feita no bairro centro dos acontecimentos Maniçoba/Bebedouro. Parte dos livros será gratuita, parte será vendida. Parcela importantíssima da história de Santana do Ipanema que nunca foi contada em livros.

Entre em contato com autor, pelo ZAP e o terá em suas mãos.

É o meu Sertão velho de guerra!!!

JURITI.

 

 

  A RAINHA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3458   Naquela sexta-feira mui...

 

A RAINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3458

 



Naquela sexta-feira muito escura, as caieiras das olarias queimavam tijolos  na margem direita do Ipanema. A artesã Júlia Rainha desceu pela trilha da margem até à Pedra do Sapo levando as panelas de barro para à queima, eu sua própria caieira. A noite sem lua não tinha romantismo, mas o fogo muito ativo dos fornos noturnos, chamuscava uma melancolia inexplicável nas trevas do rio. Os perigos vagantes do escuro esbarravam na proteção do irmão Gustavo que fazia questão da sua presença nas queimadas da artífice.  Ipanema, silencioso e  aceso, fazia a diferença na Economia ribeirinha e no saudosismo que pairava nas caieiras. As línguas de   fogo da margem quieta forjavam a  tão bela Rainha que ainda aguardava o seu rei.

O texto acima se refere à protagonista do romance recém-lançado, AREIA GROSA. Uma página corriqueira do Panema santanense do século XX. É o alvorecer de um idílio que precisa do tempero da noite, das brumas da madrugada e das multicores vivificantes de novos arrebóis.   crítico laborioso e apaixonado me fez voltar a abrir as páginas do romance do Ipanema, com novo olhar. O olhar de uma paixão profunda e fictícia que impregnou o meu mundo real e se recusa a se esvair. E quando o amor é moldado na quimera e no real, forma uma liga de natureza invisível de reações misteriosas. Ler AREIA GROSSA é nascer de novo, é viver a adolescência duas vezes, é perder o fôlego num mergulho grande se for santanense.

Mas o certo é que estamos no Dia dos Pais. Recebemos convite para estamos em um sítio rural no próximo dia 16, um domingo  de pesquisas e palestras com descendente direto do fundador da nossa cidade, em 1787. É pulando do AREIA GROSA e caindo no areia fina em esmiunçar a história. Porém, mesmo sem história já é muito reconfortante deixar o confinamento urbano e rever cheio de júbilo a zona rural, pela força agradável do sítio São Bartolomeu. Ali tem muitos segredos guardados e não compartilhados com as páginas  históricas. Vamos tentar oxigenar essas botijas e trazer a candeeiro se o tempo da colheita estiver correto.

AREIA GROSSA NAS MÃOS DO POVO (MALTA).

 

 

                                                        A MORTE DA SERENATA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026 Escritor Símbolo ...

                                                       A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 

A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).