EMPRESTAR LIVROS (Clerisvaldo B. Chagas, 14 de setembro de 2010)      Uma coisa prazerosa é emprestar livros. É prazerosa porque estamos aju...

EMPRESTAR LIVROS

EMPRESTAR LIVROS
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de setembro de 2010)
     Uma coisa prazerosa é emprestar livros. É prazerosa porque estamos ajudando a divulgar conhecimentos, educando, conduzindo o outro para caminhos novos e benfazejos. Da mesma maneira, amigos nos emprestam livros e vamos trocando impressões daquele tema que por certo puxam outros, formando um relacionamento sadio e elevado. Quanto custa um bom livro? Um bom livro não tem preço. Uma fonte de divertimento, sabedoria que acalma, faz refletir e incentiva ao bem, de fato não tem preço. Lembro que muitas vezes enchi a mala do meu carro de livros para fazer doações. Servi tanto a coletividades urbanas quanto rurais com muitos livros de diversos títulos. Lembro até que uma aluna me convidou para ir a sua casa me mostrar um amplo espaço onde morava, porém, de uma pobreza extrema. A sua intenção, contudo, era fundar uma biblioteca ali para servir aos estudantes da sua rua. Deixei muitos livros também em sua residência. E o que não se faz por um bom livro? Durante a organização de uma biblioteca em certa escola, chegou um livro velho cujo dono o tinha jogado ao lixo. A esposa trouxera junto com outros para formar a biblioteca. Descobrindo o seu valor antes do cadastro, propus e foi aceita a oferta de vinte livros em troca daquele único. Assim fiquei com o livro raro “Água do Panema”, romance do escritor santanense Oscar Silva.
     Nessa movimentação cultural e salutar, sempre existem também aqueles que cultivam hábitos não recomendáveis. Levar e não devolver o empréstimo. A boa vontade de quem empresta até um simples livreto é tanta que nem sequer fica anotado. Pois o elemento leva o livro e esquece-se de devolver. Perdi muitos assim, verdadeiras preciosidades que desfalcaram a minha estante. (Água do Panema foi um deles). Existe também aquele que gosta tanto do livro que quando você lembra e cobra, ele inventa que perdeu e oferece outro diferente como indenização. O dono das coleções vai ficando mais esperto com esse tipo de favor sem responsabilidade. É certo que é uma coisa, aparentemente insignificante, mas quem tem seus compêndios é como se tivesse ouro. Todos merecem a leitura, mas levar e não trazer de volta faz cismar o dono das relíquias. Certa feita, durante o recreio em determinada escola, fiz inocentemente a propaganda de um livro que ninguém sabia que valia alguma coisa. Estava lá ocupando um lugarzinho esquecido na estante. No dia seguinte, fui procurá-lo novamente para mostrá-lo a meus alunos. O volume havia sido descaradamente roubado. Suspeito havia, mas como provar? “Geografia da Fome”, de Josué de Castro, deve estar até hoje como troféu desse alguém que nunca teve princípios. Entre os chamados pelo povo de adágio, ditado, máxima, dito, provérbio, frase feita, sabedoria popular e outras denominações, estão os versos:

“Quem empresta
Não presta
Triste do livro
Que se empresta”.

Você estar vendo, nobre leitor (a), que a estrofe não é nenhuma excelência, mas a sabedoria popular quase sempre transborda verdade. E aproveitando o ditado da hora, é muito complicado EMPRESTAR LIVROS.

MOÇA-BRANCA (Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2010)      No tempo do coronelismo, a força predominante era a da Guarda Nacional, cr...

MOÇA-BRANCA

MOÇA-BRANCA
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2010)
     No tempo do coronelismo, a força predominante era a da Guarda Nacional, criada pelo desespero e sede de poder do padre Diogo Feijó. Desconfiado das Forças Armadas, Diogo organizou suas próprias forças em todo território nacional, sendo no Nordeste com os fazendeiros e suas cabroeiras. Em tempos de eleições, raras vezes o candidato governista perdia. Os fazendeiros mandavam seus capangas piquetar às estradas e só passavam eleitores da situação, imediatamente identificados. Resistir significava apanhar ou virar defunto no retorno a casa. Após essa fase maior da truculência, o bacamarte foi substituído pela outra face do coronel que era a da simpatia envernizada. Ao invés da presença ostensiva da carabina, os donos do “gado” resolviam agradar o eleitor com presentes e almoço ou na casa-grande ou em casas de amigos nas vilas e cidades. O prestígio do coronel era traduzido em número de bois abatidos, fato que virava festa onde o matuto comia até tinir a barriga. Para as mulheres, os coronéis chegavam com vestidos, calçados e sombrinhas. Os homens ganhavam chapéu, botinas e, às vezes, liforme completo. Com o controle flexível sobre os votos, por parte dos mandantes, o eleitor pelintra comia e arranjava mais presentes nas casas de outros candidatos. A prática de fornecer alimentos e presentes aos eleitores também acabou sendo proibida por lei. Essa lei, entretanto, não foi cumprida imediatamente. A multidão que se formava defronte a residência indicativa do cheiro de boi na panela, ainda levou certo tempo para se acostumar. Os coronéis que já haviam usado os dois métodos de conquista partiram, então, para o terceiro modo, o que perdura até os tempos presentes: dinheiro vivo na mão. Até os últimos dias das urnas convencionais, um ditado ainda vagava nos lábios dos eleitores mais antigos, partidários eternos da situação: “Governo é governo”.
    A prática da compra de votos com dinheiro vivo é, sem dúvida, a mais eficaz, mesmo subtraindo os calotes levados pelos compradores. Essa terceira experiência foi dividida em duas partes. Na primeira, o ato da compra era realizado às escondidas e amparado pelas sombras das madrugadas. Agora, na segunda parte, tudo é feito às claras, em qualquer lugar, a qualquer hora. A pobreza e muitos cabras de peia recebem no mercado de carne, na feira das galinhas, nos pontos de carroças... E o que não falta no presente é testemunha. Quando um distribui de cinquenta, outro distribui de cem. E quando as autoridades são coniventes, dizem, recebem de maços. Esses costumes estão arraigados nas cidades, vilas, povoados e sítios do interior do Nordeste. Mas falam que também acontecem nas capitais e mesmo nos grandes centros de São Paulo e do Rio de Janeiro. Vai surgindo assim um novo tipo de democracia, material farto para os sociólogos e suas teses nacionais. Finalmente, cada freguês vai fazendo os cálculos da sua botada nos candidatos. Para a mãe cheia de filhos pequenos, a azuladinha dá para o leite da semana; fazer o quê! E para a felicidade do “pé na cova” da esquina (que também se diz filho de Deus) serve para deferir pelo menos cinquenta tubões balanceados, cheirosos e amaciantes da tão famigerada MOÇA-BRANCA.



MORENO FECHA O CANGAÇO (Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2010)      O ciclo do cangaço com o bando mais famoso de todos, o de Virgu...

MORENO FECHA O CANGAÇO

MORENO FECHA O CANGAÇO
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2010)
     O ciclo do cangaço com o bando mais famoso de todos, o de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, acaba de fechar com a morte do seu último homem. Trata-se do ex-barbeiro, caseiro, Antonio Inácio da Silva que, para viver em paz, adotou o novo nome de José Antonio Souto. Antonio era pernambucano e logo cedo foi morar em Brejo Santo, terras cearenses, onde sempre cultivou o desejo de ser integrante da polícia militar. Foi rejeitado pelo menos por três vezes, inclusive acusado de roubar um carneiro, apanhou da polícia e chegou a ser preso. Ao sair da cadeia matou o verdadeiro ladrão e fugiu para Pernambuco e Alagoas deixando rastros de mortes por onde passava. Em Alagoas, já chegou com fama de valente. Trabalhando em uma fazenda contra ataques de cangaceiros, fez amizade com o cunhado de Lampião, Virgínio ─ que fazia parte do estado-maior do bando ─ e a ele se integrou. Como Virgulino dividia o bando em subgrupos, cada um deles em média com seis homens e um chefete entre os de confiança, Antonio logo chefiava um desses subgrupos com o nome de Moreno. De cognome simpático e de fácil memorização, dizem, porém, que Moreno era um dos mais cruéis cabras de Virgulino. Na época em que mulher já era permitida no bando, Moreno tinha como companheira, Jovina Maria da Conceição, apelidada Durvinha, tendo participado de todas as ações do cangaço da década de 30.
     Após a tragédia de Angicos, em 1938, Moreno e Durvinha sobreviveram ainda até 1940 como cangaceiros. O casal fugiu dos sertões nordestinos para Minas Gerais, deixando um filho nas mãos de um padre. Combinaram nunca contarem a verdade a ninguém e assim viveram em Minas como pessoas comuns e nem a família desconfiava. Vivendo ali por setenta anos, o segredo só veio à tona em 2005. Durvinha faleceu em 2008 aos noventa e três anos de idade e sempre teve medo de ser degolada pelas forças volantes das caatingas. Moreno, aos cem anos, faleceu segunda-feira passada em Belo Horizonte (6 de setembro de 2010 ) e foi sepultado no dia sete no Cemitério da Saudade. Sua vida revelada deu motivos para fundação de museu, pesquisa, livro, entrevistas e filme.
     Fechado esse ciclo do cangaço com o ex-cabra Moreno, nada impede que a Literatura cangaceira continue, capenga ou não. No meio de alguns pesquisadores sérios, proliferam tantos palestrantes mentirosos, inocentes e birutas que faz gosto. E Lampião vai virando o que não foi, rolando em palavras de entusiasmos, em papéis azedos, em mentiras deslavadas. Nem sabemos dizer se as histórias do cangaceirismo ainda atraem pessoas. O que não falta é “doutor” no assunto, muito mais do que o falecido Moreno e a companheira Durvinha que conviveram com o chefão em carne e osso. Dizia Antonio em Belo Horizonte que matara vinte e uma pessoas. Os pesquisadores calculam em muito mais. Quer pesquisar? Dane-se no mundo e pesquise. Pode ser até que você encontre outro cangaceiro mais velho do que Antonio. Se não encontrar, invente. Pelo menos para a maioria dos que se dedicam a isso, MORENO FECHA O CANGAÇO.

EU E AURÉLIO (Clerisvaldo B. Chagas, 9 de setembro de 2010)      Foi uma imensa honra, a presença e a palestra do professor Aurélio Buarque...

EU E AURÉLIO

EU E AURÉLIO
(Clerisvaldo B. Chagas, 9 de setembro de 2010)
     Foi uma imensa honra, a presença e a palestra do professor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira na Faculdade de Arapiraca. Após a palestra atendeu a quem o procurava com uma simplicidade peculiar dos grandes homens. Deixou-se fotografar com quem o procurou e saiu do prédio sem alarde assim como havia chegado.
     Muitos e muitos anos após aquele encontro fiquei aceso ao manusear um dicionário velho, escrito em papel jornal, numa escola do município de Santana do Ipanema. Que coisa impressionante aquele volume que se abria diante da minha sede. Finalmente eu encontrara um dicionário como sempre havia imaginado. Com algumas dúvidas e sem poder retornar à escola que era longe, procurei a biblioteca pública e encontrei a mesma obra. Parti, então, para encontrar o dicionário atualizado e à venda. Quando consegui encontrá-lo através de vendedores, o preço era exorbitante. Fui intercalando o tempo de procura e em cada botada o preço corria mais do que eu. Os anos se passaram e finalmente com a nova ortografia, resolvi reiniciar o movimento. Navegando na Internet descobri que a 4ª edição iria ser lançado em setembro já com a Nova Ortografia e também em versão eletrônica. Deixei passar dois ou três meses aguardando o resultado da pesquisa errada. O dicionário já havia sido lançado na primavera de 2009. Quando descobri meu erro, comecei (na linguagem do povo, endoidei) a pesquisar exaustivamente e descobri a editora herdeira dos seus direitos autorais, a edição lançada, a versão e tudo mais. Deixei escapar um longo suspiro de contentamento pelos seus 435 mil verbetes (meu Aurelinho era apenas de 30 mil).
     Ao saber que uma livraria em Maceió representava a editora do Paraná, parti para o ataque definitivo numa ansiedade medonha. Cheguei à livraria, no Bairro do Farol, já na hora de fechar o comércio. Estava ali. Assim que entrei, vi logo. Ele estava ali! Cheio de satisfação e muita alegria comprei o bichão e fiquei alisando o plástico da capa dura, sem acreditar que havia vencido a batalha da tantos anos. Uma pessoa da família acabava de adquirir um carro zero e nele fui conduzido até a livraria. Coloquei o volume no colo e disse como meu pai diria: “Seu carro zero não me bate o papo. Mas cuidem bem desse bebê aí no banco traseiro que um grande sonho acaba de ser realizado”. E como a versão eletrônica não pode ser copiada, colocamos o CD original em vários computadores da família, compensando imediatamente o seu valor monetário. Não, não senhor, não estou ganhando nada para fazer propaganda. Quem ama as letras por certo sentirá essas palavras. Montado em 435 mil verbetes, com as esporas da Nova Ortografia, fica mais seguro correr nas caatingas devolutas da Língua Portuguesa. Eu sabia que iria adquirir o Dicionário tão procurado. Requeri aposentadoria para os outros todos que tenho em casa. Agora é enfrentar a Maria Gramática, a Mulher de Pedra. Puxa! Finalmente juntos: o computador, EU E AURÉLIO.




OS GONZAGA NO PODER (Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2010)      Quando Gonzaga viu a mulher apaixonou-se na hora. Procurou falar co...

OS GONZAGA NO PODER

OS GONZAGA NO PODER
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2010)
     Quando Gonzaga viu a mulher apaixonou-se na hora. Procurou falar com ela e o sentimento foi recíproco. O fazendeiro pai da moça foi visitado, ouviu de Gonzaga a sua pretensão de casar, mas respondeu que a sua filha não prestava para casamento, não dando maiores explicações e pondo fim ao diálogo. Gonzaga voltou a Alagoas e planejou roubar a moça. Preparado o plano, deixou a serra da Camonga, em Santana do Ipanema e partiu para Curaçá, Bahia. No caminho, começou a chover. Gonzaga contemplou alguns cavalos que pastavam na chuva, notando que apenas um deles recebia a água de frente. Foi a sede da fazenda dizendo que queria um comprar um cavalo. O proprietário mandou buscar os animais e pediu que escolhesse. Gonzaga, ao apontar o corcel que almejava (justamente o que recebera a chuva de frente), o fazendeiro disse que aquele era o mais fraco, escolhesse um melhor. Gonzaga relutou respondendo que só servia aquele. Comprado o animal, o viajor partiu e, no rio São Francisco fez um trato com um canoeiro para esperá-lo em determinado lugar. Uma vez roubada à moça, a capangada seguiu atrás. Ao chegar ao rio São Francisco, o canoeiro não havia cumprido o trato. Gonzaga ajeitou-se com a amada e vadearam o rio a nado, enquanto a cabroeira riscava os cavalos do lado sergipano. Uma vez no município de Santana do Ipanema, Gonzaga dirigiu-se ao sopé da serra da Camonga a três quilômetros da sede, aproximadamente, onde foi viver com sua futura esposa baiana.
     A família Gonzaga foi a que mais tempo dominou a política de Santana. Essa família possuía boa situação econômica e era proprietária de terras e engenhos nas faldas da serra da Camonga. Um dos seus membros, Luiz Gonzaga de Souza Góes, além de terras no lugar citado, foi dono de loja de tecidos e fábrica de beneficiamento do algodão. Eleito como segundo intendente de Santana, governou na primeira gestão de 1895 a 1896. Depois governou sucessivamente desde 1896 até 1914. Foram dezenove anos no poder vendo passar seis presidentes da República ao longo da sua permanência no cargo: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Ao se casar com a irmã do padre Manoel Capitulino de Carvalho, transferiu sua carreira política para o cunhado que o sucedeu na intendência em 1914, na gestão presidencial de Venceslau Brás (Ver futuramente “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”, do autor).
     O sacerdote que ficou conhecido simplesmente como padre Capitulino, governou Santana como intendente apenas de 1914 a 1915, cumprindo seu destino de viajante. Foi eleito várias vezes deputado, sempre influenciando a política santanense tendo a família Gonzaga como ponto de apoio. Por sua vez, formalmente os Gonzaga não mais voltaram ao poder municipal. Seis anos após a polêmica gestão do padre Manoel Capitulino de Carvalho, procedente de Piaçabuçu, a vila de Sant’Ana do Ipanema entra no rol das cidades brasileiras. Está dito e registrado: OS GONZAGA NO PODER.

SABIA NÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de setembro de 2010) Quando perguntei ao matuto em quem ele iria votar para presidente, o homem rodeou....

SABIA NÃO

SABIA NÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de setembro de 2010)
Quando perguntei ao matuto em quem ele iria votar para presidente, o homem rodeou. Disse que antes o pobre do campo procurava o fazendeiro e se oferecia para trabalhar. Na vez do preço da diária, o pobre achava pouco e o grande respondia aborrecido que “se não quiser, outro quer”. Agora com essa tal bolsa família todo mundo recebe alguma coisa do governo. Ele mesmo estava aposentado e a mulher também. O quadro social se inverteu. O fazendeiro, atualmente, é quem vai procurar o trabalhador braçal da roça. Quando diz quanto quer pagar, a vez de responder, aborrecido, é a do trabalhador: “Procure outro. Por esse preço não dou um dia de serviço nem a minha mãe”. E o matuto complementa afirmando que o fazendeiro e outros homens ricos dizem que a culpa é do Lula. E com sua moto nova e bonita guiada pelo filho, bancada por ele, responde finalmente a indagação: “Vamos votar na candidata do pai dos pobres”.
Percorrendo as estradas do Sertão alagoano, não vemos mais como antes, plantações em todos os lugares. Com o progresso urbano, os filhos dos agricultores foram estudar nas cidades médias e por lá foram ficando. Os pais que tinham família grande como mão-de-obra, ficaram praticamente sós no campo. Muitos até envelhecidos, já não tem como tocar as obras da agricultura. Por outro lado, é verdade que não encontram mais quem queira trabalhar, principalmente pelo preço oferecido. Se tiver algum jovem, esse prefere a carona do dinheiro da aposentadoria do pai, da mão ou da avó, mas trabalhar que é bom, nada. Os terrenos desmatados há décadas, pisoteado pelo gado bovino e miúdo, lavados pelas enxurradas, perderam os nutrientes. Acuado pela situação dupla de falta de mão-de-obra, o fazendeiro rico, médio ou pequeno, vai deixando o mato e o abandono tomarem conta de tudo. As terras sofridas voltam ao povoamento de vegetais, mas dessa vez de capoeiras, arbustos de espinheiros que cobrem todos os lugares. Inúmeros pássaros reaparecem por falta de gente para mexer nos seus ninhos ou atacá-los com petecas. Somente eles reaparecem. Os animais de grande, médio e pequeno porte também desapareceram. Nem cobra se vê mais, meu amigo. Para os proprietários, principalmente os menores, a saída é correr atrás do INSS navegando na mesma esperança dos seus antigos trabalhadores. Em uma terra em que se não mecaniza nada, nada mesmo resta. A maconha e a droga pesada já penetraram nos sítios e, muitos lugares que funcionam como bodega e bar, viraram antros de degeneração cabocla. Para o golpe final, os assaltos aos sítios, chácaras e fazendas, estão em evidência também no campo. E quando o velhinho não é assaltado em dia de pagamento na porta da agência bancária, fica sem o dinheiro no trajeto ou em casa onde os bandidos vão procurá-lo à noite. Muitos da cidade que procuravam comprar chácaras na área rural desistiram por causa da insegurança reinante. As terras ficaram sem valor, o preço foi para baixo. O desmatamento do que resta da caatinga continua sob os olhares de secretários de meio ambiente que nem tem meio nem ambiente. E da tal Ecologia, só o eco e não a jia que fugiu com o amante sapo, faz é tempo! SABIA NÃO?!

O SENTIDO DA VIDA (Clerisvaldo B. Chagas, 6 de setembro de 2010)       Em nossos encontros semanais sobre cultura, fiquei a imaginar duas r...

O SENTIDO DA VIDA

O SENTIDO DA VIDA
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de setembro de 2010)
      Em nossos encontros semanais sobre cultura, fiquei a imaginar duas respostas que levam a meditação. Uma pessoa se comunica dizendo que agora está buscando um sentido para a vida. Procura o AAA, o terço dos homens e outros meios de busca. Outra comparece ao encontro e diz que não estar interessada na cultura como nós a definimos. Está levando a vida agora entre rezas, trabalho e curiosidades sobre o além. Busca a igreja católica, a sociedade Rosa-Cruz, as leituras sobre os chamados mestres budistas ou indianos, enfim, diz a pessoa que tem sede de mistérios. Encontros para ela só serve se for para discutir coisas transcendentais. Também tenta descobrir o sentido da vida.
     Pelo que sei, a busca pelo sentido da vida é uma busca inútil e quanto for maior a busca, maior será o vazio. Todas as religiões tem os seus limites de aprendizado e esbarram sempre no universo de como viver bem. Algumas estendem seus conhecimentos e ensinos, mostrando outra dimensão para os que viveram na Terra. Mas esses conhecimentos repassados pouco a pouco aos encarnados, não revelam o sentido da vida, até mesmo porque ninguém sabe esse sentido que Deus não revelou para ninguém. Somente ele sabe por que criou o homem. Aí sim está a finalidade da vida. Se ele criou o homem criou com algum objetivo. Como alguém diz que está procurando a finalidade da vida, está apenas perdendo tempo. O que temos que procurar é saber como viver e isso é singelo e fácil, todas as religiões ensinam, inclusive, a Católica com os seus mandamentos e conselhos extras. Depois, é observar os próprios ensinamentos do Cristo (se a pessoa for cristã). Jesus não disse a ninguém para que o Pai criou o homem. Toda sua vida, pregações e exemplos, estão em cima das virtudes, exortando os homens a praticá-las, ao mesmo tempo em que abomina os vícios, as paixões. O que o homem deve saber é isso, a ciência de se comportar social e espiritualmente na Terra. As promessas sobre o outro mundo, também não falam sobre o sentido da vida. Trabalhar, produzir, fugir dos vícios, dedicar-se às virtudes diárias, louvar o Criador. Tudo é tão simples, tudo tão perto da criatura. Por que se iludir com publicadores de livros se dizendo mestres. Conheço pessoas analfabetas que dão lições nesses tais “mestres” que existem por aí, vendedores de ilusão. Muitos somente para vestirem suas roupas excêntricas e aparecerem diante dos homens. Vaidosos adoradores de si próprios. Agora, se alguém confunde o sentido da vida com modus vivendi, é outra coisa. São as filosofias, como pregava conhecido padre, em Santana do Ipanema. Inúmeras filosofias que, transformadas todas em caldos, voltam para a essência das pregações de Jesus.
     Quando os meus amigos descobrirem o sentido das virtudes, ensinamentos básicos dos nossos pais, eles se acharão no caminho que perderam com o sofrimento, a curiosidade e a conduta. O pai, a mãe, ou ambos, estão ali perto, tranquilos, serenos, cheios de sabedoria, sem questionamento de resposta inexistente. É essa fonte límpida, plácida e tão serena que leva desconfiança para o filho que prefere buscar o que procura em águas turvas de correntezas. Sempre procurar viver um modo de vida. Nunca se preocupar com uma coisa que só Deus sabe e é só dele: O SENTIDO DA VIDA.



VERGONHA NACIONAL (Clerisvaldo B. Chagas, 3 de setembro de 2010)      A limpeza contra a corrupção continua no Brasil. Já dissemos outras v...

VERGONHA NACIONAL

VERGONHA NACIONAL
(Clerisvaldo B. Chagas, 3 de setembro de 2010)
     A limpeza contra a corrupção continua no Brasil. Já dissemos outras vezes que por causa do costume arraigado, tradicional e blindado, não seria do dia para a noite que tudo se resolveria. Para chegarmos ao nível de corrupção tolerável ─ como os países plenamente desenvolvidos ─ levarão tempo, mas o Brasil conseguirá o feito. Os próprios ladrões de gravata reconhecem que vai ficando mais difícil roubar o Estado. E que eles continuam roubando, continuam, mas vem aperto de todos os lugares. Prefeito, governador, altos executivos, deputados, senadores, vereadores, juízes e mais figuras importantes são desmoralizadas constantemente. É bem verdade que mesmo algemados e levados pela Polícia Federal, ainda fazem pose. Talvez até nem estejam sendo desmoralizados porque desmoralizados são há bastante tempo. Apenas estão sendo exibidos rapidamente em praça pública e resistem como as baratas aos velhos inseticidas. Mas quem tiver sede de justiça pode se acalmar que essa faxina moral não vai parar nunca. Se a nossa geração não alcançar, mas nossos netos alcançarão o país moralizado. Essa água imunda há de passar com as barrigas proeminentes, crescidas com o leite arrebatado das crianças.
     Dourados é a segunda cidade do Mato Grosso do Sul. Há muito ficou famosa quando seu forte foi invadido por tropas do Paraguai iniciando a maior guerra da América do Sul. Mas como cidade foi fundada em 1935 e muito lutou para se desenvolver. Dourados é um polo regional e fica a 224 km da capital Campo Grande e a pouco mais de 100 km da fronteira com o Paraguai. O seu polo, apelidado “Portal do MERCOSUL”, exerce influência em mais de um milhão de habitantes, inclusive de outros estados e do próprio vizinho Paraguai. É importante centro agropecuário e prestador de serviços, movimentando cerca de 450 indústrias de transformação. Em evidência indústrias de alimentos, farelo, álcool e açúcar, além de muitas outras como frigoríficos para bovinos, suínos, aves e coelhos, mais fábricas de rações, charqueadas e curtumes. É de fato intenso o setor econômico do município que após um período de marasmo não pára mais de crescer.
    Quem conhece a parte dinâmica de Dourados, alicerçada no trabalho duro, fica boquiaberto com o escândalo que estourou recentemente na área política. Flagrados por uma investigação bem orientada, prefeito, esposa de prefeito e quase todos os vereadores, representaram as novas ratazanas da televisão. Todos recebendo maços de dinheiro (lembra da crônica do peixe?) de notas azuis, colocando-as sob a camisa e em outros lugares; vibrantes, alegres, felizes da safadeza com a verba pública. Cadeia neles, direta para o presídio. Estamos vendo que região nenhuma escapa às investidas sequiosas dos engravatados: os que fazem leis, os guardiães das leis, os executores das leis. É humor negro e escancarado raposa ensinando como proteger galinhas. Mas não falta no Brasil e em Alagoas quem queira fazer dos outros bestas. E Dourados, que também pertence à terra de Cabral, deve estar morrendo de vergonha com o nauseabundo episódio que manchou seu laborioso torrão. Um ato repulsivo e grave, uma VERGONHA NACIONAL.




BEBER SANGUE (Clerisvaldo B, Chagas, 2 de setembro de 2010)      Com a retirada das tropas americanas do Iraque, lá se vão sete anos sem vi...

BEBER SANGUE

BEBER SANGUE
(Clerisvaldo B, Chagas, 2 de setembro de 2010)
     Com a retirada das tropas americanas do Iraque, lá se vão sete anos sem vitória. O mundo inteiro sabia que a existência de armas químicas no país de Sadam, era apenas um engodo. Um alvo de teste de armas das poderosas indústrias bélicas do Tio Sam. A população daquele país parece indiferente às invasões realizadas pelos militares. Acostumada às mentiras prévias das autoridades, parece convencida de que a sua pátria é invencível e os demais seres da humanidade são restos ou bárbaros como pensava o império italiano. Até parece que o gringo comum não estuda História e nem Geografia de outros povos. É como se só ele existisse no mundo. Já foi dito nestes trabalhos que é fácil invadir um país, o difícil é sair. Calcula-se em cem mil mortos no Iraque. Mas quando a verdade dos quatro mil cadáveres americanos chegou aos ouvidos indiferentes, começou a cair à popularidade de Obama. Qual foi o resultado dos sete anos de matança? Saem às tropas cabisbaixas como as que saíram derrotadas do Vietnã. E assim sairão também derrotadas as tropas outras que ocupam o Afeganistão. Um país destruído pela guerra, pela fome e pelas catástrofes naturais. Onde irão baixar agora os donos do mundo? É preciso testar mais armas, é preciso matar mais gente. Está aí o Iraque. Continua dividido na iminência de uma guerra civil onde mais pessoas poderão morrer num futuro inglório e sem perspectiva.
     É de se pensar como é possível se gastar tanto dinheiro, mesmo para um país rico como os Estados Unidos. Uma guerra, por pequena que seja, é calculada em trilhões de dólares, De onde vem tanta verba dessa fonte que não seca? Naturalmente o americano não tem como se vangloriar das mortes dos miseráveis do Afeganistão. E quando de lá saírem, sairão derrotados como saiu à antiga União Soviética. Quais serão os próximos passos de senhor Barack Obama? Depois do Iraque, Afeganistão, qual será a próxima vítima? Irã, Coreia, Líbano, Venezuela? O gigante viciado em carne humana não vai se contentar com a paz no mundo. Paz não engorda indústrias bélicas. Quando um dos militares afirma que “ninguém liga para história de soldado”, isso pode ser verdade na indiferença dos seus compatriotas. Se alguém escrevesse mil livres ilustrados sobre uma guerra, ainda assim não diria metade dos seus horrores. Os chefes de estado fazem chegar ao seu povo, apenas as notícias que a eles interessam. E a população enriquecida, preocupada apenas em comer, beber e luxar dá de ombros às excentricidades dos chefões.
     Não deixa de ser boa, entretanto, a notícia de retirada de tropas do Iraque. Os que voltam para casa geralmente trazem neuroses e traumas que dão trabalho à área médica. Quem participa de combates como aqueles, mudam completamente de vida no seu mundo interior. De hoje em diante é observar o lugar do próximo voo da águia. Ela é feita de penas e bico, mas bem que gosta de atacar o ser humano e BEBER SANGUE.

GARGALOS DA EXPANSÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 1º de setembro de 2010)      Não surpreende saber que Arapiraca será metrópole como diz a revi...

GARGALOS DA EXPANSÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º de setembro de 2010)
     Não surpreende saber que Arapiraca será metrópole como diz a revista “Veja”. Basta dizer que ela já é realmente uma metrópole estadual. O seu crescimento é extraordinário em todos os setores. Suas terras são férteis, planas, ligeiramente onduladas a se perder de vista. A cidade trabalha na infraestrutura e, seu crescimento físico acelerado, mais novas indústrias e importantes cursos na Educação asseguram o futuro promissor. O importante não é crescer, mas crescer com qualidade de vida.
     Em Santana do Ipanema vamos enfrentando o caos que toma conta do trânsito sem busca de vias alternativas. Fomos brindados ultimamente com as estruturas particulares da entrada de Santana pela AL-130. Posto de gasolina e distribuidora no início de quem vem de São José da Tapera, Pão de Açúcar, Senador Rui Palmeira, fizeram uma paisagem digna de uma cidade grande. Está faltando o básico, porém, desse local até o rio Ipanema passando pelas Cajaranas e Conjunto Eduardo Rita. Com asfalto, planejamento e a tão sonhada ponte, cuja ilusão se arrasta desde os anos 50, tudo poderia virar progresso. A região do conjunto que rodeia o serrote do Gonçalinho carece de toda atenção do poder público para se expandir. Uma ponte sobre o rio Ipanema naquela passagem molhada iria dá a mesma força que a ponte General Batista Tubino deu para a criação dos bairros Floresta e Domingos Acácio. Além disso, iria desafogar o trânsito caótico do comércio. A construção de duas ou três pontes menores sobre o riacho Salgadinho acabaria de integrar os dois bairros acima, ajudando no acesso ao hospital novo e ao polo da UFAL, além do incentivo a expansão de povoamento pelo sopé esquerdo do serrote do Cruzeiro. É urgente o alargamento com asfalto da Rua Abdias Teodósio para dá melhor acesso ao Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo. Por outro lado, o caminho do hospital novo até o rio Ipanema para o Bairro São José, tem apenas 60 centímetros de largura. Se for alargado esse caminho e construída outra ponte no local, toda a região do Bairro São José iria economizar cerca de 6 km de rodeio, além de desafogar a Ponte Padre Bulhões e o comércio. Em suma, construções de pontes deveriam ser uma das metas de infraestrutura de Santana do Ipanema. Outros terrenos e fazendas que impedem a expansão de Santana devem ser enfrentados pela coragem do planejamento em nome da coletividade. Recentemente, no Bairro Barragem, um proprietário limpou uma boa área de terra para iniciar um conjunto habitacional, cujos terrenos já se encontram à venda. Isso, entretanto, é coisa rara por aqui. Investimentos particulares com estrutura para expansão é pé de cobra, ninguém vê. A cidade quer se expandir, mas está amontoada, sufocada por ideias retrógradas de quem pretende sustar uma avalancha com a mão.
     Enquanto isso a sociedade que se diz organizada, vai apenas cuidando do interesse uno. Um exemplo claro que alguma coisa precisa ser feita, é a Festa da Juventude e a de Senhora Santana que não cabem mais na região do comércio. Pense numa cela para dez presos onde estão oitenta! É preciso mentalidade nova e bons profissionais como urbanistas e outros peritos em crescimento e planejamento urbano para que a nossa cidade rompa com esses pontos que a impedem florescer. Para problemas grandes, grandes pensadores. Nem adianta reclamar todos os dias da UNEAL à Barragem, do Lajeiro Grande ao Cachimbo Eterno. Reclamar para quê? É enfrentar com firmeza os GARGALOS DA EXPANSÃO.

ATACAMA (Clerisvaldo B. Chagas, 31 de agosto de 2010) (Crônica: número 350)      As atenções do mundo se voltam para o país chileno e a min...

ATACAMA

ATACAMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 31 de agosto de 2010)
(Crônica: número 350)
     As atenções do mundo se voltam para o país chileno e a mina obstruída no deserto. Tragédias em minas de cobre, ouro, carvão e outros minerais, ocorrem em vários países do mundo. A China é a mestra em matar mineiros nas galerias que exploram o carvão. Com seus segredos sem fins, nunca se sabe quando os chineses divulgam verdades ou meias verdades sobre o assunto. Quem trabalha nos subterrâneos, vive em perigo permanente e, na maioria dos países, só Deus sabe em que condições. O caso atual do Chile é apenas um que até agora deu sorte, entre dezenas de outros semelhantes, mas com escapamento zero. A obstrução, entretanto, de um dos túneis da mina de cobre no Chile, dá ao mundo uma lição de fé e têmpera dos protagonistas.
     O deserto de Atacama está localizado ao norte do Chile, sendo banhado pelo Oceano Pacífico. É deserto porque as águas da chuva não conseguem chegar ao interior do continente por causa de fenômenos atmosféricos. São 200 km de extensão em que já foram contados até 400 anos sem indícios de chuvas. Com sua temperatura variando entre 0ºC e 40º C noite/dia, Atacama é o lugar mais árido do mundo com seus 2.400 metros de altitude. Mesmo assim, as minas do seu subsolo oferecem riquezas que contribuem para as exportações do país. Seu nome Atacama, tem origem com os nativos que habitavam a região e eram chamados de atacamenhos. Apesar da sua aridez, no deserto existem lugares com gente do mundo inteiro. São pessoas que procuram o Chile em busca de pesquisas e aventuras em cima do exótico. O lugar São Pedro do Atacama, com 3.000 habitantes é o principal deles. Em suas andanças, esses aventureiros também esquisitos, conhecem no deserto, lagoas, vulcões gêiseres, vales, canyons de águas claras e até múmias milenares. É por isso que São Pedro do Atacama possui uma animada vida noturna que passa da meia-noite. Alguns lugares surgem com arvoretas e arbustos e outros em completa aridez. Mesmo assim, ali vivem animais como ratos, lagartos e cobras e alguns outros domesticados que se adaptaram como lhamas, guanacos e flamingos. Calama é a maior cidade do grande deserto.
     Mas como ia dizendo, é a lição de fé, esperança, organização e resistência dos mineiros chilenos que está chamando a atenção para os valores que estão dentro do ser humano. Eles se mostram em situação adversa como a presente onde se calcula que esses homens de ferro passarão no mínimo dois meses em baixo da terra, antes do resgate. Isso faz lembrar o espírito Emanuel passando carão no médium Chico Xavier: “não berre, morra com dignidade”. Se quiser, alguém pode comparar também com Daniel à cova dos leões. O certo é que aqueles homens souberam manter a serenidade, a fé, a esperança e tiveram a capacidade de organização civil e espiritual que os fazem continuar vivendo. Essas lições dos mineiros chilenos não são encontradas com frequencia nos países do globo. O mundo inteiro está recebendo esses ensinamentos de valorização à dignidade humana e a inabalável certeza da existência de Deus. São os novos ícones mundiais os mineiros do ATACAMA.

INTEGRAR OU DISCRIMINAR (Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2010)      Quando o estádio de Maceió foi planejado para o terreno do Tra...

INTEGRAR OU DISCRIMINAR

INTEGRAR OU DISCRIMINAR

(Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2010)

     Quando o estádio de Maceió foi planejado para o terreno do Trapiche da Barra, foi positivo. Não se falava por ali ainda o nome favela. Mas na região oposta à entrada da futura praça de esportes, as habitações eram de uma pobreza de fazer medo. Não o medo direto dos donos da pobreza, mas da marginalidade gerada por ela. Construído o estádio – que logo recebeu o apelido de Trapichão – deu muito trabalho o escoamento de pedestres e automóveis após os jogos. O caso era difícil principalmente pelas imediações de casebres, lama, coqueirais, matagal e ruelas. O pensamento inicial era de que as rendas geradas após a obra, haveriam de melhorar os arredores. Fora a Avenida Siqueira Campos, coisa pouca mudou. A pobreza naquela área por trás do estádio ainda é grande. E há quanto tempo foi construído o Trapichão?
     Se tudo correr bem em Santana do Ipanema com o hospital novo e geral, já chamado Clodolfo Rodrigues de Melo, poderemos nos regozijar. Ao serem construídas ali vizinhas as instalações da UFAL – Universidade Federal de Alagoas – o júbilo, então, será em dobro. Não vamos ser pessimistas diante desses dois projetos arrojados. Queremos bons fluidos guiando ambos os empreendimentos. Vamos exorcizando as energias negativas mesmo diante do quadro da Saúde no estado, Nordeste e Brasil. Eles juntos irão gerar centenas e centenas de empregos, instruções, conhecimentos, ninguém tem dúvida alguma. Essas duas instituições sozinhas irão elevar, e muito, o nome de Santana do Ipanema e proporcionar sua expansão urbana. Além disso, ambas serão motivos de novos e formidáveis investimentos. Estaremos tirando o atraso em nosso progresso, desde a construção da hidrelétrica de Xingó quando passamos uma eternidade com a BR-316, trecho Palmeira ─ Delmiro via Santana, intransitável. A construção da rodovia por Olho d’Água do Casado até Delmiro Gouveia ajudou na agonia da “Rainha do Sertão”. Não se pode negar a nova oportunidade que Santana terá para progredir, nem mesmo pelo mais bronco caboclo sertanejo. Todavia, a empolgação pela presença da Universidade e pelo novo hospital, faz esquecer a pobreza do entorno. Sem planejamento social e desenvolvimentista para uma periferia carente de tudo (onde sobejam mirantes naturais) o local continuará como hoje. É triste ver as “casas de pombos” e os terrenos acidentados de conjuntos que teimam em existir. A continuação do atraso e da miséria com letras graúdas vai depender da visão dos novos gestores municipais. Uma coisa é certa: a grande oportunidade para os conjuntos Marinho, Santa Quitéria, Cajarana, localidade Alto dos Negros e todo o Bairro Floresta é agora. Os dirigentes de olhos voltados apenas para os dois gigantes, não podem esquecer o caso “Rei Pelé”. Ou aumentará a distância da exclusão ou acontecerá à metamorfose que movem os espíritos humanistas. Para quem interessar possa, eis aqui uma consulta grátis. É INTEGRAR OU DISCRIMINAR.


DESENGANOS (Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2001) Só quem sabe cantar meus desenganos É a flor madrugada e mais ninguém Fracassam o...

DESENGANOS

DESENGANOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2001)

Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Fracassam o passado e o presente
Diniz, Zé Catota e Vitorino
Zé Limeira, Lourival, José Faustino
Zé Gaspar, Zé de Almeida, M. Clemente
Geraldo, Zé Viola, R. Vicente
Lourinaldo, Mocinha e Jó, além
De Daudeth Bandeira e mais uns cem
Ivanildo, versejos sobre-humanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Nem o Nelson Gonçalves, Altemar
Cauby, Lupicínio ou Alcione
Agnaldo Timóteo ao microfone
Netinho ou Sangalo à beira mar
 Moacir, Martinho ou Alcimar
Zé Ramalho, Belchior, Fafá Belém
Ciganas canções que vão e vem
Que apaixonam demais seres humanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Nem as flores suspensas do jardim
Nem a rosas dos prados coloridos
Nem as brisas dos vales mais perdidos
Nem o céu de safira ou de carmim
Nem gorjeios de aves no capim
Baladas sensíveis de um trem
O aceno do lenço de alguém
Não tocam na alma dos arcanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

O vento que sibila à cordilheira
O cravo que nasceu no pedregulho
O balanço das águas no marulho
O convite da sombra à quixabeira
O melaço da cana da caldeira
O aroma da carne no moquém
O pipilo insistente do vém-vém
Vão pingando poesia nos meus planos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

O escuro das noites mais escuras
O cenário de atos tenebrosos
As fossas abissais de assombrosos
Seres que habitam nas funduras
Fogo-fátuo de águas tão impuras
Cobre em moeda de vintém
Fuligem que ao vício faz refém
Vão rondando seus golpes mais tiranos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém.
 
                                                               FIM











Ê MEU FIO (Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2010)           Ainda lembro o cidadão santanense, já em avançada idade, Benedito Serra ...

Ê MEU FIO

Ê MEU FIO
(Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2010)

          Ainda lembro o cidadão santanense, já em avançada idade, Benedito Serra Negra, em suas visitas esporádicas a nossa loja de tecidos. Referia-se ele a certo pássaro da caatinga que durante o sofrimento do povo nas estiagens prolongadas, cantava. E o seu canto parecia mangação quando o povo interpretava assim: “ê, meu fio!...”
         Durante a Alta Idade Média, o pensamento filosófico recebia grande influência do cristianismo. Houve momentos em que essas idéias confundiram-se com a teologia, porque se amparavam na fé e em dogmas religiosos. Destacou-se naquele momento histórico, um dos maiores doutores da Igreja que foi Santo Agostinho, responsável pela síntese entre a filosofia clássica (platônica) e a doutrina cristã. Segundo a teologia agostiniana, a natureza humana é, por essência, corrompida. A remissão, a salvação eterna, estaria na fé em Deus. Santo Agostinho tem como principais obras: “Confissões” e Cidade de Deus”. Para muitos estudiosos, essa era uma visão pessimista em relação à natureza humana. Entretanto, na Baixa Idade Média surgiu uma concepção mais otimista e empreendedora do homem. A filosofia escolástica procurou harmonizar razão e fé. Nesse caso, o progresso do ser humano não dependia apenas da vontade divina, mas também do esforço do próprio homem. Com isso os atributos racionais do homem passam a ser valorizados. E por outro lado, não deve mais existir conflitos entre a fé e a razão. Os escolásticos são considerados precursores do humanismo e tiveram o mérito de restituir ao homem medieval a confiança em si próprio. Se a escolástica valorizou a razão substituindo o termo predestinação por livre arbítrio, mas continuou deixando para o clero o papel de orientador moral e espiritual da sociedade. O mais influente filósofo escolástico foi São Tomás de Aquino, professor da Universidade de Paris. São Tomás muito influenciou o clero, inspirado na teologia cristã e no pensamento de Aristóteles. Obra de São Tomás de Aquino: Suma Teológica.
         Com tantos estudos históricos e filosóficos ficamos a imaginar o comportamento do homem nos dias atuais. Será que são suficientes essas pesquisas da Sociologia que agrupam o ser humano em camadas sociais, estamentos ou castas? O homem moderno, preocupado com o seu padrão de vida, nessa luta feroz da concorrência empregatícia ou com a violência desenfreada nas ruas, tem tempo de pensar? Já perguntaram a algum assaltante de bancos ou aos consumidores inveterados de drogas se eles estão lendo a Suma Teológica? Já indagaram aos compradores de consciências sobre o pensamento escolástico? Será que todo sistema educacional está falido? Nada afirmamos nem analisamos. Apenas, em um momento de parada refletimos. Nesse emaranhado do tal “correr atrás”, fica bastante difícil correr a frente. E com essas filosofias que se arrastam pelo mundo o saudoso cantor Nelson Gonçalves se sai com a dele:

(...) “pois a vitória
Não pertence ao infeliz...

         Volto à ternura de Benedito Serra Negra, “filósofo” bem menos complicado. Diante de tantas coisas esquisitas que estão acontecendo com a humanidade, com certeza ele apenas repetiria o pássaro das caatingas alagoanas: “Ê, MEU FIO!...”

VIRANDO FUXICO (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2010)           Sem telefone fixo e Internet no apartamento, vou ficando aborrecido...

VIRANDO FUXICO

VIRANDO FUXICO
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2010)

          Sem telefone fixo e Internet no apartamento, vou ficando aborrecido com a prestadora ou imprestadora de serviços. Cuidando de legítimos outros interesses, vou perdendo contato com meus trabalhos publicados. Passo a enviar as crônicas através de terceiros que as conduzem em pen-drives. Eles as enviam das suas repartições para o blog, para os portais Santanaoxente e Maltanet. Quero me comunicar com o Malta e “João Neto de Dirce, mas não tenho os seus telefones na minha agenda. Aí veja compadre, como são as coisas no Brasil. Através de amizade, funcionário de certa empresa promete que vem ligar o aparelho, consequentemente a Internet. Pede para que fiquemos calados, sem dizer para os demais vizinhos que por certo também iriam querer o privilégio obrigatório. O cabra marca para as catorze horas, deixa-me aguardando até as dezessete para dizer que não vem mais. A empresa acaba, diz ele, de receber  certa resolução que impede a sua vinda. Inventaram para lá um calendário diferente, de modo que somente em torno do dia trinta essa ligação poderá ser feita. Agora nem por cima, nem por baixo do pano. E a Justiça, o PROCON e o jeitinho brasileiro não resistem as manhas da inrespeitável empresa. Quem acredita nesse tal dia trinta? No final de semana estarei na terrinha para examinar a caixa de correspondência.
          Recebo não boas notícias sobre um derrame que teria sofrido a esposa de um dos muralistas do Portal Maltanet. E como não posso ter certeza no momento, não publico o nome, mas vamos ajudar com orações.
          Quanto a essas companhias que vão engolindo umas as outras, parecem carregar a paranoia do lucro fácil e rápido, meta de todos os ambiciosos. Transportam o sádico prazer do mau atendimento, da indiferença e da certeza de que o castigo pequeno é lucro. Esquematizadas dentro de brechas de leis, de impunidades, de corrupção ativa e de cansaço do poder público, vão levando as economias de milhões de brasileiros através de serviços “marca peste”, como fala irritado o sertanejo alagoano. Muitas são estrangeiras que vem com um título à frente e o tenebroso conteúdo atrás. As listas de reclamações do Brasil inteiro demonstram esse infame descaso com o usuário. Causam-nos espanto e incredulidade, medidas radicais tomadas em países diferentes do nosso. Mas dizem que “remédio para um doido é doido e meio”, expressão que vem desde os tempos dos nossos avôs. E assim essas devoradoras da economia do povo quase sempre se dão mal diante de um martelo muito mais firme. Ante o escancarado desmando, o trabalhador vai se sentindo cada vez mais lesado, com sensação de ser apenas mais um palhaço diante da bocarra do estrangeirismo. Ê, comadre Salete, já nos viciaram na Internet, mulher! Quando ficamos sem ela a impressão é péssima. Ainda bem que o cronista não marcou reunião com os amigos da Cultura aí em Santana. O que acha Paulo Fernandes? Continue divulgando nossas crônicas no seu site “Tangará”; Jornalista Antonio Noya em suas revistas e, o site “Besta Fubana”, para o Brasil inteiro. O nosso mural de recados continua em aberto. E como diria o colega, amigo e empresário Juarez (Bêinha), vamos esperar que o filho da “foice” venha fazer minhas ligações. Afinal, comunicação sem a web vai VIRANDO FUXICO.

PAUTAS NEGATIVAS (Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2010)      Os duelos políticos deveriam acontecer apenas nos dias que antecedem as...

PAUTAS NEGATIVAS

PAUTAS NEGATIVAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2010)

     Os duelos políticos deveriam acontecer apenas nos dias que antecedem as eleições. Não temos certeza de que o prolongamento desses embates acontece em todos os municípios brasileiros. Mas no Nordeste, principalmente no interior, desprezo e investidas contra administrações se avolumam. Essa estranheza que se torna bastante particular, vai prejudicando em volume incalculável a população local. As obras construídas com a escassa verba pública, vão sendo abandonadas ao sabor do esquecimento, da manutenção e dos malfazejos, propositadamente. Assim os novos gestores públicos encontram uma forma mesquinha, anticívica, egoísta e criminosa de vingança aos que lhes fazem oposição. Isso custa caro ao País e ao povo do Município. Os próprios pesquisadores sentem dificuldades nos seus trabalhos de esclarecimentos à posteridade. Como pesquisar em logradouros sem placas, em repartições sem fachadas, em monumentos mudos? Carência de tintas, sumiço de documentos, fontes de pesquisas mascaradas, vão se avolumando nos bastidores da história. Não podemos afirmar que esses atos insanos sejam exclusividade contemporânea.
     No governo de André Ferreira da Silva, 1919-21, sexto intendente da vila de Sant’Ana do Ipanema, foi homenageado o imperador D. Pedro I. Na primeira praça que se tem notícia da história da urbe, é construído um obelisco e ali colocado o busto do imperador. A pracinha ficava no centro comercial, hoje denominado praça e Largo Senador Enéas Araújo. Já no final do seu governo, a intenção de André Ferreira era festejar e marcar os cem anos da Independência do Brasil. O obelisco e o busto foram inaugurados no ano seguinte, já no governo do sétimo intendente, capitão Manoel dos Santos Leite, quando Santana iniciava o período de cidade. No dia 7 de setembro de 1922, foi descerrada uma placa de mármore doada pelo povo. As duas bandas da cidade animavam o evento, a Filarmônica Santa Cecília (Carapeba) fundada em 1908 e a Filarmônica Santanense (Aratanha) fundada no início de 1922 exclusivamente para esse ato importante. A partir daí, a pracinha foi batizada com o nome de Praça do Centenário. Em torno de vinte anos depois, na gestão de Adauto Barros, 1942-45, o obelisco foi demolido violentamente e pouca gente sabe aonde  foi parar o busto do imperador e a placa de mármore do povo. Ódio, ignorância, egoísmo, truculência e falta de respeito ao Município e ao Brasil, continuam desfilando no interior do Nordeste como nos velhos tempos das botas dos coronéis. Quando não queimam a triste energia negativa por cima, devastam por baixo a própria dignidade de quem já não encontra o que oferecer à sociedade em que vive. Se um mil não enxergam, tem sempre dois olhos que acusam as manobras asquerosas dos filhos da PAUTA NEGATIVA.

SEU QUEIRÓS (Clerisvaldo B. Chagas. 23 de agosto de 2010)           Estamos montados nos 102 anos de fundação da primeira banda musical de...

SEU QUEIRÓS

SEU QUEIRÓS
(Clerisvaldo B. Chagas. 23 de agosto de 2010)

          Estamos montados nos 102 anos de fundação da primeira banda musical de Santana do Ipanema. Foi no dia 22 de novembro de 1908 que o coletor federal Manoel Vieira de Queirós presenteou Santana. Nesta data foi criada a “Filarmônica Santa Cecília” que logo passou a injetar vida nova nos talentos da terra. Para uma vila que se desenvolvia sob os olhares da avó do Cristo, faltava um empreendimento cultural de grande porte. E naquele meio rude, entre religião, comércio, agropecuária e mandacarus, começa a desfilar garbosamente a briosa de “Seu Queirós”. O maestro logo angariou respeito e fama nessa tarefa tão bonita quanto espinhosa de lidar com instrumentos e homens. Assim vão sendo convocados, sapateiros, marceneiros, comerciantes, artesãos e logo se forma um elenco de músicos sertanejos. Não demorou a que a Santa Cecília recebesse o apelido de “Carapeba”. E a Carapeba sertaneja foi animando ruas, praças, avenidas, preenchendo a alma do povo de felicidade e sonhos imediatos. Eventos políticos, cívicos, religiosos, podiam contar com aqueles caboclos que se revelavam. Com a força e a vontade no sangue, os homens iam vencendo os dias de vila e entraram triunfantes na “década do esplendor”. Santana vila tem a honra de amanhecer cidade sob a mágica batuta de Seu Queirós. Achando poucas suas atividades de coletor e maestro, Manoel ainda funda também o primeiro teatro de Santana. Mas em 2 de dezembro de 1924, faleceu o pai da música de Santana do Ipanema. A cidade emudecida provou que até hoje não soube como pagar ao maestro tanto serviço prestado a nossa terra. A Santa Cecília, contudo, não esmoreceu e continuou a sua trajetória, honrando a determinação do mestre. Mas o vigor da Filarmônica não resistiu aos obstáculos outros que barraram o seu caminho. Infelizmente, no ano de 1926, a Filarmônica Santa Cecília morreu para a sociedade.
          Instrumentos musicais foram parar no museu do Município criado trinta e três  anos após a extinção da banda. Com o passar dos anos, o descaso das várias administrações municipais golpearam o museu até a exaustão. Sentimos falta de inúmeras peças que desapareceram desde quando o museu foi criado na administração Hélio Cabral. Agora com regras impostas de cima sobre o zelo com o patrimônio público, pode ser que haja encorajamento para importantes doações que relutavam sempre. Disfarçadamente vamos procurando uma homenagem póstuma a Seu Queirós e não vamos encontrando. Mesmo assim vale a pena lembrar aos jovens estudiosos da “Rainha do Sertão”, que existiu um homem que teve a coragem de fundar uma filarmônica. Uma filarmônica em um tempo em que a música valorizada era apenas a de pé-de-bode, tambaque e aboio de vaqueiro. Coletor federal, herói santanense, pioneiro da música e do teatro foi SEU QUEIRÓS. 

O TIME DO PEIXE (Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 20l0) O amigo sertanejo está incomodado com as chatices das propagandas em carros d...

O TIME DO PEIXE

O TIME DO PEIXE
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 20l0)

O amigo sertanejo está incomodado com as chatices das propagandas em carros de som? Pois saiba que aqui na “Cidade Sorriso”, a fuleragem é dobrada. Não tem ouvido que aguente! Desculpe o termo “fuleragem”, mas a palavra acima é insubstituível no momento. Fazer o quê? Como diria meu velho: “O comércio está empestado”. E quando passa um bicho daquele roendo os nervos, a vendedora de coco verde se manifesta: “Lá na minha região só dá esse cara. Ele vai vencer, mas não com o meu voto. E eu nem sei se vou votar. Tomar dois ônibus para subir os outros! Repara!” Pertinho, o ambulante do cigarro entra na conversa: Ô Maria, tão dizendo na Internet, comadre, que a pessoa faz 222 e depois empurra no verde. Pronto, não vota em ninguém e estar acabado”. Deixo os vendedores e vou dar uma espiadela no Teatro Deodoro. Um baixinho careca se aproxima como quem não quer nada e eu fico atento a minha carteira. O amigo sabe como estão as coisas. Passamos a desconfiar de todos, não é isso? Mas o baixinho chega e indaga em quem eu quero votar.  Vou fitando o indivíduo, cujo bigode grosso compensa a calvície, e devolvo a pergunta: “O senhor é do serviço secreto? Não. É pesquisador do IBGE? Não. Por acaso faz parte da máfia dos matadores de gente? Olhe que o senhor leva jeito. Deus me livre, moço! Bem, então, só pode ser candidato a deputado...” O  bigodudo abre um sorriso de prazer. Ser chamado de deputado para uns é insulto, para outros, metade da realização pessoal. Mas ele diz que estar procurando gente de presença, “assim como o senhor”, para entrar no time do peixe. Falo que estou muito satisfeito com o Vasco da Gama. Ele desconversa e diz que não é isso que estou pensando. Eu perco a paciência e peço para que seja claro que eu não vou ficar conversando o tempo todo com desconhecido suspeito. Até porque, disse também, pelo que sei jogo de bicho não tem peixe. O senhor não é cambista, é? Ele vai direto ao assunto dessa vez, e diz que disponibiliza cem reais para cada voto que eu tiver ou arranjar, para votar no deputado Fulano. E que se eu aceitar, basta o número do título e o CPF. Demonstro ar de surpresa e cobiça e digo que estou bem interessado. “Pois se o senhor tivesse me oferecido apenas uma onça, já que seu negócio é bicho, eu iria rasgá-la agora. Mas com um peixe a conversa é outra. Saio do Vasco da Gama agora e vou para o Santos. O bigodudo se anima e pergunta quantos votos posso arranjar. Respondo que, entre sessenta e setenta. Peço que me deixe telefonar para o amigo Zezão que é uma pessoa de família enorme. O homem fica tão feliz que parece saltitante como tico-tico. Digito de mentira e falo em voz alta para o tenente Zezão que ali na praça está o homem que ele anda a procura. Descrevo o baixinho e peço para que o inexistente policial traga a patrulha que o comprador de voto tem cara de valente. Quando me viro para encarar o peixeiro, o baixinho parte numa velocidade, meu amigo, que nem bala pega. Na hora passava uma ambulância, cuja sirene ligada ajudava a untar sebo nas canelas. Lembrei de Neymar, Ganso, Robinho... Mas é nada, homem! Tem jeito!? Só faltava essa, entrar no novo TIME DO PEIXE.

O SILÊNCIO DAS CATACUMBAS (Clerisvaldo B. Chagas, 19 de agosto de 2010) Quem se propõe a pesquisar sempre, pode esquecer tempos de folga. ...

O SILÊNCIO DAS CATACUMBAS

O SILÊNCIO DAS CATACUMBAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 19 de agosto de 2010)

Quem se propõe a pesquisar sempre, pode esquecer tempos de folga. Ao sentir o gosto das descobertas, cada texto, cada frase, cada palavra, pode causar dependência. Uma vez dependente adeus lazer! Certa vez dividi uma das minhas turmas de alunos em dez grupos. Cada grupo ficou encarregado de pesquisar em lugares diferentes. Ainda lembro alguns desses lugares como o açude do Bode, um banco, o Abrigo São Vicente de Paula, o cemitério, uma fabriqueta, o mercado de carne, um compartimento da feira livre e outros que me escapam. Naturalmente o espanto da turma foi pesquisar no cemitério. Um daqueles alunos mais ousados, logo se prontificou, formando imediatamente a sua equipe. O resultado das pesquisas seria apresentado e discutido esse conjunto da nossa sociedade. Resumindo, o melhor trabalho foi aquele sobre o cemitério, apresentado e aplaudido vigorosamente.
Deve ter sido, nos meados do século passado, uma necessidade demolir o velho cemitério construído pelo padre Veríssimo. De certa maneira, a construção impedia o estiramento da cidade em direção ao serrote Pelado e a saída Santana do Ipanema – Maceió. Houve polêmica sobre a decisão vinda de cima para baixo. Mas, diante de uma sociedade passiva, coerente ou não, manda o poder. Não temos conhecimento de registros sobre as famílias ali sepultadas. No tempo em que bonitas e grandes catacumbas representavam a continuação do prestígio das famílias ricas ou tradicionais, epitáfio era coisa importante. Assim os cemitérios sempre representavam fontes de pesquisas para a Geografia, História, Artes, Arqueologia, Antropologia, Sociologia e outras “ias”. A cidade ganhou em expansão, mas perdeu essa fonte importante de pesquisas sobre as primeiras famílias ali sepultadas, cujas lápides poderiam ter ajudado no quebra-cabeça da formação social santanense. Os Rodrigues, Gaia, Gonzaga, que dominaram o núcleo por bastante tempo, ficaram apenas na memória de algumas pessoas, mas também em confrontos com outras informações que não se complementam.
Os cemitérios modernos guardam apenas nomes e datas, mas por certo tem seus arquivos informatizados. Sem dúvida o ambiente de morte tem seus mistérios que são coisas invisíveis aos encarnados. Um terrível drama é formado entre os espíritos que não receberam ainda autorização para se desvencilharem de redes que os mantém presos a terra. A leitura kardecista, em parte importante sobre a passagem, também se encaixa na tarefa do bom pesquisador. Na superfície, a tranquilidade conhecida pelos vivos, no plano espiritual, coisas que só excelentes leituras nos podem esclarecer. Entretanto, queríamos apenas falar na importância da pesquisa em qualquer lugar, inclusive nos cemitérios. Desde os subterrâneos do Vaticano até aquele cemitério tão pequeno de uma vila, povoado, fazenda, encontramos muitas informações em letras e números estilizados ou tortuosos. É desse modo que fala O SILÊNCIO DAS CATACUMBAS.

DESENHANDO A TARDE (Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2010) Prefiro o PC normal a esse tal notebook . Mas como é o jeito vamos registr...

DESENHANDO A TARDE

DESENHANDO A TARDE
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2010)

Prefiro o PC normal a esse tal notebook. Mas como é o jeito vamos registrando o cotidiano. Ainda estou aqui na “Cidade Sorriso” sem a definitiva Internet. Telefona-se para “A” e “B” e nada de ligação. Falam que instalaram um cabo. E que cabo é esse, tão difícil assim. Lembro logo do cabo de vassoura, rolo frágil quebrado na cabeça de muitos maridos por aí. Cabo de guerra, brincadeira de gente besta que teima em medir forças. Cabo Zeferino, antigo barbeiro de Maceió, gozado pelos clientes do Bairro do Prado.  Cabotino, cabo Henrique e o cabuloso que deve ser o mesmo cabo que futuca na Web. Encontramos na BR-316 Santana – Maceió um caminhão tombado, pneus contando os pingos de chuva. E logo a jornada agradável vira uma irritante espera. Os botijões da carga imitam brancos soldados da paz, tesos no asfalto. Acolá, um gipão moderno, aos beijos, namora o mato verde, marginal. Alguém fala que foi um “quebra de asa” para não ser esmagado pelo carro grande. A amiga sabe o que é “quebra de asa”? Nem pergunte! Uma velhinha não se contém e diz que foi Deus. Foi Deus o que, minha velhinha? Mas ela nem estirou o pescoço ainda para ver a cena. Apito a boca, um guarda cáqui acena perto dos soldados brancos. O trânsito flui.
Maceió parece em festa inaugurando supermercado novo. O motorista diz que “é gente como a peste!” Ah! Agora são as donas de casa falando em promoção, dando o preço de tudo, somando vantagens, babando a ausência. Passam as horas. No fim da tarde o tempo muda, sopra um vento frio. Enquanto aguardo exames de rotina vejo do alto as águas da lagoa. POR FAVOR, NÃO ABRA A JANELA. Mas é nada, compadre! Quem diabo quer deslocar a vidraça! Basta o pulo de tal “Jamaica” da ponte de Santana. Concentram-se as nuvens sobre as água da lagoa. Cinza muito escura no alto, superfície clara, cinza uniforme até as barreiras. Longe, uma faixa parece metal incandescente contrastando com as nuvens da tardinha. As águas de cassa conquistam e vão aspergindo na lagoa Mundaú.
Chega minha vez de atendimento. A mulher de branco manda sentar, pergunta e anota. Anota e pergunta. E como quer saber sobre as minhas atividades, falo também dos escritos diários na Internet., no compromisso comigo mesmo que faço questão de cumprir. A médica fica sem saber como é que alguém pode escrever crônicas diárias. Onde encontrar tanto assunto assim, continua a mulher da Ciência. Encolho meus ombros e digo que não sei, mas assunto não falta. E enquanto ela baixa a cabeça e escreve, digo acanhado, tímido, com reservas: “O assunto de amanhã é a senhora”. O Sol quer se esconder quando deixo o prédio. A lagarta de automóveis na Avenida vai se encorpando na volta doida para casa. Passageiros parecem cansados nos pontos de espera. Passa o vendedor de CDs piratas poluindo o ar. Coletivos param bruscamente. Um homem observa da esquina, puxa um lápis e anota. Talvez também seja cronista DESENHANDO A TARDE.

MOVIMENTOS DE CULTURA (Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2010) Os amantes da cultura em nossa Santana, nunca tiveram um lugar natural ...

MOVIMENTOS DE CULTURA

MOVIMENTOS DE CULTURA
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2010)
Os amantes da cultura em nossa Santana, nunca tiveram um lugar natural de reunião, como a Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro ou o Café Central de Maceió. Após tentativas intercaladas por décadas, eu, o Marcelo Almeida, juntamente com outros admiradores das letras e das artes, fundamos a Academia Interiorana de Letras. Não se pode dizer (e essa é uma das raras vezes) que o poder público não quis ajudar. Contávamos com o apoio do prefeito Dr. Marcos Davi e da Secretária de Cultura Selma Campos. O movimento não continuou, graças à fraqueza de pessoas que não se julgavam capaz, juntamente com as desculpas conhecidas sobre comparecimento. Há pouco tentei formar um movimento de interesse pela cultura da terra, com o único compromisso de reunião uma vez por semana para trocarmos ideias. Esse movimento foi quebrado por duas autoridades ligadas à prefeitura que iniciaram conosco. Ficaram de enviar o segundo convite para a próxima reunião e até hoje espero. Deixaram-me a ver navios diante das outras pessoas que fizeram parte da primeira assembleia. Que coisa feia! Falta de palavra, carência de ação. Deixando o negativo de lado, estamos numa segunda tentativa de formar novo grupo a princípio independente. O movimento está bem adiantado e apesar de ser apenas para reuniões semanais e troca de ideias sobre letras, artes e coisas da nossa terra, bebendo o chá ou o café das quatro, coisas novas já surgiram, aliás, pensamentos importantes que poderão se materializar.
Já foram sugeridos dois excelentes lugares para as futuras reuniões, porém, distante do centro. Estamos tentando descobrir outro mais central, se possível, no comércio ou nas proximidades. Se o (a) prezado (a) santanense estiver interessado (a) em ouvir e ser ouvido (a), (por favor, sem vínculo político partidário) dentro da proposta apresentada, escreva para o nosso e-mail, telefone, mande um recado, venha a nossa casa. No momento ainda não tenho autorização dos demais companheiros para divulgação dos seus nomes. Posso assegurar, entretanto, que surgiram várias propostas além do simples bate-papo cultural. Inclusive, já temos oferta de mãos beijadas de amplo terreno para um projeto de cultura nota dez. Um segundo plano é adquirir certa casa para uma realização antiga. Temos certeza de que o proprietário será sensível a nossa solicitação. Quer saber mais? Vá chegando para a ciranda.
Aproveito para agradecer ao professor da Zona da Mata (ainda não nos conhecemos) que fez um trabalho com meu romance “Defunto Perfumado”, ganhando o primeiro lugar em Brasília. Agradeço ainda a manifestação da palavra de ilustre pessoa que me visitou domingo próximo, ao dizer que “Defunto Perfumado” foi um dos melhores livros que já leu na vida. Aos outros leitores que me escrevem, empolgados com “Ribeira do Panema” e o mesmo “Defunto Perfumado”, também meu muito obrigado pelo incentivo. A próxima batalha é pela apresentação de ambos na TV, assim como os inéditos romances “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”. Após o lançamento do “Boi a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”, vamos para a luta mais leve de publicação do “Ipanema Um Rio Macho” (memória de viagens) paradidático e o livro de poesias “Colibris do Camoxinga”. Aguardamos seu interesse pelos MOVIMENTOS DE CULTURA.