SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CABRA FUBA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.473 Para quem não sa...
CABRA FUBA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de
2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.473
Para
quem não sabe sobre o nosso Sertão a pergunta é óbvia: que diabo é isso? Bem, a
frase do título, no Sertão alagoano, é secundária de “sujeito fraco, sem ação,
tipo imprestável, cabra fuba, homem que não vale nada”. Entretanto, no primeiro
plano temos a tradição de chamar de fuba, sem acento, a farinha de milho pronta
para se fazer o cuscuz. Enquanto fubá – com acento – é a farinha de milho moída
ou fininha para se comer na hora, pura
ou com açúcar. E se o dicionário da Língua Portuguesa, só registra a palavra
com acento, problema dele. A nossa linguagem popular desmente a oficialização. É
a imensidão do Brasil e seus legítimos regionalismos. E vem o fubá... E vem a fuba, o mais importante é
matar a fome do povo.
E
como ilustração sobre o termo fubá – comi muito dos vendedores de rua, quando
criança - temos no livro documentário
NEGROS EM SANTANA, uma imagem literária de um quilombola do povoado Tapera do
Jorge, de Poço das Trincheiras, vendendo
fubá pelas ruas de Santana. Panelão de alumínio, vertical e lustroso, carregava
na cabeça daquele negro comprido o fubá, uma delícia ímpar. Era uma cena do
século XIX, navegando ainda no final do século XX. E assim víamos que o fubá,
deixava para trás o seu parceiro tradicional de caminhadas juntas, o xerém –
milho quebradinho em moinhos de pedras
e, comido com leite. Aos poucos, o que era tradição de séculos, principalmente
na zona rural, passou a ser como tantos outros, produtos da indústria.
Portanto,
é lógico que os tempos mudam as coisas como o camaleão. Mesmo assim, foi não
foi, ressurge uma expressão antiga como “cabra de aió”, “cabra fuba”, “tapuio”,
“cabra safado”, “fio de uma égua” e muitas outras. No caso dessas acima, todas
têm o mesmo significado: “elemento ruim, homem sem ação, sem caráter, sem
confiança. É pena um sujeito que não presta ser chamado de cabra fuba, um
alimento tão gostoso e nutritivo. Com lógica ou sem, a indústria vai colocando etiquetas novas em
nossos produtos comestíveis, mas não consegue consertar de vez o CABRA FUBA.
FUBÁ
NA ROÇA (DIVULGAÇÃO).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.