VERSOS SELVAGENS Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2012. (Para Neilda e João Oniel)   NOITE DE CULTURA: DIA 23 ÀS 20:30 NA CÂMARA DE...

VERSOS SELVAGENS

VERSOS SELVAGENS
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2012.

(Para Neilda e João Oniel)

 NOITE DE CULTURA: DIA 23 ÀS 20:30 NA CÂMARA DE VEREADORES, LANÇAMENTO DO LIVRO “Ipanema um rio macho” compareça, converse com o autor.

 Por cima dos tocos, na base de outeiros,
Os versos matutos trajando gibões,
Rompem o mato, a urtiga, os pés de pinhões,
Facheiros, favelas, belos marmeleiros;
Guindastes de troncos, folhas de pereiros,
Pedaços de serras, clarões de luar,
Cheiro de imburana, mormaço do ar,
Riachos de areia, colinas sedosas,
Coroas-de-frade, perfumes de rosas,
Marchando garbosos pra beira do mar.

 Lá se vão às estrofes, rolando enxurradas,
Bebendo em barreiros, andando em cercados,
Beijando as encostas, deitando nos prados,
Correndo os serrotes, varrendo as estradas;
Tangendo as abelhas, dormindo em latadas,
Soprando a jurema para balançar
Os galhos mais finos que ficam a chorar,
No orvalho sadio, nas tardes dengosas
Nos seios da noite, ó morenas formosas
Quem me dera ir com elas, pra beira do mar.

 Os versos arribam nas cores da aurora,
Na furna esquisita onde mora a pintada,
Desenham montanhas, cortejam a chuvada,
Rompendo a caatinga, escrevem na tora;
Soluçam nas grimpas, tangem a sericora,
Limpando terreiros nesse colear;
Abraça os velames, resvalam no par
De aves que dormem na palha do ninho,
Cortejam as corolas vermelhas e vinho
Que mandam perfume pra beira do mar.

Eu monto nos versos que vão disparados
Nas asas dos ventos que invertem papéis,
Ligeiros, correndo, fazendo viés,
Suspiros de amor, beijos sossegados;
Pelos horizontes, tão longe, azulados,
Queixumes profundos, poetas em fráguas,
Por sobre o destino, repleto de máguas,
Despejam tudinho na beira do Mar.

·         Do livro inédito: “Colibris do Camoxinga; Poesia Selvagem”.



                                                       FIM




























ABELHAS Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2012.   Dia 23, noite de cultura: Lançamento do livro “Ipanema um rio macho”, às 20:30 na C...

ABELHAS

ABELHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2012.

 Dia 23, noite de cultura: Lançamento do livro “Ipanema um rio macho”, às 20:30 na Câmara de Vereadores compareça.

          Não sei se elas são de fato assassinas. Simpáticos insetos listrados dos himenópteros, apóideos, nos fornecem o delicioso e nutritivo mel. Vários tipos de abelhas, porém, possui ferrão e não enjeitam uma briga de verdade, principalmente se o adversário for um bípede como nós. O meu vizinho, cujo apelido é “Dem”, é um dos apicultores do município, produzindo mel de boa qualidade e fornecendo para a merenda escolar. Ali perto do sítio Jaqueira, às margens do rio Ipanema, Dem se mistura com elas, as abelhas, e vai dando às ordens aos poderosos insetos em revoadas pelos arredores. Logo no final da tarde de ontem, todavia, abelhas no papel de batedoras entraram pela porta da minha cozinha. Retiraram-me da hora de elaborar a crônica de hoje. Mas elas não queriam atrapalhar a crônica e sim fazer parte dessas magras linhas. Fiz ver às batedoras que elas estavam erradas, eu não era criador de abelhas e sim o meu vizinho. Elas não acreditaram. Mandei chamar o Dem. Ele veio, mas estava sem roupa apropriada para enfrentar ferrão. Avisou que àquelas vieram à frente, mas logo o grosso chegaria. Não deu outra. A tropa inteira chegou, invadiu a cozinha e nos pôs para fora de casa. Não aceitaram o Dem como tutor.
          Recorremos ao corpo de bombeiros. O camarada lá avisou que as abelhas estavam estressadas nessa hora, deixasse anoitecer. Tivemos que jantar em outro lugar esperando a boa vontade das bichinhas. Lá para às 20 horas, retornamos a casa e fomos olhar como estava à situação. O zumbido de motor em casa de farinha continuava. Ficamos na calçada de castigo aguardando os bombeiros. Os bombeiros passam avisando que iriam prestar socorro em um acidente. Aí sim, resolvemos enfrentar os milhares de insetos que teimavam por ali. Tivemos a surpresa, porém, de vermos que 80% das danadas haviam ido embora. Criamos coragem e resolvemos enfrentar os 20% por cento restantes na base do “spray”. Fomos vencedores. O Dem mesmo não apareceu mais e nós escapamos ilesos. Quando os soldados do fogo retornaram, o caso estava resolvido. Tenho a impressão de que uma delas ouviu quando chamamos o corpo de bombeiros e passou para os milhares de companheiras. A chefa talvez tenha dito: “Com o Dem a gente pode, mas com a força do governo, não, vamos embora cambada!”. E foram alegrar a noite de outra residência na cidade.
          A piada do português tem sentido: “safadas! Por que não vêm de uma em uma!”. Meu amigo, negócio com esses insetos sociais, só se for para ganhar dinheiro, como o vizinho Dem. Quem for valente fique. Quem não for, faça “bunda de ema”. Mas elas conseguiram, saíram na Internet como protagonistas. Meu compadre gosta de Abelhas? Ah, abelhas, negro velho, ABELHAS.


AÇÚCAR Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2012            Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indíge...

AÇÚCAR

AÇÚCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2012

           Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indígenas fumando. Tendo escravizado, maltratado e eliminado os nativos aos milhares, portugueses, espanhóis e outros povos levaram para a Europa o vício do tabaco. Os indígenas iniciaram aí uma vingança silenciosa que perdura até hoje, quando aconteceu a expansão do fumo pelo mundo. É impossível alguém dizer com certeza quantas pessoas já morreram vítimas de cigarros, charutos, cachimbos e similares. Agora que a medicina fala contra o vício de fumar, são os fabricantes de cigarros que insistem em matar gente através do infame vício importado das Américas. Eles não pensam na saúde de ninguém. Suas cabeças estão voltadas apenas para o lucro exorbitante produzido pela porcaria que produz o câncer e a morte prematura. Para tentar anular a reação mundial contra o vício, o fabricante acuado, inventa fórmulas para driblar a sociedade, colocando armadilhas para os jovens e os incautos. O peste do fumo é tão ruim que é preciso meter açúcar. Pois bem, o fabricante agora inclui mentol e cravo para que o rolinho da morte se torne mais atraente. Uma isca para conduzir o jovem ao vício definitivo dos venenos.
          Não sabemos por que os governos do mundo não acabam logo com essa praga! Se as fábricas de cigarros e cadeia produtiva produzem empregos, poderiam levar esses empregos para o fabrico de alguma coisa útil. Os governos dariam prazo para o fechamento de fábricas e à venda do comércio do fumo. Eles, produtores e fabricantes, teriam tempo suficiente para a mudança de atividade. Esse vício infame que mata mais de 200 mil pessoas por ano no país, deveria ser eliminado através da proibição da atividade matadora. “Fume meu bem, que tem açúcar”. Enquanto isso essa classe eliminadora da juventude, vai rolando e driblando a capacidade do ser humano em se defender. E os governos, reféns da influência pesada do poder econômico, fecham timidamente uma porta, uma janela, mas a força satânica fura as paredes, fabricando novas passagens para o ataque a adolescentes.
          “Fumar não é um hábito, é doença. Estaremos negligenciando nossas crianças, se permitirmos os aditivos, estaremos facilitando a entrada delas no vício. Estamos falando de saúde e não de negócios”, completou o representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Márcio Gonçalves de Souza.
          Os governantes com medidas paliativas contra o mal do cigarro, também são culpados por tudo que acontece em relação às doenças e mortes de fumantes. Cadê coragem para proibir de vez essa praga no Brasil? Não Mané, eles colocam açúcar, entende? AÇÚCAR.