SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ENCERRADOS FESTEJOS À PADROEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.741 ...
ENCERRADOS
FESTEJOS À PADROEIRA
Clerisvaldo
B. Chagas, 27 de julho de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.741
Essa
tradição religiosa remota ao século XVIII quando Senhora Santana e São Joaquim
foram introduzidos na região da Ribeira do Panema, pelo Padre Francisco José
Correia de Albuquerque O casal de santos viera da Bahia especialmente para ser
entronizado numa capela ainda a ser construída pelo padre Francisco nas terras
do fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia cujo solo formaria a futura cidade
Santana do Ipanema.
Os
festejos em pleno inverno santanense com tempo nublado, frio e um misto de
estio e chuvas, acontece ao mesmo tempo no mundo inteiro onde a avó de Jesus
for a padroeira. Desse modo não se pode mudar a data instituída pela Igreja
Católica Apostólica Romana.
Durante
o novenário, inúmeros santanenses retornam à terra em que nasceu para uma
participação ativa nos movimentos sacros e profanos que caracterizam a Festa de
Senhora Santana. Muitos chegam de outros município e estados movidos pela fé e
para pagar promessas de graças alcançadas.
Santana
do Ipanema encerra um período de dois meses de festas grandes e diversas que atraíram
multidões, assoberbaram pousadas e
hotéis da cidade e do entorno. Continua a Rainha e Capital do Sertão, a
convergir a gente sertaneja para suas ruas comércio, repartições públicas e
templos disseminados pela cidade, crescendo no vigor e na fé da sua excelsa PADROEIRA.
VIVA
SENHORA SANTANA!!!
POÇO: TAPA NA TAIPA Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.740 No médio Ser...
POÇO: TAPA NA TAIPA
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.740
No médio Sertão alagoano, o município de Poço das Trincheiras dá
um forte exemplo de boa vontade e civilização. Acaba de divulgar a substituição
de 72 casas de taipa por residências de alvenaria. O prefeito, agrônomo Valmiro
Costa, trabalhando no Programa de Controle da Doença de Chagas, da Fundação
Nacional de Saúde (FUNASA), procura erradicar assim a doença causada pelo
inseto conhecido como “barbeiro”. O barbeiro gosta de se alojar nas frestas
desgastadas da casa de taipa, e em vários locais como o teto de palha de
coqueiro Ouricuri. Essa investida do prefeito contra o transmissor da doença,
além de ajudar na saúde dos seus moradores, dignifica a pessoa e aumenta sua
autoestima com a casa nova de alvenaria.
O inseto barbeiro se
alimenta de sangue, pode picar animais e pessoas. Após a picada em humanos, o
inseto defeca deixando o protozoário Trypanosoma cruzi, ao coçar no
local, o protozoário vai para o sangue provocando a doença. Esse mal acontece
mais na zona rural onde prolifera ainda hoje a casa de taipa que oferece todas
as condições ao inimigo da saúde. Portanto, o exemplo foi dado na iniciativa
sertaneja do prefeito Valmiro Costa, e que merece todo louvor a esse tipo de
trabalho. As parcerias existem para isso, mas em não havendo interesse do
gestor, ela não se realiza. Paisagem sertaneja sem casa de taipa fica mais bela
e posa na foto com virilidade progressista. Esperamos que haja uma grande festa
no município do Poço quando a última casa de taipa for erradicada. Queremos
estar presentes.
Poço das Trincheiras é a cidade que fica mais perto de
Santana. Ambos os municípios são
fronteiriços e amigos. Poço já pertenceu a Santana e representa o primeiro
território alagoano que recebe o rio Ipanema. Suas terras planas e férteis
desenvolvem a agropecuária, mas também se destacam pelos seus montes famosos em
toda a região, como parte da serra do Poço e parte da serra da Caiçara que são
destaques no mundo sertanejo. Atualmente Poço das Trincheiras criou fama regional
quando o povo do sertão diz:” O Poço é um município organizado onde tudo
funciona”.
Valmiro Costa, foi no início um dos grandes entusiastas e
batalhador pelo Canal do Sertão. Pela primeira vez como gestor do Poço das
Trincheira ergue a mão e dá um tapa na taipa.
Parabéns aos seus munícipes
CASA DE TAIPA (FOTO: AUTOR NÃO IDENTIFICADO).
CAVALHADA EM SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.738 A cavalha...
CAVALHADA
EM SANTANA
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de julho de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.738
A
cavalhada, folguedo é de origem portuguesa, brincou muito em Maceió e
desapareceu. Surgiu na zona rural de Santana do Ipanema em lugar específico há
mais de 30 anos e estava desaparecido também. A brincadeira foi resgatada e
neste domingo (ontem) de Festa de Senhora Santana, apresentou-se no campo da
Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira. A cavalhada é também conhecida como
“corrida de argolinha”, representa as lutas de cristãos e mouros na tradição
portuguesa. Alas e cavaleiros vestidos de azul, ala de cavaleiros vestidos de
encarnado (vermelho), entram em competição
Cavalhada é uma celebração de espetáculos
públicos e mostra a destreza e valentia dos seus participantes que
frequentemente envolvia temas do período da Reconquista. Era um torneio que
servia como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e
guerreiros cultivavam a praxe da galanteria.
No Brasil, esse torneio tem suas variedades,
sendo algumas muito mais vistosas nos trajes e acessórios de cavalos e
cavaleiros. É folguedo ativo em algumas regiões e inexistente em outras. A
corrida de argolinha em Santana do Ipanema, parece ser a mais simples de todas,
resumida no básico. Os cavaleiros disputam as provas tentando retirar as
argolinhas penduradas num fio, usando o cavalo em velocidade e uma “lança” na
mão. Existem ainda outras observações durante a prova, porém, a habilidade e
destreza na hora da argolinha é a parte mais empolgante da brincadeira.
Os personagens principais são os cavaleiros,
vestidos de azul (cristãos) ou vermelho (mouros) e armados de lanças e espadas.
A corte é representada por personagens como o rei, o general, príncipes,
princesas, embaixadores e lacaios, todos vestidos com ricas fantasias. Mas,
como foi dito acima, nem todos os lugares procedem assim. A cavalhada de
Santana do Ipanema, é simples e não possui os adereços e o luxo apresentados no
Centro-Oeste, por exemplo. Mas, a corrida de argolinha sempre alcançou um bom
número de espectadores no sítio Caracol, onde participamos há três décadas,
como curioso. Um resgate muito bom que empolga o homem do campo carente de
diversões.
No
início do folguedo há uma visita à igreja ou a um santo que é colocado num
pedestal e só depois começam as competições cheias de nuances. Os cavaleiros
saíram da Matriz de Senhora Santana para o campo do Estadual em desfile com uma
banda de pífano animando a brincadeira. Não podemos contar de certo, pois não
estávamos por perto.
Parabéns aos que tiveram a ideia e aos que
promoveram a volta da tradição extinta.
CAVALHADA NO CENTRO-OESTE (FUNDAJ).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.