SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
OURO BRANCO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.933 Ouro Branco faz part...
OURO BRANCO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.933
Ouro
Branco faz parte do Alto Sertão de Alagoas, cuja cidade mais próxima é
Maravilha e no mesmo roteiro. Como lugarejo era chamado de Olho d’Água do
Chicão ou simplesmente Chicão. Chicão progrediu com suas terras de areia
branca, enfrentou a diversidade do clima, virou povoado. O povoado evoluiu e se
emancipou de Santana do Ipanema, no dia 21 de junho de 1962. Ouro Branco está
situado a 380 metros de altitude e faz divisa com Canapi, Maravilha e
Pernambuco. Sua distância à capital corresponde a 241 km e tem acesso a partir
da BR-316. Seus habitantes são chamados de ouro-branquenses e, o título da
cidade, após Olho d’Água do Chicão, (povoado) passou a ser Ouro Branco devido a
sua produção de algodão, plantações bem adaptadas às suas terras brancas de sílicas.
Possui uma população um pouco mais de 11.000 habitantes.
O
padroeiro de Ouro Branco é Santo Antônio, celebrado no dia 13 de junho, em
torno da praça Siloé Tavares e na Igreja Matriz. Apesar do clima rigoroso do
semiárido e Alto Sertão, a cidade mostra-se progressista, aproveitando
sabiamente a sua topografia plana que se estende muito além do perímetro
urbano. Sua redondeza acha-se bastante habitada com chácaras e fazenda,
notadamente em direção a Pernambuco. O município é cortado pelo riacho
Capiazinho, afluente do rio Capiá, o mais importante do Alto Sertão. Ouro
Branco cria gado bovino, ovino e caprino e produz feijão, milho e ainda insiste
no produto que lhe deu o nome. Sua culinária é típica do Alto Sertão e o
turismo se deleita com o aspecto de planura branca e lajeado que a cerca.
Podemos afirmar que é uma bela cidade.
Quando
ainda era Chicão e Olho d’Água do Chicão, o lugar era frequentado por Virgulino
Ferreira (antes de ser o Lampião), mas atuando no bando dos Porcino. Gostava de
demorar por ali. Inclusive, houve tiroteio entre uma volante de voluntários de
Santana do Ipanema com o bando dos Porcino naquele lugar (Lampião em Alagoas).
Estando em Santana do Ipanema e querendo chegar até Águas Belas (PE), tanto
você ir “por dentro” (atalho por estrada de terra) ou indo por Maravilha, Ouro
Branco, por asfalto, e aí, na saída da cidade ouro-branquense, conectar-se à
rodovia que leva a Garanhuns. É muito prazeroso rodar pelo sertão de Ouro
Branco, tanto no inverno quanto no verão porque a paisagem verde ou crestada
tem suas particularidades brilhantes e imorredouras.
O
ouro é realmente branco.
MATRIZ
DE SANTO ANTÔNIO, EM OURO BRANCO (FOTO: B. CHAGAS).
O LEITE DE CADA DIA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de julho de 2023 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.932 Sim, é um altí...
O
LEITE DE CADA DIA
Clerisvaldo
B. Chagas, 21 de julho de 2023
Escritor
símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.932
Sim,
é um altíssimo privilégio em um município pertencer a Bacia Leiteira de
Alagoas. Sabemos, é óbvio, que o critério de um município para pertencer a
chamada Bacia Leiteira de Alagoas, é produzir leite, isso todo mundo sabe. Mas, levando-se em conta que todos os
municípios do Agreste e Sertão de Alagoas se cria gado junto à lavoura, todos,
então deveriam estar incluídos na Bacia. Todo proprietário rural é
agropecuarista. Lógico que a quantidade de vacas leiteiras depende da
quantidade de terras e do poder aquisitivo. Mas todos têm a vaca leiteira no
seu espaço. Não encontramos uma fonte que explicasse o porquê do seu município
fazer parte desse privilégio. Consultando duas fontes distintas, fomos
encontrar uma Bacia Leiteira com 11 municípios e 2.782,9 Km2.
Anotamos
os municípios de Batalha, Belo Monte, Cacimbinhas, Jacaré dos Homens,
Jaramataia, Major Izidoro, Minador do Negrão, Monteirópolis, Olho d’Água das
Flores, Palestina e Pão de Açúcar. Porém, na segunda fonte, o número de
municípios salta para 16 e amplia a área para 5.053 Km2.
Acrescente-se Dois Riachos, Estrela de Alagoas, Igaci, Olivença e Palmeira dos
Índios. No primeiro caso temos somente municípios sertanejos. No segundo caso,
parte do Agreste faz parte com Estrela de Alagoas, Igaci e Palmeira dos Índios.
Dois Riachos e Olivença são município do Sertão. Bem, pode ser que seja uma
Bacia Leiteira atualizada. Mas isso fica
para uma terceira e definitiva pesquisa. Leite tem uso estadual e para
exportação.
A
Bacia Leiteira de Alagoas é a maior do Nordeste. O estado é o maior produtor de
leite dos estados nordestinos. Isso quer dizer que não é possível faltar leite
a uma criança no estado de Alagoas e, se faltar será motivo de descaso público.
Além dos empregados de qualquer uma das fábricas de leite, ainda temos os que
trabalham com o gado leiteiro, o corpo técnico dos rebanhos, os transportadores
do produto das fazendas para a recepção e os transportadores do leite industrializado
para outros centros. O que importa mesmo além do desenvolvimento, é o emprego
com origem no campo que acalma e dignifica milhares de pessoas, pais e mães de
família que louvam a atividade e o pão de cada dia.
O
tema ainda merece ser estudado e visto de CARA NOVA.
VACA
GIR LEITEIRA (FOTO: PINTEREST).
PASSANDO O MÊS Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.931 Após uma semana d...
PASSANDO O MÊS
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.931
Após
uma semana de trégua, as chuvas voltaram a cair em Santana do Ipanema. Um
solzinho para tirar o mofo das coisas e de nós, uma semana de varal lotado, sem
frio excessivo e Sol moderação. É certo, porém que as chuvas que caem em nossa
terra desde o mês de maio, são suaves, serenas, pingadeiras e pouco apressadas.
Mas hoje, dia 19, o céu amanheceu completamente cor de marfim com a chuva
moderada voltando à cena. O Sol luta para atravessar as névoas e,
provavelmente, teremos novo dia ensolarado, mas a partir das 9 ou 10 horas do
primeiro turno. Ainda bem que a procissão dos carreiros, domingo passado, abriu
os festejos à Senhora Santana no estio de parada estratégica dos céus. Muito
bom o tempo.
Bem
diz o sertanejo: “Mês miou (meou) mês findou”. E vamos contemplando essa
segunda quinzena do mês mais tradicionalmente, chovedor no Sertão de Alagoas; esse
ano, porém, como já foi dito acima. Assim a festa à Padroeira vai acontecendo
todas as noites, com os eventos religiosos celebrados por padres diferentes,
convidados especiais para as pregações. E até agora os profetas das chuvas vão
acertando 100% nas suas previsões: bom inverno, mas com pouca chuva por aqui.
Ainda temos esse restante de mês com eventos internacionais que nos interessam
de perto como a Seleção Brasileira de Futebol Feminino, a expectativa da Bienal
Internacional, em Maceió e os encontros de turistas e estudiosos do cangaço, em
Piranhas e visitas a Angico, em Sergipe, pelo aniversário de morte de Lampião e
Maria Bonita. Um mês cheio de eventos... Porém, nada como um dia atrás do outro
e uma noite no meio.
Particularmente
temos agendas para os lançamentos de livros do escritor e jornalista Fernando
Valões, entrevista na Rádio Cidade e pente fino no tema que será discutido em
Maceió na Bienal. Provavelmente não teremos crônicas entre a próxima terça e a
sexta-feira, nas arrumações para essas agendas. Segunda-feira, traremos a
cidade de Ouro Branco como sequência de um município sertanejo por semana em
nossos trabalhos. Vamos curiando esse tempo do mês de julho, talvez o mais
aguardado do ano que é ele o maestro inquestionável do nosso calendário.
AMANHECER
EM SANTANA DO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.