SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
BIENAL, SUCESSO E BÊNÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 15 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.94? Estamo...
BIENAL,
SUCESSO E BÊNÇÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 15 de agosto de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.94?
Estamos
agradecendo a todos da plateia do nosso debate em mesa redonda, na Bienal. Os
santanenses presentes, muito nos honraram. Mas não só os santanenses inúmeros
sertanejos da nossa região, maceioenses e pessoas outras. E uma sala lotada com
as mais ilustres pessoas que ficaram atentas até o final do debate de duas
horas de duração, beira o maravilhoso. O debate a três era sobre o livro “Lampião
em Alagoas”, Cada um dos palestrantes abordou um tema do cangaço, ficando para
mim a parte em que os Ferreira agiram em Alagoas, antes de Virgulino se tornar
o Lampião. O companheiro Marcello Fausto falou sobre parte da vida do coronel
José Lucena de Albuquerque Maranhão, comandante do Batalhão de Polícia sediado
em Santana do Ipanema, cujas volantes deram cabo do famigerado “Rei do Cangaço”.
O
outro companheiro Inácio Loiola discorreu sobre o período de Lampião em Sergipe
e as influências dos coiteiros. Além de uma plateia extremamente atenciosa e
educada, teve ainda uma segundo e importantíssima festa no encerramento do
debate: A alegria do encontro entre os familiares presentes, abraços, força e a
satisfação interior entre todos pareciam não ter fim e que não nos deixaram
atender muito mais conhecido, pois um segundo debate iria haver com outros
participante na mesma sala e estávamos no limite do tempo. A denominada mesa
redonda, foi mediada pelo companheiro Malta, do blog Malta Net. Afinal, um
livro nosso vai ser lançado na Bienal, elaborado a seis mãos, onde participarão
dois dos três autores: os amigos Elgídio, e João Neto Félix, porém não irei
participar, aguardando para o lançamento em Santana do Ipanema.
E
para relaxar após o debate do nosso livro “Lampião em Alagoas”, fomos para o “Gelato
Borelli” e complementar no Marco dos Corais. Já no domingo pela manhã, ainda
sem cair a ficha, fomos a um tour pelo bairro nobre da Gruta, mas não chegamos
a visitar a Gruta de Lourdes, onde havia a fonte milagrosa. Lembrando a euforia
do evento, com tanta gente querendo conversar, nem pude dar um abraço nos dois
ex-prefeitos presentes, do nosso Sertão. A nota atribuída à palestra, pelos
nossos conhecidos, foi 10 e o conceito excelente. Continuamos gratos pela
atenção dos que foram nos prestigiar e dividir conosco esse tão significativo
evento.
Orgulho
em ser sertanejo!
ALGUMAS
FOTOS ACIMA DA CRÔNICA
TEMA DA BIENAL Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.943 Virgulino Ferrei...
TEMA DA BIENAL
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.943
Virgulino
Ferreira e irmãos, durante suas desavenças com a vizinhança, em Pernambuco,
veio com os pais morar em Alagoas, em 1918. Aqui chegando, foram morar em Água
Branca, no sítio Olho d’Água. A família viera a convite do parente Antônio
Matilde que viera antes, também fugindo de Pernambuco. Acontece que a 1 km de
onde ficaram morando, viviam os cangaceiros mansos, irmãos Antônio, Manoel e
Pedro Porcino. Como os semelhantes se atraem, logo os Ferreiras estavam
entrosados com os Porcino, reforçando aquele bando com mais Antônio Matilde e
Marin, cunhado de Virgulino que também estava em Alagoas visitando Matilde. O
bando de Antônio Matilde, acolheu os irmãos Ferreira e os Porcino também, às
vezes atuando jutos e outras vezes separados.
Virgulino
e irmãos atuavam no bando de Antônio Matilde, indo também a Pernambuco com ele,
onde praticavam roubos e arruaças. Outras vezes saiam com os Porcino que
assaltavam estradas. Virgulino ficou trabalhando com o Coronel Juca, em Mata
Grande, onde cuidava dos cavalos. Entre uma folga e outra, andava pelas feiras
da Pedra, de Mata Grande e de Água Branca, fazendo arruaças, outras vezes
juntos aos Porcino, peal região, inclusive no atual Ouro Branco. Assim, entre
arruaças com os irmãos, o bando dos Porcino e o bando de Antônio Matilde, os
Ferreira iam cometendo seus absurdos em terras alagoanas. Donos de terras de
Pernambuco vieram se queixar ao juiz de Água Branca, de roubos de Virgulino em
suas terras.
No
fórum, diante das provas dos queixosos, Virgulino, na frente do juiz, puxou um
longo punham rasgou os documentos apresentados, botando o homem para correr.
Correu também. O juiz mandou o delegado prendê-lo e declarou os Ferreiras
bandidos. Houve muitos tiroteios, mas não conseguiram prender Virgulino.
Muitos desses acontecimentos com detalhes vão
ser apresentados na Bienal, dia 12, das 14 às 16 horas, sala Mangaba em mesa
redonda, quando debateremos “Lampião em Alagoas”, eu e meus dois companheiros
escolhidos.
Esperamos
a sua presença no debate sobre o único livro que fala totalmente em Lampião nas
Alagoas. Vamo-nos conhecer, trocar gentilezas, autógrafos e experiências
positivas.
FURANDO O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.942 Difícil era se d...
FURANDO O TEMPO
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.942
Difícil
era se deslocar do Sertão para Palmeira dos Índios e Maceió. Qualquer coisa que se precisasse em Palmeira
dos Índios, a viagem seria feita através de caminhão, ou na boleia ou na
carroceria igual a qualquer amontoado de algodão, de suínos ou de carvão.
Enfrentar uma estrada poeirenta e esburacada no verão e cheia de atoleiros no
inverno, era coisa humilhante e sem esperanças. Houve época que para se chegar
a Maceió, após o caminhão até Palmeira dos Índios, dormia-se ali em qualquer
hotel e, pela madrugada, ainda no escuro da cidade sem luz, procurava-se a
estação do trem para embarcar e partir via – cidade de Viçosa. E olhe que já
era um relativo conforto, pois antes do trem em Palmeira, fazia-se o trajeto
sertão até Viçosa a cavalo para dali embarcar no trem até a capital.
Quando
o asfalto chegou a Palmeira dos Índios (o primeiro do estado) no início dos
anos 50, Surgiu também em Santana do Ipanema, uma ônibus, chamado naquela época
de “sopa”, e cujas bagagens viajavam no teto da sopa, parte externa, cobertas
por uma lona. Em Maceió o ponto final acontecia no famosíssimo “Hotel Lopes”,
vizinho a antiga praça da Faculdade de Direito. Em Santana do Ipanema, pontos
de saídas e chegadas eram diante da Igrejinha de Nossa Senhora Assunção (Bairro
Monumento) e na Pracinha do Centenário (Centro) onde havia uma bomba de
gasolina, três bancos sem encostos e um obelisco.
Mas
em 1951, a estrada de rodagem do governo havia cruzado Santana do Ipanema, rumo
ao Alto Sertão. Aproveitando a primeira ponte sobre o rio Ipanema, foi
construída uma barragem tendo como paredão a parte de baixo da referida ponte.
A barragem serviria para abastecer Santana que ainda não dispunha de água
encanada. Quando os operários (cassacos) do DNOCS – Departamento Nacional de
Obras Contra a Seca, terminaram a obra, muitos deles, de fora, quiseram
permanecer na cidade, no acampamento. Surgiu assim do acampamento, o Bairro
Barragem que ainda hoje permanece com esse nome. Surgiu, muitos anos depois, um
filho da Barragem, por trás do casario ao longo da rodagem, a que o povo
denominou de Bairro Clima Bom. Do outro da rodagem que era desabitado, surgiu
um complemento moderno e bonito do Bairro Barragem que até poderia ter recebido
um nome novo de bairro.
Nenhum
escritor registrou essas histórias, infelizmente. A propósito, os cassacos do
DNOCS, ganhando pouco, diziam, soletrando e interpretando a siga da repartição:
“Deus não olha cassaco sofrer”.
PARTE
NOVA DO BAIRRO BARRAGEM MARGEANDO O RIO, VISTA DE LONGE (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.