SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
OLHO D’ÁGUA DO CASADO Clerisvaldo b. Chagas, 28 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.952 Quem vai ...
OLHO
D’ÁGUA DO CASADO
Clerisvaldo
b. Chagas, 28 de agosto de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.952
Quem
vai de Delmiro Gouveia em direção a Olho D’Água do Casado, atravessa longa
planura quase deserta, pela AL-225 e chega ao destino com a mesma planura, em
cerca de 20 minutos de estrada. Bem vizinha à Piranhas, Olho D’Água do casado
também é conhecida como a terra do caju e até possui festa relativa. Com pouco
mais de 8.000 habitantes, sua denominação vem de uma fazenda com uma conhecida
minação (olho d’água) em terras de um cidadão que tinha “Casado” no sobrenome.
O lugar cresceu com acampamento de operários da Hidrelétrica de Xingó e se
emancipou do município de Piranhas. Seus habitantes são denominados
“casadenses” e vivem sob a proteção do padroeiro São José. Sua localização é
bem próxima ao rio São Francisco, perto da hidrelétrica e atrativo de balneário
no “Velho Chico”.
Localizado
a 286 metros de altitude, Olho d’Água do Casado, estar ligado definitivamente
com a movimentação cotidiana de Piranhas, pela sua grande proximidade. Da sua
espécie de entroncamento, se avista o retão, tanto para Delmiro Gouveia, por um
lado, quanto para São José da Tapera, por outro. A agricultura e pecuária é a
tradicional do sertão, com destaque para o cultivo do caju, como já foi dito. O
turismo ainda não tem a fama da sua vizinha Piranhas, porém tem potencial para
o crescimento com parte dos cânions, sítio arqueológico e paisagismo sertanejo
– franciscano, do rio. Entre as festividades, destacam-se a festa do padroeiro,
as festas juninas, a da Emancipação (21 de setembro) e do caju, em novembro.
Quem
vai para Delmiro Gouveia por São José da Tapera, costuma dar uma paradinha em
Olho D’Água do Casado para um lanche que ajuda na inspiração da travessia na
planura até Delmiro e que pode conhecer no trajeto o Canal do Sertão, mais de
perto. Para quem gosta de cangaço, a vizinha Piranhas oferece viagem até a Grota
dos Angicos, onde aconteceu o fim do banditismo, mas, dali do Olho D’Água, saiu
um o cangaceiro mais valente do cangaço, apelidado Meia-Noite, segundo
pesquisadores. Estando na capital, a melhor opção para se chegar a Olho
D’Água do Casado é via Arapiraca, Bacia Leiteira, Olho d’Água das Flores,
(entroncamento) São José da Tapera e retão ao destino.
É
muito bom conhecer a cidade, vamos!?
PARCIAL
DE O.D. CASADO (ADALBERTO GOMES)
MACACO-PREGO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.951 Quando o senhor Si...
MACACO-PREGO
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de agosto de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.951
Quando
o senhor Silvano mantinha um macaco-prego engaiolado em gaiola de ferro, diante
do seu estabelecimento de serviços, servia de curiosidade e distração aos seus
clientes. No lugar chamado “Firminão” – saída de Santana do Ipanema para Pão de
Açúcar – o símio era valente, estressado e tanto se masturbava quanto avançava
em quem com ele mexia. Era de fazer pena, um bicho enjaulado onde mal cabia o
próprio macaco. Isso fazia pensar se aquele era o último macaco sertanejo de
Alagoas, pois, do seu parente o saguim, tínhamos notícias sobre sua existência
em reserva ecológica, próxima. Inclusive, o macaco do Silvano foi motivo de
peça de cordel, por cordelista das proximidades. O caso está com alguns anos e
não sabemos onde foi parar o (Sapajus flavius).
A
descoberta recente da existência de um bando de macacos-pregos-galegos, numa
Unidade de Reserva do nosso Sertão, pelo IMA, traz uma certa alegria às pessoas
que se preocupam com a conservação da Natureza. Uma Natureza belíssima semeada
pelo Criador e destruída pelo homem. A onça já foi, o tamanduá, o veado
galheiro, o lobo-guará, a preguiça... Ficando apenas os que tentam resistir
como a cobra, o preá e a raposa...
Portanto, uma notícia dessa trazida por órgão oficial, da existência do
macaco-prego-galego, não deixa de ser uma esperança de que mesmo tarde, da
reação protetiva dos humanos, é melhor de que nunca. Não é o bastante uma
vigilância efetiva nas Unidades de Conservação, mas uma consciência coletiva no
entorno para reforçar a segurança dos bichos, comidas e assistência veterinária
Os
macacos gostam de viver em bando, possuem organização e lideranças.
Alimentam-se de frutas e gostam de comer coquinhos, tipo Ouricuri, que quebram
com uma pedra à semelhança de um ser humano. O nome macaco-prego vem da
constante ereção do pênis.
Quando
entram em roçado de milho costumam roubar espigas organizadas em atilhos.
Enquanto fazem esse serviço, é escalado um vigia, cujo descuido na vigilância
leva castigo do bando. Lembram-nos um macaco-prego acorrentado na feira de
Santana que fazia acrobacias e vários mandados do seu dono, para ganhar dinheiro.
Mais tarde soubemos que pelos mal tratos, o primata assassinou o seu algoz, com
uma facada, pelas costas, na zona da Mata. É isso, este não suportou mais tempo
pela chegada da lei dos humanos. Não soubemos, porém, o seu destino após a
vingança peculiar de um bicho escravizado.
MACACO-PREGO
(FOTO: TRIPADIVISOR).
MARTÍRIOS Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.950 Bem no centro de Ma...
MARTÍRIOS
Clerisvaldo
B. Chagas, 24 de agosto de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.950
Bem
no centro de Maceió, a Igreja dos Martírios, popularmente conhecida, tem como
padroeiro o Bom Jesus dos Martírios. Por
ficar defronte a uma grande praça, esta também passou a ser denominada pelo
povo de Praça do Martírios. E o antigo Palácio do Governo, do outro lado da
praça, repetiu a tendência geral: Palácio dos Martírios. Conheço aquela igreja,
por fora, desde o tempo de criança, mas a alguns anos, vinha notando um certo
abandono na limpeza que muito me incomodava. Hoje no interior de Santana do
Ipanema, vejo noticia na mídia da sua restauração completa, o que vem
acontecendo no período de três anos, segundo reportagem. A Igreja dos Martírios foi construída no
século XIX e é o mais luxuoso templo de Maceió. Com milhares e milhares de
azulejos portugueses, dizem que é única no Nordeste.
O
terceto acima é a história e o testemunho da história de decisões e desenrolar de
lutas e mais lutas naquele quadrado de terras. Lembro-me, inclusive, de uma
decisão do, então governador Osman Loureiro, citado em nosso livro “Lampião em
Alagoas”. Chamando o coronel José Lucena Albuquerque Maranhão, ao palácio, o
governador exigiu desse comandante do 70 Batalha de Polícia, sediado
em Santana do Ipanema para combater cangaceiros, 30 dias para acabar com
Lampião. Getúlio Vargas, havia dado o prazo de 60 dias aos governadores. A
primeira coisa que Lucena fez após o rigor da ordem, foi sair acabrunhado do
palácio e se dirigir diretamente à Igreja dos Martírios, pedir ao Bom Jesus,
luzes para cumprimento da missão.
Em
menos dos quinze dias estipulados, Lucena entregava a cabeça de Lampião, Maria
Bonita e mais 11 sequazes, ao comando geral, em Maceió.
Com
a conclusão da igreja restaurada, vibra a capital e o estado com o feito
determinante, necessário e infinitamente relevante para o povo católico, devoto
e abrasador das Alagoas. Quantas e quantas vezes tirei foto daquelas torres
ocupadas pelos pombos elegantes dos arredores! Praça de batalhas e batalhas sem
conta do SINTEAL contra a tirania de dirigentes palacianos sobre política
salarial dos servidores!
Parabéns
a quem merece, pela restauração total! Acabou o martírio dos Martírios.
IGREJA
RESTAURADA (FOTO: ADAILSON CALHEIROS/TRIBUNA DE ALAGOAS)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.