SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O MILAGRE DA PEDRA Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2024. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.061 Ainda militá...
O
MILAGRE DA PEDRA
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2024.
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.061
Ainda militávamos na AGRIPA – Associação Guardiões
do Rio Ipanema, quando fomo a Capelinha, povoado de Major Izidoro localizado à
margem também do rio Ipanema. Foi ali que uma senhora de outra religião não
católica, nos levou ao rio para fotografarmos as paisagens dos arredores.
Ficamos impressionados com uma igrejinha à margem do rio, cercada de pedras
caiadas de branco, assim como a do pequeno e bem cuidado edifício. Perguntamos
sobre a capelinha que virou nome do povoado e a senhora nos respondeu que a
capela é um monumento à Virgem Maria por um milagre acontecido naquele lugar.
Aliás, já contamos esse fato em outra crônica de mais de cinco anos atrás.
Entretanto, como estávamos revisando o nosso álbum, a capelinha voltou a tocar
no coração e veio para o leitor.
O rio Ipanema botara uma cheia. Estava de toda
largura com suas águas violentas. Ali
perto, uma senhora lavava roupa e sua filha pequenina brincava por perto. Caiu no rio e as águas a levaram. Grande
desespero para a mãe aflita. A vizinhança tentava ajudar procurando a vítima e
nenhum sinal encontrava. Muita gente dava o caso como perdido, pois apenas um
milagre salvaria a garota ou faria encontrar o corpo sem vida naquele trecho.
Abro um parêntese para dizer que até que existe diferença da narrativa anterior, porém,
a essência está aqui. Passaram-se cerca de três dias – posso estar errado – O Ipanema
baixou, novas tentativas de achar o corpo da garota foram feitas. Então, o
milagre havia acontecido: Foram encontrar a menina, vivinha da silva, dentro de
um loca de pedra sob as águas.
Pensem na alegria da mãe e do povo ao encontrar
a menininha, viva. Indagaram a garota como fora parar ali na loca. Ela disse
que fora uma mulher que a pegara e a colocara ali. Dias depois, ao ver uma
imagem de Nossa Senhora, disse a sua mãe (da menina: “Foi essa a mulher que me
colocou dentro da loca”. O povo ergueu, então a capelinha e o lugar ficou por
nome de Capelinha. Hoje é um povoado grande e famoso de Major Izidoro. O rio
Ipanema naquelas imediações tem muitas pedras e nas cheias mais moderadas forma
corredeiras. A capelinha do rio Ipanema, virou lugar de romaria de alto apreço.
CAPELINHA DO MILAGRE (FOTO: (B. CHAGAS).
SANTO ANTÔNIO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.060 Essa era mais mode...
SANTO
ANTÔNIO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.060
Essa era mais moderna em que estamos
vivenciando, mudou inúmeras coisas regionais e no mundo inteiro. Ontem, véspera
de Santo Antônio, um dos santos mais queridos e apreciados do Nordeste Brasil,
não houve aquela animação costumeira do passado, em nossa cidade. Porém, houve foguetório
e animação em sua igreja no Bairro Floresta desta cidade. A igreja de Santo
Antônio fica localizada entre o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo e o
início da rua principal. Quase sempre encontramos o templo fechado, mas no dia
do padroeiro do bairro, tem bastante movimento com as programações organizadas
por alguns moradores. A igreja de Santo Antônio ainda não ficou independente,
faz parte da paróquia de São Cristóvão que tem sede no bairro Camoxinga.
Os grandes entendidos do assunto, dizem que
Santo Antônio é o santo de maior prestígio no céu. Nos festejos juninos de
décadas atrás, havia muitos movimentos relativos ao Santo, no cenário da
tradicional fogueira montada na porta de casa na cidade ou nos amplos terreiros
das fazendas. Além de alguns rituais de tradição realizados pelos populares na
própria fogueira ou no seu entorno, havia também outras formas de crenças que
não dependiam da fogueira. Olhar se via o próprio rosto numa bacia com água,
para ver se no ano seguinte ainda estaria vivo.
Enfiar uma faca no tronco da bananeira para retirá-la depois com o nome
do futuro marido ou mulher, escrito na folha. Roubar o santo e colocá-lo de
cabeça para baixo para fazer pedido, além de outros tipos de tradições que
remontam de séculos passados
Notamos intensa alegria nas mulheres devotas de
Santo Antônio. Até parece que todas as mulheres católicas do Nordeste são
devotas do chamado Santo Casamenteiro. E sobre a devoção religiosa do povo
santanense, têm ruas com nome de santos por todos os lugares, inclusive, um
núcleo habitacional novo e muito pobre que se formou no sopé do serrote do
Gonçalinho e que recebeu popularmente o nome de Santo Antônio, mas não sabemos
se é bairro oficial ou não.
Santo Antônio rogai por nós.
SANTO ANTÕNIO (DIVULGAÇÃO).
RIACHO TEM FORÇA Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 305?? É conversando c...
RIACHO
TEM FORÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 305??
É conversando com um amigo perto de casa, que
vamos falando do progresso das últimas décadas na região. Focamos a força dos
riachos que parecem insignificantes, mas durante certo período como agora dava
dor de cabeça em transeuntes. Um deles era o riacho Salgadinho que nasce na
Reserva Tocaia e escorre para o rio Ipanema. Com, no máximo 2 km de extensão
divide os bairros Floresta e Domingos Acácio. Despeja no poço do Juá, parte
mais larga do Ipanema no seu trecho urbano. Quase inexistente no verão, valente
no inverno impedindo o tráfego entre os dois bairros. Teve pequena ponte
construída por Adeildo Nepomuceno e depois alargada por Isnaldo Bulhões, ambos,
então, prefeitos. A ponte foi um fator de importância de desenvolvimento
daquela parte da urbe.
Outro riacho, inúmeras vezes mais encorpado, é
o João Gomes (tipo de beldroega) que agia do mesmo modo ao cortar a antiga
rodagem Santana do Ipanema – Olho d’Água das Flores. Os mascates que
transitavam por ali no tempo de inverno, juntamente com aqueles habitantes
rurais, muito sofriam quando o rolo d’água do riacho cortava a estrada
principal. Havia muito malabarismo de pessoas que procuravam atravessar outras
pessoas e mercadorias na passagem através de cordas. Ficavam parados à margem
do João Gomes, dezenas de caminhões de mascates, carros pequenos, carros de
bois, cavalos, jumentos, burros e habitantes a pé. A ponte ali construída
permitiu a evolução regional, porém, continua a mesma ponte que nunca foi
alargada para servir ao asfalto que chegou.
O outro riacho totalmente santanense é o
Camoxinga que deu origem ao nome do maior bairro da cidade e que se desdobrou
em outros. O riacho vem do sítio Pinhãozeiro com nascentes em serra e escorre
em rumo da cidade onde despeja no rio Ipanema também no poço do Juá, margem
oposta do riacho salgadinho. O seu percurso na zona rural até parece não
existir em tempo seco, porém, em épocas de chuvas o riacho se agiganta e leva
tudo que encontra pela frente dentro do seu leito. Já carregou muitas pontes de
madeira na sua foz. A última, feita em concreto, ainda tem o seu vão estreito
apesar de ter sido alargada em gestão Isnaldo Bulhões. Estar precisando de obra
de engenharia para modernizar o vão e entrar no Século XXI.
RIACHO CAMOXINGA, QUANDO MANSINHO.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.