SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CARRINHO DE CARNEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.063 O carrinho ...
CARRINHO
DE CARNEIRO
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.063
O carrinho de carneiro no Sertão de Alagoas,
tendo iniciado por algum artesão amoroso, caiu no gosto popular e se expandiu
no semiárido. O que era apenas brincadeira curiosa de um artífice, hoje já se
mostra até como carros de carneiro profissionais. Muitos carreiros aproveitam
as festas de carros de boi de várias cidades sertanejas para exibirem seus
carros de carneiro que se apresentam cada vez mais sofisticados. Todos os
arreios usados tradicionalmente pelo boi de carro, estão agora sendo usados
também pelos carneiros de carro. É a testeira desenhada, é o sininho, é a canga
bem ornada, deixando os carneiros com respeito de bicho grande. O carro não é
mais tão simples, colocam até cargas como se fossem um castelo e disputam em
beleza e criação com os gigantes carros de boi.
A brincadeira inicial de carro de brinquedo,
agora virou carro profissional na fazenda de que o possui. Faz os mesmos serviços
do carro de boi e já existe o aumento de volume e de peso para essas pobres
criaturas carregarem. Assim vimos transporte de capim (figura abaixo) de palma
forrageira, de madeira, de produtos da roça... E tudo isso caiu na rotina
sertaneja, na normalidade que precisa ser acompanhada por autoridades
responsáveis pelo bem-estar dos animais. Não sabemos dizer se existe vara de
ferrão, limite de peso e horas trabalhadas com os carneiros, isto é, o que nos
parece bonito e mimoso pode estar sendo usado por mãos erradas, embora o dono
de carro de carneiro, geralmente seja amoroso com seus animais e grande
zelador.
Difícil é você comprar um carrinho de carneiro,
porque o dono se apega ao conjunto. Os carneiros que ele treinou desde novinhos
quase como borregos, o amor crescente com o tempo e a lida e ainda com a arte
do mestre artesão que fez o carrinho. Também não temos hoje uma avaliação de
venda nem de um carro de boi e nem de um carrinho de carneiro, com os animais e
sem os animais. Você pode apreciá-los melhor nas festas que envolvem carro de
boi em Inhapi, Poço das Trincheiras e São José da Tapera, onde os carrinhos
desfilam causando admiração e carinho de todos.
Ê Sertão de meu Deus!
CARRINHO
DE CARNEIRO (FOTO DE AUTOR NÃO IDENTIFICADO).
É HOJE Clerisvaldo B. Chagas, 20 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.063 É hoje o início oficial d...
É HOJE
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.063
É hoje o início oficial do inverno em nosso
hemisfério. Isso significa dizer que ontem madrugada, em Santana do Ipanema
chegou a 19 graus e que tudo levar a crer em temperaturas muito mais baixa no
inverno que ora começa. Para o nosso costume em 27 – 39 quando desce alguns
grauzinhos é uma tortura. 23 graus em nosso Sertão, pouca gente acha bom, mas
abaixo de 20, somente couro de sapo aguenta. Somos um bioma de temperaturas
médias e elevadas, se fica frio demais, até a lavoura sofre tanto que se perde.
E se perde no frio, no excesso d’água, nos surgimentos de lagartas. Mas todos
sabem por aqui sobre o frio de junho que é apenas um ensaio para julho e a primeira
quinzena de agosto.
Os barreiros açudes (barragens, represas) estão
cheios, o mato muito verde, pasto por todos os lugares para o bem-estar animal,
terra pedindo semente e festas por tudo quanto é lugar. Foi em um inverno assim
em 1938, que as forças volantes de Alagoas surpreenderam Lampião acampado na
Fazenda Angicos, em Sergipe. Os soldados reclamavam do frio intenso de julho e
bebiam muita cachaça para amenizar a coisa, mas também para dá coragem no
enfrentamento que se avizinhava. Saiu uma frase típica sobre esse tempo de
julho em Santana do Ipanema, quando um dos soldados narradores do fato acima
disse “que era um frio de matar sapo”. E tem dias em Santana que é assim em
julho e agosto: “frio de matar sapo! ”. Mas estamos agora somente no ensaio.
X
A propósito, sobre a crônica anterior ficou
faltando uma das três coisas anunciadas acontecidas na CARSIL. Foi o
funcionamento da Biblioteca Pública Municipal, que havia saído do Comércio,
sobre a loja de tecidos “Casa Esperança”, de Benedito V. Nepomuceno (auge da
cultura) para o primeiro andar da Cooperativa Agropecuária de Santana do
Ipanema. Anos à frente a biblioteca pública voltou a funcionar na CARSIL,
porém, no térreo ao longo marginal do beco.
O CHARME DO INVERNO (FOTO: B. CHAGAS)..
CARSIL Clerisvaldo B. Chagas, 19 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.062 Entre os edifícios sant...
CARSIL
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.062
Entre os edifícios santanenses, também
encontramos casarões fora do Quarteto Arquitetônico do Monumento e do Quinteto
Arquitetônico do Comércio. Um deles é o simpático prédio da Cooperativa
Agropecuária de Santana do Ipanema – CARSIL. Fundado em 1942, ainda hoje
resiste ocupado e prestando os mesmos serviços aos seus associados. Edificado à
Avenida Coronel Lucena – a principal da cidade – fica defronte à prefeitura. Tem
a sua fachada imponente com um primeiro andar e um corpo longo no térreo que
margeia um beco longo e vai até à via de trás, Avenida Nossa Senhora de Fátima,
onde tem os fundos. Foi naquele belo monumento e no primeiro andar onde três coisas
importantes aconteceram em Santana do Ipanema.
Foi ali que funcionou o serviço de divulgação
da prefeitura no governo Hélio Cabral, “O prefeito Cultura”.1956-60. Eram os
primeiros passos do rádio em Santana. Apresentava à população as notícias da
prefeitura e mesclava com páginas musicais com intérpretes como Luiz Gonzaga,
Ivon Curi, Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto e outras feras da música. Em
várias partes estratégicas da cidade, havia um poste com um autofalante com
essa finalidade, como por exemplo: Um no Bairro São Pedro defronte a fábrica de
calçados do senhor Elias; um na cornija do “sobrado do meio da rua”, Comércio;
e outro defronte à Escola Ormindo Barros, no Bairro Camoxinga, logo no início
do beco defronte. Dar para lembrar que o locutor era o senhor José Pinto Preto
e se não estiver enganado, também Darras Noya.
Foi no primeiro andar da CARSIL onde nasceu
oficialmente o clube futebolístico Ipanema, suas cores, sua sigla, seus
estatutos, criados em 1954. Estas informações são raras para as novas gerações
que possuem apenas uma fonte registrada em livro: “230 Iconográficos aos 230
anos de Santana do Ipanema”, da nossa autoria. E todos nós passamos todos os
dias na calçada da Cooperativa sem perceber a singularidade do prédio ou a
fonte de tantas histórias reais e belíssimas sonhadas e realizadas ali. Sua
calçada de boa largura, infelizmente serve hoje de ponto de moto táxis. Não dá
nem para ver e refletir sobre sua existência, sua arquitetura e sua história.
CARSIL EM 2013. (FOTO: 230 ICONOGRÁFICO/ B.
CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.