A PEDRA DO SAPO Clerisvaldo B. Chagas,14   de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3475     A Pedra do ...

 

A PEDRA DO SAPO

Clerisvaldo B. Chagas,14  de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3475



 

 A Pedra do Sapo não poderia ter ficado fora do   romance histórico  e urbano AREIA GROSSA. Até  porque a pedra faz parte de periferia  do centro da história. Seu título é secular e escorregou pelo tempo até chegar aos habitantes da orla.Com cerca de três metros de altura, em forma claríssima  de sapo sentado, estava sempre ali à margem direita  e imediata do rio Ipanema. A duzentos metros   abaixo da travessia do rio seco, definia para nós a intensidade das cheias periódicas do  Ipanema. As águas poderiam chegar até aos seus pés, subirem até o meio ou cobri-la completamente. Quando as águas baixavam a pedra do sapo revestia-se de um limo que a deixava definitivamente negra. Nós, os meninos, subíamos para o seu cocuruto como lagartixas.

A pedra não foi contemplada com a pintura de sapo do artista plástico e funcionário público Luís Dantas. Mas ele assim o fez em outra pedra semelhante e menor que havia na sua chácara à margem da AL-120, no sítio Barriguda. Todos os passantes param diante da cerca para fotografar o sapo de pedra. As sucessivas gestões municipais, não têm olhos para o potencial turístico existente. E a Pedra do Sapo do rio Ipanema, no final do século XX, ganhou oratório  no topo e escadaria de concreto como promessa do cidadão  Zé Preto Manganheiro, morador da Rua São Paulo. Tudo à semelhança da Pedra do Padre Cícero, em Dois Riachos. Entretanto, não demorou muito, o oratório foi saqueado e o santo da promessa desapareceu. Ficou no local somente a estrutura.

Foi por tudo isso que Júlia Rainha, a protagonista fictícia do  romance AREIA GROSSA,  foi queimar suas panelas de artesã na Pedra do Sapo. Ali ficava seu forno de queimar panelas às sexta- por feira. Na subida do Minuino, travessia do rio, mais acima, os oleiros queimavam tijolos e telhas  nas suas caieiras belas no ventre das noites mais escuras. E a pedra do sapo, que ainda não foi cobiçada pelos quebradores e comerciantes de rochas, vai sobrevivendo aos séculos, às eras, aos tempos, mesmo que carregue agora no seu topo um oratório vazio e uma escadaria de concreto. Já está imortalizada  no romance AREIA GROSSA.

 



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