O HOMEM TEIÚ Clerisvaldo B. Chagas, 23 de setembro de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.113   O lagarto Tiú, T...

 

O HOMEM TEIÚ

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de setembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.113



 

O lagarto Tiú, Teiú ou Tejo, é muito inteligente, quase sempre ganha as brigas com as cobras e, sua carne com sabor galinha, é muito apreciada pelo sertanejo. Gosta de tomar o Sol da manhã esparramado nos lajeiros. Numa briga com a cobra, ao se sentir picado, abandona rapidamente a luta, vai morder uma batata contraveneno e retorna ao embate. O Tupinambís, assim como o Cágado ou Jabuti, já foram muito caçados e vendidos, principalmente para os farristas dos anos 60 em Santana do Ipanema. Com a caça proibida volta o fôlego a esses importantes animais da fauna nordestina.

Em Santana do Ipanema, entre os fundos das casas comerciais e o rio Ipanema, morava a família dos Biu. Pobre e amundiçada viviam principalmente de esgotar fossas e realizar os serviços mais sujos da “Matança”, assim chamado o lugar aberto de abate de bovinos. Diziam que comiam de tudo, cães, gatos e vísceras de animais. Dormiam em amontoados e os parceiros sexuais pertenciam a mesma família, pai com filha, mãe com filho e assim por diante. Isso são histórias contadas pelo povo. Entre os Biu, surgiu a figura carismático de um caçador de Tiú. Homem esmolambado, aparentando 60 anos, tinha as feições agradáveis e de aspecto permanentemente alegre. Era sempre visto entre o Beco São Sebastião (Comércio) e o Mercado de Carne. Usava um bornal velho sebento, tipo aió, onde guardava a caça e procurava comprador. Por onde o homem passava, chovia alegria no povo e vinha cumprimentos por todos os ângulos: “Teiú, Teiú, fala Tiú! Tudo bom, Tiú?”...

Nunca vi uma figura tão popular e querida igual ao caçador Tiú! Quantos e quantos políticos gostariam de possuir aquele carisma do homem esmolambado e paupérrimo que emergia e submergia no Beco São Sebastião! Gradativamente a família Biu desapareceu da terra santanense, provavelmente pelas condições contínuas da miserabilidade, sem médico, sem farmácia, sem dinheiro, sem a misericórdia dos grandes da cidade.  Assim, nem a força simples e carismática de Tiú, foi capaz de despertar solidariedade.

O Beco São Sebastião é repleto de histórias sertanejas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  PRINCÍPIOS DA GEOGRAFIA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Cônica: 3.112   Caso v...

 

PRINCÍPIOS DA GEOGRAFIA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Cônica: 3.112

 



Caso você seja um admirador da Geografia, ama pesquisar sozinho ou em grupo, sem muito compromisso, acostume-se a anotar suas observações que podem ser importantes para outrem. Mas veja que se você observar os princípios desta Ciência, ficará mais fácil alcançar o que procura. Os Princípios da Geografia, isto é, as Leis dessa Ciência fortificarão suas pesquisas. São cinco: Extensão, Analogia ou da Geografia Geral, Causalidade, Atividade e Conexidade.

Extensão – O geógrafo localiza, delimitando em um mapa, a paisagem ou o fato geográfico que deseja estudar.

Analogia ou da Geografia Geral – O geógrafo compara as características da área estudada com as de outras regiões da terra, estabelecendo semelhanças e diferenças existentes.

Causalidade – O geógrafo explica a origem e a evolução das paisagens por ele estudadas.

Atividade – O geógrafo encara a paisagem, em caráter dinâmico, admitindo que ela está em constante mutação.

Conexidade – O geógrafo focaliza o fato estudado, observando as suas conexões com outros fatos e não com fato isolado.

Os autores destes princípios, foram Frederico Ratzel (extensão); Karl Ritter e Vidal de La Blache (Analogia); Alexandre de Humbolt (Causalidade); Jean Brunhes (Atividade, Conexidade). Todos franceses menos Humbolt.

Entretanto, suas pesquisas, individuais, podem alterar a ordem dos princípios, de acordo com seus métodos e sua facilidade de compreensão, contanto que as leis sejam aplicadas, para mais segurança e credibilidade.

Estamos fora das atividades geográfica, porém, surgiu um caso a ser estudado e compreendido no sítio serrano Camoxinga dos Teodósio, em Santana do Ipanema. Ninguém sabe explicar com precisão o que aconteceu. Pelo jeito trata-se de afundamento de terra, surgimento de fontes ou coisas assim. Estamos aguardando uma criatura interessada no fenômeno para nos guiar até ali, onde dizem que o local estar sendo usado com balneário. Só vendo a coisa para estudar o comportamento da Natureza.

Estamos à disposição.

 

PEDRA DOS BEXIGUENTOS NO RIO IPANEMA (LIVRO 230/B. CHAGAS).

 

 

  SERTÃO/HISTÓRIA Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.111   Vê-se na foto...

 

SERTÃO/HISTÓRIA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.111

 



Vê-se na foto abaixo, uma cena do sertão nordestino, provavelmente de início dos anos 60. Trata-se da feira livre de Santana do Ipanema, Alagoas, em dia de sábado. O lugar é da maior concentração da feira, mas com certo espaço para o trânsito dos veículos rurais da época, o carro de boi. Era ele quem trazia os produtos do campo para à venda na cidade e vice-versa, notadamente mercadorias mais pesadas que não davam para transporte em caçuás de jumentos, burros e éguas. O grosso desse aglomerado é no Largo da Feira, onde se encontra até hoje o Mercado de Carne e a grande algodoeira que comprava todo o algodão produzido na região, separava o caroço do capulho, vendia o primeiro para o gado leiteiro regional e exportava o capulho em forma de fardos.

A foto histórica de domínio público, mostra ao fundo a serra do Poço, altitude que divide os municípios entre Santana e Poço das Trincheiras. Na parte direita da foto, parte da Algodoeira do saudoso industrial Domício Silva. Na parte esquerda, pedaço do prédio da Mercado de Carne, mercearia destaque entre os outros prédio e beco do Mercado, (não visível) entre o Mercado e a mercearia. O restante são as variadíssimas situações momentânea dos feirantes. Naqueles momentos dezenas e dezenas de carros de boi, aguardavam mercadorias no leito seco do rio Ipanema, ponto principal de estacionamento e espera.

São essas fotos antigas, tiradas por profissionais da época ou por algum curioso amador. O certo é que elas nos ajudam aqui, acolá, a recompor partes da história do Sertão e, particularmente, de Santana do Ipanema. Toda movimentação feireira estar baseada na pecuária e na agricultura com os produtos, feijão, milho e algodão. Esta, a planta industrial que gerava riqueza. E como vivemos esses grandes momentos sertanejos, você pode avaliar se bate ou não a saudade!

PARCIAL DA FEIRA DE SANTANA ANOS 60 (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO/ ACERVO DO AUTOR).