GEOGRAFIA Clerisvaldo B. Chagas, 22\\ de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3334   Montanhas são mont...

 

GEOGRAFIA

Clerisvaldo B. Chagas, 22\\ de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3334

 



Montanhas são montes altos com mais de 300 metros de altitude. No sertão nordestino, especialmente o alagoano, o palavreado geográfico, tem seus termos próprios, locais e cabe ao geógrafo consciente, incorporá-los aos seus estudos. Estamos cheios de exemplos: montanha é alto com mais de 300 metros de altitude e muitas montanhas juntas, formam \uma serra. Mas, o sertanejo, denomina apenas a qualquer montanha, de serra. E se a serra vai de um pequeno monte a 300 metros, é chamada de serrote. Sobre rios, a foz é chamada no sertão de Barra. O amanhecer é denominado, barra do dia. No clima semiárido e desértico, as montanhas são aplainadas pela vento e muitas delas têm o topo, o lombo, suave, fruto desse aplainamento através de milhões de anos.

Encosta são as laterais de uma montanha. Geralmente a montanha tem um declive lateral mais suave e o outro lado, muito vertical, gerando o que chamamos de abismo. Cume, pico, cimo, cocuruto, são as diversas denominações do ponto mais alto da montanha. O costumeiro desgaste das montanhas costuma alimentar, planalto e planície com esses resíduos. As chuvas, as enxurradas, a quentura solar, a mudança brusca de temperatura entre os dias e as noites e os ventos vão desagregando rochas.  Pequenos lagos costumem se formar em topos planos de montanhas e nos vales de rios que escorrem pelas faldas, denominados popularmente de lagoas, mesmo que esses rios sejam periódicos no caso do sertão.

 Entre montanhas costumam surgir o platô e os vales, geralmente férteis, alimentados pela unidade das montanhas e pelos ventos frescos que sopram na altitude. O ser humano habita todos os tipos de relevo, muito embora seja maioria nas planícies. Nas altas montanhas ou nos desertos quentes ou gelados, o homem se adapta às suas características e torna possível o milagre da vida. A montanha não muito alta, é refrigério para os rebanhos domésticos, refúgio para os animais selvagens, pontos de turismo paisagístico, auxiliares de implantação de antenas de comunicação e fornecedor de uma vegetação diferenciada da sua base e arredores, além de atrações místicas em todos os lugares da Terra. Ainda proporcionam esportes de riscos para os abnegados.

MONTANHA NA BAHIA.

 

 

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  CHOCALHO DE BESTA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3333   Ormindo Mont...

 

CHOCALHO DE BESTA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3333

 



Ormindo Monteiro, era contador em Santana do Ipanema. Morava defronte a casa do famoso Juca Alfaiate na Rua Nilo Peçanha, rua da cadeia velha. Eu como criança tinha um medo triste quando meu pai mandava entregar notas fiscais à casa de Ormindo. Medo do contador e da sua mulher. De vez em quando o homem baixinho e franzino aparecia na loja do meu pai onde sempre encontrava rodas de pessoas conhecidas palestrando. Ao ouvir conversa sobre animais que muito come, falaram sobre a égua “que nunca para de comer.” E prova disso era que o chocalho da besta não para de badalar a noite inteira, sinal que ela sempre estar pastando. Aproveitando, dissera o contador que já passara uma noite inteira sem dormir, enrolado num capote, vigiando uma égua para comprovar a teoria. 

Ora quem iria se passar para isso? perder uma noite de sono para ouvir chocalho de besta!  Quando tinha algum evento que não levaria a nada, conversas sem futuro ao vivo, no rádio ou na televisão que meu pai não queria assistir, dizia: “Vou perder meu tempo para ouvir chocái de besta!”. Hoje em dia não precisa mais fazer como Ormindo Monteiro, enrolado num capote para escutar. Chegamos em um tempo em que as éguas deixaram o pasto e vieram badalar nos meios de comunicação. É mentira, é conversa mastigada, é conteúdo sem miolo, é gente querendo ser engraçada e, como diria meu professor e depois colega, Ernande Brandão: “E assim sucessivamente”.

Consegui filtrar muito mais de noventa por cento das mediocridades apresentadas porque quem não tem o que dizer é melhor não dizer. Muitos conteúdos sem conteúdos que fazem ranger os dentes, doer a cabeça e desacreditar no mundo, tal discursos de políticos. Demorei muito, mas aprendi como meu pai aprendeu a não mais escutar “CHOCÁI” DE BESTA.