NA SERRA GAÚCHA Clerisvaldo B. Chagas, 1 de janeiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3341   Naquela noite de...

 

NA SERRA GAÚCHA

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de janeiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3341



 

Naquela noite de Natal, mais uma vez subi a serra. Nunca mais tinha ido até ali e fui contemplar o panorama com a atualização da magnífica paisagem. Não, não estou falando da serra gaúcha verdadeira, é apenas uma alusão a ela. Na verdade, fui ao Bairro Isnaldo Bulhões, e subi pelas sua ruas ainda em formação, até o topo dos 316 metros de altitude. E mais uma vez fiquei na dúvida sobre a altura do outro Bairro, Lajeiro Grande, visto como o mesmo nível, de cima do antigo loteamento Colorado. É impressionante as luzes da cidade lá embaixo, os sítios além do riacho João Gomes, completamente iluminados parecendo uma cidade vizinha. Originário de uma granja com mais de dois mil ovos/dia, o lugar chamado sítio Lagoa do Mato, na saída para Olho d’Agua das Flores, transformou-se em bairro de elite como amplamente se vê.

Entretanto, ainda estão faltando duas coisas importantes: uma iluminação decente e o asfalto por cima dos paralelepípedos obrigatórios do início do loteamento. E como a prefeitura resolveu denominar o aglomerado de “bairro” e com ele homenagear o antigo prefeito com o seu nome, Isnaldo Bulhões, cabe-lhe proporcionar então, os benefícios de infraestrutura que lhes são cabíveis. A propósito, o Bairro Isnaldo Bulhões, “a serra gaúcha”, é o extremo Leste urbano e conta com a AL-120, além de hipermercado, casa de construção IFAL, postos de gasolina, restaurantes e inúmeras prestações de serviços nas vizinhança, além do início do anel viário, em construção. Recentemente, trecho da antiga rodagem, daquele ponto até a margem do Ipanema (chamado por dentro), ganhou asfalto e passou a ser opção para se chegar ao Centro Comercial sem passar pela ponte General Batista Tubino.

Essa nova rota beneficia tanto o Bairro Isnaldo Bulhões, quanto os bairros Santo Antônio e Santa Quitéria, até a entrada do sítio Curral do Meio II, onde se encontra a Reserva Sementeira. Uma mudança radical para quem conheceu essa antiga região apenas como zona rural. Afinal de contas, O Natal teve encontro e jantar entre família no cimo da “serra Gaúcha”. Muito bom, muito bom, muito bom.

 

 

 

 

 

  VERÃO Clerisvaldo B. Chagas, 31 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.340   Desde o dia 21 de dezem...

 

VERÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.340

 

Desde o dia 21 de dezembro que estamos vivendo no verão.  E como o final da primavera ainda não notamos muita diferença, pelo menos por enquanto. Os dias são quentes, chegando aos 39 graus e as noites levam a temperatura para 10 e até mais graus de diferença do dia. Na rua é muito quente, dentro de casa, pelo dia, muitas vezes está úmido e frio. As madrugadas chegam aos 23, 24 graus e é preciso até se agasalhar. Ora, essa variação toda não pertence ao histórico tradicional. Pelo jeito, o tempo também resolveu entrar nessas novidades constantes e imparáveis das tecnologias. De modo que as previsões de costume, estão muito combalidas e o simples olhar para os céus não traz com certeza o que se quer saber. “Confiar desconfiando”, parece ser a nova frase sobre o espaço.

Todavia, mesmo contrariando o instinto do homem, as plantas e os animais ignoram a mudança e continuam tranquilamente emitindo os sinais de seca e de chuva com se nunca tivessem sido atingidos, pelo modernismo do tempo. Queremos dizer que não devemos mais confiar em nossas experiências climáticas, mas nos vegetais e animais, sim. E assim vamos fazendo a transição 2025 – 2026, com a ilusão de que as coisas irão melhorar. Porém, você tem que entender que nada mudará se tudo não for iniciado pela mudança do seu interior, dos seu coração, dos seus pensamentos e das suas ações. Eu tinha um ótimo professor de Português e matemática, que costumava citar o jargão: “Errar é humano, permanecer no erro, é diabólico”.

Tempos depois, meu professor errou gravemente no seu trabalho público e chegou à punição. Um choque para nós que o julgávamos um poço de virtudes. Mas não sei informar se o professor continuou no erro. Acho que deve ter pensado no seu próprio jargão. Pois é, 2026, vem aí, nem é mau, nem é bom. Tudo depende das suas atitudes. E até os momentos dessa linhas, não chegou ainda a trovoada de fim de ano e nem de início. Vamos adaptando o vestuário ao tempo quente, mas sobretudo, preparando o interior para receber os dias do Ano Novo e saber como honrar mais esses presentes dos céus.

CÉU DE SERTÃO ALAGOANO, EM 31 DE DEZEMBRO (FOTO: B.CHAGAS)

 

 

  OLHE O TREM! Clerisvaldo B. Chagas 30 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3339   Para quem é nordes...

 

OLHE O TREM!

Clerisvaldo B. Chagas 30 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3339

 



Para quem é nordestino, o orgulho de ver a região crescendo e se projetando no mundo inteiro é coisa fascinante. E entre tantos benefícios acontecendo, escolhemos falar sobre a transnordestina com sua incrível ferrovia Piauí-SUAPE- PECÉM. Quem já viu um trem cargueiro ou nunca viu um, embarca na mesma alegria, no mesmo orgulho, na euforia compartilhada dos irmãos Piauienses, pernambucanos e cearenses, sem dúvida alguma. Depois de extintas, eis que voltam as ferrovia com muito vigor no Brasil para recuperar o tempo ilusório somente de caminhões para o progresso. Estão aí a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina, elevando o país e sendo notícias inacreditáveis no mundo.

Muita euforia na primeira viagem do trem do Piauí a Iguatu no Ceará, transportando um carga de milho, talvez para marcar a simbologia e o histórico ferrífero. De Iguatu para o final destino de Pecém, é um trecho de poucos quilômetros que logo serão vencidos.  É o Nordeste brasileiro fabricando sua própria roupa, sem depender do algodão do Sudeste. Redução drásticas de caminhão nas rodovias, poluindo, desgastando asfalto, causando acidentes. Triunfo da engenharia brasileira com estradas, pontes, pontilhões e cânios artificiais. Ainda a ferrovia Norte-Sul vista como uma miragem, uma mentira, uma coisa impossível nesse país tropical. Imaginem quando estiver funcionando a ferrovia transoceânica, ligando o Brasil ao Peru, o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico! Ninguém no mundo acreditaria que o Brasil fosse capaz do feito.

Ora se o Brasil passou a ser o celeiro do mundo, as ferrovias vão ajudar com agilidade a escoar as nossas riquezas pelos vários portos do País. Gerar milhares de empregos, melhorar renda, reduzir as desigualdades regionais e consolidar o Brasil como o atual centro do mundo. Posso dizer que morreu por muito tempo minha época de trem, contudo, Deus me concedeu em vida, vê o seu renascimento e a elevação do Brasil em grande estilo. Afastando os egoístas, os maus, os alienados, vamos penetrando triunfantes na NOVA ERA, já anunciada há muito neste mundão de meu Deus.

Sou brasileiro!

Sou nordestino!

Sou sertanejo!

Orgulho do Brasil!!!

TREM NA TRANSNORDESTINA (DOVULGAÇÃO)

  A PONTE DA VERGONHA Clerisvaldo B. Chagas, 29 dezembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3338   Penso que des...

 

A PONTE DA VERGONHA

Clerisvaldo B. Chagas, 29 dezembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3338



 

Penso que dessa vez não tem mais como regredir devido ao estágio já avançado da Ponte Penedo (Alagoas) – Neópolis (Sergipe). É o momento em que o Governo Federal vem inaugurando pontes enormes, Brasil afora. Após décadas e mais décadas de espera, de agonia, de descrédito e pedidos, finalmente os políticos resolveram fazer justiça tardia ao mais antigo núcleo populacional de Alagoas. Mesmo assim, com metade das obras já realizada e à vista de todos, ainda surge aqui, acolá um e outro incrédulo: “Será que não ficará como obras inacabadas?”.  Contudo, não dá mais para perder o entusiasmo do evento que vai animando o penedense no dia a dia. E o novo cenário de construção com a estrutura erguida dentro das águas, já é motivo de muitas fotografia para lembranças históricas futuras.

Falam que a entrega da ponte deverá acontecer ainda no primeiro trimestre de 2026. Outros falam que será no final de dezembro do ano de 2026, por isso e por aquilo. Bem, o importante é que você veja os trabalhos avançando sem parar. Ao sairmos da capital Maceió rumo ao rio São Francisco e Sul do País, ao passarmos pela cidade de Arapiraca, mais na frente, em São Sebastião, a rodovia se bifurca. Sua continuação chega até a cidade de Porto Real de Colégio, onde foi construída a ponte Alagoas – Sergipe (Propriá). Se em São Sebastião você partir pela esquerda, na bifurcação, irá direto para Penedo e contemplar ainda a construção da Ponte da Vergonha, segundo um amigo meu. Oportunidade para os que gostam de acompanhar grandes obras.

Vale salientar, entretanto, que a cidade de Penedo, não fica exatamente na foz do rio São Francisco. Na foz mesmo do rio, quem fica é a cidade de Piaçabuçu, mais abaixo do que Penedo e Ponto Extremo Sul de Alagoas. Isso que dizer que, de primeira, essas cidades das imediações de Penedo, serão as mais beneficiadas como: Piaçabuçu, Feliz Deserto e Coruripe. ´´E verdade que o impulso para o progresso da região do Baixo São Francisco em ambos os estados deverá dar um salto muito grande em empreendimento e qualidade, mudando toda a velha estrutura do tráfego em barcaças e canoas. Quanto, especificamente, a Penedo,

 parece que vai voltar a ditar as ordens dos primórdios de quando mandava no estado.

OBRAS DA PONTE DE PENEDO, EM ANDAMENTEO (FOTO:

  FAZ QUE EU TE AJUDAREI Clerisvaldo B. Chagas, 26 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3337   Quem é ...

 

FAZ QUE EU TE AJUDAREI

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3337



 

Quem é da minha idade que já ouviu falar em Seu Fulgêncio? (Nunca ouvi nome igual). Entre oito e dez anos de idade, pude desfrutar da leitura, no Grupo Escolar Padre Francisco Correia, que falava em Seu Fulgêncio. Nem lembro do autor do livro de leitura, mas havia uma página descrevendo o caboclo da Ilha de Marajó que toma conta do gado.  Ele era representado por Seu Fulgêncio de corda de laçar na mão, montado a cavalo e chapéu enorme de abas arredondadas. Nunca me saiu da cabeça. Mas, também havia uma página que narrava uma cena de ação e diálogo entre um carreiro e um papagaio. Essa nunca saiu da mente até hoje e de vez em quando me serve de lição. A ilustração era um carreiro e um carro de boi, porém, o papagaio estava oculto, como falava a história.

O carro de boi havia entrado em um atoleiro. O carreiro fazia de tudo para desatolar o carro. Não estava conseguindo. Então, uma voz, dentro do mato, começou a instruir o condutor: “cave ali, cave acolá, puxe para lá, puxe para cá”, etc. Até que o carro saiu do atoleiro. O carreiro agradeceu à voz. E o resumo de tudo foi a lição: “Faz que eu te ajudarei”. Diferente do farmacêutico da minha terra que dizia para algumas pessoas: “Ande direito e conte comigo”. “Ora Seu Moreninho, se eu andar direito não precisarei do senhor”, Veja como mudam as filosofias. E voltando a leitura do primeiro parágrafo, não é só ficar pedindo a Deus e aos santos... Faça a sua parte antes de fazer suas orações, pois é aí que que chega outro ditado: “Nada cai do céu”. Interprete corretamente.

Existem vários tipos de moradores de Deus. O homem tranquilo, sereno e sempre agradecido ao Senhor. Existe o descontrolado, inquieto, inseguro e ausente da realidade: está sempre culpandos os outros pela suas frustrações. Existe o “reclamão” que está sempre a ofender os céus sobre sua má sorte. E finalmente existe o ateu que, bem esparramado no seu livre arbítrio, vai ter que “suar” muito para rever conceitos ao retornar de onde veio. O primeiro tipo aceita com naturalidade a voz do papagaio no mato. Sua conduta na Terra é um refrigério de felicidades em que o Soberano presenteia aos que com ele têm o privilégio da convivência. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, faria um bem impagável  ao que se vê nu diante do espelho.

  SEU RIBERTO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3336   Conheci Seu Robert...

 

SEU RIBERTO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3336



 

Conheci Seu Roberto, o rezador, já em sua idade avançada. Corpo normal, feições agradáveis e serenas, Seu Roberto estava sempre se deslocando para vários pontos da cidade. Morava numa viela nas imediações do Centro Bíblico, Bairro da Camoxinga. Perto dos últimos dias da sua vida, suas filhas proibiram que Seu Roberto atendesse pessoas pois nunca faltou gente atrás de reza para cura. Foi o último dos grandes rezadores que conheci. Gostava de se sentar no Largo do Maracanã e ficar observando o tráfego de gente e de motores. Na sua simplicidade de vestuário, se vestia bem. E eu que sempre admirei os rezadores por seus dons divinos, fui surpreendido, quando professor na Escola Estadual Professora   Helena Braga das Chagas.

É que eu pensava que rezador era somente valorizado pelas pessoas mais antigas. Então, durante um intervalo vi e ouvi uma aluna da zona rural, alta e forte, recriminar um colega. Ela dizia: “Olhe, por que você zomba de mim? Por que sei ler as mãos das pessoas? Eu aprendi com Seu Roberto. Li a mão do seu colega e disse que ele teria um bom casamento. E quanto a você, se prepare que vai ser corno”. Não sei como terminou o diálogo deles. Eu não sabia que seu Roberto também era quiromante e nem pensei que ele fosse conhecido na zona rural. Quis depois conversar com a aluna, porém, sua falta constante às aulas, me fizeram esquecer o assunto.

Ora, não sei por que estou escrevendo sobre Seu Roberto, na homenagem desse trabalho. De repente chegou sua lembrança e o pensamento pediu para levar o seu nome para esta página. Coincidência? Dizem que não existe coincidência. E pulando para a minha infância, lembro de Seu Francelino, o primeiro rezador que conheci. Tinha as características de Seu Roberto, e morava no Bairro São Pedro. Também fiz uma homenagem a ele no meu romance O OURO DAS ABELHAS quando coloquei um personagem rezador com o seu nome. 

Quanto mistério entre o Céu e a Terra!

REZADOR DE OUTRA REGIÃO. (FOTO: AUTOR NÃO IDENTIFICADO).

  MINERAIS Clerisvaldo B. Chagas, 24 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano l Crônica: 3335   Minerais são subst...

 

MINERAIS

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano l

Crônica: 3335



 

Minerais são substâncias encontradas na rochas. Geralmente estão em estado sólido, exceção feita à água e ao mercúrio que se apresentam no estado líquido. Exemplos: feldspato, mica e quartzo.

Minério. Esse conceito é usado quando o mineral é explorado economicamente como matéria-prima para fabricação de bens. Exemplo: bauxita, matéria-prima para o fabrico do alumínio.

Metal. É um produto ou bem obtido por meio de transformação industrial do minério.

Minerais Metálicos e não metálicos.

Minerais metálicos ~ São aqueles que se pode, a partir deles, se obter metais. Exemplos:  ferro, alumínio, chumbo, estanho.

Minerais não metálicos – granito, basalto, areia, calcário, brita e mármore, são abundantes na Natureza e se prestam à construção civil para fabricação de produtos não metálicos como piso, azulejo, telha, tijolo e cimento.

Fonte: PAULA, Marcelo Moraes & RAMA, Ângela. Jornadas. Geo. Saraiva, São Paulo, 2012.

Quando queremos saber sobre a localização dos minerais em tipos de relevo, então, partimos para a Mineralogia. E se falamos em relevo de Alagoas, ele é modesto em relação à altura, mas o pico culminante do nosso estado, levando-se em conta as denominações regionais populares, é a serra da Onça, no município de Mata Grande, pelos arredores da cidade. Chega a 1.016 metros de altitude. Entretanto, encontramos inúmeras serras em Alagoas que giram em torno dos oitocentos metros, tanto no Sertão quanto na zona da Mata.

E sobre minerais, nos anos 60, estava havendo uma exploração de ametistas, no Bairro Lajeiro Grande (cheguei a ver as pedras), porém, a exploração foi abandonada por falta de recursos e especializações para o trabalho mais profundo. Ficou apenas o buraco a céu aberto, em Santana do Ipanema. Cerca de quinze anos mais tarde, saiu em jornais, a descoberta de ouro no rio Ipanema, em nossa cidade, mais ou menos no lugar barragem. Depois os jornais se calaram, o povo também e nunca mais foi comentado o assunto até os dias de hoje. Como não tem montanhas por ali, supõe-se que seria ouro de aluvião, trazido com os resíduos do rio Ipanema.

PEDRAS PRECIOSAS.

 

  GEOGRAFIA Clerisvaldo B. Chagas, 22\\ de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3334   Montanhas são mont...

 

GEOGRAFIA

Clerisvaldo B. Chagas, 22\\ de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3334

 



Montanhas são montes altos com mais de 300 metros de altitude. No sertão nordestino, especialmente o alagoano, o palavreado geográfico, tem seus termos próprios, locais e cabe ao geógrafo consciente, incorporá-los aos seus estudos. Estamos cheios de exemplos: montanha é alto com mais de 300 metros de altitude e muitas montanhas juntas, formam \uma serra. Mas, o sertanejo, denomina apenas a qualquer montanha, de serra. E se a serra vai de um pequeno monte a 300 metros, é chamada de serrote. Sobre rios, a foz é chamada no sertão de Barra. O amanhecer é denominado, barra do dia. No clima semiárido e desértico, as montanhas são aplainadas pela vento e muitas delas têm o topo, o lombo, suave, fruto desse aplainamento através de milhões de anos.

Encosta são as laterais de uma montanha. Geralmente a montanha tem um declive lateral mais suave e o outro lado, muito vertical, gerando o que chamamos de abismo. Cume, pico, cimo, cocuruto, são as diversas denominações do ponto mais alto da montanha. O costumeiro desgaste das montanhas costuma alimentar, planalto e planície com esses resíduos. As chuvas, as enxurradas, a quentura solar, a mudança brusca de temperatura entre os dias e as noites e os ventos vão desagregando rochas.  Pequenos lagos costumem se formar em topos planos de montanhas e nos vales de rios que escorrem pelas faldas, denominados popularmente de lagoas, mesmo que esses rios sejam periódicos no caso do sertão.

 Entre montanhas costumam surgir o platô e os vales, geralmente férteis, alimentados pela unidade das montanhas e pelos ventos frescos que sopram na altitude. O ser humano habita todos os tipos de relevo, muito embora seja maioria nas planícies. Nas altas montanhas ou nos desertos quentes ou gelados, o homem se adapta às suas características e torna possível o milagre da vida. A montanha não muito alta, é refrigério para os rebanhos domésticos, refúgio para os animais selvagens, pontos de turismo paisagístico, auxiliares de implantação de antenas de comunicação e fornecedor de uma vegetação diferenciada da sua base e arredores, além de atrações místicas em todos os lugares da Terra. Ainda proporcionam esportes de riscos para os abnegados.

MONTANHA NA BAHIA.

 

 

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  CHOCALHO DE BESTA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3333   Ormindo Mont...

 

CHOCALHO DE BESTA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3333

 



Ormindo Monteiro, era contador em Santana do Ipanema. Morava defronte a casa do famoso Juca Alfaiate na Rua Nilo Peçanha, rua da cadeia velha. Eu como criança tinha um medo triste quando meu pai mandava entregar notas fiscais à casa de Ormindo. Medo do contador e da sua mulher. De vez em quando o homem baixinho e franzino aparecia na loja do meu pai onde sempre encontrava rodas de pessoas conhecidas palestrando. Ao ouvir conversa sobre animais que muito come, falaram sobre a égua “que nunca para de comer.” E prova disso era que o chocalho da besta não para de badalar a noite inteira, sinal que ela sempre estar pastando. Aproveitando, dissera o contador que já passara uma noite inteira sem dormir, enrolado num capote, vigiando uma égua para comprovar a teoria. 

Ora quem iria se passar para isso? perder uma noite de sono para ouvir chocalho de besta!  Quando tinha algum evento que não levaria a nada, conversas sem futuro ao vivo, no rádio ou na televisão que meu pai não queria assistir, dizia: “Vou perder meu tempo para ouvir chocái de besta!”. Hoje em dia não precisa mais fazer como Ormindo Monteiro, enrolado num capote para escutar. Chegamos em um tempo em que as éguas deixaram o pasto e vieram badalar nos meios de comunicação. É mentira, é conversa mastigada, é conteúdo sem miolo, é gente querendo ser engraçada e, como diria meu professor e depois colega, Ernande Brandão: “E assim sucessivamente”.

Consegui filtrar muito mais de noventa por cento das mediocridades apresentadas porque quem não tem o que dizer é melhor não dizer. Muitos conteúdos sem conteúdos que fazem ranger os dentes, doer a cabeça e desacreditar no mundo, tal discursos de políticos. Demorei muito, mas aprendi como meu pai aprendeu a não mais escutar “CHOCÁI” DE BESTA.

 

 

  A FEIRA DAS PORTEIRAS Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3332   Com o de...

 

A FEIRA DAS PORTEIRAS

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3332

 



Com o desmatamento acelerado na caatinga, com início em torno dos anos 70, muitos produtos utilizado das matas, foram destruídos. Como exemplo temos os cipós, utilizados para o fabrico de balaios, fornecedores de material para carro de boi, de várias espécies da vegetação. Alguns anos atrás fui surpreendido em vê inúmeros feixes de vara de ferrão expostos à venda em Arapiraca. Ora, muito surpreendido, porque já não a encontrávamos no Sertão. De onde teriam vindos aquelas varas? E uma das coisas que era preciso encomendar era a cancela ou porteira. Porque é uma tristeza você passar por porteira caindo aos pedaços ou ter que enfrentar os chamados colchetes. O colchete é composto de arame farpado estirado em dois pedaços de paus, para fechar a estrada, de forma molenga.

E quando a gente pensa que tudo terminou, desapareceu, eis que alguém mostra na Web, uma feira de cancelas. Uma feira de verdade com muitas cancelas bonitas e bem-feitas. Aí encerra o sacrifício de se revolver céus e terra em busca de um carapina. E bem que porteira nova e bela, ajuda bastante a “enfeitar o maracá”, como se dizia por aqui. Mas estou dando destaque a esse tema sertanejo, porque admiro o artesão do semiárido e fico alegre quando encontro algo que pensava extinto, notadamente aquilo que fez parte do constante universo da nossa infância. A propósito, o objeto acima que era invisível, ficou imortalizado com a música sertaneja O MENINO DA PORTEIRA, cantada e decantada no Brasil inteiro.

Dois tipos de cancela ou porteira havia e há no Sertão de Alagoas. A porteira de tábuas, quadrada ou retangular, com uma cabeça fixada num mourão da cerca, a outra cabeça de abrir e fechar com uma corda circular na porteira e no mourão para fechar e abrir a cancela. O outro tipo – hoje uma raridade – consiste em dois mourões de madeira, cada qual com 4 a 6 buracos redondos, atravessados por caibros roliços. O transeunte retira dois ou três paus, empurrando-os para os lados, abaixa-se para passar e volta a colocar os caibros no mesmo lugar. Uma coisa arcaica e cabulosa, como esta palavra. Tanto é que existe um jargão sertanejo diante de tanta facilidade de hoje, conhece? “Ah, mundão véi sem porteiras!... “

FEIRA DE PORTEIRAS EM  CAPOEIRAS-PE (DIVULGAÇÃO).

 

 

 

  TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 16 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3331   Sábado passado voltamo...

 

TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3331

 



Sábado passado voltamos ao ponto turístico e religioso, Igrejinha das Tocaias, paras a exibição da filmagem do nosso documentário e que estava programada para ser exibida no local. Com o pátio da Igrejinha lotada, boa iluminação improvisada, presença de autoridades, escritores, cineastas e comunidade presente, a exibição entrou pela noite,  foi somente ser encerrada às vinte e trinta. O filme documentário, de ótima qualidade, emocionou a todos, inclusive, às próprias autoridades. No filme foi exibida a narrativa da história das Tocais, pela nossa pessoa, a parte de eventos ali já realizados, pelo escritor João Neto Félix e José Elgídio e testemunhas do desenrolar e da participação naquela história.

Todos concordaram que era precisa preservar a Igrejinha bissecular com melhoramentos de infraestrutura nos arredores, para permitir o conforto para o turismo. De um lado a Igrejinha histórica, à frente a Reserva Ecológica, bem perto, a Imagem de Senhora Santana na serra Aguda e pouco mais para à frente a Represa Isnaldo Bulhões no riacho João Gomes, formam um quarteto imbatível para o turismo religioso, ecológico, paisagístico e de lazer. O que fazia pena naquele sábado 13, era a vegetação muito carente de uma boa chuvada, pois, a maioria do mato, estava pelada com o sol forte do sertão. Entretanto, a grande magia da paz reinante no local continuava a mesma. Com dez minutos na Igrejinha das Tocaias, vai embora qualquer tipo de estresse do cidadão e da cidadã.

O altar da Igrejinha havia sido preparado para receber o povo que ali chegasse. Eu nunca o tinha visto tão bonito daquela maneira. Estava coberto de santo que parecia uma coleção. E quem ali chegasse sentiria imediatamente a atmosfera mágica permanente do local. Aproveitei para ouvir revelações de episódios ocorridos naquela estrada e fiquei abismado com o que ouvi. Eram episódios mais recentes da década de 60, muito significativos para a pessoa que me estava narrando esse fatos que não foram registrados.

E o povo mais velho contava que quando o lendário Camões estava morrendo, não tinha vela. Então uma senhora teria colocado um protetor na sua mão e depositado ali uma brasa, no lugar da vela que não havia. E Camões, ainda teria respondido: “É Camões morrendo e Camões aprendendo.

IGREJINHA DAS TOCAIAS AGUADANDO PÚBLICO.

  VALEU A TRADIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 15 de dezembro de 2025. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3330   E como antig...

 

VALEU A TRADIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de dezembro de 2025.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3330

 



E como antigamente, a Rua Antônio Tavares, a primeira de Santana, recebeu no última sexta, dia 11, uma banda de pífanos também chamada zabumba, festejando a véspera do Dia de Santa Luzia, a poderosa Santa dos olhos. Foi a tradição resistindo aos modernismos dos tempos.  Dois pífanos, uma caixa e uma zabumba, fazem os tocadores passarem o dia percorrendo ruas, de casa em casa, recolhendo donativos para a novena. E, mesmo com trajes patrocinados com nome de Pão de Açúcar, mas os tocadores são de Santana do Ipanema, mesmo, das bandas do Bairro Maniçoba/Bebedouro, bairro este cheio de tradições folclóricas e religiosas.

Geralmente vai à frente da bandinha, senhorita ou senhora com a imagem da santa, parcialmente enrolada em pano e uma sombrinha contra o sol forte do sertão. Muitas vezes falta o lanche, o almoço, mas abnegados devotos continuam assim mesmo lutando pelo sucesso dos festejos que irão começar no dia seguinte. Santa Luzia continua com o seu o prestígio inabalável, com o povo nordestino. Muita gente nem trabalha no dia de Santa Luzia, guardando um preceito que já vem de Bisavós, avós e pais. Por isso mesmo, foi batizada uma rua á margem direita do rio Ipanema com o nome de Santa Luzia e que hoje este nome se expandiu e já é chamado Bairro Santa Luzia.

E como sempre, surgiu algo tradicional na rua da minha infância, a minha irmã, Jeane e sua vizinha Glemilda, vão às curiosidades e às fotos que a enviam para nós e alimentam nossas crônicas. Quem tiver problemas visuais, “se pegue” com a Rainha dos olhos, muito assistida por Jesus, cheia de graças para serem distribuídas. A devoção à santa Luzia, está arraigada não só nas Alagoas, mas em todo o território nordestino notadamente, nos interiores e mais ainda no semiárido. Ser sagitariano do mês de Santa Luzia, muito me honra e me encoraja para pedir proteção e bênçãos a Rainha dos Olhos. E olhe que uma devoção sincera e uma oração honesta fazem grande diferença nesse mundo de expiação.  Eu creio.

SANTA LUZIA

 

  NEGROS EM SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3329   Uma panela d...

 

NEGROS EM SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3329

 




Uma panela de alumínio, vertical e comprida, pelas ruas de Santana do Ipanema, vai remando no alto de dois metros do negro Fubica. A meninada já sabe. O brilho do metal anuncia um produto não inflacionado que resiste ao tempo. As crianças, os velhos, os adultos esticam as bochechas com apenas cinquenta centavos de fubá. O jovem, preto, fino e atlético é calado e paciente. Serve a sua eterna clientela o “pão” de cada dia. É a fubá trabalhado com capricho que sai limpo, cheiroso para alegria dos citadinos. Pode ser comido puro, com açúcar ou com leite. Este é um quadro da última década do século XX. O negro Fubica vem de longe. Lá do povoado Jorge, ou melhor, da antiga Tapera do Jorge. Nada existe de especial no quadro urbano apresentado.

Não existe nada de especial para os olhos populares porque a cena é rotina nas ruas ensolaradas de Santana., cidade ladeirosa construída em patamares e colinas. Mas, para os pesquisadores de Negros em Santana, Fubica é protagonista de movimento histórico. Uma cena do Brasil antigo na tela de um pintor francês. É Santana do Ipanema, terminando o milênio com a presença negra e simpática dos seus alforjes históricos.

CHAGAS, Clerisvaldo B. Negros em Santana. Grafpel, Maceió, 2003. Pag.34.

Este livro foi produzido em parceria pelos escritores Clerisvaldo, Marcello Fausto e Pedro Pacífico V. Neto, adaptado do TCC do autores, em curso de especialização de Geo-História do CESMAC, em Santana do Ipanema, AL.

NEGROS EM SANTANA, no texto acima, refere-se ao povoado Tapera do Jorge, comunidade quilombola situada à margem direita do rio Ipanema, no município de Poço das Trincheiras. O negro Fubica apresentado acima, é personagem real com nome trocado propositadamente. E o fubá, iguaria do milho, era muito comum na alimentação, principalmente rural, tanto o fubá quanto o xerém. A formação da comunidade Tapera do Jorge, perdeu-se no tempo e nem a pessoa mais velha do núcleo, soube precisar.  Provavelmente foi formada por negros fugidos do cativeiro.

 

 

 

 

 

  GOLEIRO NATO Clerisvaldo B. Chagas, 10 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.327 Homenagem a Torquato...

 

GOLEIRO NATO

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.327

Homenagem a Torquato Reis

 



 

Alcancei o auge do Ipanema Atlético Clube. O primeiro goleiro do time da minha lembrança, foi Josa Pinto. Depois ou antes foi Zuza do Senhor Zé V8, o mais famoso e o melhor de todos, quiçá de Alagoas, o Tina. Mas, para substituir o Tina, com a torcida já viciada com aquela barreira, veio o jovem Torquato Reis. E como todos os jogadores trabalhavam em alguma cosa, Torquato era funcionário do DER – Departamento Estadual de Rodagem. Goleiro tranquilo dentro e fora do campo, franzino e modesto. Logo, logo fez a torcida esquecer o Tina. Um grande goleiro. Há mais ou menos uns dez anos, pela primeira vez na vida, falei com Torquato, em sua própria casa, na Travessa Santa Sofia, Bairro Lajeiro Grande, em Santana do Ipanema.

Fui colher seus depoimentos sobre graças alcançadas através do padre Cícero. Muitos anos se passaram e no lançamento do livro, Torquato não compareceu. Soube da sua passagem e fiquei triste, pois eu era um dos seus fãs como goleiraço do Ipanema. Bem que em nossa entrevista senti certo desânimo na saúde do homem, porém, nada indaguei sobre o tema respeitando sua individualidade. Torquato era encarregado de levar água em trator para diversas regiões, nos tempos de estiagens. O trator não oferecia condições ao funcionário e por duas vezes seu condutor teve de recorrer ao padre do Juazeiro diante de aflições com a máquina. Seus milagres estão registrados com os nomes de Trator Bandido e Trator Bandido II, páginas 25 e 26. Na época eu não pensava em tirar foto de depoentes.

Bem, agora só me resta entregar à família do grande goleiro esquecido, o livro que pelo que sei, é a única homenagem ao jogador que eu conheço. Mas, o que dizer aos seus familiares na hora da entrega? Mesmo assim, tenho a subida honra em seguir para o alto bairro do estádio Arnon de Melo, Lajeiro Grande para cumprir o meu dever assumido há anos. Lajeiro Grande é o mesmo bairro onde também fui buscar com o ex-jogador mais querido do Ipanema, atacante, Joãozinho de Zé V8, a foto do elenco do Ipanema que saiu nas páginas do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA. Também já o encontrei  meio desanimado com o peso da vida. Espero em Deus que Joãozinho, assim como Torquato Reis, esteja no céu nos clube dos heróis.

     SAUDADE...

                                                                      A CUECA DA ALMA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025 Esc...

 

 

                                                                  A CUECA DA ALMA

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do sertão Alagoano

Crônica: 3327



 

Dona Hermínia da família Rocha, família do coronel Manoel Rodrigues, era quase seu vizinho, no Comércio de Santana do Ipanema. Não tivera sorte com filhos e filhas, pois todos nasceram sem juízo. Diziam que tinha sido uma praga rogada por cigano, mas isso aí já fica em outras conjurações. Conheci os seus filho que estavam em Santana e viviam com ela, Poni, Agissé e Labibe. Havia uma outra filha, mas diziam que essa estava no Rio de Janeiro, não sabemos informar se era sadia ou não. Poni, passava quase o dia todo na Farmácia, vizinha à sua casa, Farmácia de senhor Moreninho. Agissé às vezes fazia algum mandado e Labibe não saía de casa assim como a própria Dona Hermínia que era florista. Mas, de vez em quando, saiam da parte dos filhos alguma coisa engraçada e algumas foram até registradas por outros escritores da terra e outras continuaram sendo repassadas oralmente.

Pois bem, o coronel Lucena, chefe do Batalhão em Santana do Ipanema, para combater os cangaceiros, comprou ou ganhou um balaio de pinhas maduras. Chamou o maluco Agissé, para levar o balaio de pinhas para sua residência. Quando o coronel chegou em casa, sonhando em comer pinhas doces, nada havia encontrado. Encontrando-se outra vez com Agissé, indagou pelas pinha que o mandara levar para casa. Agissé respondeu, batendo no quengo: “Eita, cabecinha! Não é que comi as pinhas do coroné!” Este relato se encontra no livro FRUTA DE PALMA, do escritor santanense, Oscar Silva.  (Oscar era sargento e correspondente do Batalhão).

Pois bem, narrava o contador José Fontes, cuja farmácia do pai era vizinha à casa de dona Hermínia que, alguém se escondera e tentava por medo em Poni. Dizia com voz cavernosa “Poni, você está sem cueca”. Poni olhava e não via ninguém. E depois de repetir a frase várias vezes e não ser achado pelo maluco, Poni perdeu a paciência - se é que tinha alguma - e respondeu a esmo: “Sem cueca está você, alma sem-vergonha!”.

 

 

  DETALHES DA HISTÓRIA PARA OS VERDADEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3...

 

DETALHES DA HISTÓRIA PARA OS VERDADEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3326



 

Na elaboração do nosso livro, O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA, falamos na fundação da capela de Senhora Santa Ana, em 1787 e que hoje é a Matriz de Senhora Santana. Mas acontece que muitas coisas da nossa história não ficaram registradas e a tradição foi acabando. Essas coisas não comprometem o geral, mas pesquisadores, historiadores, arquitetos, gostam de detalhes para que as suas obras sejam as mais completas possíveis. Portanto, acho que baseados nas fontes orais dos “mais velhos”, os irmãos Araújo (Floro e Darci) que escreveram “Santana do Ipanema conta a sua História, edição de 1976, falam da primeira reforma da capela que teria sido em 1900. Aí vem o detalhe: O mestre-de-obras da reforma teria sido FRANCISCO JOSÉ BIAS.

Ora, o livro O BOI, A BOTA E A BATINA, respeitou em suas páginas a afirmação dos irmãos escritores, até porque não existe outra fonte sobre o assunto. Pois bem, eis que muito tempo depois do lançamento do nosso livro, em cujas páginas também falamos da grande reforma da década de quarenta que deu a feição externa do que é hoje a Matriz com 135 metros de torre, não fala sobre o seu mestre-de-obras, unicamente por falta de fontes escritas e orais. Porém, o escritor João Neto Félix, surgiu com uma notícia, talvez colhida entre suas amizades de juventude: O mestre-de-obras daquela importante reforma, a da década de 1940, teria sido o cidadão, Antônio Torres Galindo, segundo o seu neto Luís Carlos Galindo, o Lula de Jandira, afirma o escritor João Neto Félix.

Portanto, para a felicidade de abnegados e exigentes pesquisadores, achamos verdadeira a explicação e a registraremos, caso haja uma terceira edição do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA. A reforma da igreja de Senhora Santana foi   uma verdadeira revolução em toda a região sertaneja. Ainda hoje, a Matriz de Senhora Santana é o principal cartão postal do Sertão Alagoano. Porém, temos belas arquiteturas na região, principalmente nas igrejas que compõem as cidades ribeirinhas do São Francisco. Muitas delas construídas em períodos remotos pelos primeiros padres estrangeiros que habitaram o baixo São Francisco. Mas entendemos perfeitamente que algumas pessoas querem viver como “Deus criou batata”

 

 

  VEM OU NÃO VEM Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3325   Hoje, sexta, dia...

 

VEM OU NÃO VEM

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3325



 

Hoje, sexta, dia 5, o aspecto celeste sertanejo mudou, muitas nuvens brancas vieram fazer companhia ao azul limpo do céu e o tempo resolveu elevar a temperatura para 38 graus. “Os fumantes estão acendendo cigarros no Sol”. Brincadeira à parte é tomar muita água, ficar sem camisa e alugar o chuveiro. Mas não é somente a temperatura alta, é o abafado que desmantela até ventilador. E a gente olha para cima, olha de lado, espia o horizonte e nada. Nada de uma nuvenzinha cinza para trazer esperança. E para quem não gosta de beber nada gelado, tudo indica vontade de mudar os hábitos. Quando o tempo aperta de verdade, nem um só passarinho se avista na rua, se esconde o gato, o cachorro e os donos. Nos terreiros rurais, galos, galinhas e pintinhos, acomodam-se sob às sombras ralas das pinheiras, abrem os bicos e esperam. Esperam como nós: vem ou não vem, a trovoada de “torar braúna?”.

Alguém da vizinhança está fazendo café, porque por aqui passou o cheiro forte e bom que até o computador quis sair do lugar. E no mesmo viés vou lembrando do povoado Pedrão da minha, infância. Mulheres torrando café, agregando os grãos em tabletes. Tabletes, depois, quebrados em pedaços e jogados no pilão com rapadura e pilado na hora. O aroma tomava conta do povoado e de quem tivesse a favor do vento. E o café encorpado, cheiroso e provocativo dominava na mesa com ovos frescos do quintal e pão dormido vindo de Olho d’Água das Flores. Você quer saber! Assim não dá para resistir. Pausa no Book e busca de um pequeno.

Mas, ei que chegou à tardinha. A temperatura continua emperrada nos 38 graus, vento parado e calor já descrito. Entretanto, duas bandas do céu começam a ficar cor de cinza, coisa que não acontecia há muito. Acontece que nenhum dos dois lados do nosso céu, indica chuvas em Santana do Ipanema, cidade. Pois, a formação das nossas chuvas, acontece no Leste, no horizonte das bandas do mar. Pode até dá uma chuvadinha, mas não em Santana urbana. As pessoas já começam a se animar nas ruas e até caixa de som é colocada para fazer zoada nas imediações, mas a gente continua olhando para cima e se perguntando VEM OU NÃO VEM?

 

  O BONDE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.324   O bonde surg...

 

O BONDE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.324



 

O bonde surgiu no Brasil, no final da década de 1850, no Rio de Janeiro. Era nesse início de atividade, puxado a burro. Passou a ser usado também em São Paulo e foi passando para outras capitais e evoluindo. Conheci e andei de bonde na década de 1950, em Maceió, com o bonde sem burros e movido pela eletricidade, uma notável evolução. O bonde trafegava em trilhos sobre as ruas da capital com paralelepípedos. O condutor do bonde, era chamado Motorneiro e que, por sinal, o marido da minha tia Carminha era motorneiro. Ainda lembro de quando o bonde foi extinto na capital e, tempos depois os trilhos foram também retirados das ruas. O bonde era barato, seguro e romântico, demonstrava uma espécie de glamour. Eu deveria, nessa época contar entre oito e dez anos de idade.

Já havia ônibus na capital. Apenas o transporte de pneus evoluía e o ciclo do bonde estava em seu final. Eis que agora fomos surpreendidos pela tecnologia de ponta, quando surgiu em Curitiba a novidade do bonde sem trilhos, com alguns vagões como o trem, visando novos momentos para a mobilidade urbana. E veja que em muitas capitais ainda estão sendo implantados o VLT. (Que bom seria um VLT entre Santana do Ipanema e Maceió!) Poderemos até dizer que a era do ônibus intermunicipal acabou. As chamadas VANS tomaram conta de tudo e ainda estamos aguardando coisas mais modernas porque a Ciência não para de descobrir, de inventar, com uma rapidez tremenda e que até assusta para o nosso futuro. Concorda conosco? Um bonde digital!

Para não pensar demais, mesmo com o calor sufocante do Sertão, vamos tomar um cafezinho, amigo, amiga, para aguentar o tranco das tecnologias e os catabios do cotidiano. E como uma coisa puxa outra, para quem nunca ouviu falar, catabios eram os solavancos que levávamos em todo tipo de carro na estrada de terra, antigamente. Mas também Catabio era o apelido de um doido que havia em Santana do Ipanema, na minha juventude. Ah! Era o tempo em que heroico DNER - Departamento Nacional de Estrada e Rodagem – constantemente estava a consertar a rodagem Santana – Palmeira, Santana – Delmiro. Hoje, DNER se chama DNIT e catabios se chama trepidação.

BONDE DIGITAL DE CURITIBA (SECRETARIA DE TRANSPORTES – DIVULGAÇÃO).