O CÃO DA QUARESMA (Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2010)      Apesar de estarmos longe ainda, a mídia faz-nos lembrar os tempos rel...

O CÃO DA QUARESMA

O CÃO DA QUARESMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2010)
     Apesar de estarmos longe ainda, a mídia faz-nos lembrar os tempos religiosos mais significativos. As coisas vão ficando mais modernas e a força da tradição vai-se esvaindo com motivos novos que percorrem o globo. Muitas vezes nem sabemos se novidades são melhores, corretas ou mais práticas em diversos setores das organizações. É de se notar que havia mais rigor na Igreja Católica, após o carnaval. A partir da quarta-feira de Cinzas a Igreja entra no período mais delicado das suas atividades e que perdura por quarenta dias. Esses quarenta dias recebem o nome de Quaresma, palavra de origem latina, quadragésima. A Quaresma é a etapa do ano em que acontecem os preparativos para comemorar a ressurreição de Jesus, no chamado domingo de páscoa. Essa fase também faz lembrar os quarenta dias em que Jesus passou no deserto em oração. A Igreja ─ na quarta-feira de Cinzas ─ apresenta três linhas de movimentos baseadas na oração, penitência e caridade. Para milhões de católicos, é um ótimo cenário para a reflexão, a esmola e o jejum. Assim os fiéis mais tradicionais se preparam para a festa maior que é a ressurreição. Dentro dos quarenta dias, os domingos não são contados, formando na verdade quarenta e sete. As imagens encontradas nos templos ficavam todas cobertas de pano roxo, dando certo significado de penitência. Conhecemos pessoas que bebiam normalmente, mas suspendiam a bebida em época de Quaresma. Em suma, havia um respeito profundo que hoje não parece tão profundo assim.
     Visto a palavra quadragésima pelo ângulo acima, vamos contemplá-la através do prisma advocatício. A TV brasileira divulgou um vídeo que mexeu assombrosamente com o caso Bruno. Ah! Pode ficar certo de que a novela sobre o goleiro do Flamengo vai render bons dividendos para quem escrever um livro contando tudo. Os constantes desmaios dos personagens centrais, os desentendimentos entre familiares e advogados e as declarações do polêmico defensor do Bruno, fizeram o roxo do catolicismo empalidecer. As ameaças do doutor Ércio Quaresma diferem um bocado da Quaresma a que estamos acostumados. Na Quaresma da Igreja católica, o cidadão procura ficar o mais distante possível do inferno. No Direito, o doutor Quaresma afirma categoricamente que ele não é representante do satã, ele é o próprio diabo. E da maneira como fala na gravação apresentada, é bem capaz de ser mesmo verdade o que ele disse. A profissão de defensor vai ficando manchada com as descobertas mostradas pela Imprensa. Infelizmente tem muitos depositários de nomes magnânimos, envolvidos com o bicho preto até a alma. Envolvidos, dissemos. Mas o doutor Ércio afirma que é o próprio bicho. E se ele afirma, para que duvidar do engravatado, nervoso e satânico cidadão! O caso Bruno já prometia, imaginemos agora o desenrolar de investigações sobre o advogado embaixador do inferno. Com quem fica o caro leitor? Com a Quaresma para espantar o cão ou (apenas para soar mais bonito) O CÃO DA QUARESMA?

BINGO DAS MOTOS ( Clerisvaldo B. Chagas, 26 de outubro de 2010)            Domingo passado houve festa em Santana do Ipanema. Tudo por cont...

BINGO DAS MOTOS

BINGO DAS MOTOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 26 de outubro de 2010)
     
     Domingo passado houve festa em Santana do Ipanema. Tudo por conta da realização de um bingo realizado no comércio local. Na Praça e Largo Professor Enéas Araújo e imediações, a multidão aglomerou-se para concorrer aos prêmios de cinco motos zero quilômetro. Como os domingos são vazios e monótonos no interior, o acontecimento virou festa. Muita gente de cidades circunvizinhas e até de mais distante, compareceu ao Largo tentando a sorte, favorecendo a alegria dos vendedores de alimentos e de gasolina. O sorteio do domingo foi movimentado pela Paróquia de São Cristóvão, visando reformar sua Matriz, situada no Bairro Camoxinga. É mesmo preciso melhorar os templos para um maior conforto aos seus fiéis e visitantes. A Igreja Matriz de São Cristóvão também precisa de mais espaço, mas aí teria que levar em conta indenizações aos prédios vizinhos para uma reforma arrojada e cara. A dimensão da paróquia, porém, necessita de uma obra física com o dobro do tamanho da atual.
     O bingo teve início entre os séculos XIII e XIV, na Itália. Em Gênova eram realizados esses tipos de sorteios, para substituições dos membros parlamentares. Algumas vertentes sobre o nome do jogo existem. Uma delas é que o bingo ganhou esse nome em Gales. Durante uma época difícil, os mineiros sentiam dificuldades em adquirir feijão. Quando essa comida surgia, os mineiros jogavam marcando as suas cartelas com os grãos, como ainda hoje se procedem por aqui. Quem ganhasse a parada, teria o direito de levar os grãos das cartelas dos companheiros. Assim o jogo veio da política, o nome originou-se da fome na Europa antiga.
     O problema é que de vez em quando o bingo vira febre e surgem espertalhões saídos de todos os segmentos. São denúncias e mais denúncias que aparecem e são chamadas ─ para suavizar a palavra ─ de irregularidades. Essas irregularidades tem colocado muitas conhecidas figuras para correr. Os bingos esporádicos pertencentes a entidades representativas são confiáveis, animam cidades, divertem pessoas e solucionam problemas. Isso até faz lembrar os grandes bingos de algumas décadas atrás, entre Paulo Afonso, cidade baiana, e Maceió. Somente Frei Damião era capaz de arrastar multidões semelhantes. Os maiores bingos pertenciam geralmente ao estado que dispunha da organização e do crédito para tais finalidades. E se ontem eram os carros dos sonhos máximos de consumo, hoje são as motos que fazem bastante sucesso entre as classes “C” e “D”. Esperamos que a Paróquia de São Cristóvão tenha atingido o seu objetivo. Que a noite do domingo passado foi animada foi. Muito melhor assim, em vez da crise do feijão, o desejável e esperançoso BINGO DAS MOTOS.

GIGANTE QUEBRA OSSO (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2010)        Precioso avanço no relacionamento político da América do Sul, não...

GIGANTE QUEBRA OSSO

GIGANTE QUEBRA OSSO
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2010)
       Precioso avanço no relacionamento político da América do Sul, não pode ser ignorado. Sem dúvida alguma o pretérito cheio de guerras entre nações, deixou ranços que de vez em quando afloram. Nada anormal para esses países formados há tão pouco tempo, se comparados com o Velho Continente. Queremos dizer que é preciso muito mais espaço para a evaporação completa dos rancores. Numa visão geral, entretanto, essas mágoas nos parecem mais fingimentos de chefes de estado de que do povo trabalhador de cada país. A população quer paz, amizade e trabalho. Infelizmente surgem aventureiros lotados de vaidades pessoais que preferem fermentar supostos desentendimentos. Essas discórdias inverídicas são para desviar a atenção de atos e gestões polêmicas. É a tradição barata do caudilhismo arraigada nos birutas e maus administradores. Esses filmes velhos de romantismo revolucionário, são a volta do comer sem carne. Não tem graça nenhuma, assim como xuxas e trapalhões para adultos do presente. Mesmo assim as organizações regionais vão apertando governos nefastos que são apenas perigosos imbecis. Essas mentalidades do século XIX, sempre aparecem em cenários de esforço para o desenvolvimento. Puxam para as abissais as pernas dos nadadores
     Louvável é a atitude do senador governista chileno, Pablo Longueira. Esse político articula acabar de vez o mal-estar entre o Chile e a Bolívia que teve início em 1962. Desde quando o país boliviano perdeu sua saída para o oceano Pacífico em conflito com o Chile, que reivindica esse valoroso corredor. Isso já deveria ter sido resolvido há bastante tempo. Como foi dito acima, governantes são quem complicam as coisas muito simples. Em havendo troca de uma área boliviana pelo corredor do Pacífico, tudo ficaria acertada. Afinal são países vizinhos, irmãos em tudo. Se quisermos mesmo o progresso da região, melhor é o entendimento e a fraternidade que não irão diminuir a soberania nem a altivez dessas nações. A América do Sul não pode ficar a mercê de ideias que não cabem mais nessa era tecnológica. Só a união faz a força. O político chileno com certeza irá receber pressões de todo os lugares. O ato devolutivo do corredor de saída poderá ser feito de várias maneiras, mas com segurança o senador proponente será reconhecido no futuro. Como diz uma canção de Luiz Gonzaga: “Não vai faltar quem queira botar gosto ruim em nosso amor”. No dia em que todos os dirigentes da América do Sul estiverem conscientes dos seus papéis, dificilmente, diante do mundo, sua espinha dorsal será quebrada. E o que não falta nesse planeta velho de meu Deus é GIGANTE QUEBRA OSSO.

ABALOS DOS CÉUS (Clerisvaldo B. Chagas, 21 de outubro de 2010)      Quem quiser que diga, compadre, que não tem medo de trovão. Nem estamos...

ABALOS DO CÉU

ABALOS DOS CÉUS
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de outubro de 2010)
     Quem quiser que diga, compadre, que não tem medo de trovão. Nem estamos nos referindo aos personagens Ana Raio e Zé Trovão de uma novela que passou. Falamos de trovoada de verdade, fenômeno atmosférico, sucessão de descargas elétricas acompanhadas de trovões e chuvas. É até difícil encontrar romancistas que escrevem sobre sertões que não façam capítulo especial dedicado a trovoada. O fenômeno, pelo menos no interior nordestino de clima semi-árido, acontece entre novembro e janeiro. Quando o inverno é fraco ou sem chuvas, as trovoadas passam a ser a esperança e salvação do homem do campo. Durante essa época de seca, barreiros, açudes e poços de riachos nada mais tem a oferecer. A fome começa a tomar conta de homens e animais. O sertanejo passa a olhar o céu de instante a instante pedindo a Deus boas nuvens escuras para molhar o chão. A água que enche todos os reservatórios traz a chamada babugem, ervas que nascem após as primeiras águas na terra. Queremos dizer que o fenômeno da zoada e das faíscas elétricas é de fato uma festa comemorada com muita alegria. Entre um inverno e outro o espaço é longo e o Sol forte sertanejo não respeita a primavera, vai queimando também a próxima estação. As trovoadas funcionam como uma espécie de equilíbrio que a Natureza oferece ao agricultor, aos criadores, aos que vivem da agropecuária. Quando a trovoada vai se formando ou mesmo antes da formação, é acusada pelo gado. Algumas reses começam a pular e outras a cavar o chão, imediatamente notadas pelos proprietários.
     A região de Santana do Ipanema, médio Sertão das Alagoas, teve até um bom inverno. Inclusive, chuvas que se prolongaram pela primavera. Mas, meu compadre, esse mês seco chamado outubro, foi visitado por uma violentíssima trovoada que botou muita gente para debaixo da cama. Na tarde de ontem, por volta das quinze horas e quarenta minutos, começou a cair água do céu, acompanhada de relâmpagos espetaculares e ribombar de trovões fortíssimos e sequenciados, nunca escutados antes por aqui. Rapidamente a tarde escureceu e nuvens muito escuras não paravam o fabrico no céu agitado. Os estrondos dos trovões, além de irem a última escala, ainda rasgavam complementando a missão extraordinária do espaço. Não ficou um só cachorro nas ruas. Muitos corajosos não saíram de casa. Poucas foram as residências onde as águas não entraram. Faltou energia e as enxurradas fizeram córregos despejando no rio Ipanema. Os clarões descomunais prosseguiram no firmamento até, aproximadamente, às dezenove. Mais de três horas de espetáculo natural, comadre. É de se perguntar com a gíria do povo: tá bom ou quer mais? Um amigo do sítio disse que isso aí era São Pedro irritado com a campanha política.
     Como as pessoas já estavam reclamando do Sol forte de primavera, houve uma antecipação do “décimo terceiro” do céu de verão. O agricultor fala em encher a palma, em reforçar a rama em calibrar os barreiros. Para o comércio local pode ser prenúncio de ótimas vendas natalinas. Aguardemos os próximos ABALOS DOS CÉUS.

POBRE ALAGOAS (Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2010)      Estamos nos aproximando do pleito estadual que irá definir o nosso govern...

POBRE ALAGOAS

POBRE ALAGOAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2010)
     Estamos nos aproximando do pleito estadual que irá definir o nosso governador. Sempre que novas eleições aproximam-se, gera no povo votante uma expectativa de melhora para o seu município, estado ou país. Se todos os gestores correspondessem, pelo menos em parte, ao desejo popular, esses momentos democráticos deixariam de ser traumáticos como hoje se apresentam. Em Maceió, mesmo, tivemos uma série de prefeitos considerados como trabalhadores. A sequência teve início com administrações modernas encabeçadas por Sandoval Caju, homem que deixava um esse em suas obras, como em bancos de praças, por exemplo. Após Sandoval, prefeito polêmico, outros gestores dispostos vieram e Maceió deu um salto enorme no seu progresso. Não posso agora dizer quantas ótimas gestões fizeram parte da sequência, talvez entre quatro e seis. Depois surgiram administradores fracos, fraquíssimos, péssimos que nem sequer eram encontrados pelo povo. Entre os péssimos, havia ex-parlamentares combativos. O homem que fala muito em outro poder está em seu lugar. Colocá-lo como gestor é um desastre total. Raramente será um bom prefeito ou governador. Essa quebra da série de bons prefeitos na capital custou muito caro ao município.
     Agora estamos aguardando uma briga de lama entre os dois candidatos restantes ao governo do estado. A Justiça deu um prazo longo de campanha ao segundo turno, coisa que não precisava. O povo está cansado de ouvir o mínimo da decência dessa campanha sórdida, safada, imunda que entra em nossos lares. Se um candidato é tudo que o outro teima em dizer, ambos deveriam estar na prisão e jamais em vitrina política. Não é o povo quem está acusando. São eles mesmos, um apontando os piores defeitos do outro, despejando tudo nos ouvidos e nas mentes das pessoas que precisam sossego para o trabalho diário. Isso não é baixo nível, é o nível mais baixo de todos. Estamos com muita saudade do primeiro turno quando ainda havia opção, fraca, mas havia. Seja lá como for, o cidadão que conseguir vencer o pleito, vai chegar completamente enlameado pelas denúncias do adversário. Não será fácil depois se recompor de tantas acusações às costas. Será uma administração pesada e tudo indica, sem o brilho a que o povo aspira.
     Vão saindo às primeiras pesquisas, vão aumentando os desvarios dos coordenadores. O desespero toma conta dos partidos que não admitem a derrota das urnas e parecem que estão defendendo as próprias vidas. Como o poder é cativante! Mata-se e morre por ele. Infelizmente ainda temos mais de dez dias para ouvir a sordidez oficializada. As crianças irão ficar muito mais sabidas com o que estão ouvindo e vendo na televisão, no rádio e nos carros de som. Nós, adultos, também estamos ampliando o nosso vocabulário por conta deles, os irrequietos que mandam na política. Pobre povo nordestino crucificado várias vezes. POBRE ALAGOAS.


MERECIMENTO (Clerisvaldo B. Chagas, 19 de outubro de 2010)      Não dispomos de estatística sobre o andamento da solidariedade no Brasi...

MERECIMENTO

MERECIMENTO

(Clerisvaldo B. Chagas, 19 de outubro de 2010)

     Não dispomos de estatística sobre o andamento da solidariedade no Brasil. Até porque o tema é muito abrangente e vai do estritamente pessoal até o encaixe nas grandes manifestações. Mas é de se pensar nos transportes rodoviários o que acontece no tombamento de algum veículo pesado pelas estradas gerais ou nas densamente povoadas. Pela primeira vez vimos falar em saques de cargas de caminhões no Rio de Janeiro. Um cidadão que transportava frangos tombou no pé de um dos morros cariocas. Ao invés da ajuda que esperava dos moradores, o que ele viu foi coisa bem diferente. Uma verdadeira enxurrada humana descendo o morro e praticando o saque sem nenhum constrangimento. Parecia no ato inglório um enxame desesperado por comida. Os mais fortes conduziam gradeados completos e desapareciam a galope nas vias tortuosas de habitações populares. Quem não podia com o peso da grade, pelo menos levava uma galinha ou duas, mas não deixava de participar do vandalismo. O caminhão continuava de pneus para cima e o motorista ferido se virava como podia. Para quem nunca tinha visto até o momento aquele tipo de manifestação, não deixa de ter sido um choque de incredulidade, mostrada a cena de como a vida é dura. Daí vem à expressão criada e transferida para o cinema: mundo cão. Em outras ocasiões semelhantes, a polícia chega atrasada. Quando surge a tempo é apenas para socorrer vítimas e registrar a ocorrência. O povo ulula em derredor como se ali não tivesse chegado uniforme algum.
     Depois do Rio vamos notando o aprendizado no Brasil inteiro. Aqui mesmo em Alagoas, principalmente nas rodovias mais movimentadas, o saque a caminhões tombados virou rotina. Agora não são ataques somente às cargas de comida ou bebida, mas a tudo. Material de limpeza, de construção, cigarros... Nada escapa da população. Impressiona a chegada rápida de pessoas saídas de todos os lugares que praticam o ato criminoso em poucos minutos. Nessas ocasiões o condutor do veículo fica em situação periclitante ao escapar do acidente. Pode ser assassinado a qualquer momento, caso traga algum dinheiro nos bolsos, relógio, corrente de ouro ou outra coisa pessoal. Como no meio da multidão tem de tudo, matar e roubar as vítimas não seriam coisas tão difíceis de acontecer. Em veículos menores, chamados carros pequenos, acontecem coisas parecidas. Hoje não se pode facilitar confiando nos socorristas. Escapar dos vândalos das estradas, agora é questão de sorte. Vamos perguntando aonde anda a solidariedade. O que não presta tem facilidade de propagação rápida. A violência vai se multiplicando numa velocidade que impede cabresto, ganhando novos adeptos que vão engordando o segmento. Ante a surpresa dessa gente desmiolada, somente Deus para proteger. Digo, se ainda tiver MERECIMENTO.





O EQUILÍBRIO AGRADECE (Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2010)      Essa coisa ainda nova e sem freios, chamada Web, continua fazendo...

O EQUILÍBRIO AGRADECE

O EQUILÍBRIO AGRADECE
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2010)
     Essa coisa ainda nova e sem freios, chamada Web, continua fazendo de tudo. Campo fértil para o que se imagina, essa descomunal rede de comunicações tanto eleva quanta destrói, dependendo da cabeça do usuário. Se a pessoa é do bem, produz o bem; se é mau, o que não presta faz vassalagem a seus pés. Condensando, a Internet é como o próprio mundo físico. Tem em generosa abundância do bom e, em viscosas teias do ruim. Os canalhas, encontrando terreno fértil para suas bestialidades, procuram aperfeiçoar e expandir os seus instintos. Os indefinidos, sempre escorregam para a podridão que parece ter força maior para seduzir. Afinal, atacar sem corpo, sem rosto, sem presença, demonstra ser negócio para as mentes indecisas. A diferença, então, entre o real e o virtual indica a ausência das leis no segundo campo, o que faz o bandido julgar-se seguro. Os crimes vão oscilando entre os mais leves e os mais profundos. Aonde o homem chega vai levando os seus aprendizados insondáveis, frutos da sua natureza. Aos desertos, a Internet, a Lua, chegam os complexos evolutivos ou degradantes, porque o todo não anda separado da cabeça. E como a lavoura cresce junto a erva daninha só o “fogo do fim do mundo poderá separá-las”, dizia meu pai.
     Trago meu endereço em aberto para coisas sadias. Para os mais diferentes tipos de conversas que possam no mínimo nos divertir, mas sadiamente, dentro do tolerável. Que prazer sentimos em conversar com amigos ou novos amigos sobre os mais variados assuntos! Mas a conversa franca, profunda ou supérflua, que ajuda a viver, conforta e eleva a alma. Ultimamente tenho recebido muitos textos de uma só pessoa que só envia lixo político. Não é um texto uma vez ou outra, é entre quatro e oito ao dia. Essa mulher parece não largar nunca o computador, nem mesmo para comer. Aliás, para se alimentar, deve ser como os astronautas para não ter que abandonar o mouse nem por alguns segundos. Quanto às necessidades fisiológicas, nem sei! Devem ser expelidas em forma de lixo eletrônico político, cujas lixeiras são os nossos computadores. Não escreve uma linha! É uma fábrica de transferência de imundície para as nossas máquinas. Calúnias, difamações, hipocrisia e toda baixeza encontrada sobre a respeitável candidata a presidência, são despejadas. Não tem paciência que aguente. Que satisfação satânica essa mulher deve sentir ao enviar essas porcarias! Os alvos maiores são o PT e a ex-ministra Dilma. Como pode uma pessoa alimentar tanto ódio assim? Seus atos e textos enojam-me minha senhora! Vá a um psiquiatra, procure o que fazer! Não gaste sua preciosa aposentadoria a semear a discórdia! Seus atos são assim, imagine sua língua. Quantas famílias já destruiu com ela?
     Não faltam boa clínicas aí em Maceió, para o seu caso. Podem até não darem jeito, mas pelo menos tente. Tenho absoluta certeza de que o mundo virtual ficará satisfeito, o EQUILÍBRIO AGRADECE.

O GRITO DO MATEU (Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2010) Para os poetas santanenses José Ormindo e Azevedinho      Debruçar-me-ei n...

O GRITO DO MATEU

O GRITO DO MATEU
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2010)
Para os poetas santanenses José Ormindo e Azevedinho

     Debruçar-me-ei na janela do tempo. Deliciar-me-ei com as facetas multicores do Guerreiro alagoano, folguedo arrojado que encanta nos umbrais do belo. Balancear divino, contorções mágicas, rostos ingênuos de folclore puro. No caldeamento de cheganças, pastoris, quilombos, caboclinhos, emerge o Guerreiro luminoso nos espelhos das catedrais. Curvar-me-ei diante das evoluções ímpares do festejo natalino. Sanfona, pandeiro, tambor, dançadores, cantores, atores congregados contando a história do Messias. Amorosa homenagem dos Reis Magos deglutindo o tempo. Índio Peri, Zabelê, Mateu, Doido, Sereia, Estrela D’alva, encarregar-se-ão de varar a noite, de conquistar a Lua, de saudar o Sol. Brincantes da minha terra! Figuras serenas de inimagináveis fulgores e encantos, vozes harmoniosas que elevam o canto. Representações de fidalgos, espadas em lutas, riquezas de simbiose nordestina na boca grande e noturna. Avivam-se cores, dobram-se joelhos, atiram-se ternuras diante do Menino.

“Ô minha gente
Dinheiro só de papé
Carinho só de mulé
Capitá só Maceió...”

xxx

     O Guerreiro alagoano, nascido em Viçosa, final da era de vinte do século passado, difundiu-se por todos os recantos. Aproximadamente, entre 1930 e 1950, esse folguedo foi muito apreciado no Sertão. É de se notar que o folclore predominava em época natalina, cujas diversões modernas ainda engatinhavam. Arruaceiros e mesmo volantes alopradas gostavam de praticar selvagerias contra essa e outras fontes de lazer dos sertanejos como bailes, reisados, coco de roda e pagode. O palhaço da brincadeira é o Mateu, que antes da festa, pelo dia sai anunciando o evento nas ruas da cidade. Chapéu típico, cara pintada de preto, relho a estalar, coloca menino para correr. Ainda hoje se diz no Sertão, referindo-se a má conduta: “Toda família tem um mateu”. Por outro lado, quando alguém desejava falar com Lampião pela segunda vez e, não sabendo onde o encontrar, logo achava a resposta. Virgulino mesmo dizia filosofando: “É só escutar o grito do Mateu.”
     Nos últimos anos, muitos valores inverteram-se. A exceção virou regra geral e o mundo parece andar de cabeça para baixo. As mais absurdas coisas são ditas e realizadas sem pejo, sem critério, sem honra. Se o fim está próximo, não sabemos. Somos apenas passageiros dessa nave que não para. Tornaram-se rotinas os rostos negros de carvão semelhantes ao personagem do Guerreiro das Alagoas. Já não precisa escutar eco nenhum no meio da caatinga. Basta olhar em torno e dispensar O GRITO DO MATEU.



CENTRALIZANDO O CENTRO (Clerisvaldo B. Chagas, 14 de outubro de 2010)      Vendo por fora o que estar sendo construído por trás do Estádio ...

CENTRALIZANDO O CENTRO

CENTRALIZANDO O CENTRO
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de outubro de 2010)
     Vendo por fora o que estar sendo construído por trás do Estádio Arnon de Melo, resolvemos visitar o local. O Centro Bíblico, espaço de estudos e atividades católicas, foi inaugurado no Bairro Camoxinga, em Santana do Ipanema, Alagoas, em 20 de agosto de 1981. O Centro faz parte da Paróquia de São Cristóvão e foi construído na gestão do padre José Augusto Silva. Situado em lugar agradável e de solo enxuto, chama atenção a grandiosidade do terreno que respira paz e liberdade. Na sua entrada ampla o jardim, também composto de árvores de elegante porte, impressiona logo a quem tem bom gosto. O prédio principal é um salão aconchegante em cujo fundo está a imagem artesanal do Cristo pregado numa cruz de angico, madeira das caatingas alagoanas. Ao lado encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Os anexos são alojamentos para ambos os sexos, sala nobre de recepção e comando, depósito, cisterna subterrânea e pátio revestido com paralelepípedos. Um frondoso pau-brasil orna o centro do pátio, com suas folhas rendadas e curvas. Ali são realizados estudos, missas, encontros, reuniões de conselho e retiro. Pessoas de outros municípios, mundo católico, procuram as estruturas do Centro Bíblico de Santana, quando passam vários dias bem alojadas, durante essas atividades.
     A Paróquia de São Cristóvão doou parte desse terreno para a construção da Casa do Menor que tem um significativo cunho social. Com verba de origem europeia foi erguido um ginásio de esporte, muito parecido com o “Cônego Luís Cirilo”, do complexo educacional no mesmo bairro. Essa bela praça recebeu o nome de “Ginásio Poliesportivo Marcelo Candia” e foi inaugurada em 2009. Prosseguem as obras de alojamento e outras dependências da chamada Casa do Menor São Miguel Arcanjo. Obras como essas, dinamizam as atividades religiosas, proporcionando muito mais conforto aos usuários. Servem de atrativos para visitantes que além dos seus bons fluidos, trazem dinheiro e gastam no comércio local gerando empregos.
     Tornam-se importantes, visitas de políticos, escritores, artistas, pesquisadores, professores e estudantes, a esses locais que muito representam para a sociedade. O Centro Bíblico de Santana do Ipanema tem uma cativante história para ser contada. Dezenas e dezenas de objetos usados em sua trajetória já poderiam fazer parte de um museu paroquial a ser criado pelo padre José Neto de França. Não vale conhecer a nossa cidade somente por fora. Boas surpresas aguardam visitantes em outros lugares que provocam admiração e respeito. Continuaremos essas visitas, antes voltadas quase somente para os aspectos naturais. Amanhã poderemos dissertar outros pontos tão valorosos e tão esquecidos, mas hoje não poderíamos deixar de ir CENTRALIZANDO O CENTRO.

HERÓIS DO CHILE (Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2010)      Finalmente , após longo período de sofrimento, chega o dia do resgate em...

HERÓIS DO CHILE

HERÓIS DO CHILE
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2010)
     Finalmente, após longo período de sofrimento, chega o dia do resgate em Atacama. Volta-se o mundo para acompanhar pela mídia o ato histórico que valoriza o ser humano. Há mais de dois meses soterrados, dando exemplos dignificantes extraordinários, os mineiros chilenos são os novos heróis do planeta. Quando casos assim acontecem, impressionam o espírito de solidariedade de qualquer país. Nenhum livro conseguiria dizer totalmente das angústias que se alojaram entre os familiares dos que estão no subsolo. Muitas coisas aconteceram nesse ínterim. Até criança nasceu e aguarda o pai que surgirá do seio da terra. A esperança de cima continuou tão verde quanto à de baixo; até parece que o próprio Deus vai pedindo calma e afirmando que tudo vai dar certo. Os familiares, nessa espera que parece não ter fim, além da luta psicológica, também enfrentam a adversidade climática. O calor enorme da luz, o frio intenso da noite. Todos os envolvidos ainda rezam para que não haja tremores no período do resgate, pois os terremotos são comuns na área e no Chile como um todo. Ninguém esquece que os prisioneiros da terra estão a setecentos metros da superfície.
     Quando se olha a ajuda enviada por outros países, como a dos Estados Unidos, através da NASA e de outros setores, fica a certeza de como é importante a solidariedade entre nações. Repórteres de quarenta países labutam ansiosos em torno da cápsula que resgatará os trinta e três mineiros. E parte do planeta vai assistindo ao vivo toda a movimentação de salvamento no deserto de Atacama. Nós brasileiros vamos, momentaneamente, guardando as alegrias pela conquista do tri, no vôlei, e pela vitória da seleção de futebol, para torcermos pelo êxito das operações chilenas. A cápsula que tem cinquenta e três centímetros de diâmetro iniciou sua ida e vinda de teste na hora desses escritos.
     Ao terminar o trabalho das várias equipes em conjunto, muitas coisas serão ditas, descobertas e revistas. Esse aprendizado psicológico e técnico deverá repercutir positivamente em todos os segmentos afins. As áreas de engenharia e medicina lucrarão por certo em suas novas pesquisas. Nesse momento, prancheta à mão, torno-me mais um devoto do êxito, ao vê o primeiro socorrista descer nas grades salvadoras. Rogamos a Deus que esse drama tenha o fim igual ao sorriso de otimismo do presidente Sebástian Piñera. Vamos encerrar esse trabalho com a emoção do hino chileno cantado pelos salvadores. Amigos, a emoção é de arrepiar! Aguardemos, então, o resgate completo dos HERÓIS do CHILE.

ARATANHA (Clerisvaldo B. Chagas, 12 de outubro de 2010)      Na crônica de ontem, “Zabé da Loca”, falamos sobre o projeto musical para os j...

ARATANHA

ARATANHA
(Clerisvaldo B. Chagas, 12 de outubro de 2010)
     Na crônica de ontem, “Zabé da Loca”, falamos sobre o projeto musical para os jovens no município de Monteiro, Paraíba. E quando aconselhamos projetos semelhantes para os adolescentes do campo, não foi somente para livrá-los das drogas e da ociosidade, mas também para ganharem dinheiro. Em todos os lugares do mundo existem talentos: nas planícies, nas cidades, nas montanhas, nos desertos... Ao falarmos sobre a escolinha de música da Paraíba, registramos também um belo exemplo ocorrido no município de Santana do Ipanema. No finalzinho de Santana vila, o povoado Capim (atual cidade de Olivença) já possuía uma banda musical, coisa difícil de acreditar. Mas como foi dito, os talentos proliferam em todas as paisagens, aflorando conforme os incentivos. Em 1920, essa banda do povoado Capim veio tocar na vila para homenagear a padroeira no dia 17 de julho. Houve aí uma grande transformação para melhor e, vários daqueles músicos comandados pelo fundador da banda, Joel Marques, tornaram-se famosos em Santana, em outros lugares do Brasil e mesmo no exterior. Inclusive, Joel Marques foi prefeito na gestão 1936-1937. Vejam de onde saíram. De um simples povoado sertanejo e da roça. Em 1922, ainda no início de Santana cidade, foi criada outra banda musical (já havia a de Seu Queirós) pelo comerciante Benedito Melo, recebendo o título de “Filarmônica Santanense”, logo apelidada pelo povo de “Aratanha”. Foi aí onde se encaixaram componentes da banda de Joel Marques do povoado Capim. Desse ponto em diante, teve início a exportação de excelentes músicos do interior.
     Tantos outros projetos simples poderiam ter sido feitos no Sertão para aumentar a renda de famílias, estimularem os jovens e aproveitar matéria-prima. No povoado Areias Brancas, caberia uma associação para se implantar fabriquetas de beneficiamento do caju, goiaba e manga. Alguns políticos, ao invés de incentivarem a iniciativa popular, preferem acusar autoridades cotidianamente. Esquecem que “é melhor acender uma vela de que amaldiçoar a escuridão”. Tanta mão de obra tem naquele povoado que faz gosto vê. Hoje, núcleo de inúmeros sítios circunvizinhos, inclusive de pés de serras, o povoado Areias Brancas, dispõe de uma ampla rede estudantil. Projetos e mais projetos não faltariam para essa juventude ganhar dinheiro aprendendo e se divertindo. As ideias retrógradas, entretanto, acomodam o povo na espera enervante pelas autoridades. Ninguém quer mais varrer à porta da rua, aguardando a boa vontade das prefeituras. Essa falta de iniciativa também ajuda na pobreza. É por isso que projetos simples, baratos e populares, tornam-se exceções e são expostos como coisas do outro mundo. Onde estão os autênticos líderes dos aglomerados? Como atualmente o supérfluo e a lei do menor esforço predominam, somos obrigados a abrir os olhos dos condutores de cegos para iniciativas como a da ARATANHA.
• Aratanha = pequeno camarão de água doce.

ZABÉ DA LOCA (Clerisvaldo B. Chagas, 11.10.2010)      Muito boa e emocionante a reportagem da televisão focalizando Zabé da Loca. São poucos...

ZABÉ DA LOCA

ZABÉ DA LOCA
(Clerisvaldo B. Chagas, 11.10.2010)
     Muito boa e emocionante a reportagem da televisão focalizando Zabé da Loca. São poucos os bons programas da televisão. O que tem de lixo, com certeza juntando tudo dá mais de oitenta por cento. Como disse alguém, a televisão brasileira é máquina de fazer doido. Zabé ─ no Nordeste, apelido carinhoso de Isabel ─ é hoje mulher famosa de idade avançada lá da Paraíba. As cavernas no sertão são chamadas locas, sovacos, grutas e furnas, independentes de comprimento e largura. Zabé, perto da cidade de Monteiro, trabalhava na roça e aos doze anos aprendeu a tocar pife. Como perdeu a casa com as intempéries, resolveu morar sob duas pedras que se sustentam. Ali conviveu com marido e filhos, fechando de taipa as aberturas das pedras. Trabalhadeira, animada, espirituosa e festeira, Isabel tornou-se conhecida como Zabé da Loca. A reportagem mostrou os bons tempos em que Zabé saiu percorrendo o País tocando pife com sua bandinha regional. Até prêmios arrebatou.
     Atualmente sem marido, Zabé ganhou uma casa do governo e mudou-se da loca para a casa azul, simples e de varanda onde senta para curtir os seus cigarros ou cachimbo. É tão famosa ainda, que recebeu a reportagem em sua nova residência. Zabé continua, mesmo com os percalços da velhice, alegre, brincalhona, extrovertida. Mas uma coisa mexe muito com a tocadora de pife, que são as boas lembranças da loca. Olhando por trás de casa, está ali, a certa distância, nas colinas das cercanias repletas de matacões, a loca adotada por Isabel. Ela foi mostrar a furna em que vivera mais de vinte anos, mas isso não foi nada fácil para a velhinha que se emocionou com as lembranças. E como todo sertanejo que ama seu torrão, a mulher ainda tem muita vontade de voltar a viver na loca. Isabel resolve dar uma palhinha e toca o pife para a reportagem, mas avisa que vai deixar a arte. Segundo ela, o esforço prejudica muito os pulmões. E quando perguntada se não era o cigarro que prejudicava ela diz animada que não.
     A pessoa que toma conta de Isabel fez projeto musical e implantou uma escolinha de música para os jovens da roça. São vários instrumentos que proporcionam o aprendizado, inclusive zabumba. Para substituir a famosa tocadora, já apareceram talentos que não irão deixar morrer a tradição. Além de conduzir os adolescentes para o mundo musical, o projeto mantém o jovem longe da ociosidade e dos vícios que estão apavorando o Brasil. Aplausos e incentivos para pessoas que dedicam parte do seu tempo a produzir o bem. Diante de tantas barbaridades que acontecem e são publicadas diariamente na mídia, esse assunto da Paraíba parece ser coisa de Deus. O nosso país precisa em todos os rincões, projetos semelhantes ao do município paraibano. E pelo exemplo e semeadura da alegria no Brasil, deixamos em nome de todos, o nosso preito a essa extraordinária mulher sertaneja ZABÉ DA LOCA.

PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 8 de outubro de 2010)      Mais uma vez o município de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoa...

PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO

PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de outubro de 2010)
     Mais uma vez o município de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoas, está em festa. Ontem, dia sete, houve a solenidade inicial dos festejos a São Cristóvão, padroeiro da segunda Paróquia com sede no Bairro Camoxinga. Na ocasião teve uma caminhada da comunidade Santa Sofia, seguida de cavalgada de vaqueiros, atos que se tornaram tradicionais naquele imenso bairro. Vários segmentos sociais foram responsáveis pela abertura que teve o pároco José Neto de França como pregador da noite. Hoje, sexta, acontecerá à primeira noite oficial do evento religioso que se prolongará até o próximo dia dezessete. Haverá, então, o encerramento com a famosa procissão em homenagem ao glorioso padroeiro, entre a cidade Poço das Trincheiras ─ ponto de partida ─ e a sua Matriz em Santana do Ipanema. A igreja Matriz de São Cristóvão é vizinha do Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira. O pregador do encerramento será o bispo diocesano Dom Dulcênio Fontes de Matos, conforme programa divulgado sobre a festa.
     A Paróquia de São Cristóvão foi oficialmente criada em 12 de fevereiro de 1964 e teve como primeiro pároco o padre Alberto Pereira Santos. Consta ainda que também a primeira procissão realizada com o seu padroeiro, foi mesmo antes da criação oficial da paróquia. A imagem saiu da localidade Pai Mané, município de Dois Riachos até o Bairro Camoxinga. Como a maior parte das doações que edificaram a Matriz, veio de condutores de veículos, São Cristóvão ─ padroeiro dos motoristas ─ ganhou a preferência de protetor da paróquia.
     A festa dedicada ao gigante que carregou o Menino Jesus sobre os ombros é sempre realizada em outubro, mês em que as chuvas estão suspensas. Ocupa a praça defronte a sua Matriz, onde também se encontra o hospital acima. Estende-se pelas ruas paralelas que se rejubilam durante esse período de outubro. A tranquilidade do lugar permite se vê ainda a paisagem típica do interior, onde crianças se divertem nos parques comendo pipoca e algodão-doce. As barracas de bebidas e comidas alastram-se pelas imediações, ocupando a via principal, Pedro Brandão, de certa maneira, dificultando o trânsito.
     Cada noite da festa de São Cristóvão é patrocinada pelos chamados noiteiros. Os noiteiros representam vários segmentos sociais que compõem o todo, fracionados em grupos que apresentam as atrações das solenidades. Essa festa vem trazendo cada vez mais pessoas de outros municípios. Além de cânticos, missas e novidades a parte, o hino a São Cristóvão, de inspirada letra e agradabilíssima melodia, emociona pedestres e motoristas com a força da sua mensagem. Aos quarenta e seis anos da Paróquia, convidamos os leitores amigos para uma louvação ao PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO.


PEGAR O BONDE (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de outubro de 2010)      Os apelos das eleições continuam segurando as pessoas que parecem sonolent...

PEGAR O BONDE

PEGAR O BONDE
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de outubro de 2010)
     Os apelos das eleições continuam segurando as pessoas que parecem sonolentas, mas ainda curiosas pelo que ainda vem por aí. As alianças são formadas às claras ou nos bastidores, com o perdedor querendo pelo menos uma raspinha do todo que não conseguiu. O leitor já conhece aquela história do macaco que se deparou com um cacho de bananas pendurado em lugar difícil. O símio fez carreira, pulou, mas não conseguiu atingir a penca. Depois de tentar várias vezes, o máximo foi passar as pontas dos dedos nas deliciosas bananas madurinhas. E como já estava cansado, vendo que não conseguiria realizar a façanha, foi obrigado a desistir. E para enganar a si próprio afirmou: “para que tanto esforço por uma coisa que nem gosto!” Ê companheiro, tem muita gente que apostou alto demais e agora se encontra na posição do macaco. Os que antes se acusavam, não somente mostrando a cara de ferro velho de adversários, inclusive com desafios coronelescos, hoje se afagam, se apertam, se beijam em nome de salutar união democrática. Os cálculos dos que perderam talvez sejam mais em cima do que iriam levar mensalmente do que mesmo o que desembolsaram. Uma união agora apaga todas as mágoas das acusações anteriores. A mesma cara conhecida que enfrentou a censura dos eleitores, mostra a mesma madeira para fazer alianças e nem perder de vista o cacho todo de bananas.
     Ontem mesmo um cidadão famoso no mundo do rádio, desabafava sua derrota nas urnas, acusando o povo nos mais diferentes aspectos. Muita coisa que o jornalista falou representa a verdade da compra de voto que não fica restrita ao interior. Mas não adianta falar do povo agora aquele que não conseguiu se reeleger. Ninguém é inocente sobre as manobras que existem no mundo complicado da política. Quem entrou e perdeu deveria ter ficado sem nada falar, porque fez parte do jogo sujo e lutou o quanto podia. Quanto vale agora uma eleição para prefeito em pequenas e médias cidades do interior? O cidadão mesmo dizia custar em torno de cinco milhões. Talvez não seja isso tudo, mas a última aqui na região foi falada e decantada em quatro. Já dizia outro político, há bastante tempo, que a eleição mais cara do estado era a de Santana do Ipanema. Inflação causada por eles mesmos na base dos cenzinhos. Hoje, segundo gente do ramo, para ser prefeito em Santana, ninguém gastará menos de quatro milhões. Menos do que isso é gastar e perder, ainda segundo a fonte.
     Por mais que não quiséssemos falar em política, não conseguimos comentar uma seleção brasileira de futebol tão misteriosa que foge ao pensamento dos mais apaixonados. Uma mistura grande, jogando no desconhecido e com pouca divulgação dos seus bastidores, tenta em vão nos tirar do segundo turno. O Brasil vai adiando as grandes decisões, agora nem Dilma, nem Serra, nem o treinador Mano. Coloque a mochila às costas e vamos PEGAR O BONDE.

FAZENDO UM ARTE (Clerisvaldo B. Chagas, 6 de outubro de 2010)      Fez muito bem a equipe do portal MALTANET em estampar a figura do grande...

FAZENDO UM ARTE

FAZENDO UM ARTE
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de outubro de 2010)
     Fez muito bem a equipe do portal MALTANET em estampar a figura do grande artista plástico Roninho. Para muitos, o artista dispensa comentários, pois o seu trabalho já bastante conhecido vai deixando as barreiras do município, do estado, ganhando outra dimensão muito mais confortável, merecidamente. A princípio, com suas pinceladas sendo apenas motivos de riso, Roninho se foi firmando em território alagoano fazendo valer o seu estilo interessante e peculiar. Antes, o seu irmão Roberval Ribeiro, com óleo sobre tela, caricaturas e produção de gibis como o do personagem Zé das Cruzes, fez muito sucesso por onde andou. Depois o famoso artista trabalhou conosco como diagramador e caricaturista do Jornal do Sertão, alegrando as páginas daquele matutino para o leitor de Alagoas e de várias capitais do Nordeste. Atualmente Roberval trabalha apenas na sua empresa localizada em Santana do Ipanema, onde serve o Sertão inteiro e é ponto de referência. Por sinal, é ele o autor da capa do livro que pretendemos lançar ainda este ano (estamos articulando) o paradidático “Ipanema um Rio Macho”. Portanto, Roninho já traz nas veias o poderio do seu trabalho. O artista santanense caracteriza suas obras representando cenas do cotidiano sertanejo. Roninho focaliza os aspectos sociais, chamando atenção como uma espécie de denúncia, das mais diferentes situações difíceis do homem do campo. Suas obras em forma de caricatura, além do exagero de cenas, carregam na tintas vivas como um grito forte por socorro do lugar onde reside. O apreciador do seu trabalho logo encontra o riso fácil, mas também a gravidade da denúncia que está claramente mostrada em suas telas pitorescas. Esse grande artista do Bairro Camoxinga, mora vizinho à Praça das Artes que se transformou no aleijão abandonado de Santana.
     Certa feita ouvimos da secretária de Cultura de Arapiraca (outra gestão) sobre o incentivo aos artistas daquele município. Dizia ela que a Secretaria havia feito um trabalho muito bonito e bem feito que seria motivo de orgulho. Entretanto a coisa não estava dando certo e havia muitas reclamações. Foi feito, então, um trabalho investigativo e detectada a causa. É que o projeto era bonito, mas veio de cima para baixo, os artesãos não haviam sido consultados. Usando novas estratégias, aí sim, pois foram os próprios artistas que disseram como queriam a associação ou coisa parecida. Em Santana do Ipanema estar acontecendo o primeiro caso, pois temos ouvidos inúmeras reclamações de artistas, muitos ainda no anonimato. Um exemplo gritante de insatisfação é com o logradouro representativo da classe que hoje virou local de tudo que não presta, a Praça das Artes. E ao invés de Santana do Ipanema de fato representar a arte, vai apenas remendando, pelejando e FAZENDO UM ARTE.

SEGUNDO TURNO (Clerisvaldo B. Chagas, 5 de outubro de 2010)      As eleições gerais imprensaram assuntos relevantes outros que tomavam cont...

SEGUNDO TURNO

SEGUNDO TURNO
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de outubro de 2010)
     As eleições gerais imprensaram assuntos relevantes outros que tomavam conta da imprensa. Acordamos ontem com a tremenda ressaca do pleito que mexeu com todos durante meses e não somente no dia exato do voto. As ruas amanheceram cheias de papéis com o dilúvio liberado pelos porquinhos. Ali na esquina, na praça, nos bares, vão chegando os costumeiros componentes das rodas com os primeiros ensaios do dia. Realizadas as discussões do alto escalão, os plantonistas diários começam a contabilizar o prestígio e o desprestígio local. Quem se fortificou para as eleições de 2011, cujos candidatos a deputado estadual, federal, senador e governador perderam ou ganharam. Muitas decepções daqueles que se julgavam fortes, imbatíveis, eternos. Os derrotados começam a procurar culpados nas traições dos seus assessores e cabos eleitorais. Rasgam a cabeça puxando os cabelos pela perda do úbere farto da vaca política. Fui avisando com os ingratos, com os que prometem e não cumprem, com os espalhadores de pedra: o mundo é redondo. E como a famosa piada pornô, falta de aviso não foi. Muitos estão sem dormir direito porque ainda não acreditaram na surpresa que de vez em quando o povo faz. Os que conseguiram passar para a terra onde corre leite e mel, estão vibrantes, felizes, nadando na festa de sons, uísque e foguetório que bem caracterizam essas ocasiões. Nas periferias das cidades, nos povoados, nos sítios, os grupos que desafiaram as leis, ainda estão mobilizados esperando novas investidas financeiras no segundo turno.
     A curiosidade agora é para vê se fulano ou beltrano tem a coragem de sair candidato a prefeito sem o seu deputado no círculo dos vencedores. Será que os estaduais, federais e senadores, fora da ciranda, vão honrar os compromissos de ajuda aos pretensos candidatos a prefeito? E os jubilosos também honrarão os compromissos? Dizem os espertos que político não dá prego sem estopa. No Sertão, muitos tem vontade de comandar do gabinete da prefeitura, mas sabem que uma eleição, hoje, para prefeito, está terrivelmente inflacionada. Com quem pegar o dinheiro do povo para estuporar, senão com os candidatos do “alto clero”. Quem tem o destemor de meter a mão no próprio bolso para gastar os trocados, frutos do suor? Ninguém. Todos querem ser prefeito atirando com a pólvora alheia.
     E os grupos municipais de apoio, vão sentindo que perderam o federal e ganharam o estadual ou vice- versa. Outros perderam ambos. Os planos dos pretensos candidatos a prefeito, entre vitórias e cacetadas, estão congelados para novos balanços. Ainda resta o apoio dos que irão se eleger a governador e a vice. Até o dia 31 de outubro, todo plano para o futuro ainda é precipitado. Porém, as próximas eleições municipais, tudo indica, mostrarão um poder renovador nunca visto antes, cheio de caras novas no Executivo. Quem viver verá. Vamos ao SEGUNDO TURNO.

DIVIDIR O BOLO (Clerisvaldo B. Chagas, 4 de outubro de 2010)      Levando em conta o tamanho desse país continente, suas diversificações re...

DIVIDIR O BOLO
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de outubro de 2010)
     Levando em conta o tamanho desse país continente, suas diversificações regionais e seus recônditos peculiares, o brasileiro pode se orgulhar dessas eleições. As dificuldades encontradas, principalmente na grande região Amazônica onde toda distância é um mundo e os meios de transportes aquáticos, a velocidade com que foram apuradas as urnas e transportados os resultados para a central marcaram uma grande vitória de organização. O avanço tecnológico das urnas eletrônicas é de deixar qualquer país do Hemisfério Norte com inveja e admiração da eficiência e da rapidez nas apurações. Podemos afirmar sem medo nenhum de erro que as partes tecnológica, organizacional e mesmo a social, deixaram um amadurecimento importante, evolutivo, salutar e equilibrado, permitindo ao povo brasileiro entrar numa era de plenitude durante a escolha dos seus representantes. É inacreditável que esse país pudesse dá conta com ordem e tranquilidade de um acontecimento tão significativo nesse dia maior. Os formidáveis exemplos de organização, tranquilidade e democracia, devem tocar fundo nas feridas de arroubos da América do Sul e Caribe. No mínimo, deixarem pasmos os Estados Unidos e União Europeia.
     Em Alagoas mesmo, a serenidade do pleito, deixa pelo menos uma esperança de um novo comportamento do mundo político. Parece que uma série de medidas que antecederam as eleições por parte da Justiça, da polícia federal, da OAB, dos movimentos populares, começa a fazer efeito na capital e no interior. É sabido que uma peneira grossa ainda deixa passar bastantes caroços. Mas pelo que deslumbramos, parece que houve certo aprendizado que deverá ser incluído nas próximas administrações executivas e parlamentares. Ainda que esses indesejáveis grãos tenham conseguido escapar da peneira grossa, a continuação dos vícios não deverá acontecer mais em toda plenitude. Isso, se levarmos em conta as novas e constantes intervenções das classes acima, pela moralização que se faz desejada para abreviar o nosso equilíbrio.
     Por outro lado, a decisão que se realizará no segundo turno ─ apesar de muita conversa batida dos candidatos ─ promete. Pelo menos na disputa pelo governo estadual, poderão ser arrancados compromissos que beneficiarão o povo e em particular aos servidores. Sem definições sobre precatórios e reajustes salariais, dificilmente o candidato levará os votos dessa classe massacrada pelos que fazem o poder. Agora é a vez dos servidores pressionarem os dois sobreviventes pelos compromissos escondidos do primeiro turno. E assim, entre eleições de quatro em quatro anos, pode ser que pingue alguma coisa interessante para os que já sofreram tanto. E o melhor: os tempos de promessas parecem estar acabando. É bem possível que estejamos entrando na era do comprometimento. Hora de DIVIDIR O BOLO.


ENGOLINDO O EQUADOR (Clerisvaldo B. Chagas, 1º de outubro de 2010)      O mundo velho e o Velho Mundo vão-se agitando na mexida econômica q...

ENGOLINDO O EQUADOR

ENGOLINDO O EQUADOR
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º de outubro de 2010)
     O mundo velho e o Velho Mundo vão-se agitando na mexida econômica que ultimamente vacila na corda bamba. Para nós, latinos, parecem incríveis os movimentos de ruas que se tornam violentos nas mais famosas capitais europeias. Insatisfeitos, as multidões invadem as principais avenidas de Paris, Atenas, Londres, Roma e outras mais descobrindo o véu do engano civilizado. Isso quer dizer que mesmo no vagão de luxo da espécie humana, os problemas afloram nas cadeiras fofas da primeira classe. Mais de quatro mil anos tecendo uma civilização podia até parecer que o pano já estava pronto. Nós dos arredores, seríamos apenas a periferia, segundo estudiosos que costumam rotular o planeta. Então descobrimos que os casamentos de celebridades não tem muita consistência e são apenas golpes de publicidades para a grande mídia. Não sabemos se isso serve de consolo para os nossos constantes problemas na América do Sul e no Caribe. Como no Brasil o presidente não aceita um terceiro mandato seguido, o país pode passar uma visão de democracia fortalecida graças aos erros do passado. Mas infelizmente não é esse o pensamento de alguns dirigentes do hemisfério.
     É lamentável o que estar acontecendo no Equador, país vizinho, mas que não faz limite conosco. Equador também é um país pobre que luta pela sua sobrevivência e que sempre teve suas questões mal resolvidas em questão de estabilidade. Os que chegam com muita sede, não trazem manejo suficiente, deixando que o entusiasmo cego se transforme em aventura. A primeira coisa que um dirigente perdido faz, é querer acabar com o seu congresso porque não admite que ninguém pense contrário as suas teses que não cabem mais no sistema moderno. Rafael Correa ameaçou retirar uma série de benefícios econômicos dos militares e da polícia, para continuar seu plano de austeridade. Como acabar com direitos conquistados pelos servidores? Até parlamentares do seu partido votaram contra e com razão. Pois, a sombra do Chávez quis e quer dissolver o parlamento.
     Está certo que não queremos mais apoiar golpes na América Latina. A OEA – Organização dos Estados Americanos – publicou resolução de apoio a Correa. Também surge o apoio do MERCOSUL e da UNASUL, mas não é somente o apoio internacional que vai pacificar mais esse episódio que mantém a tradição arcaica do caudilhismo. Arroubos de valentia como a frase que pronunciou no hospital, também vale apenas para jornalistas. Esse negócio, seu Rafael, de sequestrar direitos de pais de família que arriscam a vida constantemente perseguindo marginais, parece não ser boa ideia em nenhum país do mundo. É só o que nos aparece na América do Sul na safra dos parafusos. Frouxos. Quer seguir os maus exemplos? O povo diz: “Quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo”. E enquanto o país, politicamente não se faz respeitar, é muito melhor inventar moda para chamar a atenção alheia. É o vulcanismo do atraso ENGOLINDO O EQUADOR.

ERRAR DUAS VEZES (Clerisvaldo B. Chagas, 30 de setembro de 2010)      Depois de tanta zoada e gasto de dinheiro vamos chegando ao final de...

ERRAR DUAS VEZES

ERRAR DUAS VEZES

(Clerisvaldo B. Chagas, 30 de setembro de 2010)
     Depois de tanta zoada e gasto de dinheiro vamos chegando ao final de mais uma campanha política. Talvez uma tênue esperança ainda rondasse o povo alagoano antes do último debate dos candidatos ao governo. O que se viu, todavia, foi um jogo morno sem inspiração nenhuma da parte de todos os jogadores, provocando a vontade de dormir do telespectador. Nada de novo aconteceu, nenhuma afirmação tão aguardada pela população, nenhum comprometimento sério que tivesse valido a pena escutar. Quando se falava na palavra valorização era por alto como quem estava sobrevoando uma cidade de helicóptero. Ninguém falou sobre precatórios, ansiedade de tantos funcionários que necessitam desse dinheiro para tratamento de saúde e outras necessidades básicas. Reajuste digno para os servidores? Nem digno nem insignificante; fantasma na pauta de todos os pretensos vitoriosos. Não faltaram acusações entre os candidatos, principalmente entre os que veranearam pelos corredores dos Martírios. Nada de novo. Nada, meu amigo, absolutamente nada. O povo alagoano continua perdido e perdido continuará com qualquer um dos que estão aí.
     Todas as praias de Maceió estão poluídas, acabando a grande diferença de lazer do interior para a capital. A Maceió de baixo está uma coisa que faz nojo. No Sertão, Alto Sertão e Sertão do São Francisco, não chega sequer uma indústria, por insignificante que seja. Acabaram com a EMATER que dava assistência ao produtor rural. Detonaram o PRODUBAN que fomentava o progresso do estado. Isentaram a grande economia de pagamento de impostos. A evasão toma conta das escolas. O que se conta da Saúde é coisa para a Idade Média. E os professores ficam com o bico aberto como passarinho novo esperando comida, mas a mão de ferro, a intolerância, a insensibilidade dos dirigentes não permitem um reajuste.
     Eles mesmos se acusaram e afirmaram o que estamos dizendo. E o alagoano continua preso nessa gaiola de donos dos brinquedos. Todos os três já passaram pelo poder. Qual a perspectiva que temos pelo que foi mostrado nos debates da televisão? Se você já ouviu falar no sonho das vacas magras, por certo estar vendo que elas não querem mais sair dessa terra caeté. Os candidatos que concorrem lá atrás, também parecem sem inspiração e nada trazem de novo que motive o eleitor. Entre os que estão na dianteira, um parece violento, outro parado demais e o terceiro desarvorado. Votar em quem? Seja em quem for. Já conhecemos de sobra o trio responsável pelas coisas acima. Depois que você votar, caro amigo, não fique de maneira nenhuma com dor de consciência. Você não é culpado. Em qualquer outro em quem você votasse seria a mesma coisa. Talvez um dia os seus netos ou bisnetos anunciem e realizem o tempo das vacas gordas. Enquanto isso, mesmo chorando deposite seu voto que é preferível uma democracia péssima de que nenhuma. Agora ninguém tem como se livrar de ERRAR DUAS VEZES.

O FORRÓ DE LAMPIÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 29 de setembro de 2010)      Quem não lembra o saudoso humorista Barnabé? Em uma das suas memorá...

O FORRÓ DE LAMPIÃO

O FORRÓ DE LAMPIÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de setembro de 2010)
     Quem não lembra o saudoso humorista Barnabé? Em uma das suas memoráveis piadas, ele fala que um fazendeiro mandou vários capangas, um a um, acabar com um forró a certa distância da fazenda, que estava perturbando o seu sono. Todos que iam não retornavam. Até que o último foi lá, demorou, mas voltou dizendo que o tocador sanfoneiro era o famoso Lampião. Quem diabo teria coragem de acabar o forró, senão aderir a ele.
     A primeira vez que se ouviu falar em voto no Brasil, foi em 1532. O fato aconteceu na vila de São Vicente, litoral paulista, onde a votação tinha o objetivo de eleger o Conselho Municipal. Após a Independência, 1822, o Brasil precisava se arrumar como império independente perante outras nações. Tornava-se, portanto, necessário elaborar sua constituição. Os sabidos imaginaram como excluir do processo, os pobres e os portugueses. Foi dentro dessa astuciosa manobra que foi criada a Constituição que recebeu nome popular de Constituição da Mandioca. Por ela só poderia votar quem tivesse uma renda equivalente a 150 alqueires de farinha de mandioca. Esse tipo de votação, apenas assegurava o poder nas mãos da aristocracia. O período colonial e imperial foi marcado por muitas fraudes e gritantes escândalos eleitorais. Já no período republicano, o voto para presidente teve início com a Constituição Republicana de 1891. Assim foi eleito para dirigir o país, Prudente de Morais. Relatam-se inúmeros casos de fraudes e votos de cabresto na chamada República Velha, vulgo dado ao período da história do Brasil que vai do final do império a 1930. Aliás, o voto secreto e o voto feminino foram permitidos somente na década de 30.
     Atualmente todos votam: mulheres, jovens, adultos, analfabetos, pobres e ricos. Continuam, entretanto, os defeitos que partem do próprio eleitor e candidato e não mais exclusivamente das leis. No geral, o rico vota em troca de favores; o pobre em troca de dinheiro e o médio por pedidos e amizade. Acima deles paira o viciado PhD na psicologia do voto. Como a área da conscientização é mais lenta do que o bicho preguiça, permanece a loteria do eleito bom ou ruim. O que esperar para breve, então, se grande parte da populaça quer apito? É com o domínio desse conhecimento que eles permanecem no poder, pois, dificilmente um novato de boas intenções consegue ultrapassar a barreira da malandragem. A parte consciente dos eleitores se sente feliz quando um desses campeões consegue o impossível. A decepção, entretanto, logo emerge porque aquele que representava a esperança foi contaminado e passa a fazer parte do bloco dos sujos. Incorpora-se ao ditado dos maus que dizem que “água limpa não cria peixe”. Infelizmente é assim que funciona.
     Bem que o cabra corajoso foi para acabar a festa, mas a zoada, meu amigo, era O FORRÓ DE LAMPIÃO.

O PORQUINHO (28 de setembro de 2010)      Em Santana do Ipanema , morou a família Panta, cuja pessoa mais conhecida era o Zé Panta. Moreno ...

O PORQUINHO

O PORQUINHO
(28 de setembro de 2010)
     Em Santana do Ipanema, morou a família Panta, cuja pessoa mais conhecida era o Zé Panta. Moreno alto, forte, humorista de situações, o Zé trabalhava no DNER, órgão federal, hoje, com o nome DNIT. Muitas passagens divertidas já foram contadas a respeito desse exímio tocador de violão. As irmãs que moravam no Bairro São José, vendiam flores naturais do próprio jardim. A casa em que moravam foi demolida recentemente, onde surgiu a construção de nova residência. A última vez que ouvi falar do aposentado e violonista foi que o homem continuava morando em Maceió. Contou-me certa feita seu amigo de repartição Ermídio, que um engenheiro residente fizera boas amizades com os funcionários, em Santana. Depois o engenheiro foi morar na capital, deixando somente boas lembranças na “Rainha do Sertão”. Zé Panta, porém, indo a Maceió, lembrou de levar um presente para o ex-chefe. Preparou um bacorinho vivo e bateu à porta do engenheiro. Conversa animada vai, conversa animada vem, porquinho debaixo do braço. O engenheiro disse que não levasse a mal, mas não dava para aceitar o presente ofertado com tanta gentileza, porque ele estava vendo, morava em apartamento. Centros, fotos, cortinas, jarros... Enquanto isso, bacorinho estressado, grunhindo, querendo correr. Panta não se deu por vencido, despediu-se do amigo, desejou boa sorte e na hora de saída jogou o porquinho dentro do apartamento arrumado, dando o fora com passos de sete léguas.
     É notório que as religiões pregam “fazer o bem sem olhar a quem”. Não se pode dizer que é fácil realizar essa máxima porque a maioria dá com a mão direita para receber com a esquerda. Mas existem pessoas ─ e não são poucas ─ que trazem no sangue o prazer de servir. Conheci muitas dessas criaturas iluminadas que nada pediam em troca e ainda abençoavam de coração ao beneficiado com o “vá com Deus” de quem tem amor e só amor dentro do peito. Mas tem uns que servem, chicoteiam, desconfiam e tornam-se carrascos. Fazem lembrar o que estava na prisão por não poder pagar. Pede misericórdia é e atendido. Uma vez solto, vai cobrar do seu devedor que ainda não pode lhe quitar a dívida e ameaça-lhe bater e matar. Quer misericórdia, mas não oferece misericórdia. Outros querem só o benefício, mas nunca agradecem por causa da amnésia ignóbil que os guiam. Jesus curou quantos cegos? Quantos vieram agradecer? Muitos calam até diante de um elogio, de uma flor oferecida, de um copo d’água diante de tanta sede. Esgalhados faveleiros que não dão sombra nem encosto, deselegantes com pomares generosos. Dizia um político alagoano: “O pior defeito do homem é ser ingrato”. Por outro lado, muito mais virtude tem o que serve e logo em seguida esquece que serviu. Agradecer, por menor que seja o ato cortês, é bom e Deus gosta. Mesmo que seja um agradecimento embaraçoso como o de Zé Panta e seu PORQUINHO.

DOIS RIACHOS (Clerisvaldo B. Chagas, 27 de setembro de 2010)      Conheci a antiga cidade de Dois Riachos como estudante passageiro da Viaç...

DOIS RIACHOS

DOIS RIACHOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de setembro de 2010)
     Conheci a antiga cidade de Dois Riachos como estudante passageiro da Viação Progresso e depois como pesquisador do IBGE. O que eu admirava nessa cidade sertaneja alagoana, era a larga avenida de terra que terminava na ponte sobre o afluente do Ipanema. Outra coisa era o fato de, mesmo naqueles tempos mais difíceis, já existir uma hospedaria na mesma avenida, o que significava para mim progresso e boas-vindas. Situada em ponto estratégico, a cidade, desde o seu nascedouro, sempre foi uma espécie de elo entre a cidade polo de Santana do Ipanema e a novata Major Izidoro (antiga Sertãozinho) que prosperava baseado na sua agropecuária. A força da atual cidade de Dois Riachos veio do campo, ganhando robusteza com a construção da BR-316 que desenhavam seu contorno e expansão. Ainda hoje o antigo povoado Garcia conserva com orgulho a ponte antiga, ainda útil, museu a céu aberto, cheia de histórias para contar. O nome Garcia vem de um córrego que assim era denominado, mas agora com o título de Dois Riachos, homenageia a corrente de significativa largura, cheias e cacimbas que tanto beneficiaram o valoroso município.
     Quem nasce em Dois Riachos é riachense. E os riachenses mostram ao mundo inteiro algumas atrações da sua terra. Vale à pena conhecer a Pedra do Padre Cícero, às margens da BR-316, uma igrejinha sobre um bloco de granito que arrebanha multidões para a sua festa anual. A localidade Pai Mané, afastada do centro, mostra um imenso açude, classificado entre os maiores do estado, construído no governo Vargas. Hoje é importante ponto de lazer com barzinho, balneário e pesca, inclusive com um casario que vai formando rua. Sua feira de gado, realizada as quartas, jamais foi superada por outra na região e surge como a segunda do Nordeste. De certo tempo até hoje, a cidade tem realizado anualmente uma vaquejada que atrai pessoas de muitos estados e já se tornou lugar de encontros do mundo vaqueiro e ponto de políticos importantes de Alagoas. E como se não bastasse, tudo isso é coroado com os festejos de padroeiros que atraem habitantes de Sertão e Agreste.
     Hoje encontramos uma cidade que procura se modernizar, cujos filhos frequentam as universidades e retornam para relevantes prestações de serviços ao antigo Garcia. E sendo ali a terra da jogadora de futebol, Marta Vieira Silva, imaginem a satisfação quando falamos sobre o assunto com os seus moradores. E por falar nisso, uma faixa na entrada da cidade, informa aos visitantes sobre sua filha ilustre. Temos informações que ali andou o cangaceiro Corisco, em 1936, fazendo algumas estripulias, mas as informações ainda são muito escassas. Acho sim, que essa dinâmica e simpática cidade merece muito mais de que essa crônica escrita com tão boa vontade. Afinal, o Sertão deve muito aos DOIS RIACHOS.


HURRAS E TURRAS (Clerisvaldo B. Chagas, 24 de setembro de 2010)      Mais uma vez o senhor Mahmud Ahmadinejad, rouba a cena em reunião da O...

HURRAS E TURRAS

HURRAS E TURRAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 24 de setembro de 2010)
     Mais uma vez o senhor Mahmud Ahmadinejad, rouba a cena em reunião da ONU. O homem baixinho, barba rala, quando abre a boca pouca gente aguenta as besteiras pronunciadas, esteja onde estiver. Há pouco, o presidente causou uma revolta mundial após dizer que o holocausto fora apenas uma invenção. Não quer acordo nenhum a respeito do enriquecimento de urânio, como se o Irã não pertencesse a esse planeta. Disse ainda que vai varrer Israel da face da terra e, agora, fala na ONU que o onze de setembro foi trama do governo americano. Aonde quer chegar o senhor Mahmud? O homem é convidado para um acordo e chega com palavras ofensivas e abomináveis parecendo coronéis do sertão disputando terras. Em quem confia esse tolo do poder iraniano? Será para desviar atenção do seu povo sofrido para as bravatas que só o conduzem para um emaranhado crescente? Fizeram muito bem, as delegações dos Estados Unidos e da União Europeia, ao se retirarem da reunião depois dos vilipêndios do senhor Ahmadinejad. Lá fora do prédio, protestavam os ativistas de organizações de direitos humanos. A Assembleia Geral da ONU, apesar de tão desgastada, ainda é uma coisa muita séria devido às representações de peso que a sustentam. O Irã cada vez vai-se enrolando mais na teia estendida pelo próprio presidente. Já sabemos de sobra, aonde vai desaguar a intransigência de Mahmud.
     Pelo Brasil fala o inteligente Celso Amorim com a posição já definida do Brasil. Quer que o mundo não corra o risco de uma guerra com o Irã e, insiste no diálogo. Como haver diálogo, camarada, com palavras ásperas e intoleráveis? E o chanceler vai tentando costurar aqui, acolá, querendo por remendos novos em roupas velhas. Pula do eixo e vai pedir reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil pretende uma vaga permanente, é verdade, mas não é defendendo Ahmadinejad que vai conseguir. Prossegue o chanceler brasileiro repudiando o bloqueio comercial a Cuba, pedindo a volta de Zelaya ao poder, solicitando ajuda para a África e o Haiti. Se o chanceler procura simpatia por qualquer tipo de causa, não pode escorregar na própria competência de dizer as coisas no momento errado. Menino não pede dinheiro ao pai ao notá-lo irritadiço. Quando o velho está feliz, sorridente, satisfeito, é que o garoto chega perto e assegura o trocado. Crianças também ensinam.
     Prosseguem os desentendimentos no mundo porque esse planeta é misturado mesmo. Os civilizados estão no meio dos bárbaros. A pedra lascada também está no século XXI. Ignorância, ódio, tirania, fazem parte dos sentimentos baixos, mas caminham juntos ladeando a sabedoria, o amor e a liberdade. Tudo faz parte da evolução humana e seus sucessivos aprendizados. Quem existe na Terra vai convivendo entre o divino e o infernal, no equilíbrio difícil, desafiador, cansativo que contrapesa os homens. E enquanto os humanos se beijam e se escoiceiam, as nações fazem a mesma coisa entre HURRAS E TURRAS.

O MESMO SACO (Clerisvaldo B. Chagas, 23 de setembro de 2010)      Foi uma boa ideia esse negócio de deixar o carro em casa por um dia. Aqu...

O MESMO SACO

O MESMO SACO
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de setembro de 2010)

     Foi uma boa ideia esse negócio de deixar o carro em casa por um dia. Aqui mesmo no Brasil, com a melhora do poder monetário, a aquisição do carro próprio se tornou uma febre. E quem não quer tornar realidade o sonho básico do trabalhador: emprego, casa e carro? O negócio é que a casa não sai do lugar. Quando surgiu o primeiro carro de Alagoas, ninguém tinha nem de longe, o pensamento de que Maceió iria se tornar tão pequeno para a quantidade de veículos. Inúmeras ruas foram alargadas, mangues aproveitados, novas avenidas abertas ligando bairros e mais bairros. O exemplo de socorro mais conhecido foi a via expressa e que agora também grita pelo mesmo socorro, pois está quase igual à Avenida Fernandes Lima. O número de veículos incorporados mensalmente ao trânsito está causando dor de cabeça com constantes engarrafamentos em todos os lugares. Mas cadê um sistema de transporte coletivo de qualidade? O drama antigo permanece para quem não dispõe de veículo particular e para quem quer fazer a experiência plural. Os ônibus continuam poucos, lentos, lotados, irritando o usuário que passa até quarenta minutos nos pontos de espera. Mesmo esse transporte sobre trilhos que estão aguardando, não vai resolver o problema da ganância das empresas que continuam vencendo o duelo com as autoridades em detrimento à população. É uma vergonha o que acontece na “Cidade Sorriso”.
     Quando os nossos olhares se voltam para a “Capital do Sertão”, proporcionalmente ainda é pior. Falamos sobre o assunto há pouco, mas mostrando apenas uma parte da solução dos problemas. A última pessoa que abriu novas ruas e avenidas em Santana foi Adeildo Nepomuceno Marques, prefeito por três vezes e carreira encerrada em 1977. Há trinta e três anos não se abrem novas avenidas, ruas ou travessas em Santana. A quantidade exorbitante de veículos já não cabe mais no centro da cidade, tornando os bairros Monumento, Camoxinga e o centro, uma verdadeira bagunça, principalmente no primeiro horário. Além de sugestões dadas antes, podemos acrescentar inúmeras indenizações em lugares estratégicos para novas e urgentes travessas para escoar o trânsito imprensado e doido. Os homens que mexeram com a estrutura da cidade, prefeitos Adeildo e Ulisses Silva, já partiram. Será que os últimos gestores estão aguardando a volta de ambos? Até quando Santana continuará sem construir um só beco, com a derrubada de uma casa velha repleta de morcegos? Ora, se as forças organizadas não tomam decisão nenhuma, para não melindrarem “a” ou “b”, então, que organizações submissas e fracas são essas? Você, amiga, você, amigo, já viu gestor trabalhar sem pressão? Enquanto se fala mal de governos, a própria sociedade tira o corpo ou não faz o papel que deveria. É tão culpada quanto o gestor do seu município ou do seu estado. E se vocês são de outra cidade e querem fazer um trabalho com seus alunos sobre o caos no trânsito, mande-os a Santana, lugar onde todos estão no MESMO SACO.

UM RIO MACHO (Clerisvaldo B. Chagas, 22 de setembro de 2010)      Em janeiro de 1986, realizamos uma viagem de estudos e aventuras pelo ...

UM RIO MACHO


UM RIO MACHO
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de setembro de 2010)
     Em janeiro de 1986, realizamos uma viagem de estudos e aventuras pelo rio Ipanema. Primeiro, saímos de Santana a pé, até a foz, em Belo Monte. Depois fomos de automóvel até as nascentes, em Pesqueira, Pernambuco, e de lá descemos também a pé, até Santana. Da primeira viagem participaram quatro pessoas: Clerisvaldo, João Quem-Quem, Benedito Pacífico e Wellington Costa. Em Batalha, o comerciante Benedito (Biu), retornou. Após três dias, chegamos ao destino. Quando fomos para a segunda viagem, o radialista Wellington, havia ido embora para Sergipe. Benedito, não quis enfrentar. Eu e João fomos levados às cabeceiras pelos santanenses conhecidos como Cecéu, Zé de Pedro e Ivan Caju. Dali, desci o rio com João Quem-Quem durante três dias. Foi assim que surgiu o livro “Ipanema, um rio macho”. Com as dificuldades de sempre, o livro ficou engavetado. Nesse ínterim, faleceram Wellinton e Benedito. Resolvendo agora desengavetar o “Ipanema”, vim a Maceió lapidá-lo e fazer orçamento. Não queria gerar expectativa como a História de Santana (que está quase saindo). Pensava divulgar a publicação após o acerto de prazo com a gráfica e a fixação do dia de lançamento. No seu manuseio, mostrei a uma pessoa daqui a figura de João do Lixo que numa foto está à porta do restaurante onde tudo teve início (página 30). Hoje, dia 21, vejo com surpresa sua foto no Portal Maltanet, que diz sobre o seu falecimento. Fui obrigado, então, a falar do que seria uma surpresa. João ganhou o apelido por ter trabalhado na caçamba de transporte de lixo da prefeitura local. Depois resolveu abrir um luxuoso restaurante à Rua Delmiro Gouveia, mas conservou o apelido no estabelecimento: “Restaurante João do Lixo”, o que causava estranheza aos visitantes. João era casado com Salete Nobre, pessoa de família tradicional e de alto gabarito aí da nossa terrinha querida.
     O livro “Ipanema, um rio macho”, é um documentário, um paradidático que complementa a história do município. Tudo, absolutamente tudo que você queria saber sobre o rio, está ali escrito. Dividido em três partes, na primeira o autor descreve a natureza, quando o rio é dissecado das nascentes a foz. Tabelas, fotos e mapas enriquecem o trabalho do leitor exigente. A segunda parte fala do social influenciado pelo Panema. A terceira é um diário de viagem detalhado que, tanto diverte quanto impressiona. Daria um filme muito bom. Para brindar ainda mais o leitor, apresentamos a peça teatral aconselhável para adultos: “Sebo nas canelas, Lampião vem aí!” A referida peça acha-se dividida em três atos e temos certeza que fará sucesso nos teatros do país inteiro.
     Publicar livros no Brasil, já dizia um escritor, é aventura. Com certeza esse livro pequeno, de apenas sessenta e duas páginas e trinta fotos, tornar-se-á um dos documentos mais significativos, procurado e pesquisado de Santana, juntamente como complemento ou não de “O Boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”. Para não esquecer, o compêndio traz a capa do artista plástico, Roberval Ribeiro e apresentação do escritor Marcello Ricardo Almeida. Malta e João do Mato, “Primo Vei”, estão convidados para uma articulação com UM RIO MACHO.

AS TRÊS RAPOSAS (Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2010)      Faltando apenas dois dias para o início da primavera, o Sertão alagoan...

AS TRÊS RAPOSAS

AS TRÊS RAPOSAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2010)
     Faltando apenas dois dias para o início da primavera, o Sertão alagoano ainda vai deixando a frieza de inverno pelas noites serenas. Tendo iniciado este ano com atraso, a estação das águas descontou durante julho e metade de agosto. A região continua verde, açudes e barreiros cheios e ainda lençóis reforçados sob telhas de barros dos sítios e da cidade. É nessa ocasião transitória, quando as ruas ainda cedo ficam desertas, que aparecem os contrastes. O homem se recolhe em seu lar, mas os carros de som infernizam pelo lado de fora, ferindo-lhes os ouvidos, querendo forçar uma suposta pega na abertura. Dentro desses últimos quinze dias que restam para as eleições, futucar as pessoas dia e noite com a vara de som, é missão mesmo do cão do inferno que não tem quem aguente. Quem quiser que pense em passar das seis horas no quentinho da cama! Nem adianta gritar para o camarada do volante com o pescoço espichado na janela. Se o peste ouvir, talvez consiga responder: “Homem, me deixe ganhar o pão dos meninos!” E o badalo dana-se no mundo repetindo trezentas mil vezes o nome do candidato. Durante a noite, do mesmo jeito. Se não escolheu ainda o tal candidato, negão, o badalo vai cantar no seu pé de ouvido até altas horas da noite. A festa da democracia é bonita, mas o negócio, amiguinho, é o abuso. Os que entram no processo querem porque querem arrancar a opinião favorável através do grito. Mesmo assim vamos tentando segurar a paciência até o dia da verdade que também muitas vezes não é tão verdadeiro assim.
     Estamos diante de uma batalha ferrenha. Para governador, lutam na arena três raposas bem vividas, que procuram justificar a excelência do mamífero canídeo. As raposas estão espalhadas pelo mundo inteiro. Tanto aparece no norte quente da África, quanto no gelo medonho do Canadá. Descobriram nesse animal o dom da esperteza e da malícia. Raposa come quase tudo: coelhos, lebres, ouriços, aves, peixes, frutas. Tudo o que sobra vai guardando em esconderijos que chegam a vinte, sem esquecer-se de nenhum deles. Não achando o que comer por onde anda, vai rondar as casas da área rural e urbana. Quer dizer, vai mesclando a sua dieta entre frutas, carne vermelha e carne branca, recomendada pelos médicos. Sabe ou não sabe das coisas? Pois bem, vimos, então, que a raposa guarda até em vinte esconderijos. Eles guardam em muito mais. Elas comem muitas coisas. Eles levam tudo. Raposas procuram as tocas, os galinheiros... Eles procuram os cofres. E no final de tudo, o pasto deles somos nós, deglutidos esperneando ou não. Meu amigo é livre, pensa como quer. Mas nessa batalha não haverá vencedores nas multidões. Só ele será o vencedor: a raposa mais escolada do tripé. Vamos às urnas cumprir em Alagoas o destino da canga. Vai ser assim com a filharada das pradarias e as TRÊS RAPOSAS.

PADRES-NOSSOS (Homenagem aos tropeiros) (Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2010) Para a sensibilidade de Primo Véi, Neilda, Malta, Va...

PADRES-NOSSOS

PADRES-NOSSOS
(Homenagem aos tropeiros)
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2010)
Para a sensibilidade de Primo Véi, Neilda, Malta, Valter, Sérgio e Fábio Campos, Henrique, Zé Ormindo, Davi Chagas, Remi, Marcelo Almeida e Alberto Pereira.

     Lá vamos conduzindo cargas pelos ínvios caminhos das caatingas. Notícias transmitidas em lombos de burros, parte integrante de rapaduras, tecidos, cereais... Aguardente. Sol a pino dardejando na imensidão anil; serras distantes, pequenas, azuladas na curvatura do horizonte. Namorar de guaribas, urros de canguçu, zumbidos de abelhas. Aqui o trotear compassado da burrama, ali o espalhar das águas dos riachos cristalinos. A sombra da quixabeira, os brancos/cinzas dos saquins nas verdes copas. Quebradas, alcantilados grotões, longas travessias de solitárias cores. Soluços de fogo-pagou nos galhos retorcidos, cobertos pelos incisivos estalos do burinhanhém. Rãs nas pedras escuras espiam o movimento da ribeira. Camufla-se a jiboia no pedregulho, salta o mocó no lageiro branco e o preá eriça o ralo bigode no túnel da macambira. O mandacaru é soldado do exército brasileiro em sentinela. A cana de taquara forma corneta para o atalaia dos sertões. Risca a tropa no alto da colina onde o juazeiro acena. É feito o acampamento entre pedras roliças de choroso olho d’água com pestanas de relvas.
     A tropa liberta-se, pisa o chão e come o prado. Mão invisível vai manchando o infinito de amarelo, encarnado, nos pés dos alvos cirrus que desenham rostos; de quem, de além, de ninguém. Parece que na derradeira pedra do serrote (a mais torneada, a mais formosa, a mais mulher) tocam as ave-marias no entrelaçamento com os facheiros. Os burros corcoveiam, vacilam, deitam próximos ao dono, desconfiados com os felídeos. Longe das unhas afiladas e retráteis da jaguatirica. Após a oração, a natureza põe um véu, negro e transparente, em seguida usa o tecido encorpado que encobre a cena. Queimam os gravetos no fogo de chão. Vê-se um faiscar, um reluzir, um brilho intenso que sai da boca da noite. Radiosa estrela que rir, pulsa, jorra felicidade; esperança doce, serena, aconchegante anjo noturno salvador de almas. Tisna o amarelo. Infla e sobe a orgulhosa baronesa elegante em prata. Deus ilumina com esplendor a solidão do peito. Espreme-se a saudade, a frustração rompe a camisa, queima o rosto de fogo, derrama-se o amor fugidio:

“Os zóio da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse há mais tempo
Não amava quem amei...”

     Olhos cerrados, pensamentos contam estrelas. Avança a noite. Só o cricrilar nas ranhuras do terreno perturba a paz do elevado. A coruja caça, o rato dispara, o bacurau ausculta. Quando a Papa-ceia sinaliza, a burrama levanta. Hora de enfrentar muitas léguas de chão.

“Ê tropeeeeiro...
Vai partir de madrugada
Não vê mais a sua amada
E amanhece o diiiiaa!...”

     ─ Êêêiii! Vamos simbora amigos, terminou as ave-marias, agora vamos para os PADRES-NOSSOS.





O CASO DA MANTEIGA (Clerisvaldo B. Chagas, 17 de setembro de 2010)      Você já ouviu falar até demais que “o pão do pobre somente cai leva...

O CASO DA MANTEIGA

O CASO DA MANTEIGA
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de setembro de 2010)
     Você já ouviu falar até demais que “o pão do pobre somente cai levando a manteiga para baixo” (pelo menos quando tem manteiga). Para confirmar, também existe a expressão chula, aquela que diz que se fezes tivesse valor o pobre nasceria sem a parte polêmica do aparelho digestivo. Quando o agrônomo doutor Otávio Cabral, veio para Santana do Ipanema, pelo governo da época, aqui fez uma verdadeira revolução na agricultura. Para fomentar o algodão no Sertão alagoano, trouxe o arado, uma coisa desconhecida para todos e, a vontade de fazer progredir a lavoura diante de seus conhecimentos adquiridos em terras distantes. As novas técnicas agrícolas foram mostradas e aprendidas bem como as discutíveis cercas de arame farpado. Nas décadas de 1950-60, virou moda no sertão o plantio do avelós, também chamado labirinto. Planta da família das euforbiáceas (Eufhorbia tirucalli), originária da África. Antes as terras não tinham cercas. Os marcos entre as diversas propriedades rurais quase sempre eram os acidentes geográficos como rios, riachos, serras e serrotes. Alguns fazendeiros, porém, usavam mestres escravos peritos em cercas de pedras, obras de arte que ainda hoje causam admiração. (TCC do Curso de Especialização do autor: Negros em Santana). Com o sistema generalizado de estacas de madeira e arame, implantado pelo doutor Otávio, ficaram as propriedades cercadas, mas transparentes. Quando chegou o avelós, os fazendeiros iniciaram esse plantio nos pés das cercas e em toda a extensão das fazendas resguardando-as dos olhos de quem passava nas estradas. Criou-se aí outra especialidade ingrata que foi a de aparador de labirinto. O cidadão trabalhava com máscara e óculos, pois o avelós produz uma substância leitosa e farta que provoca a cegueira. Os mestres eram poucos por causa dos perigos apresentados, numa época em que prevenção e direitos trabalhistas ainda eram coisas raríssimas nos sertões nordestinos. Ainda existe uma família na região de Santana conhecida pelo apelido de “Labirinto”, graças ao cidadão que ficou conhecido como “Sebastião Labirinto”, falecido há pouco tempo no Bairro São José.
     A partir, aproximadamente dos anos 80, os próprios fazendeiros foram erradicando a Eufhorbia tirucalli, voltando às cercas ao normal, deixando que o viajante pudesse contemplar, toda paisagem das cercanias. E agora, nesse início de século, vão surgindo notícias sobre pesquisas com o avelós e seus encaminhamentos para a indústria. E o diabo da planta que só prestava para cegar as fazendas e os homens, vai virando matéria-prima para cola e outros produtos de alto valor no mercado. Hum! Os bovinos gostavam do seu abrigo durante inverno e verão, mas os casais clandestinos tinham muito que contar. Durante o inverno a parte de baixo do avelós era sempre enxuta e quente. Dava para arriscar um olho! E esse danado que nada valia que fez o pobre arrancá-lo com raiz e tudo, começa a ser procurado e irá valer bastante dinheiro. Será que você ainda não acredita no ditado chulo do povo? É o mesmo CASO DA MANTEIGA.

ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA (Clerisvaldo B. Chagas, 16 de setembro de 2010)      Quando o visionário padre Francisco José Correia de Albuq...

ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA

ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de setembro de 2010)
     Quando o visionário padre Francisco José Correia de Albuquerque fazia um sermão na, hoje cidade de Poço das Trincheiras, emudeceu de repente e se concentrou. Diante da multidão apreensiva, o padre voltou a falar dizendo logo que naquele momento estourava uma revolução no Recife. Foi essa revolta que ficou conhecida na história como A Revolução de 1817. Muitos foram os episódios ocorridos em Alagoas a favor do levante e depois, contra os revoltosos. Ao terminar o conflito, D. João VI, resolveu premiar Alagoas e castigar Pernambuco, tornando Alagoas independente do vizinho do norte, através do decreto de 16 de setembro de 1817. Pelo decreto Alagoas ganhava a posição de capitania independente com um governador nomeado, Sebastião de Mello. Já em 12 de janeiro de 1818, foi publicado outro decreto ratificando o primeiro.
     Diz o historiador Moreno Brandão que nessa época, Alagoas não era muito adiantado, mas também atrasado não era. Sua avaliação progressista era feita pelo número de igrejas e freguesias. Alagoas contava com as vilas: Penedo, Alagoas, Porto Calvo, Atalaia, Poxim, Anadia, Porto de Pedras e Maceió. Como freguesias funcionavam Alagoas, Porto Calvo, Penedo, Sana Luzia, Poxim, São Miguel, Colégio, Atalaia, Pioca, São Bento, Camaragibe, Palmeira e Anadia. Mesmo quinze anos antes de se tornar capitania independente, havia carta falando da situação de Alagoas. Penedo tinha como seu território Porto da Folha (Traipu) e Águas Belas (Pernambuco). Contava com seis mil fogos e quase trezentas fazendas de criar, muitos engenhos e vastas lavouras de algodão. A vila de Poxim tinha seis mil e quinhentos habitantes que viviam do corte de madeira, lavoura de algodão e do criatório de bovinos. Atalaia tinha cerca de mil e quatrocentos fogos, algodão, madeira e comércio de ipecacuanha-preta. Alagoas, Santa Luzia do Norte e Pioca, teria de cinco a seis mil fogos e mais de sessenta engenhos de açúcar, lavoura do algodão e indústrias domésticas de azeite de rícino. Porto Calvo, São Bento e Jacuípe, tinham cerca de seis ou sete mil fogos. Ali se contava cento e vinte engenhos. Supõe-se que a mais importante atividade econômica fosse à extração da madeira. Ainda havia na capitania nova, muitas outras lavouras, inclusive a de fumo, bastante lucrativa. Pequenos estaleiros espalhavam-se pelo litoral e rios de todas as terras.
     Foi diante desse quadro que foi empossado o seu primeiro governador a 22 de janeiro de 1819, Sebastião Francisco de Melo Póvoas que desembarcou em Jaraguá em 27 de dezembro de 1818. Nomeado por três anos, o governador ficaria depois até que fosse indicado o seu substituto. Na época de posse do primeiro governador de Alagoas, Santana, no Sertão alagoano, era um simples povoado com o nome de Sant’Anna da Ribeira do Panema, pertencente a Porto da Folha (Traipu). São 193 anos de Emancipação Política. ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA.
Adaptado de: Brandão, Moreno. História de Alagoas. Penedo, Artes Graphicas, 1909.
Obs. Cortesia para o (a) amigo (a): Fogos = lares, casas de família, residências.

ENFEITANDO O MARACÁ (Clerisvaldo B. Chagas, 15 de setembro de 2010)      Com o assassinato do jornalista Líbero Badaró, em 1830, a política...

ENFEITANDO O MARACÁ

ENFEITANDO O MARACÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de setembro de 2010)
     Com o assassinato do jornalista Líbero Badaró, em 1830, a política do país pegou fogo, principalmente em São Paulo. Entre as disputas acirradas de governistas e oposicionistas, ainda havia as questões de prestígios e posicionamento de portugueses no Brasil e brasileiros. Os ricos oposicionistas souberam usar com eficiência as classes populares como instrumentos de pressão, provocando a renúncia do imperador D. Pedro I, em 7 de abril de 1831. Quando D. Pedro deixou o país, as classes ricas assumiram o poder e logo trataram de afastar os representantes das classes populares. Com esse movimento planejado das classes ricas de oposição ao imperador, um líder mineiro liberal chamado Teófilo Ottoni, fez um pronunciamento. Disse ele que o dia 7 de abril teria sido o dia dos enganados. A luta do povo havia servido apenas para levar os ricos ao poder. Sendo mais explícito, o povo serviu apenas de massa de manobra para as elites.
     Na época da abdicação do imperador D. Pedro I, vamos encontrar Alagoas já na condição de província independente de Pernambuco. Particularmente no Sertão, Santana ainda era povoado e tinha o nome de Sant’Anna da Ribeira do Panema. Também naquele momento, um dos dois fundadores de Santana, padre Francisco José Correia de Albuquerque, fazia parte do Conselho Geral da Província. O povoado só veio a mudar de nome, cinco anos após a abdicação do imperador, passando por lei a condição de povoado freguesia, 1836, com a nova denominação de Sant’Anna do Panema.
     Passados os cento e setenta e nove anos da abdicação de Pedro e do pronunciamento de Badaró, encontramos na propaganda política atual, a mesma tática usada pelos oposicionistas do império. Cada facção elitista, tentando desesperadamente ganhar ou continuar no poder através de duas coisas somadas. Utilizar o povo como massa de manobra para repelir os ferrenhos adversários. Uma vez no poder, o afastamento total do proletariado. E para garantir a eficácia da propaganda, por via das dúvidas, entra em cena o dom cativante do dinheiro público. De uma maneira ou de outra, o pobre estar roubado. Só as elites dispõem da máquina de fazer governos. Quando a regra geral é quebrada, caracteriza-se a exceção. Por tudo isso, vemos que os políticos do século XXI não inventaram a roda. Pelo contrário, nela se mantêm equilibrados com a bagagem quase bicentenária de aprendizado. Existe uma diferença que pode ser notada. É que antes a briga era só pelo poder, agora é também pelo vil metal que seduz muito mais de que a mais bela e sensual das mulheres. A maciez e o aroma dos papéis diferentes, sua persuasão no meio social, induzem as mais diferentes loucuras que degradam e escravizam o homem. Mas quem quer saber disso, companheiro? O amanhã é depois. Certamente eles não sabem, mas depois do amanhã, estarão de volta para a mesma tentação de hoje. Quanto aos planos de ludibriar as massas e semear o “cacau”, passo a palavra a uma velha raposa do ramo: “É assim que vamos ENFEITANDO O MARACÁ”.