domingo, 2 de junho de 2019

PRA QUE CHORAR!


PRA QUE CHORAR!
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.120
CARUARU.(FOTO: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA).

Finalmente chegou o mês de junho, época mais aguardada no nordeste brasileiro; período em que o “Rei do Baião” ressuscita todos os anos nas festas espalhadas à base do forró. A diminuição das fogueiras nas cidades, ainda não retiraram o brilho e o fascínio que exerce o sexto mês do calendário gregoriano. A deusa romana Juno – mulher do deus Júpiter – deve ficar orgulhosa do tempo e visitar os nordestinos quentes do Brasil. O fole velho já começou a roncar do Sertão ao Litoral, do Maranhão ao Sergipe, com fogueira, sem fogueira, com mulher produzida e aguardente de encher riacho. Danem-se as dores e sofrimentos e viva a saia rodada e o chapéu de palha das quadrilhas que alegram o mundo. Até Santo Antônio, São João e São Pedro entram em recesso no céu e vêm curtir o fuzuê dos zabumbeiros.
Corre mulher, que Campina Grande e Caruaru novamente estão à cabeça das festanças. Tem até um escritor que é azoado por milho cozido, doido por canjica, maluco pela pamonha. Enfeitam-se os arraiais, as escolas, as pessoas e haja coco de roda em solo alagoano. Quando o inverno é bom, as praças exibem e vendem montanhas de milho verde. Roda o som do maior cantador do coco sincopado, o saudoso Jacinto Silva:

“(...) Mas um coco bom
De pandeiro e ganzá
Pra poeira levantar
Só quem cantava era eu...”.

Assim fica feliz a nação Nordeste, logo nos primeiros passos do mês gostoso. Gostoso de clima e de guloseimas arretadas. As estradas ficam lotadas de veículos com os nordestinos trocando de cidades em busca das melhores opções festeiras. Nos lugares núcleos do evento, pousadas e hotéis não conseguem abrigar tanta gente. Multiplicam-se os empregos temporários em torno da forrolândia que contamina tudo. As atrações anexadas ao motivo central da festa, sempre se expandem como cobra de borracha. E o viajor sedento encontra novos motivos para arrastá o pé no cimento do mercado, da praça, do clube... Do “arraiá”.
Quem não consegue brincar, rrssh...
Ô mês atrativo da gota serena! Fui.



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