BILOCAÇÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2010) (Para meus compadres professores Alberto Pereira e Salete Bulhões assíduos e importa...

BILOCAÇÃO

BILOCAÇÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2010)
(Para meus compadres professores Alberto Pereira e Salete Bulhões assíduos e importantíssimos leitores das nossas crônicas diárias).
Victor Mature estava no papel de escravo. Olhava com espanto para ti, Senhor, no filme “O Manto Sagrado”. Mas por que me levaste até o Gólgota? Estou mais perto de ti de que o ator de cinema. Estremece as minhas carnes, vibra o meu espírito. Irmano-me a tua dor. Atravesso a dor. Sinto a sua dor... Mas não é, Pai, a dor que traz a dor. São formas de translúcidos cristais que fulminam as minhas veias mutantes de crisálidas. O sangue listrado do teu corpo é o encarnado escarnecido do teu manto. Por que meus passos não são passos, não passam dessa cruz? Vigorosa, martirizante... sacra. Minha íris débil reluta a tua íris santa. Cai em mim, silêncio morto, cheio de vida do reluzir grande. Um soldado inerte, um rei no trono que a madeira ampara. Mas eu vejo na transparência fluida o que não via. Por que me elevas, Senhor, ao nível do teu sofrido e sereno rosto? Sim, vejo sim, pontos de luzes brancas em ordem de esfera. Cabelos com respingos escarlates nos fios naturais. Terríveis espinhos do horror humano. Estou vendo, Senhor: o céu é plúmbeo, à hora é nona. Faíscas de ouro escapam dos picantes ecúleos. Dardejam mistérios divinos nesse temerário céu. Longas manchas negras de caudas leitosas cortam o etéreo por trás de ti. Estendo meus dedos que se alongam em busca das tuas chagas. Um poderoso imã impede a proximidade profana. E sinto meus dedos suavemente girando em torno das tuas feridas. As mãos, as mãos, Senhor, por vontade espontânea erguem o interior das palmas e recebem fragmentos de ferro que ardem como fogo. Novamente olho nos teus meigos olhos. E o sangue dos teus ferimentos forma jorros finos que sobem, curvam-se, caem nos espalmados das minhas mãos. Vão-se os fragmentos de limalhas. As dores baixam, aliviam, desaparecem.
Vejo tua boca, Senhor, ouço o teu brado. Vou além sem saber como, na velocidade/luz. O véu do templo rasga em minha frente e meu ser estremece como em busca do teu espírito. Volto lentamente ao Gólgota e já não encontro o teu calvário. Tua cabeça pendida me expulsa lágrimas como o jorro do teu sangue. Da baixada, sobe um ornejar. À altura do teu corpo, a mesma força me conduz a te examinar sem toque da cabeça aos pés. Como o colibri que esvoaça em torno da flor, vou circulando sucessivamente em tua volta. Não pode ser irreal esse coro que ouço e não conheço. Porque ele toma o que sou e me permite a retirada. Não vejo centurião, não enxergo centúria, ignoro apóstolos. Somente o céu, a música e ti. E a mesma força que me conduziu a Judeia, vai me afastando como cheguei ao monte.
Sem saber se isto é uma crônica, um sonho, um conto... Olho as minhas mãos, descubro vestígios vermelhos dos tiranos pregos. E um perfume profundo que supera as rosas, emana fortemente das marcas encontradas. Choro copiosamente. Vacilante, espio a sua imagem hirta na parede do quarto. E fico entendendo sem compreender essa BILOCAÇÃO.

OLHANDO DE CIMA (Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2010) Quando em sala de aula, fiz o possível e o quase impossível para colocar a Ge...

OLHANDO DE CIMA

OLHANDO DE CIMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2010)
Quando em sala de aula, fiz o possível e o quase impossível para colocar a Geografia Física na cabeça da juventude. Sempre achei um absurdo às marteladas constantes nas paisagens alheias e o esquecimento interminável das nossas. O rio Amazonas e a serra do Mar são importantes. Muito mais importante para nós é o rio Ipanema que construiu essa cidade, que nos permite a ventilação vinda pelo seu leito seco. Muito mais considerável de que a serra do Mar é o serrote do Gonçalinho (do Cristo) que nos ampara no inverno de uma frieza excessiva. Se todos os professores fizessem assim na cultura, no folclore, na História, na Geografia mesmo, talvez os jovens tivessem muito amor a terra e não se envergonhassem do seu berço. Certa vez saí sozinho a fotografar pelas redondezas, pois gosto das chamadas fotos artísticas. Projetei um dos meus slides que representava belíssimas flores silvestres à margem de um lago. Os alunos ficaram abismados com tanta beleza. Dei três países como opção para que eles dissessem a origem da fotografia. A maioria apontou o Canadá. Fiz suspense e depois revelei a verdade. A foto representava o açude público Bode, hoje, vizinho das últimas casas da Lagoa do Junco, a cerca de seiscentos metros da ESSER. A gargalhada foi geral.
O riacho do Bode na sua pequenez nasce nas imediações da serra da Camonga, corta os arredores de Santana e despeja no rio Ipanema, no lugar chamado Cachoeiras. Sua localização permitiu a existência do açude do Bode, construído na época em que Santana lutava por água encanada do rio São Francisco. Do seu paredão se avista a “Baronesa”, serra da Camonga, com toda sua majestade, que também é vista da ESSER. Pois foi com espanto que recebi uma foto da bacia hidrográfica do riacho do Bode, tirada da cabeça da “Baronesa”. Coisa do “Primo Vei” (João Neto de Dirce) que a enviou por e-mail lá do Mato Grosso e que poderá servir de papel de parede para qualquer computador do Brasil. Não. Não senhor, não é do Canadá meu camarada. É de Santana do Ipanema, mesmo.
A brincadeira da IV caminhada movimentou bem o Portal Maltanet. Relatam uma caminhada cheia de saudosismo, curiosidades e amor ao torrão. Notamos, entretanto, uma maioria veterana, fato que nos leva a perguntar onde fica o espírito aventureiro dos mais jovens. A nossa fazenda Santa Helena ficava no sítio Timbaúba, sopé do lombo da Camonga. Nunca fui até o cimo por falta de oportunidades, mas nunca deixei de galgar outros montes do mesmo maciço: Poço, Macacos, Gugy, Pau-Ferro e Caracol. Sempre repito: quem não conhece a Geografia das serras, os costumes dos seus habitantes, não conhece Santana. Que tal um incentivo aos alunos de todas às escolas da cidade: incursões, divertimentos e aulas para conhecimento total do município? Deixe, deixe... deixe, já sei a resposta. Estou cansado de saber. Voltando ao antigo assunto, vênia aos participantes da IV caminhada. Menos vê quem não vai OLHANDO DE CIMA.

DEIXE CAIR (Clerisvaldo B. Chagas, 12 de agosto de 2010) Se no Sertão de Alagoas o mês de julho é muito frio, perde longe para o irmão ago...

DEIXE CAIR

DEIXE CAIR
(Clerisvaldo B. Chagas, 12 de agosto de 2010)

Se no Sertão de Alagoas o mês de julho é muito frio, perde longe para o irmão agosto. Muitas veze o mês de julho, por ser o mais chuvoso, deixou o homem do campo em situação difícil. A parte da lavoura que conseguia escapar das águas pluviais caía na malha fina do mês seguinte. A frieza e as pragas, principalmente de lagartas, aplicavam o golpe final no campesino. Esse ano de 2010, ambos os meses quiseram lembrar o que tanto já fizeram.
Sobre o mês de julho, dizia um soldado combatente do Caso Angicos: “Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, entre a cidade de Piranhas e o coito de Lampião, a frieza era de matar sapo”. Agosto também vai castigando com suas características: pouca chuva e muito frio. O seu nome vem do latim e substitui a antiga denominação do oitavo mês do calendário gregoriano. Por decreto em honra ao imperador César Augusto, fica selada a vaidade do dirigente de Roma. Agosto é considerado por supersticiosos e adivinhos, um mês perigoso por causa de vários acontecimentos catastróficos nele ocorridos. No Nordeste era chamado “o mês do cachorro doido”. Pescadores dizem ser um mês péssimo para a pesca. Muitas pessoas nem sequer compram ou vendem coisas importantes nesses trinta dias. Será mesmo que a divindade discriminou esse período? Só sei meu “irimão”, dizer como minha sogra Ana Maria Amorim, falava: “Lá fora está caindo gelo”. E para esse sertanejo, comedor de carne assada de bode com farinha seca, somente duas coisas restam. Aguardar com alegria as últimas garoas de agosto e se abrigar covardemente nos velhos casacos de outros agostos. Mas nem somente de previsões negativas é repleto esse mês. Lembremos o Dia dos Pais, marcante e inesquecível, grande reconhecimento festivo que mexe com os sentimentos de todos. Mês de seu Manoel Celestino das Chagas com seus noventa e cinco anos de idade. Esteio de luz e segurança, pai do autor. Não, não é certo o ditado: “Mês de agosto, mês do desgosto”. Desenganos acontecem o ano todo. Ninguém perde sem ganhador. Vamos aproveitar o limão para uma boa limonada. Usar a frieza do mês para escrever, refletir, poetizar o tempo, tomar café e contar loas.
As noites são mais longas, indivíduos se recolhem cedo e, os ferrolhos nas portas ficam nervosos. Até os gatos procuram a quentura dos recantos. Nem sei por que melodias tão distantes teimam em perfurar o silêncio noturno. Uma noite de umidade bailarina, acrobática, “retorcível”. As lâmpadas escondem os focos nos postes altaneiros. Beatas dormem nas calçadas, sem calor, sem brasas, sem dono. Um cão se enrosca nos jornais da marquesa. Um boêmio assovia solitário numa rua qualquer. A noite prossegue pintando os telhados de nostalgia.
Afinal, quem está fazendo traquinagens sob os grossos lençóis, não pode falar mal da frieza de agosto. Hum rum! “Lá fora está caindo gelo!” Ah, seu besta, DEIXE CAIR.

À ESCRITORA LÚCIA NOBRE

Prezada escritora Lúcia Nobre.

Só agora tive a oportunidade de ler o livro “À Sombra do Juazeiro”. Ocorreu um lapso na página setenta e três, na sua crônica “Estudantes Anos Sessenta do Colégio Estadual Deraldo Campos”, ao se referir a minha pessoa como estudante daquele colégio, colega de Reginaldo Falcão e por ele liderado. Nunca fui colega estudante de Reginaldo em escola nenhuma, somente colega como professor. Também nunca fui aluno do Colégio Deraldo Campos. Minha vida estudantil foi somente no Grupo Padre Francisco e no Ginásio Santana, onde fui aluno colega da futura escritora Lúcia Nobre. Infelizmente ficou registrado e não tem como consertar. Teria sido para mim uma imensa alegria ter sido colega estudante de Reginaldo. Sem mais, meu respeito e consideração.



TUDO DE NOVO (Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 20100)      Escorrida as lágrimas africanas, os brasileiros tentam ainda absorver o d...

TUDO DE NOVO

TUDO DE NOVO
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 20100)

     Escorrida as lágrimas africanas, os brasileiros tentam ainda absorver o direto levado da Holanda. Orgulho ferido, o torcedor tenta amenizar a vergonha nos desafios internos entre clubes estaduais. Respira-se uma nova atmosfera no futebol verde e amarelo desse planeta bola. Desabam as ilusões de um titã invencível criadas pelos fanáticos do país. E os jogos sucessivos entre times que se vão nivelando por cima, vão sarando as pisaduras da derrota além-mar.
     A escolha do novo técnico da Seleção Brasileira, não chegou a seduzir ninguém. Fosse quem fosse o indicado, o efeito seria o mesmo, pois a cura de caso grave não acontece com apenas uma indicação. Um recomeço partindo do zero, deixa muita indiferença no torcedor. Com o amistoso marcado para a América do Norte, os que gostam do fuá ficaram espiando por cima dos ombros apanhados. Uma vitória, uma derrota, nada entusiasma ainda. E como o tempo nada tem a ver com isso, trouxe a data e à hora da partida.
     Sem a transmissão direta pela TV, viramos reféns das tramas poderosas. Um vídeo gaguejador foi tudo que pode consolar quem queria ver o jogo em toda plenitude. Ainda bem que o Brasil ganhou pelo placar de dois a zero dos Estados Unidos. Sem muita euforia, ainda, o estádio ficou pequeno para retratar o embate do gramado. Foi bom o placar final que derrubou o saudosismo. E se ninguém é de fato insubstituível, colocaram o Ganso e o Neymar para a prova dos nove. Vendo à prestação e ouvindo comentários, podemos afirmar que foi um bom recomeço, não unicamente pelo resultado dos gols, mas pelo “futebol alegria do povo”, ressuscitado em território americano. Como o Brasil costuma imitar os outros países, até o futebol sofreu a influência da Europa quando se falava em futebol moderno. E foi nesse tal moderno que embarcamos e naufragamos em águas estrangeiras. E dizendo como se pronunciou um amigo no Estádio Rei Pelé em dia de Seleção: “os homens jogam bola!” Digo que os meninos jogam bola! São endiabrados de verdade. E o melhor é que se divertem e divertem os outros. E como foi dito, não é hora de entusiasmo ainda com roupa de luto. Outro ponto contado foi o trabalho que a seleção americana estava dando antes e durante a Copa, mantendo agora sua base. Isso significa dizer que uma possível vitória brasileira não seria tão fácil assim. Mas foi. Os gols perdidos pelos garotos do Brasil poderão ser acrescentados positivamente, como anexos do baile canarinho. Pode ser que a partir do próximo amistoso, o torcedor deixe de olhar enviesado e queira encarar essa renovação. Dizem também que todo técnico tem que trazer um pouco de sorte assim como um bom goleiro. Esperamos que o senhor Mano Menezes esteja entre os iluminados para desenhar nova esperança ao povo. Dessa vez a cautela popular vai prevalecer. Impossível mesmo de não acumular esperanças é quando se assiste a garotada se divertindo. E mesmo se não quisesse mais acreditar: os meninos jogam bola! Com a bicharada Pato, Ganso e outros, não custa nada, vamos começar TUDO DE NOVO.


SOMBRINHAS (Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2010)      Vou conversando sob o sol forte da capital. Os assuntos são vários, mas de r...

SOMBRINHAS

SOMBRINHAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2010)

     Vou conversando sob o sol forte da capital. Os assuntos são vários, mas de repente entro na matéria sombrinha. Nunca mais havia visto mulheres de sombrinhas. Será que elas não usam, em Maceió? A pessoa me explica isso e aquilo, mas não fica bem clara a ausência do objeto nas ruas. Talvez para me contrariar, encontramos na esquina uma senhorita portando uma. Ficamos admirados e alegres com a prova repentina. Não resisto, paro a mulher e falo da conversa que eu vinha puxando. Ela ri. Fica feliz por ter sido parada por desconhecidos para trocar gentilezas. Diz que gosta de usar aquela armação, novamente ri e vai em frente. Vejo elegância intransferível na mulher que usa bolsa a tiracolo, suspensa ao ombro, ou a sombrinha aberta, protetora do sol e da chuva. Toda mulher fica elegante ao usar bolsa; toda mulher é bonita usando sombrinha. São duas coisas completamente desiguais do sapato alto que tanto classifica o bom gosto quanto ressalta o ridículo. Depende da pessoa e das circunstâncias. 
    Ninguém se arrisca a dizer quando surgiu a sombrinha. É certo, contudo, que a arte registra a sua existência no Egito, China e Pérsia. No Egito as sombrinhas serviam ao faraó com uma serva encarregada dessa tarefa. Depois o seu uso passou a Grécia e Itália servindo aos dirigentes também com sentidos simbólicos. Para eles havia uma relação entre o arco celeste e a soberania. De qualquer maneira, a sombrinha, primeiro funcionou para as classes altas entre gregos e romanos. Somente veio a se popularizar na Europa, durante a Renascença Italiana. Mesmo assim já havia se tornado comum durante todo o decorrer do império romano. A França propagou o seu uso no século XVII e, a vizinha Inglaterra, a partir do século seguinte.
     Vendi muitas sombrinhas, guarda-chuvas, chapéus, capotes e lonas. Inclusive vejo nos caminhões de hoje as lonas com a mesma marca de quando eu as vendia. Será que ainda vou conhecer a fábrica de lonas “Locomotiva”? Os panos das sombrinhas raramente vinham com estampas. Eram lisos de variadas cores e cabos curvos. Como havia ainda poucos automóveis, as mulheres usavam e abusavam do seu uso, tanto no período chuvoso quanto na estiagem. Era um prazer pegar uma carona na sombrinha, como meio de conquista. Lembro de dois consertadores desses guarda-sóis femininos da minha terra: Josefina, a “Zifina”, avó do escritor Oscar Silva e o Salvino, que morava numa rua transversal a São Paulo, Bairro São Pedro. Ambas as pessoas eram funileiras, também chamadas no Sertão de flandreleiras. Pela sua atividade, Salvino ganhou o apelido de “Sombrinha”. As sombrinhas foram surgindo depois com os cabos sem curvaturas, evoluindo até embuti-los. Fora os raros consertadores fixos, apareciam nas ruas, de vez em quando, consertadores de fora que passavam anunciando a arte, assim como os amoladores (imortalizados por Jackson do Pandeiro). Houve uma queda no uso das sombrinhas que ressurgiram décadas atrás com belíssimas estampas como gostam as japonesas. Novamente o seu uso parece rarear. Venturosos os guarda-chuvas que encontraram suas SOMBRINHAS.

PAZ NA AMÉRICA DO SUL (Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2010)      As propostas de criação do MERCOSUL vão além de uma singela troca d...

PAZ NA AMÉRICA DO SUL

PAZ NA AMÉRICA DO SUL
(Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2010)
     As propostas de criação do MERCOSUL vão além de uma singela troca de mercadorias. Além de representar profundas ações que mexem com o social dos quatro países envolvidos, vislumbra um futuro próspero. Guerra significa desastre. Os conflitos do passado entre essas nações mostraram apenas a face negativa desse mundo repleto de ilusões. Com seus erros e acertos o Comércio do Sul, vai integrando de várias maneiras as quatro nações, deixando para trás os erros absurdos de outrora. Essa união que vai se aperfeiçoando com o intercâmbio, sem dúvida reflete sobre os outros vizinhos que não fazem parte do bloco. É certo, porém, que de vez em quando surge um desavisado que não consegue se libertar das fantasias de domínio. Representa perigo e barulho quando chega ao poder, agindo no retrocesso da sua pátria. No todo, a América do Sul vai aprendendo que o progresso acima da ignorância, prepotência, arrogância e miséria é o único embaixador da estabilidade social.
     Esperamos novos tempos de paz e prosperidade para a Colômbia e seus vizinhos. Pesa muito o equilíbrio de um dirigente em país como a Colômbia, pelo seu tamanho, posição estratégica e vontade de ascender. A Colômbia faz fronteira com Brasil, Venezuela, Peru e Equador. Suas terras são banhadas pelo Oceano Pacífico e pelo Mar das Caraíbas, representando a terceira força da economia sul-americana. Com a capital Bogotá, sua língua oficial é o Castelhano e sua população representa cerca de 47 milhões de habitantes. Não é pouca a sua dificuldade por causa da produção de maconha que aparece em primeiro lugar no mundo. Seguem-se a cultura da coca e a grande produção de cocaína. Mas nem só desses produtos fora de lei vive a Colômbia. Ela é rica em elementos naturais como petróleo, carvão, ouro e esmeraldas, além de uma agricultura que produz café (segundo produtor mundial) e cana-de-açúcar. Entra no seu desenvolvimento ainda o couro, produtos têxteis e químicos.
     A posse do novo presidente, no último sábado (7), senhor Juan Manuel Santos, já chamado pela Imprensa de Santos, traz esperanças de soluções internas para os conflitos com as FARC e, externas de boas relações com a vizinhança, notadamente com Venezuela e Equador. Nós todos da América do Sul precisamos de uma Colômbia pacificada e dinâmica para ser importantíssimo ponto de equilíbrio e solidez regional. Muitos brasileiros estudam e fazem a vida nesse país irmão, enquanto milhares de colombianos ─ muitos deles imigrantes ilegais, ainda ─ trabalham em inúmeras atividades no Brasil. Almejamos, dentro da boa vontade dos homens, que o novo presidente, substituto de Álvaro Uribe, faça um governo repleto de êxito para a felicidade do seu povo. Esperamos que após a solução do problema FARC, não exista mais motivo para a continuação de bases americanas no Sul, um desconforto que o senhor Santos terá que resolver. O Dia dos Pais merece notícias agradáveis oriundas de qualquer parte do Planeta. O melhor presente, sem dúvida alguma, é a harmonia entre nações. Compreensão ao mundo, particularmente, PAZ NA AMÉRICA DO SUL.



LUÍS DOIDO (Clerisvaldo B. Chagas, seis de agosto de 2010) Quando falamos em malucos nem sempre dizemos sozinhos. O nosso romance “Ribeira ...

LUÍS DOIDO

LUÍS DOIDO
(Clerisvaldo B. Chagas, seis de agosto de 2010)
Quando falamos em malucos nem sempre dizemos sozinhos. O nosso romance “Ribeira do Panema” bem que procura descrever os doidos da cidade. Encontramos referências também em outros livros de autores santanenses e de Palmeira dos Índios, como Oscar Silvar e Valdemar Cavalcanti, sobre essas pessoas sem juízo. Sem sabermos sobre sua origem, surgiu na “Rainha do Sertão” um doido chamado simplesmente Luís. Jovem, em torno de vinte e dois anos, Luís era alegre a todo o momento e babava sempre. Não sabemos se a baba era proveniente de algum medicamento ou consequência mesmo do seu mal. Parece que sua mãe sempre aparecia e o mantinha limpo. Por onde passava, Luís era querido e cumprimentado. Para aumentar a felicidade do rapaz, causou tremendo sucesso um forró lançado no Nordeste. “O Relabucho”, de melodia muito boa e cantada em ritmo alucinante por Zeca Balero, alegrou muita gente nessa terra. Luís doido logo se identificou com a composição de Elino Julião e Lucas Evangelista/Athaíde Pereira. Se o rapaz já era contente sem música, dobrava o ânimo quando o rádio bradava:

“Aproveita o relabucho Maricota venha cá
Eu relo, você rela, tu rela eu torno a relar...”

(...) “anda Maricota que o tempo está passando
Todo mundo tá relando, você fica sem relar...”

Estávamos aproximadamente na época da Guerra do Vietnã, 1959-1975. O forró de alta qualidade chegava e agradava a todas as camadas sociais. Luís se apaixonou pela música e passou a ser solicitado pelo comércio inteiro. Cantava e dançava rindo e babando o que era uma atração constante. “Cante aí o relabucho, Luís!” E era somente o que o doido queria:

(...) “maracujá só é bom quando tá murcho
Eu entro no relabucho só deixo quando relar...”

Palmas para Luís e Vibração na plateia.
Difícil é governar os Estados Unidos. O país ficou viciado em mandar invadir e derramar sangue. Há anos um repórter de TV fez uma entrevista com vários pistoleiros presos no Brasil. Um deles, em presídio de Pernambuco citou o vício de matar como principal causa de setenta e tantas mortes: “não tendo quem me contrate, mato só para vê a queda”. Repetindo mais uma vez, a ONU não manda em nada. Não manda porque virou títere em mãos americanas. Barack, mal anuncia a retirada do Iraque ─ onde foi fabricada ‘só para ver a queda’ uma enorme montanha de cadáveres ─ gente do governo já anuncia a invasão ao Irã. Manobras militares ameaçam também a Coreia do Norte e só falta tirar o breve do meio. Não basta o Iraque, o Afeganistão engolidor de defuntos de jovens ianques, porque o vampiro Tio Sam, não bebe em taça pequena. “Negro jurado negro apanhado”, diziam no Império brasileiro. E se Obama pensava ser um pacifista, foi perdendo a cor dos cabelos sob pressão interna. Até a ex-candidata a vice-presidenta, vulgar senhora parecida com atriz pornô, chega a dizer que o Barack não tem “Culones”. Encheu a boca do seu uso. Não sabemos se ela mandou alguém ou foi verificar in loco. Vai, Obama, cumprir a sina homicida do seu país! Vá construindo novos Vietnãs, mas não venha para cá. Ao invés de bombas e canhões, preferimos as estrofes de Zeca Balero:

“Aproveite o relabucho, Maricota venha cá...”

O Brasil já tem lunáticos de sobra, cópias, carbonos, clones... de LUÍS DOIDO.




VELHO CRUZEIRO (Clerisvaldo B. Chagas, cinco de agosto de 2010) Vou novamente subindo lento e solitário a trilha do serrote. Agora a capoei...

VELHO CRUZEIRO

VELHO CRUZEIRO
(Clerisvaldo B. Chagas, cinco de agosto de 2010)
Vou novamente subindo lento e solitário a trilha do serrote. Agora a capoeira é verde. Galhos se debruçam nos degraus de cimento e pedra. O silêncio resmunga na indefinição de um ruído, no farfalhar quase imperceptível de folhas, no som longínquo da cidade. Meia volta no corpo, nivelar de cabeça, trena nos olhos. Novo fôlego no aclive longo, no fim dos batentes, na terra banhada e nua. Rachões nos pedregulhos, garranchos de caminho e a sensação estranha de está sendo olhado, acompanhado, fotografado. Ali está, por entre espaços da folhagem, ali está. Ele, o velho cruzeiro de madeira resistindo ao tempo. Braços abertos abençoando casas tão longe e de longe tão perto, beijando-lhes os pés, pedindo-lhes a bênção. E eu vou pisando no lajeiro enorme, contando as passadas, flutuando no Sinai da minha terra. Sento-me na calçadinha da capela e acompanho o abraço de amor a urbe de Senhora Sant’Ana. Uma vigilância eterna de considerável afeto. Serras do Poço, Camonga, Macacos, Remetedeira... Lá se vai o fio d’água barrenta seguindo o destino, como o destino da gente. A torre da Matriz quer competir, mas não tem altitude. Berra o sino no protesto longo contra o concorrente natural. E me vem às narinas o perfume agreste de mato verde. Como é bela a imponência da cruz! Alastrados, urtigas, macambiras, vão fazendo o cinturão de segurança ao símbolo deixado pelos homens.
Antigo morro da Goiabeira, receptora energética do alto, jorro de fé dos que te escolheram entre os montes. Ah! Vejo as pessoas simples fazendo promessas, tijolos à cabeça, bandas de música a tocar. E os chapéus de palha, e os pés descalços e o espocar de foguetes. Onde estão as multidões que procuravam as alturas para a comunhão com Deus? Por que você está sozinho depois de curar tantos e tantos males dos que vieram após agradecer? Como notar Santa Terezinha trancada aí dentro, espelho quebrado, protegida por marimbondos? Que malvadezas fizeram com o Cristo que iniciou profanado num alto que não era de confiança. E onde estava a confiança, por que deixaram o Mestre e carregaram a fé? Não foi assim que recomendei esse lugar.
Depois de longas e longas espiadelas pelos arredores, deixo o cimo e vou degustando a descida numa lentidão de quem perde alguma coisa. Onde eram as estações de via-sacra? Não vejo marco nenhum. É verdade, mato não precisa de vias-sacras. Mato reza sempre ao sopro do vento nas manhãs fagueiras, nas noites de lua ou na escuridão enigmática de inverno. Vento sempre reza, Seu Clero! Sabia não? E nas faldas do serrote, misteriosamente desaparece a multidão que acompanhava os atores nas semanas santas. Brigas de padres não permitiram a sequencia do teatro da paixão no lugar apropriado. E lá da outra margem do rio, dos quintais da Rua Antonio Tavares, volto-me, imaginariamente aponto para a igrejinha do serrote e digo que ali estive. Nada resolvi para o morro da Goiabeira. Mas por certo as boas energias irão fazer muito por mim. Não pretendo deixar de visitar de vez em quando o cimo sagrado do VELHO CRUZEIRO.

LEITE DE QUIXABA (Clerisvaldo B. Chagas. Quatro de agosto de 2010) Diz a sabedoria popular que “tudo tem a sua vez”. Eu queria porque queria...

LEITE DE QUIXABA

LEITE DE QUIXABA
(Clerisvaldo B. Chagas. Quatro de agosto de 2010)
Diz a sabedoria popular que “tudo tem a sua vez”. Eu queria porque queria encontrar o Arenilson nascido em São Miguel dos Campos. Enfrentamos a batalha pelos estudos em república de estudantes na capital alagoana. Arenilson falava baixo, gostava de Química e era bom sujeito. Quando tomava banho ficava imóvel e dizia que era para não suar. Falava que banho demais estragava a pele. Quando nos referíamos a esses sucos em pó como cancerígenos, ele pedia que juntássemos todos os pacotes e levássemos para ele. O pai era caminhoneiro em São Miguel. E certa feita, dirigindo o caminhão do pai, Arenilson me chamou e fomos transportar melaço de uma usina no vale do Mundaú para o cais do porto. Pela primeira vez eu vi como funciona o sistema, novidades que bem impressionaram ao sertanejo. Meu colega sempre perguntava o tamanho de Santana e foi quem primeiro me falou da “feira da ponte”, tradição miguelense de Semana Santa. Tentei ultimamente localizar o homem, mas nada consegui. Na época morávamos vizinho à casa do Pedro Vieira, garoto inteligentíssimo. Tornar-se-ia Pedro, muito mais tarde, prefeito de Maceió. Encontramo-nos por acaso anos após o seu mandato e ele simplesmente provocou à memória: “Você não é o Clerisvaldo?”
Procurando como pesquisador procura os endereços de Maherval, Silvio Bulhões e Sebastião das Queimadas, fui encontrar os dois primeiros no encontro dos muralistas, festa de gala do Portal Malta net. Maherval, rapazinho, franzino, educado, sempre ia à casa de meu pai a mando da grande amiga da minha mãe, professora Adelcina Limeira. Não reconheci logo aquele cabra alto, bonito e elegante que estava no salão. Silvio Bulhões, colega de DNER do meu sogro (poeta Rafael Paraibano da Costa) professor de Matemática, deixou a escola quando eu entrava no Magistério. Nunca conversamos antes. Foi assim que eu matei dois coelhos de uma só varada de quixabeira. “Primo Vei” que compareceu em minha companhia, dava conta de tudo. Um cavalheiro! Poucos dias após o evento, encontrei-me com o Sebastião, ex-funcionário do Produban, matuto do sítio Queimadas, excelente pessoa. Pude recordar os três dias, como hóspede, em sua residência na tentativa vencedora de enfrentar o vestibular. Ainda hoje sinto o cheiro que varava o quarteirão, da inigualável carne-de-sol de porco, preparada por sua esposa Zuleide. Ê “Bastião”, macho caboclo de tantas batalhas! Andou noticiando Omir Pereira que poderia nos brindar de novo com “Hoje a Notícia Correu” (Moacir Franco) por que não? Dos quatro que eu procurava achei pelo menos três.
“À Sombra da Quixabeira” é uma coletânea de crônicas, principalmente de pessoas que escrevem através do Portal Malta net. Até agradeço por ter tido a honra de ter participado com duas das trezentas e trinta e uma, com essa. Foi lançado na mesma noite, o primeiro livro do amigo e ex-bancário Luiz Antonio de Farias, “Capiá”. Impossível resumir a grandeza do encontro em uma crônica. O evento, Encontro dos Muralistas, foi uma noite em que o Sol prestigiou a Lua. Apesar de todos estarem à sombra da quixabeira, o astro rei brilhou forte sobre a copa. Foi bom rever os amigos, armar rede à sombra e provar do sabor adocicado do LEITE DE QUIXABA.

CHEGA DE LIXO (Clerisvaldo B. Chagas. Três de agosto de 2010) Os costumes sociais vão mudando através dos tempos. Muitos deles melhoram, fa...

CHEGA DE LIXO

CHEGA DE LIXO
(Clerisvaldo B. Chagas. Três de agosto de 2010)
Os costumes sociais vão mudando através dos tempos. Muitos deles melhoram, facilitam e seguem em frente. Outros são práticos, cômodos, mas depois criam problemas sérios para a própria organização humana. Lá vai o homem refazer tudo. No caso da Moda, muitos falam que ninguém inventa nada. O que você faz hoje como lançamento, alguém já o fez há quarenta anos ou há um século aqui ou em outro lugar. Vamos observando a campanha ecológica que todos parecem se engajar. E entre essas preocupações na busca por melhor qualidade de vida, encontramos progressos significativos no planeta inteiro. Até aqueles países que resistiam à ideia de Ecologia, começam a perceber que isso não é moda, não se comporta como moda, não quer ditar moda. A luta por um ambiente saudável vai virando consciência planetária e uma espécie de febre sadia para essa e futuras gerações. Cada país, empresa, escola, pessoa, quer fazer a sua parte na salvação de competência.
Quando os supermercados tomaram a iniciativa da troca de sacolas plásticas pelas bolsas de tecido, foi uma atitude louvável para os tempos em que estamos vivendo. Quantos animais não já morreram pelo mundo após engolirem as bolsas plásticas? Os bueiros das cidades entupidos com esses objetos provocando inundações, os amontoados do material nas ruas de quase todos os municípios, dão um aspecto de repulsa e subdesenvolvimento.
O exposto acima vai trazendo à tona o tempo de um comportamento mais simples. Quando comprávamos nos armazéns, mercearias, bodegas, lojas, padarias, os objetos eram entregues em embrulhos de papel e cordão comum. O barbante (mais resistente) amarrava pacotes mais pesados. Eu mesmo dominei a arte de fazer pacotes bem feitos despachando em loja de tecidos de meu pai. Depois o cordão comum foi sendo aos poucos substituído pela fita gomada tipo “durex”. Então, para facilitar as coisas chegou a tal bolsa plástica, hoje tão polêmica. As padarias, em cidades do interior, quando não despachavam o cliente no balcão usando o papel, faziam de outro modo. Para os fregueses habituais, os pães eram entregues em sacolas de tecidos que ficavam penduradas em um prego à porta ou à janela do comprador, cedinho ou à tardinha. Cada sacola tinha a cor escolhida pela dona de casa e um motivo bordado relativo à padaria. Quantos aos pães, os básicos eram os mesmos de agora: “francês”, também chamado “pão de milho” e “aguado”; “crioulo” e “doce”. Depois foi aparecendo outros para quem tinha melhor poder aquisitivo. E, antes que você pergunte ninguém roubava as sacolas penduradas. As bolachas “cream cracker” chegavam das fábricas de fora em latas com belíssimas ilustrações e eram vendidas em retalhos. Quebra de rotina do pão. Um luxo!
Aguardamos dos mercados santanenses, a iniciativa da volta desejada e ecologicamente correta da sacola de tecidos. CHEGA DE LIXO.

NAS CAVAS DOS CINZEIROS (Clerisvaldo B. Chagas - dois de agosto de 2010) (Aos seresteiros, poetas e românticos de Alagoas) Resolvi dar um t...

NAS CAVAS DOS CINZEIROS

NAS CAVAS DOS CINZEIROS
(Clerisvaldo B. Chagas - dois de agosto de 2010)
(Aos seresteiros, poetas e românticos de Alagoas)
Resolvi dar um tempo em outros afazeres para tentar formar uma coletânea musical. Todos gostam de música, mas nem todas nos agradam. Para curtir numa viagem ou para relembrar emoções, dei início à tarefa que parecia fácil. Para adiantar as coisas, apelei para a Internet. Achei que as músicas que mais marcaram parte da minha vida giravam em torno de quinze. Um concentrado de pelo menos vinte, já estaria de bom tamanho. Pela melodia, letra e marca do momento, fui selecionando as vinte que o meu saudoso compadre Marques Aguiar chamaria de “cavernosas”. No momento, estou na décima sexta. A primeira dificuldade foi lembrar os nomes das músicas, somente com trechos de referências. Consegui encontrar quase todos os títulos. O segundo obstáculo foi não encontrar as letras de alguns títulos. O terceiro barranco foi, após encontrar título e letra, não encontrar o compositor (coitado, fica sempre esquecido). A quarta dificuldade futura poderá ser encontrar um seresteiro por aqui com a coragem suficiente para cantar e gravar as vinte homicidas para uso doméstico. Foi impossível não se lembrar de pessoas de Santana que gostavam de cantar algumas dessas cavernosas. Vou citar, portanto esses nomes que os recordo através desse trabalho. Para elas será uma grande surpresa. Fora a letra, o que faltar foi porque ainda não encontrei: intérprete, compositor ou data de lançamento.
“A Pérola e o Rubi” e “Tarde Fria” (in. Cauby Peixoto); “Noite de Insônia” (in. Nelson Gonçalves); “Risque” (comp. Ari Barroso); “Lama” (comp. Marcus Caffé); “Vingança” (comp. In. Lupicínio Rodrigues); “Ninguém chora por mim” (comps. Evaldo Gouveia e Jair Amorim. In. Moacir Franco); “Recordação de Ypacaraí” (comp. Zulena Merkin e Demetrio Ortiz. In. Perla); “Ronda”. “Mané Fogueteiro”, “Senhor da Floresta”, “Grande Mágoa” e “Ave Maria” (in. Augusto Calheiros); “Abandono” (in. Altemar Dutra) e “Lá no Pé da Serra (Você Vai Gostar)” (comps. Jorge e Mateus. In. Vanusa); “Nervos de Aço”.
Pela ordem, a primeira música lembra Cícero de Mariquinha (o maior cantor). A quarta, a quinta e a sexta, lembram Norma, prima que ajudou a minha mãe a me criar. Cantava sempre em casa. A sétima é o ex-colega de Ginásio Omir Pereira (cantor quase profissional). A oitava, Miguel Lopes (cantor de profissão). A nona lembra a ex-prefeita e excelente cantora, Linda. A décima e a décima primeira trazem a lembrança do seresteiro Juca Alfaiate. A décima segunda, Mário Nambu em vida. A décima quinta recorda Barbosinha, o homem da voz educada. E, a décima sexta, vem o boêmio Miguel Chagas. Uma, porém, está quase impossível de consegui-la, cujo trecho é: “Ó mãe/ palavra santa de tanta grandeza/traduz/ o que há de mais belo nessa natureza...” Só. Era cantada por Agnaldo, também chamado Gaguinho, (voz de ouro) pertencente à banda musical da Polícia Militar de Alagoas. Pelas madrugadas, diante da casa de Dona Florzinha, esposa do senhor José Urbano, Aguinaldo era um rouxinol que fazia chorar. Título, letra, autor e até mesmo o intérprete dessa música, não consegui. Espero que alguém nos dê pelo menos uma pista. “Grande Mágoa”, última música de Augusto Calheiros, não encontrada, só referências. Como você pode ajudar a encontrar as duas letras?
Estou seguindo a “Insônia” de Nelson Gonçalves, nesta madrugada (quatro horas e trinta minutos). Ainda vou colocar umas daquelas de Altemar (voz preferida) para dormir. Ai, ai... Fósforos sacudidos, violões chorosos... Quantos amores exaltados, quantas paixões morrendo nas CAVAS DOS CINZEIROS.

LAGO DE MEL (Clerisvaldo B. Chagas. 30 de julho de 2010) Quando saiu a notícia e foto de um caminhão queimando em pleno centro de Olivença,...

LAGO DE MEL

LAGO DE MEL
(Clerisvaldo B. Chagas. 30 de julho de 2010)
Quando saiu a notícia e foto de um caminhão queimando em pleno centro de Olivença, Alagoas, veio à lembrança uma fogueira diferente. Aconteceu lá mesmo na cidade de Olivença em 1926. Após o ataque à vila de Olho d’Água das Flores, Lampião ainda passou pelo povoado Pedrão (pé) onde sequestrou o empresário Calixto Anastácio em busca de resgate. Dali o bandoleiro partiu para o outro povoado chamado Capim que corresponde a Olivença de hoje. Fazendo algumas estripulias, Virgulino Ferreira da Silva, por isso ou por aquilo, mandou queimar um vapor de descaroçar algodão. Morreu queimado nesse incêndio, um próprio cabra do bando, cujo nome não foi repassado para a posteridade. Nessas investidas de Lampião, uma numerosa volante seguia seus passos. Essa força policial era comandada pelo tenente Elpídio e subcomandada pelo sargento Joaquim Estanislau de Brito. Quando a fumaça ganhava os céus do Capim, foi vista pela tropa do governo que não estava tão longe do povoado. Imediatamente o oficial mandou a tropa fazer alto e bivacar. O sargento, homem disposto, doido por um combate, ficou surpreso perante a ordem do comando. Indagado, o tenente disse que a tropa estava com fome e precisava parar para comer. Roendo-se de raiva pela covardia do superior, o sargento pensou em revoltar-se, mas sentiu que a disciplina estava acima de tudo. Dando tempo suficiente para que os perseguidos fossem embora, só então o tenente resolveu prosseguir rumo à fumaça. Quando a força entrou no povoado, a única coisa que fez foi mandar sepultar o cangaceiro defunto. Essas lembranças, também ficaram registradas através do futuro escritor Oscar Silva.
Vamos divagando sobre a nossa missão aqui na terra. Cada profissão escolhida exige do seu praticante um sério compromisso seja ela qual for. O sujeito não pode ser juiz, promotor policial... se tem medo de bandido. Um médico não pode exercer bem a profissão se tem horror a sangue. Professor não pode ser eficiente se não é dado às pesquisas e, assim por diante. No caso da numerosa volante que perseguia cangaceiros, faltou, no mínimo, uma espiadela no povoado para avaliar uma condição de combate. Nada foi feito, como vimos. Sentar, comer e beber é muito mais cômodo para os que fogem à luta. Bem assim, confiamos a princípio em nossos dirigentes como o sargento Brito confiava na patente do seu superior. Ficou insatisfeito, decepcionado como comentou mais tarde entre seus amigos. Nós reunimos forças e elegemos os nossos representantes que nos parecem pessoas honestas e dispostas a alavancar o progresso que teima em não chegar. Acontece que o desengano com eles não é apenas um caso esporádico, uma exceção na regra geral. É uma carreira de contas decepcionantes de rosários sem alívio de Pai Nosso. Disse-me certo dono de transporte alternativo que é muito difícil se manejar o mel sem lamber os dedos. Concordamos plenamente com as sensatas palavras que o homem ouviu da sua mãe. Acontece que os que manejam com o doce tão cobiçado, não se conformam apenas em lamber os dedos. Como o chefe da volante do Capim, eles esquecem completamente o dever assumido anteriormente. Querem o favo todo, brigam pela colmeia e sem mais controle nenhum, vão-se afundando cada vez mais no imenso, doce e ardiloso LAGO DE MEL.

GOVERNADOR BANDIDO (Clerisvaldo B. Chagas. 29.7.2010) Quem viveu o mundo típico e atribulado dos rodeios, certamente conheceu o touro que f...

GOVERNADOR BANDIDO

GOVERNADOR BANDIDO
(Clerisvaldo B. Chagas. 29.7.2010)
Quem viveu o mundo típico e atribulado dos rodeios, certamente conheceu o touro que fez história nas arenas do Brasil. Nunca um personagem com nome negativo foi tão admirado e querido quanto o boi “Bandido”, estrela de Barretos. Bandido é considerado o maior touro de rodeio de todos os tempos. Nenhum peão teve o direito de chegar aos oito segundos no seu lombo, tempo oficial marco do esporte. O boi, nome genérico do ruminante, tinha um pulo de lado, marca registrada sua, que nunca peão valente aguentou. A novela “América” tornou conhecido nacional e internacionalmente o animal invencível que participou de mais de duzentas competições. No decorrer da novela, o público passou a admirar e gostar de Bandido, que metia medo até em quem estava à frente da telinha. Infelizmente o invicto campeão não resistiu ao câncer e, aos 15 anos encerrou sua carreira em quatro de setembro de 2008. O touro Bandido foi enterrado no Parque de Peão de Barretos, cidade centro de rodeios, a 423 km de São Paulo, capital. Nunca se viu tantas homenagens a um bovídeo. Bandido ganhou memorial no parque com fotos e informações. Na época, iria ganhar ainda estátua em ferro e fibras. O touro da novela deixou setenta filhos, quatro clones e dois mil sêmens congelados. Quanta honra!
O senhor Paulo Emílio é dono dos quatro clones de Bandido. No domingo (25) estreou na arena um dos clones do grande campeão. O nome da fera é “Matador”. Pois bem, o primeiro desafio de Matador foi contra o peão Lucimar Lauriano, 21, que resistiu somente 2,5 segundos. Palmas para o animal que estreia a carreira vencendo. Todos apontam Matador como se fosse verdadeiramente o pai em suas características. O início do boi no perigoso esporte permite novas expectativas para empresários do ramo, peões e estudiosos. Aguardemos, quem sabe, outro excelente ator de novelas.
Os clamores da população alagoana são dirigidos contra a violência das ruas, a desorganização da Saúde, o baixo salário da Educação e o calote dos precatórios. Melo não resolveu, Lessa não resolveu, Vilela não resolveu. Pela pesquisa publicada, são esses, entre os outros candidatos, com maior possibilidade de vitória ao governo estadual. Conhecemos os três. Como serão resolvidos os quatro problemas acima após a eleição? Você concorda que naturalmente está difícil para o alagoano? Dizem que há um seguimento espírita na Índia que acredita na reencarnação de animais em pessoas. Se for assim, rezemos para que haja pelo menos um encosto do touro Bandido no corpo do vencedor. Por que, para resolver os quatro problemas citados, principalmente o dos precatórios, é preciso ter honestidade, fibra, coragem, determinação e valentia do touro de Barretos. Nem mocinho de cinema, nem fala mansa e nem abuso eterno deram jeito nessas coisas. E se nada disso resolveu e nem vai resolver, a única solução é apelar para o touro do outro mundo e moldar um GOVERNADOR “BANDIDO”.



VOTA EM QUEM? (Clerisvaldo B. Chagas. 28.7.2010) O mês de julho no Sertão de Alagoas é marcado pela festa de Senhora Sant’Ana. Padroeira do...

VOTA EM QUEM?

VOTA EM QUEM?
(Clerisvaldo B. Chagas. 28.7.2010)
O mês de julho no Sertão de Alagoas é marcado pela festa de Senhora Sant’Ana. Padroeira do município de Santana do Ipanema, a avó materna de Jesus comanda uma ação tradicional desde o último quartel do século XVIII. Instituída pela Igreja, a data oficial dos festejos é a mesma em todos os lugares do mundo. O inconveniente do evento religioso é que o mês da novena é justamente o mais chuvoso em nossa região. Divide a última quinzena de julho com os quinze primeiros dias de agosto em matéria de frieza. Como este ano, o Divino quase sempre gratifica o dia da procissão com estio e Sol fraco.
O dia 26 de julho ─ após a barulhenta Festa da Juventude e a benfazeja novena dedicada a Ana ─ amanheceu calmo com um Sol preguiçoso e ruas desertas. Algumas delas sem um pé de pessoa, como se diz por aqui. Mas, a partir do meio-dia, parece que a cidade inteira despertou para o apogeu dos festejos.
A procissão da Excelsa padroeira Senhora Sant’Ana, representa um belíssimo espetáculo de fé que arrebanha milhares de pessoas. Charola ornamentada com esmero, a procissão percorre ruas e avenidas, mostrando mais de dois quilômetros de gente e de colorido sobre buracos, entulhos, asfalto e calçamentos. Os cânticos habituais penetram pelos ouvidos santanenses amolecendo corações. Como no mundo profano, um lugar pertíssimo de Ana é muito disputado. Era uma ambição simples que envolvia algumas pessoas de prestígio social. Ultimamente esse lugar, perto da Excelsa, virou mistura de xadrez e de luta greco-romana entre políticos.
As pessoas comuns não tem mais direito de andarem ao lado da santa e muito menos de conduzirem o seu andor. Surgem sempre políticos no “chega prá lá” aos indivíduos do povo. A batalha surda que envolve braços e ombros para afastar os demais inclui agora os quadris de nádegas avantajadas ou murchas. Antes, o povo ria com as presepadas dos políticos locais na procissão. Mas atualmente os políticos de fora botaram (de forma acima) os da terra para correr. Só se via gente se cutucando, rindo e apontando o ridículo com o queixo. Ao chegarem a casa, vários fiéis se divertiram à beça com a resenha dos candidatos nessa época de eleição. Sendo assim, o ato religioso, além de enxadristas e lutadores, ofereceu uma atração a mais: à testa do cortejo um particular humorismo digno da novela “O bem amado”.
Mesmo durante atos religiosos significativos, o aperreio pelo voto é imenso. Se pudesse, o candidato retiraria a imagem da charola e ficaria em seu lugar acenando para a multidão: “milhares e milhares de votos, só meu”. Quem estava perto do padre me contou que a disputa por metro quadrado foi renhida. Em um momento mais difícil de passagem de trecho, um político, diante da marcada concorrência, perdeu o foco. Teve que subir em uns entulhos e voltou-se azoado para a imagem de Senhora Sant’Ana. Pegou no manto da santa ─ pensando tratar-se de uma beata de vestido azul ─ e cochichou no seu ouvido: “VOTA EM QUEM?”

PASSA EM ARAPIRACA (Clerisvaldo B. Chagas. 27.7.2010) A criatividade do brasileiro não tem limites. Além do tal jeitinho que se tornou cois...

PASSA EM ARAPIRACA

PASSA EM ARAPIRACA
(Clerisvaldo B. Chagas. 27.7.2010)
A criatividade do brasileiro não tem limites. Além do tal jeitinho que se tornou coisa nossa, outros campos também são visitados pela imaginação. As piadas reinantes em reuniões de homens são fenomenais. É preciso pensamento inteligente para bolar o fato curto e condensado da tirada divertida e maledicente. Em uma roda de amigos as gargalhadas dominam sobre a ansiedade da anedota. Todos sabem e contam piadas de sexo, papagaio, macaco, português e de tantos outros assuntos. Mas existem aqueles que possuem o dom natural para contar os fatos. Entre os que praticam esse tipo de humorismo de salão, podemos destacar dois estilos. Um deles é do bom piadista, faz a alegria da roda e gargalha com os demais da própria piada. O outro é do que emite a anedota provocando risadas homéricas, mas ele permanece quieto, calado, sério como padre velho. Desse último tipo, conheci o “Duro”, sujeito que morava à Rua Nova e trabalhava na marcenaria do conhecidíssimo Antonio Dantas. Ficou desaparecido durante dezenas de anos. Vim encontrá-lo há pouco no Bairro São José sem perceber que aquele marceneiro chamado Sebastião, era o “Duro” da minha adolescência. A ele encomendei várias peças de madeira. Depois Sebastião veio morar perto da minha casa. Em conversa informal descobri quem era o homem. Ele não se lembrava de mim. Em nossa juventude “Duro” me avistava de longe e ia logo dizendo: “Tenho uma novinha correndo sangue”. E libertava a piada que me fazia quase morrer de rir. Ele apenas fumava e permanecia cara-de-pau. Agora na terceira idade bebia muito, o álcool tirou-lhe a vida.
Uma dessas anedotas que andam soltas e modificadas, sem autores, sem registros, levadas de boca a boca, é a do cidadão que almejava a todo custo chegar ao destino. Ele está à margem da rodovia aguardando transporte. Ao avistar uma carreta, dá com a mão. O carreteiro, que já vem fumarando de raiva, quer descontá-la em alguém. Mete o pezão no freio vendo ali a sua vítima e pergunta o que é que há. O pretenso carona indaga: “Vai para Arapiraca?” E o motorista, botando para fora tudo que sente, responde: “Eu vou para a p... que pariu!” O ingênuo passageiro não desiste: “Mas passa em Arapiraca...?”
Certa ocasião conversei bastante com um candidato a prefeito de uma cidade sertaneja. O mesmo que me contou a piada acima. Queria por que queria ser prefeito. Indaguei se tinha ideal? Não. Perguntei se tinha projetos para a cidade. Também não. Indaguei ainda se estava preocupado com sua gente, com seu povo, com os problemas do município. Respondeu-me logo que não havia pensado em nada disso. Queria ser prefeito, expressão dele, “porque a prefeitura jorra dinheiro e facilidades que me permitirão alcançar o cargo estadual de..." E citou o cargo. Conseguiu eleger-se e chegar depois ao lugar que pretendia.
Sem ideal, sem planejamento, sem coração, “o importante não é ser chamado de filho de uma p...” disse-me ele muitos e muitos anos depois daquelas perguntas que relembrava e que concluiu dizendo: "Como o carona do carreteiro, o mérito é saber unicamente se a carreta PASSA EM ARAPIRACA".

LAMPIÃO (Clerisvaldo B. Chagas. 26.7.2010) (Para PRIMO VEI) Aproveitando a presença de Sílvio Bulhões (filho de Corisco e Dadá) em nossa te...

LAMPIÃO

LAMPIÃO
(Clerisvaldo B. Chagas. 26.7.2010)
(Para PRIMO VEI)

Aproveitando a presença de Sílvio Bulhões (filho de Corisco e Dadá) em nossa terra, lembramos que depois de amanhã tem aniversário da morte de Virgulino Ferreira da Silva. Setenta e dois anos se passaram desde que Santana do Ipanema, Alagoas, foi o epicentro da notícia bomba que tomou conta do planeta. Primeiro, por que a cidade sediava o 2º Batalhão da Polícia Militar, de combate ao cangaceirismo; centro irradiador de forças volantes em busca do “Rei Vesgo dos Sertões”. Segundo, por que era o lugar mais adiantado dos próximos ao massacre de Angicos. Mesmo após a apresentação das cabeças de Lampião, Maria Bonita e mais nove sequazes, nos degraus da prefeitura de Piranhas, as cabeças também ficaram expostas em Santana. A igrejinha/monumento, marco de passagem de século, construído pelo padre Capitulino, não apresentou somente Nossa Senhora da Assunção. As onze cabeças dos cangaceiros trucidados foram colocadas nos batentes da capela, para a satisfação de vitória contra o receio ilimitado da época. O quartel ficava por trás da igrejinha, no mesmo casarão onde hoje funciona uma escola. A imagem da santa, vinda de Portugal, parecia dizer àquelas cabeças sem corpos: “Eu bem que falei que esse negócio de cangaço não tinha futuro!” E a multidão se aglomerava por ali em busca da certeza dos boatos que percorriam a caatinga, os povoados, as vilas... As cidades. Para um tempo que ainda engatinhava em comunicações, foi fantástico. Não demorou nada o descarrego no meio do mundo velho de meu Deus. Fotógrafos, acadêmicos, políticos e também coiteiros do bando, invadiram a cidade rapidamente juntos ao alvoroço que tomou conta da urbe.
O comandante Lucena, cujo prestígio rotineiro ascendia na “Rainha do Sertão”, teve essa confiança elevada ao quadrado diante da sociedade perplexa. Estávamos vivendo ainda o período de interventores. A posse do novo interventor municipal, Pedro Gaia, sem destaque, morna, sem brilho, passou à euforia coletiva após um telegrama histórico vindo da ribeirinha Piranhas, local mais perto do tiroteio. Uma quantidade de fotos que ninguém sabe precisar foi estampada nos jornais de quase todos os países do globo. Soldados foram escalados para a missão sinistra e nauseante de mostrar e identificar as cabeças ao público. Todas, chegadas em latas de querosene com formol.
Estava presente no dia em que o desfile macabro chegou a Santana, o futuro escritor Oscar Silva, componente de elite do batalhão. Graças a Silva, foi registrado o essencial daquelas cenas extraordinárias ocorridas a 220 km de Maceió. Tempos depois, o comandante dos homens que atacaram Angicos, território sergipano, publicou o livro: “Como dei cabo de Lampião”. Lucena foi promovido e chegou a ser prefeito da cidade, seguindo uma carreira política de sucesso. Candidatou-se a deputado e ainda conseguiu exercer o cargo de prefeito em Maceió. A igrejinha/monumento ainda existe, mas parece não ser percebida em sua importância histórica para o mundo estudantil. Assim, as lembranças longínquas continuam povoando as massas cinzentas dos pesquisadores. Apesar de milhões de letras escritas sobre o cangaço, muito ainda se tem a dizer sobre LAMPIÃO.

• Primo Vei (João Francisco das Chagas Neto ou João Neto de “Dirce” ou João do Mato)


MELANCOLIA (Clerisvaldo B. Chagas. 23.7.2010) Literatura O mês de julho é matador. Mês de julho é quem maltrata. Mês de julho não perdoa p...

MELANCOLIA

MELANCOLIA
(Clerisvaldo B. Chagas. 23.7.2010)
Literatura

O mês de julho é matador. Mês de julho é quem maltrata. Mês de julho não perdoa poetas, amantes, apaixonados. O mês mete medo. Ele traz a frieza insistente dos dias nevoentos. E eu vou espiando o lá fora pelas vidraças translúcidas de minha vida. O céu leitoso espelha a preguiça juliana. Pardais pelos muros, telhados, rede elétrica, lembram os dorsos negros das andorinhas ─ aves de caudas bífidas da torre da igreja, do poço dos Homens, ornamentos do destino. Meu hálito quente embaça o vidro companheiro. Decido-me pelo suicídio lento e deixo flutuar a voz do cantor:

(...) “Tarde fria,
Sinto frio na alma.
Só você, que não vem,
Me acalma...”

Os olhos se umedecem. Suspiro prolongado. Continua a música:

(...) “Vem o vento
E a tarde é fria,
Estou só
E minha alma vazia.”

Quero um cigarro. Um peste de um cigarro! Onde coloquei o maço? Ah, sim, não fumo. Não tem importância. Talvez um café pequeno resolva. Tanto o cigarro mata quanto o intérprete:

“Se o amor
É uma pérola clara
Se tem
O ardor de um rubi...”

(...) “Se o amor
Tem fulgor de brilhantes
Fiel como ouro de lei...”

Bate no velho peito uma tristeza profunda. O cafezinho nada resolve. Assalta-me novamente a vontade de ser fumante. O chefe dos pardais parece zombar de mim. Ficam vermelhos os olhos, a boca resseca, despertam-se as paixões. Rói o cérebro um dilúvio nelsiano:

“Outra noite que passei em claro
Só Deus sabe por quê
Outra noite de insônia e de cansaço
Outro pedaço da vida sem você...”

(...) ”Entre as paredes frias do meu quarto
Que outrora o seu amor vinha aquecer
A insônia conversa a noite toda
E não me deixa lembrar de te esquecer...”

Mês de julho é quem maltrata. Mês de julho é matador...
ME-LAN-CO-LI-A…

 Trechos de letras musicais apresentados: “Tarde Fria” e “A Pérola e o Rubi” (Cauby Peixoto); “Noite de Insônia” (Nelson Gonçalves).

DESENROLANDO O CARRETEL (Clerisvaldo B. Chagas. 22.7.2010) Atrasaram muito o Brasil, duas coisas de peso: a dívida externa de juros absurdo...

DESENROLANDO O CARRETEL

DESENROLANDO O CARRETEL
(Clerisvaldo B. Chagas. 22.7.2010)
Atrasaram muito o Brasil, duas coisas de peso: a dívida externa de juros absurdos e a corrupção que tomou conta do País. Durante décadas, o dinheiro de toda a arrecadação brasileira, dava somente para pagar juros externos e acumular riquezas aos corruptos. Há dez anos, mais ou menos, afirmávamos que a seriedade do Brasil levaria uns cinquenta para ser atingida em toda plenitude. De uns oito anos para frente, teve início à mudança com a coragem de atacar à corrupção, primordialmente a política. Dez anos desde que falamos já se passaram. Faltam quarenta. O que ninguém tinha visto ainda começou a acontecer: presos, desmascarados, desmoralizados os colarinhos brancos. Juízes, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, vão sendo apresentados às multidões sedentas de justiça. A corrupção continua, mas não tão fácil como antes. Essa água de latrina, fétida, podre, imunda, há de passar. Quando um deputado estadual ganha oficialmente 12 mil e leva 250, é porque a água continua estagnada. Pelas cédulas úmidas do suor do povo, compreendem-se as brigas, assassinatos e a agitação indecorosa pelo Poder. Juízes safados, atolados até o pescoço na sujeira, ainda existem no País. Vão enlameando esposa, filhos e netos que se acostumam e fazem vista grossa ao ilícito que entra no lar pela porta da frente. “Ah, esses já receberam suas recompensas”. Mas os tempos passarão. Pais, avôs e bisavôs comprometidos não perdem por esperar.
Em se tratando direto de Economia, foi com imenso prazer que recebemos notícias da compra de aviões brasileiros pela Inglaterra. Não foi a África nem a América Central ─ que encomendaram centenas de ônibus do Brasil ─ foi mesmo a poderosa Inglaterra, através da companhia aérea britânica FLYBE. São 35 jatos E75, capacidade para 88 passageiros. Além disso, a companhia alinhavou mais 105 aeronaves. A transação envolve US$ bilhões. Para se fazer uma transação desse porte com uma nação emergente, é preciso bastante confiança. Vejamos como é importante a seriedade de um povo: antes comprávamos aviões aos ricos, hoje os desenvolvidos são nossos clientes. Esse é apenas um exemplo dos que diziam a inverdade nos anos de chumbo: “Ninguém segura esse Brasil”. Ao que os humoristas perseguidos retrucavam: “Como segurar se ele está todo melado de b...?” Mesmo assim, tem candidato à presidência que está demonstrando suas fraquezas, quando ataca instituições e países amigos, vizinhos, irmãos na mesma luta pelo fim da pobreza. Será que teremos um retrocesso em tudo que foi conquistado à duras penas?
Como sempre andamos pelos rastros alheios, chegou à hora de imprimirmos as nossas próprias pegadas. É assim que apesar dos maus brasileiros vamos impondo nosso ritmo ao mundo. E quem sabe se esses quarenta anos assinalados podem chegar logo após as Olimpíadas? Lembramos do humor da televisão: “Desenrola, carrité!” Com esse governo, sem puxa-saquismo nenhum, apesar de tantos problemas existentes, incredulidade apenas para os que não querem ver que estamos DESENROLANDO O CARRETEL.



FÃ ARRETADO (Clerisvaldo B. Chagas. 21.7.2010) Como já foi dito nesse espaço, um fã da cantora Clemilda sou eu. Somente Marinês teve mais fa...

FÃ ARRETADO

FÃ ARRETADO
(Clerisvaldo B. Chagas. 21.7.2010)
Como já foi dito nesse espaço, um fã da cantora Clemilda sou eu. Somente Marinês teve mais fama antes, e virou mito com o título “Marinês e Sua Gente”. Já no ocaso da cantora paraibana (talvez) surge uma voz peculiar, “amundiçada”, agressiva e alegre no mundo nordestino do forró. Clemilda Ferreira da Silva nasceu em Palmeira dos Índios, agreste de Alagoas. Veio de família humilde e nunca pensou em vida artística até o seu importante despertar. Aos 20 anos, a futura cantora foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou de garçonete. Nas horas de lazer frequentava programa de rádio. É interessante que em muitos casos, as pessoas nem suspeitam em que irão se transformar quando sonham com outras coisas tão distantes. Pode ser que a sina esteja perto e camuflada, aguardando somente a hora de agir. Clemilda começou a interessar-se por música nessas ocasiões. Certa feita ela cantou pela 1ª vez na rádio Mayrink Veiga (1965) no programa “Crepúsculo Sertanejo”. Foi ali que a mulher conheceu o sanfoneiro Gerson Filho ─ também alagoano ─ e com ele casaria. Gerson já era famoso e, Clemilda passou a acompanhá-lo como uma espécie de coadjuvante. Gerson Filho fazia muitos shows em Sergipe e assim Clemilda com ele acelerou sua carreira.
A partir de 1967, a cantora começou a gravar seu próprio disco. Em 1985, estourou nas paradas com “Prenda o Tadeu”:

“Seu delegado/ prenda o Tadeu
Ele pegou minha irmã/ e..."

Atuando no rádio e televisão, ganhou o seu 1º disco de ouro em 1985. O 2º disco de ouro veio em 1987. Com a morte do companheiro, em 1994, a cantora deixou de fazer shows. Talvez o saudosismo tenha-me feito lembrar as músicas de Clemilda. A cantora sempre atuou no estado sergipano, mas nunca se esqueceu de cantar Alagoas, terra sempre presente em suas composições. (O leitor bem sabe que não são poucos os que negam as origens). Eu vibrava quando ela estremecia tudo com voz poderosa falando em nosso estado:

(...) Alagoas deu Penedo
Sergipe deu Propriá...

Ou então quando ela manda um recado para Alagoas que estará chegando:

(...) mande avisar a Penedo
Arapiraca e Traipu...

Clemilda sempre foi uma cantora preocupada com os dois estados. Promovia a ambos no seu canto de patativa. Em uma excursão a pé a foz do rio Ipanema, eu cantava pela serra das Porteiras e o eco respondia: “Cuidado com o Tadeuuuuu! Eu, eu, eu, eu...” Sua música estava em pleno auge. (“Ipanema, um rio macho”, livro inédito). Agora desligado do mundo do forró, eu quis saber se a cantora ainda era viva. Descobri essas informações e ainda que a Clemilda apresenta o programa “Forró no Asfalto”, na TV Aperipê de Aracaju.
Um abraço enorme, então, Clemilda, desse FÃ ARRETADO!



VENDO NAVIOS (Clerisvaldo B. Chagas. 20.7.2010) Para melhor divulgar, reproduzir, informar, voltamos ao importantíssimo assunto sobre Econo...

VENDO NAVIOS

VENDO NAVIOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 20.7.2010)
Para melhor divulgar, reproduzir, informar, voltamos ao importantíssimo assunto sobre Economia em Alagoas. Para felicidade geral, o estado está inserido no mapa do mundo da indústria naval. Comparando em termos de planeta, essa indústria brasileira já é a 6ª do mundo, ganhando dos Estados Unidos e atrás da China, Coréia, Japão, EU e Índia. Temos 25 estaleiros no país e agora serão instalados mais cinco, distribuídos nos estados da Bahia Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Alagoas. A instalação de um estaleiro significa tantas coisas excelentes para o lugar e região que é quase impossível enumerá-las. O Nordeste que vive correndo atrás de Sudeste, Sul e Centro-Oeste, no desenvolvimento, tem apenas funcionando o estaleiro de SUAPE, em Pernambuco. Agora conquista a felicidade de ganhar mais um na Bahia, outro no Ceará e o terceiro em Alagoas. A Petrobrás mesmo já contratou 195 embarcações. A Venezuela encomendou dez petroleiros aos estaleiros Ilha S.A. (EISA). Parte desse pedido, possivelmente deverá ser feito em Alagoas.
Para que o prezado internauta tenha noção da grandeza desse empreendimento, ele já é considerado o maior do estado. Os números falam alto. O estaleiro EISA será instalado em Coruripe, litoral sul, ocupando uma área de dois milhões m2. O Grupo Synergy estará investindo R$ 1,5 bilhão na construção da nova indústria. Imaginem agora uma perspectiva de geração de 4.500 empregos diretos, somente na 1ª fase do empreendimento. Se para cada emprego direto, tivermos mais cinco indiretos, faça as contas o leitor, do número de beneficiados: nada mais de 22.500 pessoas. Nessas informações de jornal de São Paulo, ainda falam que pesou muito a posição geográfica do nosso estado em relação ao atendimento para o oeste da África. Impressionam ainda outros números. O estaleiro precisará de 10 mil refeições, dia. E, em se tratando de mês, 1.000 conjuntos de uniformes; 500 pares de botas; 1.500 pares de luvas e ainda haverá um processamento de 13 mil toneladas de aço.
Com as fábricas trazidas para Alagoas, no atual governo, mais a indústria naval, não há como se negar um ciclo novo da Economia nesse estado. Antes, apenas quase somente a força egoísta da cana-de-açúcar. Nada sobra para o interior longínquo, nem mesmo (como diz o próprio governador) uma fábrica de picolé. E como o canal do sertão está sendo trabalhado, agricultura e pecuária serão beneficiadas. Mas será que o Sertão só pode produzir feijão, carneiros e cabras? Queremos dizer, somente a agropecuária nos interessa? Enquanto as fábricas povoam Maceió, Marechal Deodoro, Murici, Arapiraca, a específica indústria naval encosta-se a Coruripe. Vão acontecendo os milagres de mares e lagunas.
No Sertão, onde cada um somente cuida da sua turma, estudantes, trabalhadores e outros brasileiros marginalizados sobem nos grandes lajeiros. E, em relação a Coruripe, entre palmas, facheiros e mandacarus, lá de cima ficam a VER NAVIOS.

A TAMPA DA GARRAFA (Clerisvaldo B. Chagas. 19.7.2010) Para “Tonho Cupim", Fábio Campos, Magda Wanderley, Valter Filho, Malta, Primo Véi...

A TAMPA DA GARRAFA

A TAMPA DA GARRAFA
(Clerisvaldo B. Chagas. 19.7.2010)
Para “Tonho Cupim", Fábio Campos, Magda Wanderley, Valter Filho, Malta, Primo Véi, Valões, Capiá e Remi Bastos.
Como segunda escola do estado da futura Rede Cenecista, em Santana do Ipanema funcionou o Ginásio Santana. Pelo menos por duas décadas, o Estabelecimento teve como mestres pessoas de outras áreas de trabalho. Esses profissionais atuavam como colaboradores sociais para a juventude estudiosa e nada recebiam em troca. A remuneração era apenas o reconhecimento costumeiro de final de ano. Assim, desfilaram pelo casarão: bancários, médicos, padres, juízes, contabilistas, comerciantes... Sempre cheios de boa vontade. Participei de uma turma, cujo professor de Ciências, era o médico Jório Wanderley. O doutor sempre foi educado, sereno e respeitoso com seus alunos. A sua limpidez didática influenciou a minha futura carreira no Magistério, bem como as sínteses explicativas do mestre Alberto Nepomuceno Agra. Apesar de tudo, os alunos não conseguiam ficar à vontade durante as aulas do médico Jório. Todos temiam uma gentil e irônica observação ou um educadíssimo “retire-se, por obséquio”. As suas explicações eram de uma clareza formidável e, as aulas, quarenta minutos de suspense. Certa feita, doutor Jório Wanderley desenhou uma garrafa no quadro-negro e indagou a todos para que servia a tampa da garrafa. Numa classe composta de cinquenta e nove alunos, caiu uma bomba de silêncio, ocasião em que vinte segundos transformaram-se em vinte horas. Ninguém, absolutamente ninguém, teve a coragem e a ousadia de responder. Finalmente desenganado, o doutor mesmo esclareceu: “Serve para tampar a garrafa”. O alívio foi geral, todos estavam certos no pensamento, mesmo assim continuou o silêncio. Final de ano, apenas cinco aprovados. Entre eles, eu, que apreciava a matéria.
O mundo pode ter mudado com seu progresso e tecnologias. O Homem, entretanto, continua com os seus medos, inseguranças, receios de passos perdidos. Os caminhos dos sonhos recebem névoas que às vezes não se desfazem nunca. O concreto dos grandes edifícios, as filas intermináveis de automóveis, as ruas desertas das madrugadas, fabricam momentos de pavor quando se pensa na vida. Move-se a humanidade num porvir enigmático, amargo e doce, colorido ou cinza como o cimento das edificações. O ignorante quer saber, o sábio duvida, o fraco dissipa-se. Cérebros de robôs, pernas de robôs, multidões de robôs caminham, se cruzam, se amam... Agitam-se. E dos contos de Breno Accioly, dos romances de Clerisvaldo B. Chagas, personagens viram realidade da ficção que já foi real. Todos, ficção e realidade, buscando respostas, querendo saber o que há por trás da neblina. Da vida. Um dia viramos Pilatos interrogando alhures, indecisos, tontos, vacilantes: “Verdade! O que é a verdade?” Mas não queremos ouvir a resposta, tal o próprio que não quis ouvi-la. E vamos seguindo mudos diante da complexidade do mundo e do risco de viver. Sabemos tudo e nada sabemos. Um alto-falante invisível interroga. Curvamos a cerviz. Calamos ─ como os alunos do doutor Jório Wanderley ─ com receio de não sabermos para que serve a TAMPA DA GARRAFA.

O VÉU DE VERÔNICA (Clerisvaldo B. Chagas. 16.7.2010) Interessante em pesquisas são os significados de nomes próprios de pessoas. São inúmera...

O VÉU DE VERÔNICA

O VÉU DE VERÔNICA
(Clerisvaldo B. Chagas. 16.7.2010)
Interessante em pesquisas são os significados de nomes próprios de pessoas. São inúmeras as interpretações de nomes, principalmente indígenas, quase sempre associados a animais, à flora ou aos elementos da Natureza. Muitos deles não possuem significados, até porque não foram dirigidos com essa finalidade. Outros são interpretados como fortuna, feliz, bons ventos, demônio, homem forte, a que traz as chuvas e assim por diante. Sociedades existem que escolhem criteriosamente os nomes dos filhos, baseadas nessas interpretações. Elas acham importante uma associação daquela pessoa, chamada e lembrada toda hora, com algo que seja de bom augúrio, que traga sorte, alegria ao portador. Acontece, porém, que não são muitas as que sabem interpretar suas próprias denominações. Às vezes o significado pode ser, como exemplo, homem gentil. Mas o dono comporta-se como o animal cavalo. Mulher virtuosa, mas a dona é completamente alheia às virtudes. Deus trovão, quando o portador é mais pacato do que um cordeiro. São contrastes que divertem como campeão de peso pesado dirigindo fusca. Gente que não faz jus ao nome que ostenta. Verônica, que significa “a imagem verdadeira”, tanto pode agir como diz o nome ou ser fraca, sem ação, invejosa, que, ao invés de ser verdadeira, é um desastre com verniz.
A Bíblia não conta, mas a tradição segue o texto considerado apócrifo, pela Igreja, quando fala sobre Verônica. “Atos de Pilatos”, capítulo 7. Na via dolorosa do Cristo, homens e mulheres acompanhavam os três prisioneiros. Foi, então, que uma mulher teria conseguido driblar os guardas e enxugado o rosto de Jesus com um véu (lenço ou toalha). Ao saber que Maria (também acompanhava o filho), era a mãe de Jesus, Verônica (...) “dirigiu-lhe a palavra, abraçou-a e mostrou o lenço que levava: ‘Olhe!’ E ali estava: o rosto de Jesus desenhado no pano. É notável que a Igreja, apesar de considerar o texto apócrifo, usa a parte sobre Verônica em sua Via-Sacra. Para alguns estudiosos, esse pano foi conservado em Roma até 1.600 e permanece na Itália. Várias são as versões sobre a existência da personagem e quem a teria sido. Inclusive, falam até que Verônica teria tido um problema de saúde, antes, e fora curada por Jesus. Na França, Verônica é considerada santa e protetora das lavadeiras.
O material acima é polêmica para centenas de anos. O que menos importa é se Verônica existiu ou não. A riqueza está na simbologia, nos ensinamentos de princípios e virtudes como gratidão, solidariedade, fé, coragem, testemunho, piedade e respeito pela dor alheia. Encontramos constantemente frequentadores (as) de igrejas e centros espíritas que, apesar de ensinamentos sérios e detalhistas, não aprendem para si. Apenas para aconselhar os outros. Sobre eles, diz a sabedoria popular: “Muita farinha é sinal de carne pouca”. Quantas decepções as pessoas tem de nós! Quantas decepções temos dos seres humanos! Dizem que a famosa toalha fazia milagres quando apresentada a quem precisava. Não falta quem a deseje possuir, menos para fazer o bem ao próximo, mas para aumentar o poder de obstruir a ascensão dos outros, com o carguinho passageiro que possui. Esquece que o mundo é redondo. Denigre o verdadeiro sentido do VÉU DE VERÔNICA.


VIM PARA FICAR (Clerisvaldo B. Chagas. 15.7.2010) Debruço-me mais uma vez sobre o livro “Vim Para Ficar”, do saudoso escritor santanense Fl...

VIM PARA FICAR

VIM PARA FICAR
(Clerisvaldo B. Chagas. 15.7.2010)
Debruço-me mais uma vez sobre o livro “Vim Para Ficar”, do saudoso escritor santanense Floro de Araújo Melo. Nascido em 1914, Floro é autor de obras literárias em assuntos e variedades. Considero “Vim Para Ficar” ─ livro de memórias ─ como o mais interessante de Melo. Publicado em 1981, no Rio de Janeiro, “Vim Para Ficar” descreve os antecedentes de Floro, nascimento, infância no Sertão, como se fosse primeira parte. Sua ida a Maceió e sua convivência na casa de um tio, o dono da “Casa Lavor”, surgem como segunda etapa. A terceira seria a sua partida para o Rio de Janeiro, onde concluiu sua vida e suas obras. A segunda etapa, quando Melo fala da sua viagem à capital, é fonte de pesquisa sobre as dificuldades da época onde não havia asfalto e o trajeto Palmeira – Maceió era feito em trem de ferro. Sua convivência em Maceió causa pena e revolta no leitor. Isso quando a criança é entregue pelos pais ao tio do garoto. Um carrasco. O sofrimento da criança longe de casa e cujo tio o faz de “escravo”, muito emociona. Quantas e quantas crianças e adolescentes viveram o mesmo drama de Floro, em Maceió!
O que me faz meditar sobre o trabalho, é a “Festa da Juventude” em Santana do Ipanema, cuja divulgação ganhou pelo menos o Nordeste brasileiro. Pela dimensão que alcançou a “Festa da Juventude”, antes, um dos itens de comemoração à padroeira, foi desmembrada e apresenta vida própria. Mesmo assim os dois eventos são vizinhos de mês e dias.
E como no passado, a grande maioria dos jovens da nossa terra não tem opções de trabalho dentro do Município. Não tem porque nunca houve uma política planejada para o futuro. Entra prefeito, sai prefeito e continua a política do básico feijão com arroz: calçamento e coleta de lixo. Inúmeras famílias mudando-se para Maceió por falta de médicos especializados, na cidade. Os jovens que tem condições, mesmo apertadas, procuram outros centros para o trabalho, a semelhança do escritor Floro de Araújo Melo. Perdemos várias oportunidades de sermos uma Campina Grande, Petrolina, Caruaru. Contentamo-nos com as migalhas do centro regional mais próximo, Arapiraca. Os jovens da terra só tem duas opções: ou passam num concurso público estadual, federal (se for municipal, morrem no salário mínimo) ou vão para trás dos balcões vender remédio e pão.
Enquanto isso, diante de uma Câmara sem norte e uma sociedade organizada contemplativa, os dirigentes tornam-se DONOS absolutos dos interesses particulares. A "Festa da Juventude" vai crescendo por si, conquistando gente de todos os quadrantes. A cidade, com seu planejamento fraco (“peba”), entulha as ruas de barracos e o que mais se ouve nesse caos urbano, são xingamentos, palavrões dos motoristas que circulam pelo centro. Desordem, incompetência e má vontade andam juntas. Ao encerrar a maravilhosa "Festa da Juventude", vem novo processo de decantação. Ficam no fundo da vasilha as mesmas mazelas de outrora. Uma terra em que ninguém quer fazer o seu futuro; em que seus filhos jovens e agora também os idosos tem que migrar e sofrer como fez há cerca de oitenta anos o autor de “VIM PARA FICAR”.

JUCA MULATO (Clerisvaldo B. Chagas. 14.7.2010) Completando 93 anos de nascimento do livro-poema “Juca Mulato”. Para felicidade da Literatur...

JUCA MULATO

JUCA MULATO
(Clerisvaldo B. Chagas. 14.7.2010)
Completando 93 anos de nascimento do livro-poema “Juca Mulato”. Para felicidade da Literatura Brasileira, nasceu Menotti Del Picchia em São Paulo em 20 de março de 1892. Menotti tornou-se poeta, jornalista, romancista, cronista, pintor e ensaísta. Foi bacharel em Direito e militou no estado de nascimento, chegando até a Academia Brasileira de Letras. Dos inúmeros trabalhos publicados por esse autor, destacamos o livro “Juca Mulato”, lido por nós na adolescência, sendo um dos que mais nos impressionaram, assim como “Noite”, de Érico Veríssimo. Quando criança, por alguma coisa que tenha feito, Menotti foi trancado no quarto pela sua mãe. Pediu a ela um tradicional lanche à base de banana e a mãe negou. Sem poder sair do quarto, o menino pegou um pedaço de papel e um lápis e escreveu mais ou menos assim: “Eita que mãe desumana/nega até uma banana. O bilhete foi colocado por debaixo da porta e logo chegou o seu lanche. Diz Menotti que foi aí que ele descobriu um dos benefícios da poesia. Em 1917, o autor, com 25 anos, lança o poema “Juca Mulato”, nascido em Itapira (SP) que vai chamar atenção mais do que todas as suas obras futuras. Juca Mulato foi o estopim para a Semana da Arte Moderna realizada em 1922, da qual Menotti Del Picchia foi um dos articuladores. Quem gosta de Literatura sabe como tudo mudou nas letras e nas artes no Brasil, a partir desse acontecimento.
O longo poema “Juca Mulato” ─ sertanista e romântico ─ tem como tema o amor que o Juca sente pela filha da patroa, pelo seu olhar. Isso faz com que o autor envolva os elementos da Natureza nos pensamentos e na fala do Juca. Estrelas, Sol, Lua, plantas, animais, tudo é cúmplice do drama arrebatador do personagem. Nunca vimos tanta arte num poema só. Em uma das partes, a que mais impressiona, é quando Juca, desesperado, recorre ao feiticeiro Roque. O feiticeiro, então, diz ao Juca tudo o que sabe fazer, mas não pode dar um jeito no problema do consulente. Entretanto, o aconselha. Vejamos apenas um pequeno trecho da consulta:

“(...) ─ Juca Mulato! Esquece o olhar inatingível!
Não há cura ai de ti, para o amor impossível.
Arranco a lepra do corpo, estirpo da alma o tédio,
Só para o mal do amor nunca encontrei remédio...
Como queres possuir o límpido olhar dela?
Tu és qual um sapo a querer uma estrela...

A peçonha da cobra eu curo... Quem souber
Cure o veneno que há no olhar de uma mulher!
Vencendo o teu amor, tu vences teu tormento.
Isso conseguirás só pelo esquecimento.
Esquecer um amor dói tanto que parece
Que a gente vai matando um filho que estremece
Ouvindo com terror no peito, este estribilho:
‘Não sabes, cruel, que matas o teu filho?’ “

Como é bom degustar o poema vivo JUCA MULATO!

PETRÓLEO (Clerisvaldo B. Chagas. 13.7.2010) O gerente vai mostrando tantas e tantas peças de plástico úteis para o lar. Impressiona a varie...

PETRÓLEO

PETRÓLEO
(Clerisvaldo B. Chagas. 13.7.2010)
O gerente vai mostrando tantas e tantas peças de plástico úteis para o lar. Impressiona a variedade e texturas do material. Na verdade, há uma infinidade de coisas feitas à base de petróleo. E vamos transportando os pensamentos há tempos outros, quando esses objetos eram raridades. As mulheres sertanejas andavam quilômetros com o pote de barro à cabeça. Uma luta desesperadora pela sobrevivência. Potes de barro, sim senhor, para transporte e depósito do líquido insubstituível. Lá no canto da cozinha, tampa de pano ou de madeira, a água esfriava e adquiria sabor. Assim era a jarra, do mesmo material, e que pegava vários potes d’água. Ainda havia o purrão, maior do que a jarra, fazendo parte do trio de depósito. Outro vasilhame utilizado, era a lata de querosene, uma das primeiras que surgiram no Sertão. Depois veio a lata de tinta, de margarina, que substituíam aos poucos a de querosene. Lata d’água na cabeça, até motivo de samba nos morros cariocas. Vasilhame de ferro e estanho. O complemento da lata e do pote, era a rodilha de trapo. Lá se vão às mulheres sertanejas, brancas, mulatas, caboclas, subindo as veredas, ganhando os caminhos. Pescoços rígidos, saias curtas, molejos sensuais nas nádegas volumosas. Havia também outros objetos de copa e cozinha, antes do tal plástico, feitos de louça, ágate, estanho e cobre.
O petróleo foi ganhando espaço através das refinarias. Apesar da poluição de origem petrolífera e de novas fontes energéticas, ainda são construídas essas refinarias em todos os lugares. Do petróleo temos a gasolina, óleo, graxa, piche, naftalina, querosene, gás, asfalto, coque, alcatrão, parafina, breu e ceras. O plástico foi produzido pelo inglês Alexandre Parker, em 1862. Os objetos de plástico são leves, eficazes e baratos. Logos atingiram a população de baixa renda. São vendidos tanto em lojas sofisticadas quanto no meio das feiras livres de qualquer interior. Até a tradicional cuia sertaneja, feita da cabaça, virou lata de queijo-do-reino, depois objeto de material plástico.
O Brasil é um país, cujo progresso acontece sobre pneus. Foi essa a opção do transporte interestadual básico. As ferrovias ficaram em segundo plano ou excluídas das prioridades urgentes do País. Agora estão voltando devido aos problemas crônicos de escoamento da produção para os portos, notadamente no Meio-Norte. Causou tristeza quando uma autoridade falou há alguns dias sobre o caos nas rodovias brasileiras. O homem afirmou que somente daqui a cinco anos, essas estradas estariam mais ou menos. Onde está o petróleo do asfalto? Desperdício e prejuízo marcham juntos enquanto não são solucionados os gargalos das péssimas estradas. Não dá para ser competitivo no comércio exterior, assim. E no País, como baratear os produtos comestíveis básicos se os problemas são as rodovias? Quanto mais falamos dos males desse coringa chamado petróleo, mais dele precisamos. Somos da geração plástico, petróleo, gasolina... Achamos que esse pretinho malcheiroso vindo do ventre da terra, não se vai esgotar cedo como está previsto. E se nós somos mesmo dessa geração, por muitos anos ainda, vamos continuar cheirando PETRÓLEO.

MONOTONIA (Clerisvaldo B. Chagas. 12.7.2010) O domingo amanheceu preguiçoso em Maceió. De repente cai uma chuva com aspecto de inverno que ...

MONOTONIA

MONOTONIA
(Clerisvaldo B. Chagas. 12.7.2010)
O domingo amanheceu preguiçoso em Maceió. De repente cai uma chuva com aspecto de inverno que vai embora assim como chegou. Surge um sol fraco, tímido, mortiço. Os automóveis passam devagar, vão descendo, subindo, serpenteando a Via – Expressa em dolência domingueira. Com as praias poluídas, a capital alagoana vai virando interior sem opções de lazer. Comércio fechado, ruas completamente desertas. As tardes metem medo naquelas vias sem um guarda, um policial, sem ninguém. Os que pretendem gastar dinheiro e vê outros semelhantes vão aos shoppings, ao barzinho costumeiro, à caminhada na orla. E as cabeças nos apartamentos vão riscando o céu que não se decide. Sobe o cheiro de churrasco que se expande pelo ar. Cruzando a rua aquele homem tão forte, meu Deus, puxando a coleira de um cachorrito tipo totó. Que contraste risível! Lembro imediatamente de Severino Pinto, o rei dos repentistas nordestinos. O paraibano cantava com um parceiro no antigo estado da Guanabara a convite do governador. O companheiro atacava o estado do adversário e defendia a Guanabara. Em uma das estrofes, após arrasar com a Paraíba de Pinto, encerra o verso dizendo:

“E de bom na Paraíba
Só a Rádio Tabajara”

O grande mestre Severino Pinto pegou a deixa e acabou com o parceiro numa sextilha criativa e de rimas difíceis, primeiro time das mais belas:

“O que eu vi na Guanabara
Foi negro morando em morro
Carro atropelando gente
Enchendo o pronto socorro
Ladrão batendo carteira
Mulher puxando cachorro”

Depois do Globo Rural, mais nada. Qual o interesse que o brasileiro tem mais nas corridas bestas da Fórmula 1? Massa, até logo. Barrichello, na insistência perene de bobo da corte. Está certo ele. Se não tem censo de ridículo, continue motivo de piadas. Resta o último jogo da Copa encerrar o dia. Mas não é a mesma coisa. Esperemos, então, pela noite. Quem tem muita paciência pode praticá-la ainda mais com o Faustão. E o Fantástico vem em seguida, para repetir por duas horas tudo que já foi dito no decorrer da semana, sobre o caso Bruno. O restante fica para o comentário da África do Sul. Vai continuar ligado? Sabe de uma coisa, irmão! É colocar o carro na estrada, almoçar um bagre no Pilar, engatar um retorno a Maceió e estender-se numa rede cearense. Dormir meu amigo, imitar os inventores índios desse formidável balanço. O domingo não foi feito para descansar mesmo! O pior é que até no descanso ronda o tédio. Mesmo assim ainda está faltando alguma coisa. Aí eu me lembro de Santana do Ipanema, das músicas do “Juca Alfaiate”, do “Barbosinha”, do violão de “Sebastião Sapateiro”. Tenho certeza de que eles acabariam com esse domingo de MONOTONIA.



O MONSTRO DO FLAMENGO (Clerisvaldo B. Chagas. 9.7.2010) No Esporte , a Copa do Mundo representa o máximo de aspiração para o Brasil. O brasi...

O MONSTRO DO FLAMENGO

O MONSTRO DO FLAMENGO
(Clerisvaldo B. Chagas. 9.7.2010)
No Esporte, a Copa do Mundo representa o máximo de aspiração para o Brasil. O brasileiro pode perder em todas as outras modalidades esportivas, contanto que traga o título de Campeão do Mundo no futebol. Portanto, dois fortíssimos golpes deixaram perplexo o nosso País. Perder para a Holanda foi um deles. O jogo que fez calar duzentos milhões de fanáticos, pareceu prenúncio de fim do globo terrestre. E ainda durante a ressaca avassaladora do resultado, surge a notícia terrível do caso Bruno. Não sabemos se o mistério é para explicações de filósofos ou de psiquiatras. Estamos convivendo com a morte em cada esquina, em cada rua, em cada beco. Eliminar o semelhante virou moda nesse país de Cabral. Até já faz parte da rotina esse alto índice de violência urbana. O que chama atenção, contudo, é o sadismo, a monstruosidade de alguns deles. Ouve-se falar no crime da mala. Mas, constantemente saem notícias de novos crimes semelhantes. A vítima, em pedaços, é colocada na mala e jogada em rios e córregos. Outro crime chocante foi aquele em que a vítima foi esquartejada e posta no freezer. Lembramos de um caso ocorrido na Bahia, em que um cangaceiro matou um tenente. Após, o bandido abriu a barriga do morto, retirou as vísceras e com elas engordurou o fuzil. Os nazistas arrancavam a pele das pessoas ainda vivas e, com parte do corpo, faziam sabão. Outras insanidades também eram praticadas.
O caso do goleiro Bruno, não é menor do que esses citados. O que faz um homem no auge da sua carreira, praticar desatinos assim. Goleiro do Flamengo... Faltou equilíbrio ao Bruno? Mandar matar faz parte do padrão da violência atual. A vida humana não estar valendo mesmo um tostão furado. Mas, esquartejar para alimentar os cães, é de uma loucura sem limites. Entra para a galeria dos grandes monstros da literatura, o goleiro Bruno. O caso ganha as páginas dos jornais como um desvio das frustrações da Copa. Agora é a mesma torcida da seleção querendo todos os culpados presos e o rigor da lei como gol de placa. Chama também atenção, a frieza do goleiro, como se nada, absolutamente nada, tivesse acontecendo. Nem que ele tivesse completamente alheio ao que estava se passando com a amante, haveria de mostrar algum sentimento de humanidade. Nada. Frio, calculista e sinistro. Não se trata de julgar ou pré-julgar uma pessoa. O crime está desvendado. É pena que investigações rápidas em crime outros não tenham a mesma velocidade. Mesmo assim, valeu o esforço da polícia que não deixa de possuir em seus quadros pessoas competentes. Coisas assim fazem a gente acreditar na polícia.
Vamos ver como se sairá o Judiciário. É preciso acabar de uma vez por todas com a tradição nefasta de que só existe justiça para os pequenos. Quanto ao time de Bruno, é atingido sem querer por comportamentos de alguns integrantes como Wagner Love, Adriano e agora, o outro. São fatos que não deixam de respingar no time rubro-negro. Resta acompanhar as últimas notícias a respeito do Bruno. Com a queda na própria ratoeira, trocará a fama, a frieza e a carreira de segundo melhor goleiro do Brasil, por uma sala com grades e o título inédito de MONSTRO DO FLAMENGO.



INICIANDO A LEITURA (Clerisvaldo B. Chagas. 8.7.2010) Minhas primeiras leituras, após os livros escolares, aperfeiçoaram o método. Três tipo...

INICIANDO A LEITURA

INICIANDO A LEITURA
(Clerisvaldo B. Chagas. 8.7.2010)
Minhas primeiras leituras, após os livros escolares, aperfeiçoaram o método. Três tipos de fontes davam a base para aqueles adolescentes que se interes-savam pelo mundo mágico das letras. Sem classificação pela ordem, mas em pé de igualdade pela importância do incentivo para altos graus, tínhamos: livretos infantis, folhetos de cordel e gibis. Os livretos assemelham-se aos de hoje, apresentados nas escolinhas e nas bibliotecas infantis e juvenis. Era importante fazer a leitura com algum tipo de ilustração. Somente depois é que o adolescente começa a ler sem figuras, imaginando seus próprios personagens. Entre os livretos (falo da espessura) estavam os clássicos e imortais. O que incentivava bastante era a leitura de folhetos de cordel, por causa das rimas. Aí a minha tendência poética falava mais alto e eu lia sem parar um após outro. A esses livretos chamávamos romances. Os títulos eram sem fim: João Grilo, Cancão de Fogo, A Peleja de Serrador e Carneiro, O Cachorro dos Mortos, A Índia Neci, A Chegada de Lampião no Céu, O Fantasma do Deserto, Antonio Silvino, A Chegada de Lampião no Inferno, Zé Bico Doce, A Peleja de Severino Pinto e Severino Milanês e mais e mais e muito mais. Os gibis, por sua vez, causavam frisson entre os quase rapazes. Íamos comprá-los, novinhos, cheirosos, lá na Rua Nilo Peçanha. Eles vinham de Maceió na “sopa” que fazia a linha. Mas para não pararmos a leitura, colecionávamos os gibis e saíamos fazendo trocas. Eu possuía muitos gibis e João Soares Neto (João Neto de Zé Urbano) também. João Neto, atualmente é advogado e milita em Santana do Ipanema. Mas, o João Neto de Seu Coaraci, que morava à Rua São Pedro, tinha gibis como nunca vi tantos. Saía com aquele monte no braço, fazendo trocas. João Neto tornou-se médico e atuava em Garanhuns, aonde veio a falecer. Pois bem, esses três tipos de leitura, nos deixavam desasnados e nos empurravam para leituras mais complexas e sem ilustrações.
Nesse momento (de TV, Internet e tantas outras tecnologias) é como se não tivesse melhorado nada. Não foi só uma ou duas vezes em que perguntei em várias salas de aulas de até sessenta alunos, quem tinha lido pelo menos um livro completo no presente ano ou no ano passado. Em cerca de dez, doze turmas, nunca encontrei mais de dois alunos. Sempre alertei para a evasão escolar e o desinteresse. Encontrei, porém, muitas pedagogas de cabo duro. Estamos vendo as confirmações da realidade escolar divulgadas. Isso acaba com o professor honesto que se mata por um salário vil e é chamado atenção quando diz que o aluno não quer nada.
Mas, o que queremos mesmo é mostrar que em uma época tão difícil, essas três coisas simples incentivaram os jovens aos cursos superiores. Felizmente nem tudo está perdido, tem ainda estudantes dedicados, cheios de vontade e que não gosta de perder aula. Mesmo assim, perguntem agora quantos leram pelo menos um livro no primeiro semestre deste ano. O que fazer sem gibi e folheto de cordel, eu não sei, mas é bom que se invente algo atrativo para ir INICIANDO A LEITURA.